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	<title>Janela na web &#187; After America</title>
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	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
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		<title>O fim do século americano</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Oct 2009 08:58:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um livro publicado nos Estados Unidos afirma que a geopolítica entrou numa fase de transição. Paul Starobin, o autor, intitulou a obra sugestivamente: After America. Passaram 68 anos desde que o editor Henry Luce proclamou o "século americano" num editorial da revista Life, por ele fundada.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=067002094X/janelanawebjnrA/">After America</a></em> é um título que fala por si. É o primeiro livro de autor americano, que não pertencendo às correntes radicais anti-imperialistas, fala abertamente, para o (difícil e incrédulo) público do seu país, de que a “Civilização americana chegou a um fim depois da sua longa ascensão até à hegemonia” durante o século XX, diz-nos Paul Starobin. </strong></p>
<p>Hoje a viver na região de Boston, com 52 anos, Starobin tirou um mestrado em Inglaterra na London  School of Economics em Relações Internacionais, percorreu o mundo, o que lhe permitiu vários olhares, acabou por ser o chefe da delegação da revista americana Business Week em Moscovo e acabou por se apaixonar em Tashkent, no distante Uzbequistão. Paul é um globalista e insiste que os americanos têm de entender que se entrou “num período de transição em que o famoso século americano findou”.</p>
<p>“Escrevi este livro sobretudo para o americano comum que tem de se adaptar a este Depois da América em curso”, diz-nos numa entrevista que <a href="http://janelanaweb.com/novidades/%E2%80%9Ci-do-not-believe-in-a-g2-bi-hegemony%E2%80%9D/">pode ser lida aqui (em inglês)</a>, reconhecendo que essa missão tem sido mais fácil do “que junto da classe política em Washington DC, que tem permanecido largamente num estado de negação sobre as novas tendências”.</p>
<p>Simbolicamente, o autor encontra, na entronização recente do G20 como cúpula mundial de decisões, o sinal dessa alteração de fundo, ainda por cima em solo americano, em Pittsburgh. Surpreendentemente, a parteira dessa mudança histórica foi a grande crise financeira surgida nos últimos dois anos a partir da Wall Street. Outros analistas dirão que a própria decisão de escolha do Rio de Janeiro para local dos Jogos Olímpicos de 2016 já reflectirá esta mudança – há um ano quando os quatro finalistas foram escolhidos, o Rio era a localização que recolhia a mais baixa pontuação face a Chicago, Madrid e Tóquio (a com pontuação mais elevada).</p>
<p><strong>Hegemonia não vem do carisma<br />
</strong><br />
O processo de declínio – ainda que suave – da hegemonia americana <strong>vem de trás</strong>. Starobin fala de um pico da liderança mundial nos anos 1990. A queda americana não é, por isso, atribuível, apenas, a este ou aquele presidente americano. Mas, sem dúvida, que a Administração George W. Bush deixou o país no ponto mais baixo de influência internacional, de capacidade em <em>soft power</em>, além de diversos dilemas em termos de projecção externa de <em>hard power</em>.</p>
<p>Muitos segmentos políticos e sociais americanos depositaram, por isso, no novo presidente a esperança na inversão da situação: “O presidente Obama é uma figura carismática, sem dúvida, parece ser estimado em largas partes do mundo, mas isso não é suficiente para restaurar a hegemonia americana – a hegemonia nunca foi o produto de nenhum presidente carismático. Ela emergiu, no passado, de um conjunto de factores e oportunidades”. Starobin frisa que Obama tem uma estratégia “mais adaptada” à nova realidade do que a candidatura perdedora republicana que se imaginava, ainda, na idade de ouro do “século americano”.</p>
<p><strong>Vários futuros em aberto</strong></p>
<p>Mas o futuro está, ainda, em aberto, logo atalha o autor. “O mundo está grávido, mas não só com uma possibilidade do que virá a seguir, mas com múltiplas possibilidades. Estes embriões existem como que em paralelo”, afirma, ainda que reconheça: “É claro que, a dado passo, um ganhador emergirá”. Mas tranquiliza os mais stressados no Ocidente: “Provavelmente estamos ainda longe desse ponto”. Toda a gente fala que o candidato a hegemonista substituto é a China, um país que, <a href="http://geoscopio.tv/2009/10/geoprotagonistas/a-3%C2%AA-fase-da-republica-popular-da-china/">no final dos anos 1970</a>, surpreendeu tudo e todos ao enveredar por um caminho de afirmação de uma grande potência económica.</p>
<p>Mas Starobin, admitindo que a China é, sem dúvida hoje, o mais bem posicionado na corrida, recorda que a História dos ciclos das superpotências sempre foi marcada por dois padrões: a surpresa e a contingência criada pelos movimentos a partir de baixo, o que ele designa de “história orgânica”.</p>
<p>Os próprios Estados Unidos, diz ele, seriam um exemplo de “Império acidental”, que emergiu inesperadamente, fruto das oportunidades das “guerras civis” europeias do século vinte – as duas grandes guerras – que enfraqueceram a potência dominante (a Inglaterra) e os desafiadores directos. Depois, a própria implosão da União Soviética foi inesperada e permitiu um último fôlego ao hegemonismo americano.</p>
<p>Por isso, Starobin, através das suas viagens pelo mundo, ficou, ele próprio, surpreendido. Confessa que torcia o nariz a um tema exótico como o das “cidades-estado” e das “regiões-estado” (algo que em 1993 o estratega japonês Kenichi Ohmae agitou, mas que com a emergência dos BRIC ficou na penumbra). “Sinceramente, eu acho que essas regiões-estado têm mais futuro do que a própria formulação do conceito de BRIC [Brasil, Rússia, Índia e China]. Sempre encarei essa ideia [da Goldman Sachs] como algo artificial. No começo do projecto deste livro não estava muito focalizado nessa possibilidade das cidades e regiões-estado, mas à medida que fui investigando fiquei impressionado com essa hipótese”, sublinha-nos o autor, que avança com mais essa tendência: “É, na verdade, muito intrigante que possa surgir uma nova divisão do mundo, eventualmente multipolar, mas não baseada nas nações-estado, mas num agrupamento de mega-regiões urbanas”.</p>
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