América está em recessão desde há um ano!

Os Estados Unidos terão mudado de rumo no seu ciclo económico durante o mês de Dezembro do ano passado. A expansão que vinha desde Novembro de 2001 terá atingido o pico no último mês de 2007 dando lugar a um período de declínio da actividade económica que já dura quase há um ano.

Este ponto de viragem na economia real sucedeu dois meses depois da Wall Street ter atingido o pico (15 de Outubro 2007) de um período bolsista ascendente e ter entrado em rota de correcção que acumula até ao dia de hoje 42% de perdas no índice Dow Jones Industrial Average, uma derrocada pior do que as de 2001/2003 (a seguir ao 11 de Setembro) e mesmo de 1987.

A entrada em recessão no final de 2007 foi hoje revelada pelo organismo responsável por decretar «oficialmente» o início e o fim das mudanças de ciclo económico na América – o National Bureau of Economic Research (NBER) criado em 1920 e sediado em Cambridge, Boston – através do seu comité de datação dos ciclos económicos, formado por sete académicos, que se reuniu na última sexta-feira de Novembro.

Este organismo não considera a entrada em recessão a partir de dois trimestres consecutivos com crescimento negativo do produto interno, como é usual fazer-se. O NBER toma em linha de conta uma bateria de indicadores – produto interno, rendimento bruto interno, emprego, rendimento real, produção industrial, vendas por grosso, etc. – e não só o PIB. O NBER considera o critério usual como falível – por exemplo, na última recessão entre Março e Novembro 2001 não assistimos nunca a dois trimestres consecutivos negativos.

Por seu lado, o modelo de acompanhamento em quase tempo real do risco de recessão (contracção da economia) desenvolvido na Universidade da Califórnia, em Riverside (perto de Los Angeles), por Marcelle Chauvet aponta para uma probabilidade de 99% em finais de Setembro, com base nos dados mais recentes disponíveis (que são publicados, naturalmente, com um atraso). O que significa que o último quadrimestre de 2008 está a ser particularmente duro.

As duas últimas recessões assinaladas pelo NBER foram de Julho de 1990 a Março de 1991 e de Março de 2001 a Novembro do mesmo ano. O período de efeitos dramáticos durou apenas oito meses, metade do que aconteceu entre Julho de 1981 a Novembro de 1982. A média das recessões verificadas na América desde o pós-guerra (1945) é de menos de um ano.

A mais grave desde há 25 anos

Marcelle Chauvet é de opinião que estas duas últimas recessões dos anos 1990 e 2000 foram «suaves» e opina que a actual «será definitivamente muito mais profunda». Será provavelmente a mais grave desde há 25 anos, estando a revelar um perfil similar à de 1980 (que decorreu entre Janeiro e Julho, durando apenas seis meses, mas sendo muito dura), diz a investigadora brasileira do Departamento de Economia daquela universidade.

De facto, há uma constatação que pode ser feita: esta crise já é mais prolongada do que as de 1990/1991 e 2001, que duraram apenas oito meses. Por outro lado, a profundidade do abalo pode ser visualizada a partir dos ciclos de negócio nos Estados Unidos. A actual recessão é mais acentuada do que as últimas três (1981/1982, 1990/1991, 2001) aproximando-se do perfil da queda brutal da crise de 1980 (ver gráfico ‘Indicador do ciclo de negócios dos Estados Unidos’ – ‘US Business Cycle Indicator‘, que é baseado em quatro variáveis: produção industrial, rendimento disponível das famílias, emprego, vendas industriais e comércio).

Nota Histórica

O NBER estreou-se publicando o seu primeiro ciclo americano precisamente em 1929 – ano «negro» em que a partir de Agosto se iniciou a Grande Depressão que duraria até Março de 1933 e que «engoliria» 27% do PIB. «Uma ordem de magnitude sem comparação com a actual», conclui Marcelle Chauvet.

2 Responses to “América está em recessão desde há um ano!”

  1. A recessão aí está e é um facto. Resta-nos regrupar para aproveitar algumas das oportunidades que surgirão no meio de tantas ameaçãs… uma coisa é certa: tudo o que sobe desce e o reciproco também é verdadeiro. Resta-nos adivinhar o momento de inflexão para apanhar a próxima subida…
    Miguel Reynolds
    http://www.globalbusinessbrokers.eu

  2. Ver artigo sobre o ponto de vista de Brian Berry: http://janelanaweb.com/novidades/saber-enfrentar-a-transicao/

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