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ANÁLISE: Na semana do 3º aniversário do pedido de bancarrota da firma financeira Lehman Brothers que levaria à grande crise, o mercado da dívida soberana desanuviou e as bolsas prosseguiram subidas. Mas o risco de “acidente financeiro” continua atrás do reposteiro.
[TEXTO LONGO]
A comparação com a Grande Depressão dos anos 1930 é tentadora. Mas a história, agora, foi diferente. A separar 1929 de 2007 está uma “financeirização” insana da economia e da sociedade, dizem vários especialistas em história das crises. E a geração de um “ecossistema” financista novo.
AVISO AO LEITOR: Texto longo. Adaptação de artigo da Revista portuguesa EXAME, edição de Maio de 2010.
O economista brasileiro Ladislau Dowbor em entrevista acha que o sistema financeiro mundial está inquinado. É uma estrutura cristalizada de interesses. A solução é “liberalizá-lo” de facto – mas no sentido de o libertar dos «atravessadores e dos especuladores», de modo a que o dinheiro volte a servir a economia real.
“Não há melhor altura para arrancar com um projecto inovador do que em períodos de declínio”, afirma-nos, paradoxalmente, Jerome Engel, fundador e director do Centro Lester para o Empreendedorismo e Inovação da Universidade da Califórnia em Berkeley.
Carlota Perez, investigadora no SPRU em Inglaterra, especialista em ciclos longos tecnológicos e papel do capital financeiro, fala de um ponto de viragem que se estará a viver nesta crise global. A prioridade deverá estar nas políticas de massificação da Revolução da Informação.
A notícia foi dada hoje (1 de Dezembro) oficialmente pelo National Bureau of Economic Research e o efeito desta «bomba» guardada a sete chaves durante vários meses provocou nova derrocada na Wall Street – quebras entre 8 e 10% nos diversos índices. Poderá ser a pior recessão desde há 25 anos, afirma a responsável pelo modelo da Universidade da Califórnia de acompanhamento em tempo quase real do risco de recessão.
O conselho de Stephen McClellan, ex-vice presidente da Merrill Lynch e da Salomon Brothers, reformado da Wall Street ao fim de trinta e dois anos, autor do polémico livro ‘Full of Bull’. A contínua volatilidade das bolsas, com variações extremas, aconselha a prudência por parte dos pequenos e médios investidores que não podem seguir o exemplo de Buffett, diz McClellan.
As bolsas mundiais parecem continuar a não acreditar nas reuniões e políticas promovidas pelos governos dos Estados Unidos, União Europeia e Japão. A derrocada parecia ter batido no fundo no dia 10 de Outubro, mas o mínimo no Dow Jones já foi ultrapassado a 24 de Outubro.
A multiplicação de reuniões internacionais, de facto, não acalma as bolsas. A divulgação dos maus resultados das empresas cotadas abate o moral. E ha diversos «pendentes» tóxicos na prateleira. Dizem que é apenas a ponta do icebergue.
Boas Pérolas a bons preços, diz a Bain & Co. A opinião de João Soares, um português regularmente em trânsito entre Lisboa e Sydney, «partner» a nível mundial da consultora de Boston.
Como conclui a revista Business Week, a política dominante mudou – agora a hiper-regulação vai ficar de novo na moda, depois de um intervalo “liberal” desde que em 1978 o presidente americano Carter iniciou o Airline Deregulation Act. Nestes últimos sete dias, a superpotência americana voltou a revelar um dos seus calcanhares de Aquiles: o financeiro e o dilema estratégico a que chegou nesse campo (as várias medicinas de opção têm riscos enormes). Os dilemas estratégicos em geopolítica e geoeconomia costumam ser sintoma de declínio.