A necessidade de um Banco para o fomento da Inovação

A inovação requer uma iniciativa financeira arrojada. Apoiada pelo Estado e mobilizando entidades de investimento interessadas no longo prazo. O sistema financeiro actual – e a banca em particular – não está focalizado nesta necessidade.

A solução é a criação de um banco para a Inovação, um First National Bank of Innovation, no caso dos Estados Unidos, segundo a proposta do Prémio Nobel Edmund Phelps, professor na Universidade de Columbia, em Nova Iorque, e do estratego financeiro Leo Tilman, presidente da L.M. Tilman & Co, uma firma financeira nova-iorquina, autor do livro “Financial Darwinism” (Willey, 2008). A proposta foi apresentada na revista Harvard Business Review (“Wanted: A First National Bank of Innovation“, edição de Janeiro-Fevereiro de 2010).

No caso americano, tratar-se-ia de uma entidade empresarial patrocinada pelo Estado envolvendo uma rede de bancos merchant apostados em investimentos de longo prazo. Um braço financeiro especializado dedicar-se-ia a captar fundos dos mercados internacionais a taxas de juro atractivas.

Este banco para a Inovação destinar-se-ia exclusivamente a financiar projectos empreendedores, investindo ou emprestando o capital necessário numa pluralidade de projectos e regiões. Apesar da ligação ao Estado, o Banco deveria estar “blindado” contra as pressões políticas e dos lóbis.

Distorção do sistema financeiro actual

Phelps e Tilman criticam o facto dos economistas e políticos terem concentrado a sua atenção, durante esta crise, no fomento do crescimento a partir dos incentivos a determinadas áreas da moda, como as energias renováveis, os negócios em torno das mudanças climáticas e da saúde.

Essa focalização do investimento de iniciativa pública ou essa aposta no direccionamento de benefícios orçamentais perde de vista o facto de que o crescimento económico brota da multiplicidade de iniciativas de empreendedores e da diversidade dos interesses dos consumidores bem como do pluralismo do faro dos investidores.

O problema actual é que o sistema financeiro está enviesado para uma lógica de financeirização, de maximização de rendas financeiras através da focalização na alavancagem, nos novos veículos financeiros, nas práticas de trading de alta frequência ou proprietárias, nas transacções “amigáveis” no sistema sombra, em engenharia financeira que não se dirige para o sector produtivo, e muito menos para os projectos inovadores. “Na próxima década, a desadequação, o desalinhamento, entre esta dinâmica da financeirização e as necessidades de inovação do tecido empresarial apenas será cada vez mais chocante”, diz-nos Leo Tilman, numa entrevista que pode ler no final do artigo.

Não só os especialistas financeiros estão virados para “outro lado”, para uma lógica de procura de rendas financeiras rápidas, bem como os gestores empresariais estão enredados no curto prazo e na tradicional maximização dos rendimentos dos accionistas e dos seus próprios benefícios variáveis.

Acresce que o capital de risco americano – designado no original como venture capital – está em queda livre desde a derrocada do Nasdaq em Março de 2000: de 100 biliões de dólares em 2000 passou para 18 biliões em 2009. As entradas em bolsa apoiadas pelo capital de risco americano caíram de mais de 260 nos anos de 1996, 1999 e 2000 para 6 em 2008 e 12 em 2009, segundo o jornal Financial Times (10 de Março de 2010).

Entrevista com Leo Tilman por Jorge Nascimento Rodrigues (c) 2010

P: Como vos surgiu esta ideia?

R: Depois de estudarmos as actuais tendências nos Estados Unidos. Saltou-nos à vista a manifesta incapacidade das instituições financeiras em investirem em inovações viáveis na escala necessária. Para reanimar o dinamismo económico é indispensável a criação de uma nova classe de instituições financeiras. Em termos de políticas públicas, a nossa mensagem é clara: o desenvolvimento de inovações deve ser um objectivo de políticas públicas.

P: Qual deve ser o envolvimento privado?

R: Os membros da rede de bancos merchant deverão ser geridos como empresas privadas. Serão parte de um sistema e serão financiados por um braço central. Por outro lado, os investidores privados deverão ser tanto accionistas do Banco como emprestadores. Se, inicialmente, o banco deverá ter capital semente do Estado, poderá diminuir a parte estatal através de uma entrada em bolsa. Os investidores privados irão comprando a dívida deste sistema, e, deste modo, investindo indirectamente nos projectos inovadores.

P: Os capitalistas de risco saíram de cena?

R: Estão, de facto, em declínio aqui nos EUA, e ainda mais na Europa. O sector do capital de risco deu rendimentos muito abaixo da média em anos mais recentes. E está sujeito a fluxos de capital oscilantes e que exigem altos níveis de retorno. Por isso, é incapaz de canalizar capital para a inovação na escala requerida.

One Response to “A necessidade de um Banco para o fomento da Inovação”

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