Os concorrentes que vieram do Terceiro Mundo

A concorrência vem agora dos quatro cantos do planeta. A vaga de globalização iniciada há mais de um século pelo capital financeiro e pelas multinacionais «ocidentais» foi surpreendida, na última década, por um grupo crescente de empresas dos países do antigo Terceiro Mundo, pobre, dependente, periférico e atrasado.

A globalização teria dado lugar à “globalidade” e a galeria de companhias de projecção mundial conta hoje com líderes sectoriais incontestáveis que vieram do “Sul”, diz Harold Sirkin, do The Boston Consulting Group (BCG) em Chicago e co-autor do estudo que leva como título sugestivo ‘Globalidade – competindo com toda a gente de todo o lado por tudo’. Uma situação que está “a alterar radicalmente e continuará a mudar o quadro da concorrência no mundo”, afirma-nos este consultor sénior, há 27 anos no BCG.

As empresas emergentes como que subiram uma escada a pulso – de fornecedores baratos em subcontratação (graças ao famoso movimento de «outsourcing» e «offshoring» no Terceiro Mundo protagonizado pelas multinacionais ocidentais) ganharam vida própria e acabaram por «atacar» directamente os próprios mercados ricos dominados pelos seus antigos clientes.

Repetição e novidade

O fenómeno não é novo, diz Sirkin. No século XIX e no início do século XX ocorreu o mesmo com as companhias emergentes dos Estados Unidos, depois nas décadas de 1960 e 1970 com a ascensão das empresas japonesas que trouxeram novas marcas ao mundo que abalaram a competitividade ocidental, e mais tarde na década de 1990 com a projecção das empresas coreanas.

Mas agora há uma diferença – sublinha o nosso interlocutor. “O que é novo é a dimensão da vaga potencial e as condições em que está a emergir. Os 14 países que designamos na BCG de ‘economias em desenvolvimento rápido’ somam mais de 3 mil milhões de almas. E o processo é hoje muito mais rápido”, diz Sirkin. As razões são conhecidas: a Internet, o sistema de logística e a própria possibilidade das empresas do “Sul” subcontratarem o melhor em design, marketing ou mesmo investigação nos EUA, Europa ou Japão.

Sirkin fala de 14 países e não apenas dos quatro BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) hoje em moda. Um dos indicadores que a consultora montou foi o 100 Global Challengers. A mais recente lista, liderada pela China à frente dos outros três BRIC, inclui também casos do México, Turquia, Tailândia e Malásia. Nos três casos que mais o impressionaram, o consultor escolhe o grupo Tata indiano, a Embraer brasileira, número um no segmento de aviões regionais, e a BYD chinesa, líder em baterias para telemóveis. Aliás, refira-se que há outros casos bem conhecidos de líderes mundiais que vieram do “Sul”, como a Cemex mexicana nos cimentos, ou a Vale do Rio Doce, brasileira, nos minérios. “Já nem se trata de desafiadores, pois são líderes incontestados e pode aprender-se bastante com eles, pois identificaram novos modelos de negócio e novas formas de os fazer”, conclui ironicamente Harold Sirkin (ver 7 Lições), que concedeu uma entrevista à Janelanaweb.com (em inglês).

CAIXA

7 lições (que se podem aprender com as multinacionais emergentes)

. Ter em conta as diferenças de custo

. Desenvolver os Recursos Humanos

. Penetrar em profundidade nos mercados

. Seleccionar as oportunidades uma a uma

. Pensar em grande, agir rapidamente, ultrapassar fronteiras

. Inovar com engenho e simplicidade

. Abraçar a multiplicidade

3 Responses to “Os concorrentes que vieram do Terceiro Mundo”

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