Bancos centrais europeus preservam ouro?

O novo acordo entre bancos centrais dos países europeus (incluindo o Banco de Portugal) e o Banco Central Europeu (BCE) para a venda coordenada de reservas de ouro a partir de Setembro para mais cinco anos colocou um tecto de 2000 toneladas métricas. Um valor mais baixo em 20% do que o anterior que vigora desde 2004 e que termina a 26 de Setembro próximo.

Esse tecto de potencial alienação representa, apenas, 11% das reservas totais em ouro europeias. O acordo é conhecido tecnicamente pelo nome de Central Bank Gold Agreement – é já o terceiro, desde 1999, renovável quinquenalmente.

Esta decisão de limitar a um máximo de 400 toneladas métricas as vendas anuais de reservas em ouro europeias – que dominam 60% das reservas mundiais em posse dos estados e do FMI e BCE – foi interpretada como um sinal político de que os banqueiros centrais europeus abandonaram a política de venda de ouro para pressionar o mercado.

Desde há dois anos que os bancos centrais europeus acalmaram nas vendas e no último registo realizado (Junho 2009) pelo World Gold Councial apenas a França, entre os grandes, vendeu, este ano, 36 toneladas métricas (sobretudo uma grande operação em Fevereiro de 23 toneladas).

Sinal psicológico

Os analistas do sector encaram o novo acordo como um sinal psicológico favorável ao clima altista nos preços do mercado do ouro.

Os principais investidores financeiros neste mercado têm sido hedge funds, fundos de pensões, investidores retalhistas, investidores multimilionários e dois países muito dinâmicos no aumento de reservas de ouro, a China (que, aliás, é actualmente o primeiro produtor mundial) e a Rússia (o actual 6º produtor mundial), que encaram o ouro como um bom investimento de diversificação em tempo de crise.

A China aumentou, em oito anos, as suas reservas em 110% subindo para o quinto lugar na classificação de países com maiores reservas de ouro e a Rússia aumentou-as em 13% já este ano, mantendo-se no grupo dos 10 mais (Portugal situa-se em 11º lugar, com 382,5 toneladas métricas, abaixo de Taiwan). Especula-se que a China e a Rússia poderão ser alguns dos compradores mais pro-activos do lote de 403 toneladas que o FMI quererá vender (o fundo dispõe de 3217,3 toneladas em reservas, quase tanto como a Alemanha e seis vezes mais do que o Banco Central Europeu) para realizar cash.

Depois de um período de grande depressão do preço da onça de ouro entre 1980 (quando atingira um pico de 850 dólares por onça) até 2001, com um patamar mínimo em 1999 (de 252 dólares a onça), o metal precioso chegou ao máximo histórico de 1034,7 dólares por onça em Março de 2008, tendo desde então ziguezagueado, estando actualmente num patamar acima dos 950 dólares, com oscilações diárias sensíveis.

Portugalendeu entre 2001 e 2006 mais de 1/3 das suas reservas em ouro a preços que eram 1/3 a ½ do preço actual. No mesmo sentido actuou a Europa. No conjunto, desde o primeiro acordo de vendas coordenadas assinado em Setembro de 1999, os bancos centrais europeus alienaram 3867 toneladas de ouro.

Leave a Reply

You can use these XHTML tags: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <blockquote cite=""> <code> <em> <strong>