Media Lab inventa o sociómetro

As pessoas nas suas relações face-a-face em sociedade exprimem sinais espontâneos não verbalizados, que marcam o seu comportamento efectivo.

Por maioria de razão, dentro das organizações e na interacção com os clientes, este tipo de sinais são a trave mestra de um canal de comunicação informal a que a gestão dos recursos humanos e do conhecimento ainda não deu a devida atenção.

Facilmente se entende que tais sinais são cruciais na negociação, na decisão em grupo, na gestão de projectos e na persuasão nas vendas. Criar um cartão electrónico que permita “medir” estes comportamentos inconscientes e traçar padrões de comportamento que ajudem a gestão é o objectivo do projecto «sociómetro» desenvolvido no Media Lab do Massachusetts Institute of Techology (MIT), em Cambridge, Boston.

“Penso que a tecnologia e as ideias por detrás do sociómetro vão revolucionar a gestão dos recursos humanos dentro das organizações e a gestão das vendas. Há um velho ditado que diz que não se pode gerir o que não se mede. Pois bem, este cartão é uma ferramenta de medição, que ajuda a quantificar automática e objectivamente o comportamento humano”, diz-nos o mexicano Daniel Olguín Olguín, de 27 anos, estudante de doutoramento no MIT e líder do projecto no grupo de investigação Dinâmica Humana.

Organizações sensíveis

Daniel garante que o objectivo é traçar padrões transparentes e definir recomendações para a gestão permitindo criar o que chama de “organizações sensíveis” (ver artigo científico). “Pretendemos identificar padrões de comportamento que fomentem maior produtividade e eficiência. Não visamos uma pessoa em particular. É garantido aos utilizadores que os seus dados são mantidos em segurança e que ninguém tem acesso a eles numa base individual, mas apenas agregada e anónima. Queremos criar algoritmos e simulações organizacionais que analisem os comportamentos agregados e definam grupos de profissionais com comportamentos similares”, responde, sacudindo a ideia de atentado ao direito à privacidade.

O sociómetro permite, ainda, passar do tradicional «data mining» (extracção de informação relevante em grandes quantidades de dados armazenados) para o que designa por «reality mining» (obtenção de informação estratégica a partir de comportamentos reais, registados minuto a minuto). Pretende, também, ajudar à gestão do conhecimento tácito e ao desenvolvimento de ferramentas de colaboração.

O sociómetro já foi usado em 300 pessoas e um dos casos de estudo, em discussão no meio académico, foi o da sua aplicação num departamento de marketing de um banco alemão.

O ponto de partida desta investigação é a detecção de “sinais honestos”. Alex Pentland, o líder desta área de investigação no Media Lab, designou assim tais manifestações, não porque signifiquem que a pessoa seja mais honesta por isso, mas porque são expressões verdadeiras do sentir e do pensar dificilmente modificáveis intencionalmente. Pentland acaba de publicar, no MIT, ‘Honest Signs: How they shape our world’, onde defende uma estratégia para melhorar a transparência e a produtividade dos locais de trabalho.

Os cartões sociométricos inserem-se numa gama de aparelhos que foi baptizada em inglês por «wearables» ou «softwear» e a primeira apresentação foi realizada em 1997 naquele laboratório, tendo sido reportada, então, pela janelanaweb.com. No plano tecnológico, o sociómetro captura as interacções face-a-face através de sensores de infravermelho, localiza outros utilizadores na proximidade (num edifício, numa conferencia, numa feira) e comunica, através de Bluetooth, com telemóveis, PDA e computadores.

Artigos recentes sobre o tema:

Artigo da Sloan Management Review (Fall 2008) – “Understanding Honest Signals in Business

Sensible Organizations: Technology and Methodology for Automatically Measuring Organizational Behavior (Fevereiro 2009, IEEE Transactions on Systems, Man, and Cybernetics-Part B: Cybernetics, Vol. 39. No.  1)

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