Novas tendências para a gestão de recursos humanos

Enfrentemos a realidade. A velocidade a que a evolução acontece, no domínio das tecnologias que alteram a forma como trabalhamos e fazemos negócios, continua a aumentar. Se em Portugal este é ainda, por enquanto, um domínio em crescimento, nos chamados 'países-referência', designadamente nos EUA, a realidade já leva uns bons 'quilómetros de avanço'. Estas referências são importantes para que daí retiremos as melhores experiências, com as quais possamos aprender e melhorar o que já desenvolvemos. Certas tecnologias e tendências ocupam, de facto um lugar central nas técnicas e processos de gestão de recursos humanos, afectando-os, melhorando-os, desenvolvendo-os. Vejamos alguns bons exemplos.

ASPs e tecnologias de 'outsourcing'

Á medida que a Web se torna mais fiável, não só para os indivíduos mas particularmente para as organzações, as empresas viram-se para os serviços de aplicações de fornecedores, melhor dizendo, para os ASPs ('application service providers'), geridos a partir de estruturas de hospedagem de aplicações em servidores e computadores remotos. Quando isto é bem feito, não se verifica perca de desempenho e muitos dos encargos associados à aquisição, parametrização e manutenção dos sistemas são radicalmente minimizados.

Muitos dos maiores construtores de 'software' para gestão de recursos humanos, incluindo a SAP, PeopleSoft, Lawson Software, Infinium e Interlynx, permitem já a utilização das suas aplicações através de ASPs. Em alguns casos, esta é a única forma de utilização de um 'software' específico. A IDC, empresa de estudos de mercado sobejamente conhecida nestas áreas, prevê que o mercado de ASPs valerá cerca de 7,8 biliões de dólares norte-americanos, comparados com os 296 milhões de 1999.

Portais Web

O volume de informação com que temos de lidar, no dia-a-dia, continua a crescer descontroladamente. As Intranets, em certa medida, contribuiram para este problema quando permitiram que muita informação inútil fosse acedida, explorada e multiplicada por utilizadores, colaboradores e pessoas anónimas. Os portais, contendo informação específica e útil aos seus utilizadores, autorizados para a sua utilização, vêm reduzir significativamente o problema referido.

De acordo com um estudo conduzido pelo Delphi Group, 16 por cento das organizações utilizam portais em 1999. No fim deste ano, espera-se que este número tenha aumentado para 80 por cento. Entre as principais utilizações de portais contam-se os processos de gestão do conhecimento, suporte à aprendizagem, apoio aos processos de negócio, serviços a clientes e oportunidades de 'self-service' para colaboradores. Alguns destes portais oferecem também, aos colaboradores, ferramentas de gestão e acesso directo a bases de informação úteis às suas funções. Assim sendo, embora os portais se tenham constituído como uma 'buzzword' do momento, não existem dúvidas que têm vindo a ocupar um espaço importante na facilitação dos processos de gestão de recursos humanos, em especial no acesso à informação disponível.

Bluetooth

Imagine poder utilizar o seu telemóvel no escritório e, enquanto este está no seu bolso ou carteira, de forma automática, recebe informação (sobre contactos, agenda pessoal…) do seu PDA ou PC. Ou poder colocar o seu telemóvel junto do seu PDA e poder verificar se possui alguma novo email, sem fios ou linhas. Esse é o objectivo do Bluetooth, uma tecnologia de sincronização sem fios através de telefones celulares, produzida pela Ericsson e iniciada em 1997.

Gigantes da indústria, incluindo a Nokia, IBM, Intel, 3com, Lucent, Toshiba, Microsoft e a Ericsson começarão a incorporar a tecnologia-rádio num conjunto diversificado de ferramentas. O Bluetooth possui um campo de actuação automática numa área de 10 metros, oferecendo segurança e baixos custos, para além da facilidade de utilização.

A Web móvel

Os PDAs e os telefones digitais constituem o novo passo da evolução nos instrumentos de acesso sem fios ('wireless devices') a Web e à informação. Muitos 'sites' da Internet, como o Yahoo!, Excite, Visto.com e o Yodle oferecem acesso a notícias e informação pessoal através de PDAs e 'mini-browsers' em telefones ligados à Web através do WAP ('wireless application protocol'). Algumas organizações oferecem já outras funcionalidades através deste tipo de instrumentos. À medida que os construtores de tecnologia desenvolvem capacidades mais poderosas nestes instrumentos, esta tendência continuará.

E-Procurement

Em muitas organizações, o 'procurement' representa um dos últimos bastiões da ineficiência. Muitos colaboradores de inúmeras organizações actuam de forma desorganizada no que respeita aos contactos com os seus fornecedores. Isto está a mudar radicalmente, uma vez que os catálogos, formulários de encomenda e as próprias relações com os fornecedores passam a desenvolver-se de modo 'online', aumentando a eficácia e a rapidez dos processos, para além de reduzir os custos associados. Muitos destes sistemas electrónicos de automatização dos processos de compra facilitam a própria pesquisa dos preços mais baixos.

Fornecimento de PCs e acesso à Internet para colaboradores

Não é preciso muito para perceber que se as organizações pretendem desenvolver os seus colaboradores e prepará-los para novos desafios associados à gestão da informação, torna-se essencial fornecer-lhes ferramentas apropriadas, não só nos seus locais de trabalho mas também nas suas casas. Actualmente, organizações como a Ford Motor Company, a GM e a Delta Airlines fornecem já, aos seus empregados, computadores pessoais para utilização doméstica. Muitos destes instrumentos são fornecidos de forma subsidiada e, em alguns casos, gratuitamente.

Mas este esforço não faz muito sentido sem uma aposta séria no acesso dos colaboradores à Internet, também a partir das suas casas. Empresas como a Intel têm vindo a desenvolver esforços crescentes no fornecimento de serviços de acesso à Internet para os seus colaboradores, através de conexões de alta velocidade.

Monitorização da Internet e utilização de redes

Mas a consciência dos crescentes problemas associados à indústria da espionagem e dos 'cyberslackers' levam a que inúmeras organizações, a bem ou mal, adoptem estratagemas diversificados de protecção dos seus sistemas, para além de monitorarem todas as actividades dos seus colaboradores, a todo o momento, a partir dos seus PCs. Grandes organizações criaram já os seus sistemas de monitorização de redes e de utilização da Internet por parte dos seus empregados, podendo saber a que sites acedem, que informações procuram, que aplicações utilizam, qual o conteúdos das suas mensagens de correio electrónico. Tendencialmente, estas preocupações aumentarão através de meios mais sofisticados a serem desenvolvidos, numa polémica em que as áreas de recursos humanos assumirão, decerto, um papel central.

Facturação e pagamento electrónicos

Agora que muitas organizações adoptaram o processamento electrónico de salários e o depósito automático de valores, começamos também a assistir a um conjunto de novos procedimentos no campo financeiro e contabilístico, nomeadamente na facturação e pagamento electrónicos. Eliminar papel e automatizar transacções poderá cortar custos na ordem dos 20 a 50 por cento, fornecendo uma melhor qualidade de serviços para empregados, fornecedores e parceiros diversos. Embora as áreas financeiras e de informática assumam uma papel significativo nestas iniciativas, as áreas de recursos humanos não poderão alhear-se desta evolução. À medida que os sistemas de 'e-procurement', gestão de viagens e de despesas passam a estar disponíveis 'online', as áreas de recursos humanos deverão assegurar que os novos procedimentos sejam implemnetados, que as regras sejam seguidas e - mais importante que tudo - que as pessoas sejam preparadas para estas novas formas de transacção no mundo das organizações.

Página Anterior
Topo da Página
Página Principal