A hora do «smart power»

Face à situação de declínio da imagem e do poder relativo da superpotência ainda em exercício, a nova Administração americana mudou o estilo e a estratégia.

A nova secretária de Estado, Hillary Clinton, trouxe para a ribalta um conceito até há pouco mais discutido na academia e nos fóruns online do que aplicado pela Administração americana – «smart power», poder inteligente, em contraposição com o exercício unilateral e insensato do «hard power», colado à estratégia de W. Bush.

“Smart Power é a forma de exercer o poder mundial de um modo sensato”, diz-nos Suzanne Nossel, directora do Humans Rights Watch, e que cunhou uma tal estratégia em 2004 num artigo, então muito polémico, publicado na revista Foreign Affairs.

Nele criticava duramente a política internacional de W. Bush assente em ferramentas unilaterais do exercício do poder como os ataques e guerras pré-entivas, as invasões ao abrigo da legitimidade de “mudança de regime”, o corte com a diplomacia nas instituições internacionais em questões centrais, e mesmo o esvaziamento de algumas delas. Nossel adianta que não vê o uso desta estratégia com o objectivo de “repor os Estados Unidos como um hegemonista”.

Da mesma opinião é Joseph Nye, professor da Kennedy School of Government da Universidade de Harvard, que, no mesmo ano de Nossel, desenvolveu o conceito de «poder inteligente» num livro intitulado ‘Soft Power’.

No ano passado Nye publicou ‘The Powers to Lead’ onde advogava a necessidade da nova Administração pôr em prática uma tal estratégia. “Smart Power significa dar mais ênfase à diplomacia e implica a habilidade de saber conjugar os recursos de «soft power» e de «hard power» de que se dispõe para se levar a cabo uma estratégia ganhadora”, sublinha.

Medidas imediatas

Ambos advogam que o «smart power» se concretize a curto prazo na substituição do G7 ou G8, uma entidade obsoleta, por algo mais representativo do mapa das grandes potências de hoje – a China, que nunca participou deste grupo, é hoje a terceira economia do mundo depois dos Estados Unidos e Japão e de qualquer uma das grandes economias da União Europeia, em termos de Produto Interno Bruto nominal.

“Será mais sensato ter um grupo mais abrangente que inclua estados como a China, Índia, Brasil e África do Sul”, diz Nye. Suzanne, por seu lado, acha que o próprio Conselho de Segurança das Nações Unidas deverá ser reconfigurado – o Brasil e a Índia, dois dos BRIC, estão ainda fora.

As entrevistas integrais com Nossel e Nye podem ser lidas em inglês.

One Response to “A hora do «smart power»”

  1. Sobre isto gostei de ler a entrevista a Joseph Nye à revista norte-americana Guernica, publicada em português na Courrier Internacional.

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