Archive for Carmen Reinhart
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A dívida pública acima de 90% do PIB provoca nos países desenvolvidos um abrandamento na taxa de crescimento a longo prazo, segundo um novo estudo de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff que já haviam chamado a atenção em 2009 para essa correlação.
Who is next – an Expresso study, on Saturday, November 26, edition. Based on an article by João Silvestre and Jorge Nascimento Rodrigues on the November 26 printed edition of Expresso Economia.
Dashboard concept by Joao Silvestre.
English Edition by: JPO | LISwires
A “solução islandesa” face ao default voltou a estar em foco dois anos depois, por causa do que ocorreu na Irlanda. O ministro dos Assuntos Económicos e dois economistas falam da justeza de ter deixado os bancos falir. Mas a economia mergulhou numa depressão de onde saiu timidamente neste último trimestre
Técnicos do FMI e do BCE demonstram que dívida pública excessiva afecta o crescimento do PIB per capita. No caso de Portugal, pode significar menos 1,75 pontos percentuais na riqueza criada por cada um num horizonte de cinco anos e mais 2,4 pontos percentuais nas taxas de juro nominais de longo prazo pagas a detentores de dívida soberana
O economista Peter Dorman, a partir da costa do Pacífico, editor do blogue ‘Econospeak’, um dos mais envolvidos nas atuais polémicas na macroeconomia, conclui em entrevista exclusiva: “Fazendo um balanço, o risco de curto prazo da deflação excede o muito especulativo risco de inflação de longo-prazo”.
Criticizing deficit hysteria and debt-downsizing hawkery
A conversation with Yeva Nersisyan from the University of Missouri at Kansas City and Peter Dorman from Evergreen State College
Interviews by Jorge Nascimento Rodrigues, August 2010
Os incumprimentos (default) de dívida soberana tendem a agrupar-se como num cacho de uvas. Os especialistas falam de um padrão histórico de “clusterização” destas situações nos últimos duzentos anos após grandes recessões globais (como as dos anos 1800 e 1930) ou crises pluricontinentais (como as dos anos 1980 e 1990). Esse risco renasceu agora com esta Grande Recessão. Com as probabilidades de default agora a descerem acentuadamente para os PIGS, depois do mais recente pico a 20 de Julho, o tema pode ser bizarro. Pode parecer a memorabilia. Mas convém não o empurrar para baixo do tapete.
Assessor de Durão Barroso avisa que o problema do endividamento do sector financeiro não pode ser empurrado para debaixo do tapete. Ele virá ao de cima, de novo. A exigência espanhola de transparência nos resultados dos testes de stresse ao sistema bancário europeu é um primeiro sintoma. Em Julho deverão ser conhecidos os resultados para os principais 25 bancos da União Europeia, decidiu a cimeira dos 27 ontem em Bruxelas
Historicamente não é novidade alguma, diz-nos Carmen Reinhart, especialista da Universidade do Michigan em crises. É co-autora com Kenneth Rogoff de “This time is different”, um livro sobre história financeira que demonstra a regularidade no capitalismo de eventos extremos como crises financeiras graves, recessões globais e crises de default (incumprimento da dívida soberana).
A comparação com a Grande Depressão dos anos 1930 é tentadora. Mas a história, agora, foi diferente. A separar 1929 de 2007 está uma “financeirização” insana da economia e da sociedade, dizem vários especialistas em história das crises. E a geração de um “ecossistema” financista novo.
AVISO AO LEITOR: Texto longo. Adaptação de artigo da Revista portuguesa EXAME, edição de Maio de 2010.