Conferência Internacional de Coimbra de abril 2012: Ficar no euro, mudando as regras

Sair do euro? Não. “Ninguém deve fazer esse favor aos proponentes da austeridade. Estes devem sofrer as consequências da sua estratégia. Permanecendo na zona euro, mantém-se a responsabilidade de alemães, holandeses e finlandeses, se a situação se agravar. Se os periféricos abandonarem o euro sofrerão sozinhos as consequências”, afirma Peter Wahl, economista alemão, investigador do Weed, um instituto sobre economia mundial, ecologia e desenvolvimento, em Berlim. Wahl, nascido em 1948, é um dos economistas europeus que vai intervir na conferência “A zona euro, de Maastricht a 2020, a crítica de um projeto e de um trajeto”, que se realiza na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, na próxima semana. Por coincidência na sala Keynes.

Uma saída do euro por parte de alguns países até poderia ser benéfica se feita “de um modo ordeiro”, admite Dominique Plihon, nascido em 1946, professor de economia financeira na Universidade de Paris XIII, e outros dos intervenientes. “Mas como essa condição não é provavelmente exequível, é preferível prosseguir políticas alternativas dentro da zona euro, baseadas na cooperação”, acrescenta, dando o mote para um programa alternativo. “Com uma dívida em euros, não há solução fora do sistema monetário europeu”, acrescenta, pragmaticamente, Marcello de Cecco, nascido em 1938, professor da Escola Normal de Pisa e da LUISS, uma universidade privada, em Roma, ligada, na sua fundação, à Cofindustria (a federação do patronato italiano). De Cecco seria o mais velho dos intervenientes, não fossem motivos de saúde que o vão reter em Roma.

No entanto, se essa oportunidade não for explorada, “é muito provável que algumas economias periféricas acabem por ter de sair da moeda única, ainda que o processo de ajustamento possa ser muito intenso”, admite Alberto Montero Soler, professor de Economia Aplicada da Universidade de Málaga e presidente da Fundação Centro de Estudos Políticos e Sociais. Soler é o benjamim neste grupo, nascido em 1970. Nessas circunstâncias, o italiano De Cecco só vê utilidade se os periféricos “conseguirem levar a França com eles criando uma zona euro mediterrânica, com uma taxa de câmbio fraca”. Mas, para a grega Marica Frangakis, nascida em 1950, da direção do Instituto Nicos Poulantzas da Universidade de Atenas, as saídas do euro podem ser inevitáveis: “Há já uma zona euro a duas velocidades. Se esta situação continua por muito mais tempo, a viabilidade do projeto europeu fica em causa. A saída do euro pode não ser uma solução, mas o resultado final”.

A culpa é do mercantilismo

Uma das razões endógenas da crise atual da zona euro radica num problema de origem da criação da própria zona monetária – a sua heterogeneidade. A crise financeira e económica recente sublinhou-a. Hoje é uma constatação feita, recentemente, pelo próprio presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi. “Draghi está certo a 50%. Há problemas estruturais entre os membros da zona euro, e os mais importantes são os desequilíbrios nas balanças correntes. Quer as situações de excedente como as de défice têm de ser reduzidas. E isto significa ajustamentos também na Alemanha, na Áustria, na Holanda e em outros países com excedentes. Os países deficitários, por seu lado, necessitam de impulsos para um crescimento inteligente”, diz Peter Wahl. “A atual crise da zona euro não é um problema apenas causado pela dívida dos periféricos. É, sobretudo, um problema dos países do centro, que prosseguiram políticas mercantilistas baseadas na austeridade dos salários”, afirma, por seu lado, Dominique Plihon.

A questão de que os desequilíbrios não podem ser unilateralmente resolvidos, envolvendo apenas os países deficitários, foi levantada por John Maynard Keynes no início do século XX. Apesar de difícil de “engolir” pelos políticos e os eleitorados dos países excedentários, é a única saída “ordeira”. “Não bastam mais transferências orçamentais através dos fundos estruturais. É necessária uma estratégia gémea de transferir uma parte da dívida soberana para o Banco Central Europeu ou o Mecanismo Europeu de Estabilização, além da emissão de euro-obrigações viradas para o crescimento que podem ser emitidas pelo Fundo Europeu de Investimento (FEI). Isto pode ser feito pelo FEI sem qualquer revisão dos Tratados”, explica o economista britânico Stuart Holland, nascido em 1940, antigo ministro-sombra trabalhista e atualmente professor da Faculdade de Economia de Coimbra. Este fundo foi criado em 1994 como uma parceria público privada que hoje tem como sócio maioritário o Banco Europeu de Investimentos, sendo o seu braço armado para o capital de risco e para o apoio ao financiamento de PME por parte das instituições financeiras europeias.

Holland fala de um “New Deal” para a Europa “transformando excedentes em investimentos, incluindo os excedentes dos bancos centrais das economias emergentes e dos fundos soberanos que pretendam diversificar fora do dólar”. A solução é a criação de um Tesouro europeu, diz Alberto Montero Soler, que remata: “A ditadura dos credores, dos rentistas, não é nunca a solução para um problema de dívida generalizada como o que temos. As soluções podem ser específicas, mas todas elas passam por aliviar a carga da dívida para os endividados”.

A hegemonia alemã

A hegemonia alemã na zona euro é uma das questões que vem à baila por detrás da atual ortodoxia monetária seguida pelo BCE e de ajustamento orçamental inscrito no próprio “compacto orçamental” – a chamada “regra de ouro” que se pretende constitucionalizar. Para o alemão Wahl, não há um problema de hegemonia, mas sim uma posição “das elites alemãs em manter uma posição competitiva à custa dos países com défice”. Mas para o inglês Holland, o hegemonismo alemão é óbvio: “Claro que há, e por múltiplas razões pouco reconhecidas, ainda que se devam distinguir os alemães da Alemanha”.

O italiano De Cecco é, ainda, mais explícito: “A Alemanha é o hegemonista na Europa, o que quer que aconteça ao compacto orçamental. A situação é diferente desde 1989, desde o colapso da União Soviética e da reunificação alemã. Esses dois acontecimentos tornaram a Alemanha no hegemonista natural na Europa”. “Os alemães seguiram um mercantilismo extremo e inteligente, foram capazes de usar a moeda comum, o euro, da forma mais vantajosa”, acrescenta. Há que tirar-lhes o chapéu.

Mas o hegemonismo gera um paradoxo: “Quanto mais sucesso tiver a Alemanha na imposição dessas regras, maior a resistência contra elas, minando a própria hegemonia alemã. Nada é nítido num processo complexo como este”, conclui a grega Marica Frangakis.

Caminho alternativo

. Desvalorização do euro

. Pacote europeu de estímulos à economia

. Novo mandato para o Banco Central Europeu

. Solidariedade interna na zona euro, para além dos fundos estruturais

. Euro-obrigações (eurobonds)

. Orçamento europeu

. Política comum de impostos em relação às empresas e às transações financeiras

. Normas sociais comuns, como um salário mínimo na União Europeia

. Aliviar a carga de dívida dos países periféricos

. Austeridade em relação aos responsáveis pela crise financeira

7 Responses to “Conferência Internacional de Coimbra de abril 2012: Ficar no euro, mudando as regras”

  1. E engraçado de ver que a pessoas que ainda se perguntão se podemos sair do euro. Do meu ponto de vista até não era uma ma ideia mas o destino não nos pertence.

  2. Balanço destes dois dias de conferências feito por Marica Frangakis

    “The two day conference organized by the Economics Faculty of the Coimbra University gave the opportunity to critical economists of various persuasions, mainly coming from the Southern European countries (Portugal, Spain, France and Greece), to compare experiences and to discuss alternatives to the current austerity policies. The participation of a critical economist coming from Germany, the very core of the Eurozone, added to the spectrum of opinion presented at the conference. Papers were presented both on the Eurozone as a whole, with an emphasis on the core/non-core perspective, as well as on individual country experiences. The conference was concluded with a round table discussion in which the participation of those attending was as important as that of the discussants.
    While there was broad agreement on the diagnosis of the present state of affairs in the Eurozone and on the fact that carrying on in the same way is bound to lead to the collapse of the euro, whether exiting the euro provides a solution either for individual countries or for the Eurozone, or indeed for the non-core countries, was hotly debated. The idea of ‘orderly exit’ – i.e. with the support of the Eurozone partners – was thought to be too optimistic, while the prospect of a S. European coalition within the Eurozone seemed unlikely, in view of the lack of any such dynamic among the present political leaderships. Further, the role of finance in the present crisis was stressed, leading to the conclusion that financial policy reform is a sine qua non condition of overcoming the current crisis.
    Overall, it was agreed that the change in narrative – who is to blame for the crisis and what that means in terms of policy goals and means – was stressed by all participants. It is in this perspective that the open debate and exchange of views is not only useful, but also instrumental in influencing public opinion, an aspect of the crisis that must not be overlooked.”
    Marica Frangakis
    23 April 2012

  3. Balanço destes dois dias de conferências feito por:
    Dominique Plihon
    France

    “Meeting on the eurozone crisis – Coimbra 18 – 19 April 2012
    This meeting on the eurozone crisis was very well organized by the “Facultade de Economia” of Coimbra University. This meeting has been very interesting and useful for several reasons. First, the participants came to the same conclusions. We all agreed that the European Monetary Union is not sustainable as it is now, because it is incomplete (no solidarity, no common fiscal policies). The current policies, based on austerity measures and on the neoliberal dogma are responsible for the eurozone crisis. The European Union is governed by the market forces and the power of finance against the interest of the great majority of the people. Second, all participants agreed that there is no future for the European project if there are no radical changes. There are two alternative ways to get out of the eurozone crisis. The first outcome is the “exit scenario” : some countries decide to leave the eurozone and go back to national currencies with the expectation to escape from the domination of the Troika (ECB, European Commission and the IMF). The second outcome is the “radical reform of the European Monetary Union” with the construction of democratic institutions for the EU to control financial markets and to implement common fiscal and social policies for the people of the 27 European country members. I hope that the coming elections in May in France, in Greece and in Germany will pave the way for such a progressive reform of the European Union.”

    Dominique Plihon
    23 April 2012

  4. Balanço destes dois dias de conferências feito por:
    Peter Wahl
    Berlin

    “I attend quite a lot of conferences, and as general experience I must say, that the more conferences I participate in, the less I benefit from them: there is an increasing element of repetition. However, this conference in Coimbra was different.
    Probably the controversy whether an exit from the Euro – in whatever form – would be an option was very productive. There were fresh arguments, openness and a spirit of mutual understanding – a kind of Habermasian “discourse free of dominance.”
    Although I am advocating the integrity of the Euro zone – of course linked to a substantial change of policies – I understood much better the position and the background of those who favour an exit.
    If it would be possible to have this type of debate as a public debate among citizens in the EU, and among the politicians we could find solutions to our problems, which would find a broad acceptance.”

    Peter Wahl
    23 April 2012

  5. Versión en castellano de la nota

    Cambiando las reglas para continuar en la Eurozona

    http://www.rebelion.org/noticia.php?id=148395

    «Los economistas europeos se han reunido en Coimbra los días 18 y 19 de abril para discutir acerca de “La eurozona, de Maastricht a 2020, revisión de un proyecto y una trayectoria” y ofrecer alternativas. Traducido del inglés para Rebelión por Sinfo Fernández

    ¿Salir del euro? No. “Nadie debería hacerlo porque favorecería a los partidarios de la austeridad. Son ellos quienes deberían sufrir las consecuencias de su estrategia. Mientras se queden en la Eurozona, si la situación empeora, será responsabilidad de alemanes, holandeses y finlandeses. Si los países periféricos salen del Euro, sufrirán las consecuencias solo ellos”, señala Peter Wahl, economista alemán e investigador en WEED (World Economy, Ecology & Development), un instituto alemán de estudios políticos que tiene su sede en Bonn, y que es uno de los economistas que participan en la conferencia citada arriba.

    Peter Wahl: “No es una cuestión de hegemonía, sino más bien una posición de las elites alemanas para mantener una posición competitiva a expensas de los países con déficit. Estos países necesitan estímulos para poder empezar a crecer”.

    La salida de algunos países de la Eurozona podría incluso ser beneficiosa si se hiciera “de forma ordenada”, declara Dominique Plihon, nacido en 1946, profesor de economía financiera en la Universidad de Paris XIII. “Pero como es muy probable que esa condición no sea factible, es preferible poner en marcha dentro de la Eurozona políticas alternativas que estén basadas en la cooperación””, añade Dominique Plihon, dando el tono para un programa alternativo. “Con la deuda en euros, no hay solución fuera del Sistema Monetario Europeo”, añade pragmáticamente Marcello de Cecco, nacido en 1938, profesor de historia financiera y monetaria en la Escuela Normal Superior de Pisa. De Cecco iba a ser el conferenciante de más edad en la Conferencia de Coimbra, pero no pudo estar presente por motivos de salud.

    Sin embargo, si esa oportunidad no se explora, “es probable que algunas economías periféricas tengan que salir de la moneda única, aunque el proceso de ajuste pudiera llegar a ser muy complicado”, señala Alberto Montero Soler, profesor de economía aplicada en la Universidad de Málaga y presidente de la Fundación Centro de Estudios Políticos y Sociales (CEPS). En estas circunstancias, el italiano de Cecco solo considera la salida del Euro en el caso de que los periféricos “pudieran llevarse a Francia con ellos creando una Eurozona del Mediterráneo, con una tasa de cambio más débil”. Sin embargo, para la griega Marica Frangakis, del Instituto Nicos Poulantzas de la Universidad de Atenas, puede que sea inevitable la salida del euro: “Hay ya una Eurozona a dos velocidades. Si esta situación sigue prolongándose, está en juego la viabilidad del proyecto europeo. Salir del euro quizá no sea la solución sino la consecuencia”.

    La culpa la tiene el mercantilismo

    Una de las razones endógenas de la actual crisis de la Eurozona radica en la heterogeneidad en la creación de la zona monetaria. La reciente crisis económica y financiera no hace sino subrayarla. Esa es una observación que hizo el presidente del Banco Central Europeo (BCE), Mario Draghi. “Draghi tiene razón en un 50%. Hay problemas estructurales entre los miembros de la Eurozona, y el más importante son los desequilibrios en el balance de las cuentas corrientes. Es preciso que se reduzcan las situaciones de déficit y superávit. Y esto también significa realizar ajustes en Alemania, Austria, Holanda y otros países con superávit. Los países deficitarios, en cambio, necesitan estímulo para un crecimiento inteligente”, refiere Peter Wahl. “La crisis actual de la Eurozona no es solo un problema causado por la deuda de los periféricos. Es ante todo un problema de los países del centro, que persiguen políticas mercantilistas basadas en la austeridad de los salarios”, defiende Dominique Plihon.

    La cuestión de que los desequilibrios que afectan solo a los países deficitarios no pueden resolverse unilateralmente, fue ya planteada por John Maynard Keynes a principios del siglo XX. Aunque a los políticos y a los electorados de los países con superávit les resulte difícil de “tragar”, es la única salida “ordenada”. “El problema no se resuelve con más transferencias presupuestarias a través de fondos estructurales. Es necesaria una estrategia común para transferir parte de la deuda soberana al BCE o al Mecanismo de Estabilización Europeo; y la emisión de eurobonos por parte del Fondo Europeo de Inversiones (FEI), enfocada hacia el crecimiento, requiere de una serie de medidas. Y esto puede hacerlo el FEI sin necesidad de revisar los tratados”, señala el economista británico Stuart Holland, nacido en 1940, ex ministro laborista en la sombra y actual profesor de económicas en la Universidad de Coimbra. Este fondo se creó en 1994 como sociedad público-privada. En la actualidad es el accionista principal del Banco Europeo de Inversiones (BEI). El FEI es el ala armada del BEI en capital de riesgo y en la financiación de las PYMES por parte de las instituciones financieras europeas.

    Stuart Holland menciona un “ New Deal ” para Europa “convirtiendo los excedentes en inversiones, incluyendo los excedentes de los bancos centrales de las economías emergentes y los fondos soberanos de inversión que deseen diversificarse del dólar”. La solución es crear un Tesoro Europeo, señala Alberto Montero Soler, añadiendo: “La dictadura de los acreedores, de los rentistas, no es nunca la solución a un problema extendido de la deuda como el que tenemos. Las soluciones deben ser específicas pero todas tienen que considerar que hay que aliviarle al deudor la carga de la deuda”.

    La hegemonía alemana

    La hegemonía alemana en la Eurozona es uno de los problemas que surgen tras la actual ortodoxia monetaria seguida por el BCE y el ajuste fiscal inscrito en el gran “Pacto Fiscal”, la supuesta “regla de oro” que se intenta que esté recogida en las Constituciones. En opinión del alemán Peter Wahl, no es una cuestión de hegemonía sino más bien una posición “de las elites alemanas a fin de mantener una posición competitiva a expensas de los países deficitarios”. Pero para el inglés Stuart Holland, la hegemonía alemana resulta obvia: “Desde luego que existe y por muchas razones es algo que no se reconoce mucho, aunque hay que distinguir a los alemanes de Alemania”.

    El italiano de Cecco es incluso más explícito: Alemania es el poder hegemónico en Europa, no importa lo que suceda con el pacto fiscal. Desde 1980 y tras el colapso de la Unión Soviética y la reunificación alemana, la situación cambió. Con esos dos acontecimientos, Alemania se convirtió en el poder hegemónico natural en Europa. Los alemanes implementaron un mercantilismo inteligente y extremo, utilizando la moneda común, el euro, en la forma más beneficiosa para sus intereses”, añade. Ante lo cual hay que quitarse el sombrero.

    Pero la hegemonía genera una paradoja: “Cuánto más éxito tenga Alemania imponiendo sus reglas, más resistencias encontrará, lo que socavará esa hegemonía. No hay nada claro en un proceso tan complejo como este”, concluye Marica Frangakis.

    La Eurozona: Vías alternativas

    Devaluación del euro.

    Paquete de estímulos a la economía europea.

    Nuevo mandado para el Banco Central Europeo.

    Solidaridad interna en la Eurozona, por encima de los Fondos Estructurales.

    Eurobonos.

    Un presupuesto europeo.

    Política fiscal común para las compañías y transacciones financieras.

    Niveles sociales comunes, por ejemplo, un salario mínimo igual en toda la UE

    Aliviar la carga de la deuda de los países periféricos.

    Austeridad para los responsables de la crisis financiera.»

  6. English version by LisWires
    Changing the rules to stay in the Euro
    http://liswires.com/archives/tag/euro

    «European economists discuss in Coimbra on April 18 and 19th “The Euro Zone, from Maastricht to 2020, the review of a project and a path.” And offer an alternative path.

    Leave the euro? No. “No one should do that favor to the proponents of austerity. They should suffer the consequences of their strategy. While staying in the Eurozone, the responsibility of Germans, Dutch and Finnish, remains if the situation gets worse. If the peripherals leave the Euro, they would suffer the consequences, alone,” points Peter Wahl, German economist,
    is a researcher at WEED (World Economy, Ecology & Development), a German policy institute based in Bonn, where he works on issues of world trade and international finance. Wahl, born in 1948, is one of European economists who will lecture at the conference “The Euro Zone, from Maastricht to 2020, the review of a project and a path”, which takes place at the Faculty of Economics, University of Coimbra, on April 18 and 19th. On Keynes’ room.

    Peter Wahl:
    “it’s not a question of hegemony, but rather a position of the German elites to maintain a competitive position at the expense of deficit countries.”
    “The deficit countries, need stimulus to a smart growth.”

    An exit from the Euro by some countries could even be beneficial if done “in an orderly fashion,” points Dominique Plihon, born 1946, professor of financial economics at the University of Paris XIII. “But as this condition probably is not feasible, it is preferable to pursue alternative policies within the Eurozone, based on cooperation,” adds Dominique Plihon, giving the tone for an alternative program. “With the debt in euros, there is no solution outside the European Monetary System,” pragmatically adds, Marcello de Cecco, born 1938, professor of monetary and financial history at the Scuola Normale Superiore di Pisa. De Cecco would be the oldest of the lecturers in this Coimbra Conference, but he will not be present due to medical reasons.

    However, if that opportunity is not explored, “it is likely that some peripheral economies will eventually have to leave the single currency, even though the adjustment process could get to be quite intense,” notes Alberto Montero Soler, professor of applied economics at the University Malaga and president of the Fundación Centro de Estudios Políticos y Sociales (CEPS).
    Under these circumstances, the Italian De Cecco only sees use in exiting the Euro if the peripherals “were able to take France with them creating a Mediterranean Eurozone, with a weaker exchange rate.” But for the Greek Marica Frangakis, from Nicos Poulantzas Institute, University of Athens, exiting the Euro may be inevitable: “There is already a two-speed Eurozone. If this situation continues much longer, the viability of the European project is at stake. Exiting the euro may not be a solution, but the outcome.”

    It is mercantilism’s fault

    One of the endogenous reasons of the current Eurozone crisis lies in the creation of the monetary zone – its heterogeneity. The recent financial and economic crisis just underlined it. Today, this is an observation, a realization made recently by Mario Draghi, the President of the European Central Bank (ECB). “Draghi is 50% right. There are structural problems in the Eurozone members, and the most important are the imbalances in current accounts balance. Surplus and deficit situations must be reduced. And this also means adjustments in Germany, Austria, the Netherlands and other countries with surpluses. The deficit countries, in turn, need stimulus to a smart growth,” refers Peter Wahl. “The current crisis in the Eurozone is not just a problem caused by peripherals’ debt. It is mostly a problem of the countries of the center, which pursued mercantilist policies based on wage austerity,” defends Dominique Plihon.

    The question that imbalances can not be solved unilaterally, involving only the deficit countries, was raised by John Maynard Keynes in the early twentieth century. Although difficult to “swallow” by politicians and the electorates of the surplus countries, it’s the only “orderly” way out. “More budget transfers through structural funds won’t solve the problem. A common strategy to transfer part of the sovereign debt to the European Central Bank or the European Stabilization Mechanism, and the issuance of Eurobonds by the the European Investment Fund (EIF) focused on growth, are required measures. And this can be done by the EIF without any revision of the treaties,” points the British economist Stuart Holland, born in 1940, former Labour shadow minister and currently professor of economics at Coimbra University. This fund was created in 1994 as a public-private partnership. Today, it’s major shareholder is the European Investment Bank. The EIF is the EIB armed wing on venture capital and SME financing by European financial institutions.

    Stuart Holland mentions a “New Deal” for Europe “turning surpluses into investments, including the surplus of the central banks of emerging economies and sovereign wealth funds who wish to diversify out of the dollar.” The solution is to create an European Treasury, points Alberto Montero Soler. Adding: “The dictatorship of creditors, the rentiers, is never the solution to a widespread debt problem like we have. Solutions can be specific, but they all have to consider relieving the debt burden for the debtor.”

    Alberto Montero Soler:
    “The dictatorship of creditors is never the solution to a widespread debt problem like we have. Any solution have to consider relieving the debt burden for the debtor.”

    The German hegemony

    The German hegemony in the Eurozone is one of the issues that comes up behind the current monetary orthodoxy followed by the ECB and fiscal adjustment inscribed in the very “Fiscal Compact” – the so-called “golden rule” that is intended to be on Constitutions. In the view of Peter Wahl, German, it’s not a question of hegemony, but rather a position “of the German elites to maintain a competitive position at the expense of deficit countries.” But for Stuart Holland, English, the German hegemony is obvious: “Of course there is, and for many reasons and little recognized, although you have to distinguish the Germans from Germany.”

    De Cecco, Italian, is even more explicit: “Germany is the hegemon in Europe, no matter what happens with the fiscal compact. The situation is different since 1989 and the collapse of the Soviet Union and the German reunification. With these two events Germany became the natural hegemon in Europe. The Germans pursued an extreme and intelligent mercantilism, they were able to use the common currency, the euro, in the most beneficial way,” he adds. Take your hat off to that.

    But the hegemony generates a paradox: “The more successful Germany is imposing his rules, the more resistance will find against them, undermining the hegemony. Nothing is clear in a complex process like this,” concludes Marica Frangakis.

    Marcello de Cecco:
    “Germany became the natural hegemon in Europe. The Germans pursued an extreme and intelligent mercantilism, they were able to use the common currency, the euro, in the most beneficial way”
    Eurozone: an alternative path.

    Marica Frangakis:
    “Exiting the euro may not be a solution, but the outcome.”».

  7. Balanço destes dois dias de conferências feito por:
    Alberto Montero
    Universidad de Málaga

    For the first time, I have assisted at a Conference where the participants have discussed as a real possibility for the non-core countries to exit the Eurozone as a way to face the crisis. That was very stimulating and I think that the pros and cons debate became one of the main points of the Conference.
    Regarding that matter, the cooperative solution, that is to say, an orderly exit of several countries with the support of the Eurozone, seems to me highly unrealistic. I up hold that an individual exit will be more probable and, perhaps, the only solution for non core countries unless a radical change in european political economy take place.
    In any case, the atmosphere of the Conference was so friendly and the participants keep a so open mind attitude during the debate that I feel that the result was enlightening for all of us.

    Alberto Montero
    26 April 2012

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