A reviravolta no mapa da finança mundial – uma viragem geopolítica

O mapa da finança mundial está irreconhecível para quem se tivesse fechado em casa no final de 2006 sem acesso a notícias de qualquer tipo ou por qualquer meio.

Os Estados Unidos e o Japão dominavam, então, os três primeiros lugares da banca mundial em capitalização de mercado, com o Citigroup, o Bank of America (BofA) e o Mitsubishi UFJ Financial Group.

Ao aceder à Internet no final de 2009, depois do pânico financeiro de 2008 e da Grande Recessão de 2009, o suposto leitor sofre um choque: o Citigroup, o líder mundial, teve uma desvalorização na ordem dos 94% e saiu do clube dos 30 maiores bancos do mundo em capitalização, o BofA caiu de 2º para 10º e o grupo financeiro japonês de 3º para 16º.

Os novos protagonistas

Ao procurar identificar os ganhadores, o leitor verifica que para o clube dos 30 entraram 4 bancos australianos (National Australia Bank, Commonwealth Bank of Australia, Westpack Banking Group e Australia and New Zealand Banking), dois bancos chineses (China Construction Bank e Industrial and Commercial Bank of China), dois bancos brasileiros (Itau Unibanco Hondings e Banco do Brasil) e um sueco (Nordea Bank).

Verifica, depois, atónito, que o China Construction Bank acedeu directamente ao segundo lugar e o Industrial and Commercial Bank of China ao oitavo posto.

O mapa das seis principais potências bancárias do mundo sofreu uma reviravolta dentro do clube dos 30 maiores bancos, se olharmos para o estudo realizado por Luc Laeven e Fabian Valencia, publicado pelo Fundo Monetário Internacional na semana passada (“Resolution of Banking Crises: The Good, the Bad and the Ugly”, Working Papers 10/146, Junho 2010).

Os Estados Unidos conservam ainda o primeiro lugar, dominando cerca de 21% da capitalização com cinco bancos, mas perderam 19 pontos percentuais em três anos. Segue-se o Reino Unido, que conseguiu navegar com êxito no meio deste tsunami financeiro, conservando três bancos (um deles o novo líder mundial, o HSBC) e aumentando o seu próprio peso no clube para cerca de 14%, mais um ponto percentual. A China é a primeira grande surpresa, passando directamente a dominar 12,2% da capitalização, envolvendo os dois bancos já referidos.

O emergente na zona euro

No seio da zona euro, a potência bancária emergente é a Espanha, com dois bancos (Banco Santander, em 4º lugar, e BBVA, em 9º) que detêm 9,5% da capitalização do clube dos 30. O nosso vizinho ocupa hoje o quarto lugar no clube e subiu 3 pontos percentuais na capitalização, tendo uma posição que é superior à de França, Itália e Alemanha. Em quinto lugar vêm ex-aequo a Austrália e a França com 8,8% cada da capitalização do grupo de 30 bancos. Mas a Austrália, com os seus quatro bancos já referidos, entrou directamente para o quinto lugar, um concorrente inesperado para a França.

Deste mapa das principais potências bancárias saiu o Japão (que passou de 3 bancos no clube dos 30 no final de 2006 para 1 no final de 2009) e a Holanda (que deixou de pertencer ao clube, com a falência do ABN Amro que era o 28º banco e a desvalorização do Fortis que era o 29º banco na lista mundial de finais de 2006).

Em relação aos fat cats de Wall Street verificamos que os ganhadores foram o JP Morgan Chase que subiu de 5º para 3º maior banco do mundo, o Wells Fargo que trepou de 8º para 5º e a Goldman Sachs que galgou de 18º para 7º.

Se a União Europeia (UE) for tomada como um todo, os seus 12 bancos no grupo dos 30 maiores somam 41,3% da capitalização, com o Reino Unido e Espanha como os dois principais centros bancários da UE.

RADIOGRAFIA

Os cinco maiores bancos do mundo

HSBC Holdings (Reino Unido) com cerca de 200 mil milhões de dólares de capitalização

China Construction Bank (China) com 193,2 mil milhões

JPMorgan Chase (EUA) com cerca de 148,5 mil milhões

Banco Santander (Espanha) com 136,9 mil milhões

Wells Fargo & Co (EUA) com cerca de 112,3 mil milhões

As seis maiores potências bancárias do mundo

Estados Unidos: 20,9% da capitalização do grupo de 30 maiores bancos do mundo, com 5 bancos (JPMorgan Chase; Wells Fargo & Co; Goldman Sachs; Bank of America; American Express)

Reino Unido: 13,9%, com 3 bancos (HSBC Holdings; Standard Chartered; Barclays)

China: 12,9%, com dois bancos (China Construction Bank e Industrial and Commercial Bank of China)

Espanha: 9,5%, com dois bancos (Banco Santander e BBVA)

Austrália: 8,8%, com quatro bancos (National Australia Bank, Commonwealth Bank of Australia, Westpack Banking Group e Australia and New Zealand Banking)

França: 8,8%, com 3 bancos (BNP Paribas; Société Générale; Crédit Agricole)

Fonte: “Resolution of Banking Crises: The Good, the Bad and the Ugly”, Working Papers 10/146, Junho 2010.

One Response to “A reviravolta no mapa da finança mundial – uma viragem geopolítica”

  1. […] de interesses e lóbis que se criaram nos últimos trinta anos a par das reformas capitalistas. Dois bancos chineses estão hoje entre os 10 maiores do mundo em capitalização. O sector exportador vale quase 40% do PIB chinês e cresceu em Maio […]

Leave a Reply

You can use these XHTML tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>