Os Sete Pecados Capitais na gestão

Billion-Dollar Lessons: What You Can Learn from the Most Inexcusable Business Failures of the Last 25 Years’ - O livro não podia ser mais oportuno. Com base num estudo das 750 principais falências superiores a 500 milhões de euros dos últimos 25 anos, os consultores independentes Chunka Mui e Paul Carroll descobriram que 47% foram derivadas de péssimas estratégias. Ou seja, poderiam ter sido evitadas.

Esses casos dão origem a uma espécie de guia para saber falir em grande. Foram empresas que cometeram algum ou vários dos 7 pecados capitais em estratégia (ver caixa). O livro, agora lançado em Setembro, dá pelo nome de ‘Lições de Biliões de Dólares’. É claro que a ideia não é o leitor aprender a falir, mas justamente desaprender as estratégias, muitas vezes tentadoras, que viciam muita gente…e levam, uns anos depois, a falências de muitos zeros.

Como, aliás, está agora a acontecer, e poderá ainda acontecer nos próximos tempos, segundo Chunka Mui, um nativo de Hong Kong de 46 anos, imigrado para os Estados Unidos desde tenra idade. Chunka ficou célebre em 1998 ao inventar o conceito de «killer application» (para o lançamento de produtos ganhadores), que rapidamente se transformou numa «buzzword» de management.

Consolidações apressadas

Uma das tentações é adquirir empresas “financeiramente muito agressivas”, e correr rapidamente na pista da consolidação. Chunka lembra-nos o caso da Green Tree Financial, do sector hipotecário, adquirida pela Conseco Financial, que depois iria à falência em 2002. A Green Tree foi um desses casos precoces da Wall Street de “engenharia financeira criativa”.

“Os que correm imprudentemente a comprar entidades completamente minadas por essa ‘criatividade’ poderão, muito bem, estar a repetir o mesmo erro – desnecessariamente”, diz-nos Chunka, que, no seu blogue, já se questionou sobre os movimentos recentes do Bank of America (que adquiriu a Merrill Lynch no decurso desta crise).

As aquisições de muitos pequenos e médios para formar um “gigante” der por onde der podem, também, ter maus resultados. O vício das economias de escala, sem bom senso, é mortal. O caso de estudo que Chunka escolhe é a MCI World Com que ao vício juntou a fraude.

Os movimentos de diversificação para segmentos adjacentes ou as migrações para novas áreas são, também, uma tentação. Em geral, boa. Ele acredita que a Google e a Apple (com o iPod e depois com o iPhone, aproveitando “a incrível fidelidade dos seus clientes”) poderão estar no caminho certo. Tem, no entanto, algumas dúvidas em alguns movimentos que “Sir” Richard Branson (Virgin Group) faz, confessa-nos.

Há grandes riscos para os incautos e aventureiros neste caso – “falta de competências efectivas na nova área, sobrestimação da transversalidade das suas próprias competências e da fidelidade dos seus clientes”. Muitas vezes, ainda, esse desejo de diversificação conduz à euforia de aquisições de ‘adjacências’, “exagerando as sinergias, que muitas vezes só existem na cabeça de quem fornece e não no cliente, pagando fortunas pelas aquisições, criando ofertas de pacote para as quais depois não há capacidade de gestão”, alerta o consultor.

Uma das armadilhas do diabo tem sido, de facto, as aquisições milionárias. Paga-se gato por lebre. Isso acontece frequentemente na área das tecnológicas. Conclui Chunka: “Há um conjunto de bandeiras vermelhas: não avalie as ofertas em isolado; nunca confunda investigação de mercado com marketing e boa projecção através dos «media»; não acredite que por haver presença de rivais vale a pena entrar nesse mercado potencial”.

Saiba como falir em grande

. Embarcar em pseudo-adjacências ao seu negócio. O vício mais frequente na diversificação relacionada.

. A miragem da sinergia em fusões e aquisições. O todo nem sempre é maior do que as partes.

. ‘Criatividade’ financeira é sempre má conselheira ou parceira. É altamente viciante e tem uma atracção incrível pela fraude.

. Manter-se arreigado ao passado. Não saber migrar para novas oportunidades.

. Apostar na tecnologia errada e não saber sair dela a tempo.

. Pressa de consolidar. Vício de comprar problemas e pagá-los (ainda por cima) milionariamente.

. Pressa de engordar rapidamente. Vício das economias de escala sem bom senso.

One Response to “Os Sete Pecados Capitais na gestão”

  1. Interessante para as pessoas fazerem uma boa leitura

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