Flextronics

A maior fábrica de TI do mundo

Sediada em Singapura/Cingapura, liderada por um norte-americano, líder no E M S (electronic manufacturing services)

Dá pelo nome de Flextronics e é a líder actual no design industrial e fabrico de produtos electrónicos e equipamentos de telecomunicações para as grandes marcas. Invisível ao cliente final, ela soube aproveitar a tendência crescente para o "outsourcing" de cada vez maior número de operações na cadeia de valor da electrónica na última década. Sediada em Singapura/Cingapura, é liderada por um americano adepto da "gestão sem gravata" e da "produção magra". Mantém o espírito de "start-up". Mais um dos exemplos de "Geração 21". Um dos parques industriais é em Sorocaba, em São Paulo, Brasil.

Jorge Nascimento Rodrigues, editor de Janelanaweb.com, Maio 2005

Entrevista com Michael Marks em inglês em Generation 21 em Gurusonline.tv
Flextronics no Nasdaq | Sede em Singapura
ARTIGOS RECENTES DE REFERENCIA:
Design is a commodity, Business Week, 21 de Março 2005
Staying Real in a Virtual World, Strategy+Business, Inverno 2004, número 37

Era em 1990 um nome modesto perdido nas ruas de Singapura/Cingapura fabricando circuitos impressos. Curiosamente, a Flex Holdings havia nascido na Califórnia, mas uma parte tinha sido vendida a investidores asiáticos e, depois da crise de final dos anos 1980, estava reduzida a três fábricas na Ásia. Foi, então, que um ex-director, com um MBA tirado na Harvard Business School, organizou um "buy out" da firma conjuntamente com investidores do Silicon Valley em 1993. «Eu estava, por isso, muito familiarizado com a empresa e com os seus executivos. Não era uma firma desconhecida para mim. Não foi um tiro dado no escuro», sublinha-nos Michael Marks.

Marks, então com pouco mais de 40 anos, assumiu o cargo de CEO em Janeiro de 1994, rebaptizou-a para Flextronics, e transformou a desconhecida empresa asiática numa líder mundial no que é designado tecnicamente por "serviços de manufactura electrónica" (no acrónimo em inglês, E M S - electronic manufacturing services). De uma facturação inferior a 100 milhões de dólares em 1993 passou a um gigante de 15,9 mil milhões de dólares no final do ano fiscal de 2005 (que terminou, agora, em Março), e dá emprego a quase 100 mil pessoas em 32 países. Destacou-se das concorrentes no sector - a californiana Solectron (a líder até 2001 em facturação), a canadiana Celestica e a Jabil, da Florida. Em 2003 cotou-se no Nasdaq e Marks foi eleito CEO do ano pela revista Electronic Business.

Fabricantes virtuais

O segredo do salto do anonimato para a liderança mundial em dez anos foi o conceito definido por Michael - arrancar a empresa dos circuitos impressos para uma "subida" na cadeia de valor, ocupando progressivamente mais e mais operações, antecipando os movimentos de "outsourcing" por parte dos grandes fabricantes e marcas da electrónica de consumo e das telecomunicações. Apesar do logo ser invisível à superfície, muitas das consolas de jogos, impressoras, fotocopiadoras, telemóveis, equipamentos de telecomunicações e todo o tipo de "gadgets" da electrónica de consumo das marcas mais conhecidas, são "made in Flextronics". O slogan da empresa reflecte esta posição estratégica: design, fabrico e expedição de produtos para fabricantes. A janela de oportunidade foi, desde cedo, definida por Michael - as grandes marcas serão cada vez mais «fabricantes virtuais», que se concentrarão na estratégia, na I&D, na marca e nas vendas. «O resto é para nós».

As grandes marcas serão cada vez mais «fabricantes virtuais», que se concentrarão na estratégia, na I&D, na marca e nas vendas. «O resto é para nós».

O movimento mais recente em 2001 para prestar serviços de design industrial é mais um passo na ideia do "one-stop-shop" para as TI. O próprio design começa a ser hoje uma "commodity", disse Marks recentemente à revista Business Week , pelo que a Flextronics rapidamente se posicionou como ODM (fornecedora de design e manufactura de produtos). Um dos resultados recentes foi a parceria com a Microsoft de que resultou uma plataforma barata de telemóveis, a Peabody, capaz de 18 mil "customizações" pelos fabricantes que a pretenderem. A externalização do design industrial permitirá um ganho incrível - por exemplo, num caso citado por Marks, um projecto de novo telemóvel custaria num fabricante 10 milhões de dólares, mas «nós fazemos por menos de 1/3». Fruto deste movimento, a Flextronics adquiriu, no ano passado, a Frog, uma especialista de design industrial da Califórnia, e cinco empresas na Índia, onde tem em permanência 4000 designers.

Geografia de baixo custo

Ao contrário de muitas empresas do sector que fizeram "downsizings" dolorosos e se livraram de departamentos e divisões, a empresa de Singapura seguiu a direcção oposta - integrou-se verticalmente a nível fabril, expandiu-se globalmente até ao ponto de se tornar uma metanacional, e fez algumas aquisições cirúrgicas, ainda que, no futuro, este impulso comprador «possa vir a abrandar», admite Marks.

A sua principal ferramenta foi uma opção territorial, que Michael Marks confessa ter «copiado dos 'clusters' de construtores globais de automóveis e de fabricantes de electrónica de consumo asiáticos». Desde final dos anos 1990 que a Flextronics lançou parques industriais, onde centraliza as suas operações e dos seus fornecedores estratégicos.

A sua principal ferramenta foi uma opção territorial, que Michael Marks confessa ter «copiado dos 'clusters' de construtores globais de automóveis e de fabricantes de electrónica de consumo asiáticos». Desde final dos anos 1990 que a Flextronics lançou parques industriais, onde centraliza as suas operações e dos seus fornecedores estratégicos. A lógica foi criá-los onde o talento para essas funções fosse barato e o posicionamento estratégico favorecesse a logística. Assim se implantaram sete parques, quatro dos quais no actual Leste da União Europeia - três na Hungria e um em Gdansk, na Polónia -, e os outros no Brasil (ver caixa), na China (em Zuhai, perto de Macau) e no México.

A rentabilidade, frisa o CEO da multinacional, advém do uso de «sistemas de produção magra» (lean manufacturing, no jargão de gestão industrial em inglês) - uma "buzzword" que, desde sempre, o cativou.

Gestão sem gravata

Os de fora quando olham para dentro da Flextronics espantam-se com o espírito de "start-up". Os media ficam espantados com o estilo imprimido por Marks - "uma gestão informal", sem gravata. A visão de Michael pode parecer minimalista numa metanacional que abrange cinco continentes: «Definir a estratégia e deixar as pessoas trabalhar. Comunicar sempre os objectivos e os resultados». Ele confessa que não aguenta reuniões muito prolongadas, que gosta de atender o telefone, que detesta regras a mais e que os famosos organigramas com caixinhas enjaulando os recursos humanos lhe provocam anticorpos. «A informalidade alimenta a velocidade», é uma das suas máximas.

Sorocaba - o parque industrial para a América Latina
Faltava a América do Sul para o posicionamento estratégico da Flextronics se completar. Em 1997 resolveu adquirir uma empresa sediada em Alphaville, perto de São Paulo, e em 2001 tomou a decisão de concentrar toda a actividade de produção e logística num parque industrial em Sorocaba, a 45 minutos da capital industrial do Brasil e do principal aeroporto de carga aérea. Aqui a metanacional localizou não só operações de fabrico, como actividade de I&D num complexo industrial cuja arquitectura tem sido elogiada. «Era a última peça no nosso xadrez geográfico. E, como o Brasil é parte do Mercosul, a nossa intenção é servir todo esse mercado», sublinha António Federico, da direcção do Parque de Sorocaba. A Flextronics dispõe, ainda, no Brasil, de fábricas em Manaus, Resende e São Paulo.
Sorocaba/Brasil

BILHETE DE IDENTIDADE DA FLEXTRONICS
CEO desde 1994: Michael Marks, 54 anos
Refundação: 1993 através de um "buy out" e mudança de nome em 1994, de Flex Holdings para Flextronics
Estratégia: Oferta de grande parte da cadeia de valor dos produtos electrónicos - o design industrial, a engenharia, os testes, o fabrico, a gestão da cadeia de fornecedores e a logística, e os serviços pós-fabrico.
Slogan: Design. Build. Ship.
Produto mais recente (2005): Peabody em parceria com a Microsoft, um telemóvel barato GSM/GPRS baseado no Windows Mobile, e que permite até 18 mil "customizações"
Localização: Sede global em Singapura; sedes regionais em San José (Califórnia), Hong Kong e Áustria.
Parques Industriais: Hungria (três), Polónia (Gdansk), México (Guadalajara), Brasil (Sorocaba) e China (Zuhai, o maior de todos, com 15 mil empregados)
Sítio na Web: www.flextronics.com

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