Empresa portuguesa considerada caso europeu

Vai à Bolsa de Amsterdão e ao NASDAQ em 2000

A Easyphone, hoje Altitude Software, prepara a sua entrada na Bolsa
de Amsterdão. Um relatório da Goldman Sachs considera-a uma pioneira
sem concorrência nas soluções unificadas para CRM. A revista europeia
«hi-tech» da moda, a Tornado Insider, elegeu-a entre as 20 melhores
da Europa na sua edição de Fevereiro de 2000

Jorge Nascimento Rodrigues

 Altitude Software, the Unified Customer Interaction Company 
Do «e» na moda ao «u» do futuro
Capital de Risco português investe na Easyphone

A Altitude Software (a nova designação da Easyphone, uma empresa de alta tecnologia criada em Portugal em 1995) deverá realizar a sua entrada no mercado de valores na Holanda, na Bolsa de Amsterdão, ainda durante o primeiro semestre de 2000, podendo seguir-se, mais tarde, a cotação no NASDAQ norte americano. O valor falado nos bastidores do mercado aponta para uma oferta inicial na ordem dos 30 milhões de contos em acções no AEX de Amsterdão (na Web em www.aex.nl), considerado, entre as Bolsas históricas europeias, um moderno mercado de capitais, muito procurado por empresas de alto potencial de crescimento.

Este movimento estratégico da empresa portuguesa de «hi-tech» mais internacional - actualmente a sua «holding» está inclusive sedeada na Holanda e um dos seus centros nevrálgicos encontra-se em Milpitas, no Silicon Valley californiano - é o corolário do reconhecimento do seu pioneirismo na área muito delicada, e cada vez mais crítica, da gestão das relações com os clientes (denominada no calão da gestão, em inglês, pelo acrónimo CRM, Customer Relationship Management).

Carlos QuintasUm relatório da Goldman Sachs (GS), elaborado pelo mesmo analista que levou a Microsoft a realizar a sua oferta inicial em Bolsa, considerou a empresa liderada por Carlos Quintas um caso europeu de sucesso, particularmente depois da sua última decisão estratégica de passar a oferecer uma solução completa e unificada de gestão da relação com os clientes.

A análise feita por Rick Sherlund, um dos analistas da GS mais respeitados, afirma nomeadamente que o terreno em que a Altitude Software se posiciona actualmente não tem concorrência internacional, dado ser uma solução completa, enquanto que as outras ofertas existentes no mercado - sobretudo de origem norte-americana - estão focalizadas neste ou naquele segmento ou interface de comunicação e muito focalizadas no mercado doméstico norte-americano sem grande agilidade para a globalização. Há fragmentação das soluções para CRM, a empresa nascida em Lisboa contrapõe uma filosofia de solução unificada (ver caixa), que o relatório da GS reclama ser ainda mais eficaz que o famoso «e» hoje adicionado à força ao CRM.

Por outro lado, na história de capa da sua edição deste mês (Fevereiro 2000), a revista europeia Tornado Insider - o magazine hoje na moda entre os empreendedores da nova economia, e que pode ser acedido na versão na Web em www.tornadoinsider.com -, elegeu a Altitude Software como um dos 20 casos em destaque no Velho Continente que não «envergonha» em nada numa comparação taco-a-taco com os Estados Unidos.

Recorde-se que a Altitude Software começou como Easyphone a partir da SSF nascida em 1990 e que actuava no campo das soluções de gestão de cobranças por telefone. O projecto Easyphone surgiria em 1995 oferecendo uma solução de gestão da relação com os clientes a partir da plataforma telefónica (cujo nome de guerra, conhecido do público, é o de «call center», o local físico onde se concentram essas operações). A empresa daria um salto qualitativo em 1998 com a entrada de capital de risco norte-americano e a adopção de um modelo de negócio virado para o crescimento acelerado baseado em recursos de investimento e não em resultados da actividade, à semelhança do que se tornaria norma nas empresas nascidas com a vaga da Web, as famosas «dot.com». Sendo uma estratégia pouco usual em Portugal, a empresa cedo se destacou no panorama «hi-tec» nacional.

A recente mudança de nome pretende «desligar» a estratégia da empresa da «etiqueta» da plataforma telefónica (Easyphone, recorde-se) para uma solução baseada na nova plataforma Web em fase de massificação e integrando um mosaico de canais que mantêm a etiqueta «easy».

Tendo facturado menos de 1 milhão de contos em 1997, passou a barreira do milhão no ano seguinte e atingiu um valor superior a 3 milhões no ano passado. Apesar de ainda apresentar prejuízos nos exercícios, eles são inferiores à média do sector e são considerados irrelevantes em termos da estratégia seguida de crescimento de quota de mercado mundial e de valorização bolsista futura. A empresa iniciou, também, um processo de aquisições de «start ups», tendo adquirido a Intervento portuguesa no ano passado, e tem na mira, agora, empresas de alto potencial na Europa que se enquadrem na sua filosofia de oferta unificada.

Do «e» ao «u»
O «u» de unificado (solução unificada) candidata-se a suplantar, no futuro, o famoso «e» que hoje toda a gente cola nas suas designações. Em termos simples, as soluções do futuro serão baseadas numa filosofia de unificação de todo o tipo de canais e interfaces com o cliente e não, apenas, de «self-service» electrónico na Web.
A febre da Web tem, por vezes, conduzido muitos estrategos e empreendedores a ficar encadeados com o «e», desprezando a necessidade de soluções que atendam a todas as circunstâncias, e em particular descurando a assistência personalizada sempre que necessário.
Segundo a Goldman Sachs, a nova oferta da Altitude Software pretende jogar nesta unificação, em soluções integradas que sendo centradas essencialmente na arquitectura Web, apostam em prestar ao cliente assistência pessoal, não automática, como recurso, mantendo sempre opções reais e virtuais, clássicas e digitais.
Esta solução «mista» é designada pela GS como «interacção unificada com o cliente» (UCI, no acrónimo do «informatiquês» em inglês) e pretende ser a próxima fase do CRM (customer relationship management).
Esta capacidade de oferecer soluções para a relação com os clientes que não desprezam nenhum dos múltiplos canais em que hoje se pode estabelecer a comunicação - desde os clássicos telefone e fax, ao correio electrónico, à Web e aos telemóveis e outros aparelhos sem fios do futuro - é considerada como uma «vantagem competitiva» imbatível pelo relatório da GS.
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