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	<title>Janela na web &#187; crash</title>
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	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
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		<title>As tecnológicas que resistem à derrocada bolsista &#8211; the crash-proof companies</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 10:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[THE CRASH-PROOF HIGH TECH COMPANIES - Apesar de duas crises bolsistas desde março de 2000, as tecnológicas mostraram resiliência na última década e catapultaram uma das filhas do Nasdaq, a Apple, para a liderança da capitalização bolsista nos Estados Unidos, destronando a Exxon dos petróleos.
(Balanço Histórico nas vésperas do 3º aniversário do momento Lehman) 

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A “guerra” da Apple contra a Exxon pelo primeiro lugar na capitalização bolsista nos Estados Unidos tem sido um dos pratos fortes da crise mais recente. A empresa do Silicon Valley fundada por Steve Jobs voltou a ultrapassar a “rainha” dos petróleos no primeiro lugar.</strong></p>
<p><em>Na cotação de 23 de setembro, a Apple apresentava uma capitalização bolsista de 374, 82 mil milhões de dólares (1,6 vezes o PIB de Portugal em 2010) e a Exxon um valor de 336,99 mil milhões de dólares.</em></p>
<p>Entre as 20 maiores capitalizações bolsistas nos Estados Unidos destacam-se hoje em dia 6 empresas cujas ofertas públicas iniciais (IPO, no acrónimo em inglês) ocorreram no Nasdaq, a bolsa das tecnológicas sedeada em Times Square, em Nova Iorque – Apple, Microsoft, Google, Oracle, Intel e Cisco.</p>
<p><strong>O segundo maior crash </strong></p>
<p>O Nasdaq já sofreu duas crises bolsistas desde a sua criação em 1971. Para alguns historiadores, a primeira, iniciada no ano 2000, foi a verdadeira precursora da grande crise financeira do final da década e custou 6 biliões de dólares (cerca de €5500 mil milhões ao câmbio médio do período entre 2000 e 2002), 1/5 do custo da crise financeira de 2007 a 2009. </p>
<p>O filme é conhecido: depois de um pico atingido em março de 2000, o índice das tecnológicas caiu 76% até setembro de 2002. O segundo maior crash da história americana, depois do mais famoso de 1929 a 1932, que rebentou a escala com mais de 89% de derrocada. </p>
<p>A segunda crise do Nasdaq acompanharia a grande crise financeira recente de Wall Street – o índice quebrou 54% entre outubro de 2007 e março de 2009. Em termos de comparação, o índice Dow Jones caiu, no mesmo período, 53,78%, um valor idêntico.</p>
<p>Depois destas duas crises, o índice das tecnológicas está, ainda, 50,8% abaixo do máximo histórico atingido em 10 de março de 2000. Os “velhos tempos” da euforia das “dot.com” não regressaram mais. Mas encontra-se 103% acima do mínimo histórico de 20 de setembro de 2002 e 92% acima do mínimo mais recente em 6 de março de 2009. [Valores até 23 de setembro de 2011].</p>
<p>Uma situação que não é desconfortável, apesar do pessimismo militante atual.</p>
<p><strong>Campeões da resiliência</strong></p>
<p>Apesar das derrocadas ocorridas, o Nasdaq revelou um grupo de topo resiliente que soube aproveitar a vaga de financeirização desde os anos 1990.</p>
<p>A Apple é um dos exemplos de resiliência no sector das tecnológicas, refere-nos Peter Cohan, um dos autores norte-americanos que acompanhou a emergência das novas tecnologias desde a “bolha” dos anos 1990. Mas o especialista de Boston sublinha, também, o caso da Amazon: “O seu fundador é ainda hoje o CEO, sem interrupções, e é uma das empresas que melhor se adaptou às mudanças”.</p>
<p>A Apple e a Amazon têm uma particularidade na evolução da sua valorização bolsista, a de terem uma curva claramente ascendente desde a sua entrada no Nasdaq – a Apple em 1980 e a Amazon em 1997. A primeira valorizou-se quase 11.000 % e a segunda quase 13.000%. Peter Cohan acrescenta, ainda, nas resilientes com um perfil de crescimento ascendente, a Oracle, que se valorizou mais de 41.000% desde a entrada em bolsa em 1986, e a eBay, que se valorizou mais de 1.500% desde 1998. [Valorizações até 14 de setembro de 2011]</p>
<p>A “estrela” mais recente é, sem dúvida, a Google. Valorizou-se mais de 390% desde a oferta pública inicial em 2004 e apesar de jovem já se encontra entre as 10 maiores capitalizações bolsistas dos EUA.</p>
<p><strong>Perfil “japonês”</strong></p>
<p>Há, ainda, outras resistentes nas listas cimeiras do Nasdaq, e que se encontram nas 20 maiores capitalizações bolsistas norte-americanas, como a Cisco (que é a campeã do aumento de capitalização desde a entrada em bolsa em 1990, mais de 42.000%), a Microsoft (com uma valorização superior a 26.000% desde 1986) e a Intel (com uma valorização de mais de 17.000% desde 1978). </p>
<p>Mas o perfil de evolução da valorização em bolsa destas tecnológicas aproxima-se do tipo “japonês” – depois de um pico, observa-se nitidamente um comportamento em “L”. Ou seja, apesar de oscilações em alta em períodos de “bolha”, o valor não sobe significativamente, parecendo não conseguir furar um teto, como ocorre com o caso de antologia do índice Nikkei 225 da bolsa de Tóquio desde há 19 anos.</p>
<p><strong>As mais resilientes segundo Peter Cohan</strong><br />
(valorizações desde o IPO)</p>
<p>Apple (10.733,54% e nº1 em capitalização bolsista nos EUA em 23/09/2011)</p>
<p>Google (391,25%, entre as 10 maiores em capitalização bolsista)</p>
<p>Oracle (41.727,46%; entre as 20 maiores em capitalização bolsista)</p>
<p>Amazon (12.783,99%) </p>
<p>eBay (1513,49%)</p>
<p><strong>Dados sobre o Nasdaq</strong></p>
<p>Dados por semana: <a href="http://www.nyse.tv/nasdaq-composite-history.htm">http://www.nyse.tv/nasdaq-composite-history.htm</a></p>
<p>Gráfico gerado desde 1971: <a href="http://moneycentral.msn.com/investor/charts/chartdl.aspx?symbol=%24COMPX&#038;CP=0&#038;PT=11">http://moneycentral.msn.com/investor/charts/chartdl.aspx?symbol=%24COMPX&#038;CP=0&#038;PT=11</a></p>
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		<title>“Ireland is different [from other eurozone troubled countries] in long-term fundamentals” (Marc Coleman)</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 21:39:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Putting in context today bad news, janelanaweb.com listened to Marc Coleman, Economics Editor, Presenter "Coleman at Large", Newstalk 106-108fm, also Economics columnist with ‘The Sunday Independent’ and author of several books about the Irish economy.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>The Dublin Irish Overall stock market index just crashed today almost six percent, a historical low since July 2009. The probability of default of Ireland in a 5 year time horizon went up today as the yields for 10 years. Ireland is part of the TOP 10 world default ranking of countries in the monitor of CMA DataVision, occupying the 8th position, with Greece (in the second position) and Portugal (in the 10th position).</p>
<p>Later today Standard &#038; Poor&#8217;s rating agency downgraded Ireland&#8217;s long-term sovereign credit rating to AA- from AA with the outlook negative, the lowesxt since 1995. &#8220;The downgrade reflects our opinion that the rising budgetary cost of supporting the Irish financial sector will further weaken the government&#8217;s fiscal flexibility over the medium term,&#8221; said Trevor Cullinan, an S&#038;P credit analyst, in a statement. </p>
<p>S&#038;P said it may cost as much as 50 billion euros to recapitalize Irish banks. Next September is a critical month: Irish banks have about 30 billion euros of government-guaranteed debt securities to roll over &#8211; a wall of maturing debt.</p>
<p>Putting in context today bad news, janelanaweb.com listened to Marc Coleman, Economics Editor, Presenter &#8220;Coleman at Large&#8221;, Newstalk 106-108fm, also Economics columnist with ‘The Sunday Independent’ and author of several books about the Irish economy.</p>
<p><em>Marc Coleman advice: “Keeping our nerves won’t prevent another global recession if indeed this is what is going to occur. But it will help a recovery if this is what is in store. It will also help to prevent the interim situation where a recovery is possible, but fails to happen because of poor confidence.”</em></p>
<p><strong>Coleman’s statement</strong> © Janelanaweb.com, 2010</p>
<p>“If forecasts for a global recovery are wrong, then like other countries experiencing difficulties a default in Ireland cannot entirely be ruled out. Recent developments in world share prices show how vulnerable perceptions are to the possibility of a double-dip recession in the US.</p>
<p>At the same time overreaction to single news events can damage confidence and become self-fulfilling. For this reason, it’s crucial to qualify each bit of negative short-term news with a focus on long-term fundamentals. </p>
<p>For Ireland those fundamentals are:</p>
<p>1.	Ireland is the only one of the five countries identified as in trouble (Portugal, Greece Ireland, Italy and Spain) as expected to have a healthy positive balance of payments surplus;<br />
2.	The size of the fiscal deficit – some 21 billion euro – is composed of roughly one third of capital spending while the remaining third is a cyclical deficit that should, provided a recovery re-occurs, disappear by 2014. The remaining structural deficit is of the order of 7 billion. Judging by the size of the structural correction in the last budget alone – a structural reduction of about 3 billion euro, this problem will be cut in half by the time of the next budget (these are round figures, but broadly accurate);<br />
3.	The adjustment to date in the last 2 [fiscal] years (2008 and 2009) amounts to 5 per cent of GDP and is the largest of any European country in recent and possibly modern fiscal history;<br />
4.	Ireland is expected to grow by 3 per cent next year, twice the euro zone average.</p>
<p>Another point is that Ireland does not control the world economy. It remains vulnerable to global events. Having said this the presence of US multinationals is less dependent on recovery in the US and far more tied to the stronger recovery in Asian and European markets for its high tech output. </p>
<p>Being a smaller economy, its stock market has risen and fallen in a more volatile manner than other larger and more sectorally diversified countries. The negative side of this is clear from the relative size of the fall in the Dublin stock exchange. This is strongly influenced by a disappointing performance of a large construction company, CRH, which has a strong impact on the ISEQ index. </p>
<p>The positive side is that provided the world economy does recover, this volatility should manifest itself in a stronger recovery in the stock prices (asset prices being quicker to respond to economic news).</p>
<p>Finally, Joe Stiglitz warnings of a double-dip recession have to be taken seriously. But this warning is of a possibility not yet a probability. There will be more ups and downs like the events of the stock market today (which was caused by poor US Home sales data). </p>
<p>Keeping our nerves won’t prevent another global recession if indeed this is what is going to occur. But it will help a recovery if this is what is in store. It will also help to prevent the interim situation where a recovery is possible, but fails to happen because of poor confidence.”</p>
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		<title>«Risco de deflação é maior – o resto é histeria dos falcões anti-défice» (Peter Dorman)</title>
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		<pubDate>Tue, 24 Aug 2010 18:37:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O economista Peter Dorman, a partir da costa do Pacífico, editor do blogue ‘Econospeak’, um dos mais envolvidos nas atuais polémicas na macroeconomia, conclui em entrevista exclusiva: “Fazendo um balanço, o risco de curto prazo da deflação excede o muito especulativo risco de inflação de longo-prazo”.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Aumenta a perceção nos mercados financeiros e entre os investidores de que a Reserva Federal (Fed) americana tem a sua margem de manobra progressivamente mais encurtada e que o Tesouro (o Ministério das Finanças em Washington) também viu diminuir o seu espaço de intervenção orçamental. </p>
<p>Os últimos números do crescimento e do desemprego não são animadores, e as bolsas nova-iorquinas têm respondido ao pessimismo com míni-<em>crashes</em> quase diários. O índice S&#038;P 500 já soma mais de 5% de quebra desde 10 de agosto e o Dow Jones ameaça regressar, de novo, a valores abaixo do limiar psicológico dos 10.000 pontos. Hoje fechou rés-vés nos 10.040 pontos. Desde 2 de Agosto, o Dow Jones já &#8220;emagreceu&#8221; 6% e o Nasdaq (a bolsa das tecnológicas na Times Square) caiu 7,5%.</p>
<p>No próximo dia 27 de agosto serão reveladas as novas estimativas para o crescimento americano anualizado no segundo trimestre. Teme-se que haja uma revisão em baixa, com a correcção da estimativa inicial dos 2,4% para 1,3%. E na próxima semana, o indicador da indústria ISM será divulgado, prevendo-se que aponte para novo declínio.</p>
<p>Assim, a confiança de que a América evitará um <em>double-dip</em> (o termo inglês para recaída na recessão) está a ir pelo cano. Um debate fraturante tem-se desenvolvido entre os militantes do aumento dos estímulos públicos e os fundamentalistas do ajustamento orçamental e do desendividamento. </p>
<p><strong><a href="http://janelanaweb.com/novidades/the-american-%E2%80%9Cexcepcionalism%E2%80%9D-a-default-proof-superpower/">Peter Dorman</a></strong>, professor no <a href="http://www.evergreen.edu/faculty/dfaculty.htm">Evergreen State College</a>, em Olympia, capital do estado de Washington, e editor do blogue <strong><a href="http://econospeak.blogspot.com/">EconoSpeak</a></strong>, critica a histeria dos “falcões” que se opõem a mais défice e dívida públicas nas atuais circunstâncias dos Estados Unidos, mas avalia a margem de manobra real que existe.</p>
<p>© Jorge Nascimento Rodrigues, 2010</p>
<p>ENTREVISTA</p>
<p><strong>P: Com taxas de juro próximas de zero, na realidade negativas em termos reais, com mais de 2 biliões de dólares no balanço da Reserva Federal (Fed) e sem resultados claros no crescimento, no emprego e no crédito à economia real, que opções restam a Ben Bernanke, o presidente da Fed? O banco central americano está a jogar um jogo perigoso, como disse recentemente o próprio presidente do Banco da Reserva Federal de Kansas City, que participa nas reuniões da estrutura do banco central americano?</strong><br />
R: Eu preferia desdobrar essa questão em duas: 1) De que setas ainda dispõe a Fed? 2) As atuais políticas da Fed aumentam o risco de inflação futura, como se alega?</p>
<p><strong>P: Então, de que margem de manobra dispõe Bernanke?</strong><br />
R: Como muitos têm sublinhado, a Fed pode lançar-se numa expansão quase ilimitada do seu balanço, através de compras da dívida do setor privado. Assim, em vez de trocar títulos sobre hipotecas e similares à medida que as maturidades surgem por dívida pública de longo prazo, como tem feito, a Fed pode adquirir ainda mais. Esta opção baseia-se na ideia de que a economia americana pode absorver ainda mais liquidez, de que o verdadeiro risco é a deflação e não a inflação.</p>
<p><strong>P: Mas qual é a sua avaliação?</strong><br />
R: Penso que um pouco mais de <em>quantitative easing</em> pode ajudar marginalmente, mas a política orçamental é, quanto a mim, mais eficaz do que a política do banco central para contrabalançar os efeitos na procura agregada da desalavancagem – inevitável e necessária &#8211; do setor privado. O nível de aquisição de dívida do setor privado necessário para absorver toda a desalavancagem necessária exporia a Fed, e os contribuintes americanos, a um risco de crédito bem significativo.</p>
<p><strong>Sugestão de Paul Krugman pode não funcionar</strong></p>
<p><strong>P: E que setas mais tem a Fed?</strong><br />
R: Outra proposta que tem surgido é a de que a Reserva Federal deveria aumentar o alvo de controlo da inflação. Krugman lançou essa ideia que tem recebido muito apoio. A minha opinião é que isso poderá não funcionar. A sugestão baseia-se em duas premissas: primeiro, que os agentes económicos adotariam tal nível de inflação mais elevado nos seus cálculos das taxas de juro reais (tornando-as ainda mais negativas na atual situação de juros perto de zero em termos nominais), e, segundo, que isso os incentivaria a retomar o recurso ao crédito.</p>
<p><strong>P: E isso tem pernas para andar na mente dos empresários e investidores?</strong><br />
R: Por que razão iriam os agentes económicos acreditar que o novo alvo de inflação se concretizaria no horizonte dos seus planos de negócio? O segundo aspeto esquece que: 1) muitos setores da economia americana, na realidade, estão super-alavancados e têm de diminuir a carga da dívida; e 2) o investimento é bloqueado não pelo custo real do crédito, mas pela falta de antecipação de procura.</p>
<p><strong>P: Mas vale a pena ou não “subir” esse patamar político de gestão da inflação de 2% para 4%, como muitos macroeconomistas propõem?</strong><br />
R: Não creio que cause grande mal, por isso, porque não? Isso seria mais consistente com a ideia de que a banda de inflação ótima em “tempos normais” poderá andar nos 3-4%. Por isso, eu acho injusto toda essa culpa colocada em cima de Bernanke. A paralisia política americana é um fator de contexto extremamente mais importante. Os futuros historiadores certamente colocarão mais culpa na presidência Obama e no Congresso americano do que em Bernanke e na Fed.</p>
<p><strong>P: Em suma, as políticas da Fed correm o risco de empurrar os Estados Unidos para uma dinâmica inclusive de hiperinflação, como alegam alguns economistas que se opõem a mais facilitação de liquidez?</strong><br />
R: É óbvio que, no curto prazo, não existe esse problema da inflação. Para ser gerada uma situação dessas teria de ocorrer uma expansão monetária do tipo zimbabueano. Depois, um pouco mais de inflação seria uma coisa boa. A questão é outra: conseguirá a Fed saltar do carro a tempo para que não haja uma explosão da oferta de moeda? Tal como muitos economistas, eu penso que a Fed poderá fazê-lo à medida que o setor privado reabsorva a sua dívida. De um ponto de vista político, permitir que um certo stock de dívida regresse do público para mãos privadas é algo neutro em termos de política macro. Dito isto, no entanto, não creio que seja igual a zero o risco derivado das atuais políticas. </p>
<p><strong>P: O que poderá atrapalhar esse processo?</strong><br />
R: O processo de desalavancagem pode ser revertido. Ou os mercados podem não ser suficientemente líquidos – ou seja, a Fed detém um ativo A e o público quer B. Ou algo que não estejamos a prever agora. Contudo, fazendo o balanço dos prós e dos contras de toda esta nossa discussão, eu penso que o risco de deflação no curto-prazo excede o altamente especulativo risco de inflação no longo-prazo.</p>
<p><strong>Não há evidência histórica para um limite do endividamento público</strong></p>
<p><strong>P: Do lado da política orçamental, há apoio político para novas intervenções de tipo Keynesiano face ao risco de recaída na recessão? O <em>double-dip</em> amedronta mais do que o disparo da dívida pública e do défice orçamental em relação ao PIB? Alterações na estratégia do Banco Central da China também podem reduzir o espaço de manobra orçamental?</strong><br />
R: No fundo, a questão que me coloca é se a trajetória do défice orçamental e da dívida pública americana face ao PIB e a diminuição da procura chinesa em relação à nossa dívida soberana vão limitar a capacidade do governo em Washington implementar uma segunda rodada de estímulos? Vou, também, aqui, dividir a minha resposta em dois andamentos. Primeiro, penso que a tentativa de impor uma regra mecânica para o rácio dívida pública em relação ao PIB é enganadora e não tem, quanto a mim, evidência histórica.</p>
<p><strong>P: Está a referir-se à “regra” alegada por Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff de que haveria um limiar de 90% a partir do qual o peso da dívida pública em relação ao PIB afetaria o crescimento?</strong><br />
R: Penso que o problema é mais vasto. Os défices orçamentais são algo endógeno. São determinados por um conjunto de fatores: crescimento da dívida do setor privado, balança externa, termos de troca, e outros que influenciam tanto o numerador como o denominador. E a política, também, claro. A Economia tem muito a dizer sobre a forma como estes fatores interagem, e em cada situação concreta tem de se fazer uma avaliação na base do conjunto das variáveis.</p>
<p><strong>P: Quer ser mais específico?</strong><br />
R: Por exemplo, por um lado, os EUA tiveram, durante algum tempo, um défice comercial estrutural de proporções gigantescas, e a economia americana organizou-se em torno de dois vícios crónicos: défices privados e públicos elevados. Deslizámos para uma especialização da produção em bens financiados por esses défices – imobiliário, setor da defesa, etc. Por outro lado, o dólar permanece a principal divisa de reserva mundial. Isso permite aos EUA pedir emprestado muito mais do que os outros – o tal “privilégio exorbitante” de que falava o professor Barry Eichengreen. Por isso, não penso que os Estados Unidos sofram um constrangimento imediato na sua capacidade de levar ao mercado a sua dívida pública. O problema mais grave são os desequilíbrios na balança corrente que geram a necessidade desse endividamento.</p>
<p><strong>P: O clamor que se tem levantado contra a continuação dos estímulos, à custa de mais défice e mais dívida públicas, é basicamente histeria, como muitos alegam?</strong><br />
R: Histeria pura.</p>
<p><strong>Quebra de confiança é o maior risco</strong></p>
<p><strong>P: E quanto à China há um risco ou não?</strong><br />
R: Há muitos aspetos, alguns bem complexos, na relação financeira entre a China e os EUA, mas as linhas gerais são simples. A China, junto com outros países que dispõem de excedentes, financia a dívida líquida americana, e a necessidade disso é porque esses países têm excedentes em relação aos Estados Unidos. Em princípio, a solução é re-equilibrar – o que significa menos financiamento e menos dívida, em simultâneo. Na vida real, é evidente, há potenciais ‘buracos’ nesta estrada. O maior risco é uma falta de confiança súbita nos ativos em dólares. Este risco está sempre presente e é, mais ou menos, proporcional à escala da reciclagem de dólares. Um recuo chinês, mesmo que gradual, se significar a redução dos seus excedentes comerciais com os EUA, direta ou indiretamente, seria positivo para a economia mundial.</p>
<p><strong>P: Mas esse problema de re-equilíbrio existe apenas com a China?</strong><br />
R: Não. Os EUA têm défices com a União Europeia, com os exportadores de petróleo e com quase toda a gente. Necessitam de re-equilibrar em quase todas as frentes. Se se realizasse esse re-equilíbrio, isso dispensaria em muito a necessidade dos estímulos Keynesianos. É óbvio: um país com uma balança externa equilibrada financia domesticamente os episódios extraordinários de estímulos orçamentais. Pelo contrário, um país com défice externo crónico necessitará de mais estímulos e terá de se financiar, até certo ponto, no exterior. Este segundo aspeto é menos sustentável, como é evidente.</p>
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		<title>Nos dez anos do crash do Nasdaq: A história surpreendente de duas bolhas</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Mar 2010 17:28:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Com a aproximação do aniversário do crash do Nasdaq a 11 de Março de 2000 exige-se uma reflexão sobre o comportamento da "exuberância irracional" nos mercados financeiros nesta última década. Como foi possível que, em menos de uma geração, se vivessem entusiasticamente duas bolhas (sempre com a ideia de que "desta vez é diferente") e se sofressem dois crashs (sempre nos apanhando de surpresa)? Corresponderá esta dupla-bolha e duplo-crash a um padrão histórico que inclusive terá mais prendas na sua longa cauda? Eis a questão bilionária que fica por responder. A investigadora Carlota Perez, de Cambridge, no Reino Unido, ajuda-nos a compreender o que se passou.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>PREÂMBULO (4 pontos para os que não queiram ler o resto)</strong></p>
<p><strong>RESUMO</strong>: 10 anos depois do início da derrocada do Nasdaq, em Nova Iorque, os negócios nascidos da Internet entraram na idade da razão, depois de várias doenças infantis e de manias da puberdade. Os vencedores vieram para ficar e mudaram a face da capitalização bolsista. A Google vale hoje mais do que a Coca Cola ou a IBM ou mesmo do que as suas “colegas” Intel e Cisco, e a Amazon tem um múltiplo impressionante, superior ao da Microsoft ou da Apple. Um novo candidato tecnológico para uma nova onda de exuberância irracional ainda não vingou. Ainda estamos a gozar a consolidação da “Terceira Vaga”. Mas, depois dos motores de crescimento económico se terem “deslocalizado” para a Ásia, poderá ser, agora, a vez da dinâmica financeira se “orientalizar” também.<br />
<img src="http://janelanaweb.com/wp/ficheiros/976300_wall_street.jpg" alt="" title="976300_wall_street" width="300" height="225" class="alignleft size-full wp-image-454" /><br />
<strong>A HIPÓTESE DE UM PADRÃO HISTÓRICO</strong>: Se tomarmos em consideração que a revolução tecnológica ligada às inovações radicais em torno da computação e das redes se iniciou nos anos 1960-1970, a investigação de Carlota Perez, da Universidade de Cambridge (Reino Unido), bem como da equipa de Tessaleno Devezas e Humberto Santos (já falecido), da Universidade da Beira Interior (Portugal), aponta para a hipótese de um padrão histórico que se voltou a verificar durante esta onda tecnológica, ainda que com peculiaridades: uma fase inicial com a duração de uma geração em que ocorreram duas bolhas e duas derrocadas bolsistas (2000 no Nasdaq e 2007/2008 em Wall Street), incluindo uma grande recessão (2009), e uma segunda fase de consolidação ou de “posicionamento” do novo paradigma tecno-económico vitorioso.</p>
<p><strong>O FUTURO DE MÉDIO PRAZO</strong>: Carlota Perez levanta uma interrogação com impacto no curto e médio prazo – caminharemos efectivamente para uma “idade de ouro”, com uma nova vaga de investimentos produtivos associados às tecnologias de informação e comunicação (TIC), ou ficaremos por uma mera “idadezinha dourada”, se as políticas indispensáveis não forem tomadas para que a financeirização seja desalojada do seu lugar cimeiro e a preponderância do capital produtivo regresse, como no tempo das “revoluções industriais”.</p>
<p><strong>A INTERROGAÇÂO DE LONGO PRAZO</strong>: A questão pertinente que deriva destas duas últimas décadas (1990-2010) é saber se o que temos pela frente, a longo prazo, é uma radiosa idade de ouro das TIC, uma espécie de longo <em>boom</em>, ou se uma Grande Depressão, como a de 1929-1933, poderá ocorrer na esquina das próximas décadas, conjugada com uma nova vaga tecnológica (“em sobreposição com a antiga”, diz Carlota Perez) e um novo contexto geopolítico como há 80 anos atrás.</p>
<p><strong>ENSAIO DE ANÁLISE</strong></p>
<p>No início de 2000, a euforia em torno da “Nova Economia” e das <em>dot.com</em> continuava apenas com pequenos beliscões, a que ninguém ligava. Uma multidão de gurus, de chefes de empresa, de empreendedores e de jornalistas continuava a viver um sonho. Kevin Kelly, o fundador da revista de culto Wired, falava, a partir do Silicon Valley californiano, de uma ruptura com as revoluções industriais anteriores e cantava a epopeia dos “imensos jovens empreendedores de 20 anos do Vale a valerem mais de meio bilião de dólares” quase do dia para a noite. Ele inventou <a href="ttp://www.janelanaweb.com/livros/kelly2.html">dez mandamentos</a> da Nova Economia que seriam repetidos pelos crentes.</p>
<p>A AOL – American on Line -, uma das estrelas da época, resolvia adquirir em Janeiro a Time Warner, um gigante dos media e do entretenimento. Viria a revelar-se um fiasco, mas, na altura, quase ninguém arriscava dizê-lo. A Yahoo, outra das estrelas da era Internet, atingia um máximo no Nasdaq (a bolsa das empresas tecnológicas em Times Square, em Nova Iorque) com as acções a venderem-se a mais de 400 dólares.</p>
<p><strong>Rumores de derrocada</strong></p>
<p>Apenas uma minoria de analistas, a contracorrente, avisava que o Nasdaq estava a chegar a um pico e que a “exuberância irracional” (como lhe chamara Alan Greenspan, presidente da Reserva Federal americana, em Dezembro de 1996), esse monstro de valorizações absurdas das <em>dot.com</em>, geraria o seu contrário: uma derrocada bolsista monumental.</p>
<p>O fiasco do chamado <em>bug</em> do milénio (conhecido por Y2k) deixou muita gente chocada e o <em>flop</em> do comércio electrónico no Natal de 1999 gerou muitas dúvidas sobre a ascensão meteórica da “nova economia”.</p>
<p>Em Fevereiro de 2000, os rumores de <em>crash</em> iminente na bolsa das tecnológicas nova-iorquina avolumavam-se, como então noticiámos (no semanário português Expresso e em <a href="http://janelanaweb.com/digitais/crash.html">janelanaweb.com</a>), face à incredulidade dos homens do capital de risco (<em>venture capital</em>, na expressão em inglês que ficou célebre), dos empreendedores da economia digital, celebrizada por Don Tapscott, dos editores ou dos futuristas optimistas, como Harry Dent e Peter Schwartz.</p>
<p>Num <a href="http://www.sciencedirect.com/science?_ob=ArticleURL&amp;_udi=B6V71-4GY88V9-1&amp;_user=10&amp;_coverDate=10%2F31%2F2005&amp;_rdoc=1&amp;_fmt=high&amp;_orig=search&amp;_sort=d&amp;_docanchor=&amp;view=c&amp;_searchStrId=1234932912&amp;_rerunOrigin=google&amp;_acct=C000050221&amp;_version=1&amp;_urlVersion=0&amp;_userid=10&amp;md5=7881f68e540b1db208413f8f2d6dbf60">estudo posterior</a> ao <em>crash</em>, de Tessaleno Devezas, Harold Lindstone, e Humberto Santos, referia-se que, no espaço de trinta anos, no período de uma geração, a infra-estrutura da Internet passara dos primeiros passos em 1969 (com a Arpanet) para o seu pico em 1999 (uso do Protocolo Internet v6), sendo previsível que se passasse de “fase” e que uma correcção drástica nos activos ocorresse.</p>
<p>Casos, como a emergência da Google (que, em seis anos, desde que entrou em bolsa em 2004, passou a valer quase tanto como a mais “velhinha” Apple) e a difusão das plataformas de redes sociais mais recentes, são já filhos dessa nova fase.</p>
<p><strong>Março negro</strong></p>
<p>Os dias do apocalipse tecnológico ocorreriam a 11 de Março e depois a 28 de Março, numa dupla assinatura inesperada. O índice do Nasdaq saltou de 2600 pontos em Abril de 1999 para mais de 5132,52 pontos no pico histórico durante a sessão de <em>trading</em> 10 de Março de 2000. Depois desceria, mas voltaria a subir até aos 5040 pontos a 27 de Março, criando a ilusão de que a derrocada inicial teria sido passageira, em “V”. Mas, mortiferamente, a partir de 28 de Março voltaria a cair espectacularmente até 14 de Abril (34% em duas semanas e meia), e até ao final do ano num processo em ziguezague, fechando nos 2251,7 pontos.</p>
<p>A quebra do Nasdaq no dia 14 de Abril foi de 10%, a quarta maior da história das bolsas americanas num só dia. Os maiores pânicos financeiros diários em Wall Street até à data foram a 19 de Outubro de 1987 (a célebre <em>Black Monday</em>) e em 19,28 e 29 de Outubro de 1929 (datas ordenadas por ordem decrescente da dimensão da queda bolsista). Na mais recente crise financeira de 2007/2009, a maior queda diária em Wall Street ocorreu a 15 de Outubro de 2008, durante o pânico financeiro, e foi de 7,87%.</p>
<p><strong>Um caso de estudo</strong></p>
<p>A velocidade da derrocada do Nasdaq ainda hoje é um caso de estudo. A quebra seria de 56% em apenas dez meses, enquanto, no mesmo período na crise de 1929/1930, a queda seria de 31% e entre Outubro de 2007 e Julho de 2008, na primeira fase da crise recente, foi apenas de 18%. Entre o pico da bolha do Nasdaq em Março de 2000 e o ponto mais baixo desta crise em 9 de Outubro de 2002 &#8211; quando o índice tecnológico atingiu 1114, 11 pontos &#8211; a derrocada somou quase 80%. Segundo os cálculos da altura do analista Peter Cohan, divulgados no The New York Post, a destruição de valor durante esta derrocada teria atingido os 6 triliões de dólares (quase 7 biliões de euros, ao câmbio da altura), 60% do PIB americano naquele ano. Quase dez anos depois, o Nasdaq ainda está abaixo dos 2300 pontos, no patamar em que fechou o ano de 2000.</p>
<p>Durante a euforia das <em>dot.com</em>, o rácio do preço das acções em relação aos ganhos (designado em inglês por P/E, <em>price earnings ratio</em>, ou simplesmente por múltiplo) no conjunto das 500 empresas cotadas incluídas no índice da Standard &amp; Poor’s (que abrange todas as bolsas americanas) havia chegado a valores superiores a 44, acima dos 32,5 que atingira em Setembro de 1929 (ver quadro I em anexo), como então o sublinhou Robert Shiller, o académico de Yale que publicaria em Abril de 2000 um livro marcante, precisamente intitulado “Exuberância Irracional”.</p>
<p>No caso do Nasdaq, o múltiplo atingiu em 1999 mais de 200 e em 2000 ainda estava nos 125! Shiller disse-nos, então, em <a href="http://www.janelanaweb.com/digitais/shiller.html">entrevista</a> ao Expresso e à janelanaweb, “que não havia paralelo”. O volume de negociação no pico do Nasdaq chegou a atingir o dobro do que ocorria no New York Stock Exchange, onde estavam cotadas as empresas da “velha economia”.</p>
<p><strong>As duas bolhas seguidas</strong></p>
<p>Mas o que parecia estar enterrado em finais de 2001 voltou a renascer das cinzas, não no Nasdaq, em Times Square, mas nas bolsas tradicionais em Wall Street, na baixa de Manhattan. O índice Dow Jones, depois da quebra de 2001, subiria ao máximo histórico de quase 14100 pontos em 15 de Outubro de 2007, segundo a Barron’s.</p>
<p>Carlota Perez, investigadora em Cambridge, no Reino Unido, especialista em ciclos tecnológicos, fala de um padrão de duas bolhas associadas nesta última revolução das tecnologias de informação. Uma primeira fase de “instalação” em que a exuberância irracional campeou pelas novas empresas tecnológicas, alimentando uma primeira bolha e depois uma derrocada, a que se seguiu alguns anos depois (menos de uma década) uma bolha financeira e um <em>crash</em> mais amplo e global.</p>
<p>Mas a seguir a essa tormenta de dois <em>crashes</em>, poder-se-á seguir o bom tempo, uma fase de “posicionamento” e “maturidade” da nova tecnologia, uma era de ouro. A investigadora garante que estamos em transição para essa era, ainda que admita que se fique por algo menos radiante, meramente “dourado”: “Esse é o perigo que corremos hoje”. Se não forem adoptadas medidas de contenção da financeirização e de prioridade ao capital produtivo, diz a investigadora na entrevista que nos concedeu (que pode ser <a href="http://janelanaweb.com/novidades/the-danger-we-are-running-now-to-have-a-gilded-age-instead-of-a-golden-age-carlota-perez/">lida aqui em inglês</a>).</p>
<p>Ao fim destas duas tormentas há um grupo de líderes da revolução tecnológica iniciada nos anos 1970 que parecem consolidar-se (ver quadro II em anexo). A Amazon surge como a empresa internet com maior múltiplo de valorização (57,58!) e a Microsoft, apesar dos “ataques” de uma renovada Apple ou da emergente Google, consegue manter-se no topo da capitalização bolsista (mais de 252 biliões/mil milhões de dólares), ainda que com um múltiplo muito mais baixo.</p>
<p><strong>Atracção fatal</strong></p>
<p>O que hoje parece absurdo é como no espaço de uma década os investidores caíram na mesma armadilha duas vezes. Da primeira vez, entusiasmaram-se com uma tecnologia espantosa, uma inovação “básica”, como lhe chamam os especialistas em tecnologia. Da segunda vez, seguiram o filão da especulação imobiliária.</p>
<p>Nos dois momentos, houve sempre um mesmo padrão de comportamento que funcionou como uma atracção fatal: o cheiro da realização de ganhos financeiros rápidos. O pano de fundo: uma vaga de financeirização sem paralelo desenrolou-se ao longo de duas décadas.</p>
<p>Primeiro, no final dos anos 1990, em torno das entradas em bolsa das start-ups da nova economia. E, num segundo andamento, no final da década de 2000, através de um processo de alavancagem inacreditável realizado com veículos financeiros (alguns deles sairiam do anonimato em meados de 2007, como o famoso subprime) assentes numa onda de inovação financeira (“algo sem paralelo”, sublinha-nos Carlota Perez), na bolha imobiliária e nas benesses dadas por Alan Greespan com uma taxa (de juros) directora da Reserva Federal a valores muito baixos entre 2002 e 2004. Em termos reais, as taxas de curto prazo, nos EUA, desceram abruptamente de 5% em meados de 2001 para 0% em meados de 2002. O incentivo a um comportamento de alto risco não poderia deixar de acontecer.</p>
<p>O papel crucial destes novos veículos financeiros – que subitamente se tornaram nomes ou siglas mediáticas, como <em>subprime</em>, MBS, SIV, cds, etc. – continua hoje a ser estudado e gera polémica. Gary A. Dymski, professor de Economia da Universidade da Califórnia, em Riverside, salientou inclusive que esta crise financeira recente é distinta das anteriores do século XIX e XX em virtude justamente do papel destes novos veículos.</p>
<p>Em “<a href="http://cje.oxfordjournals.org/cgi/content/abstract/bep054">Why the suprime crisis is different: a Minskyan approach</a>” (<em>Cambridge Journal of Economics</em>, 2010, 34, pp 239-255), Dymski sublinha que, desde a desregulação dos anos 1980, emergiu um novo ecossistema do capital financeiro cuja fotografia completa não se esgota na existência do que é designado como um “sistema bancário na sombra” (<em>shadow banking system</em>). O sistema financeiro tornou-se um universo de “partículas” (<a href="http://www.risklatte.com/Features/DIMWTS012.php">Charles Sanford</a>, presidente do Bankers Trust, disse, nos anos 1990, que viveríamos numa era de <em>particle finance</em>) e um complexo ecossistema que vai muito para além da tradicional alavancagem que nos habituámos a ver desde os anos 1850 e da ancestral actividade bancária. Os bancos propriamente ditos deixaram de ser inclusive “os elementos centrais” do risco de liquidez e de incumprimento no conjunto da economia e não são hoje sequer as “unidades económicas mais alavancadas”, refere o académico.</p>
<p><strong>Do animal spirits à arritmia cíclica</strong></p>
<p>O comportamento aparentemente “irracional” é a fase visível do mecanismo de pensamento e acção das multidões e nasce de uma pulsão para a euforia e o pânico típicos do animal spirits que cada um de nós tem. O credo que se repete é sempre o mesmo: “desta vez é diferente”.</p>
<p>Por isso há como que uma “clonagem” sempre que as circunstâncias são propícias à especulação financeira, apesar das lições da história. Só uma minoria se lembra da sua própria experiência ou de gerações anteriores, e sai a tempo, antes do pânico.</p>
<p>Historicamente este padrão de comportamento é sempre narrado <em>ex post</em>. Mas a história económica (bem como outras dimensões da história) é arrítmica. O padrão é cíclico, mas desenvolve-se, primeiro, sem grande ruído, e, depois, apanha-nos de surpresa. As quebras são sempre súbitas, abruptas, precipitadas e inesperadas. As suas causas profundas são, anos ou décadas mais tarde, descritas com facilidade pela pena dos historiadores económicos, mas as crises são provocadas por factos aparentemente irrelevantes ao senso comum.</p>
<p>No início de 2000, misturaram-se coisas a quem ninguém ligou, como o fiasco do bug do milénio, a desilusão com o <em>e-commerce</em> natalício e a estupefacção com a compra da Time Warner pela AOL. Em meados de 2007 seriam umas peripécias em torno de um veículo financeiro desconhecido, o <em>subprime</em>. Só algumas mentes a contracorrente viram nesses sinais, sinais de crise. Simplesmente, nunca têm massa crítica para hegemonizar o estado de espírito dos meios profissionais da economia e das finanças, dos políticos e governantes e da opinião pública.</p>
<p><strong>A mudança (geofinanceira) do dia seguinte</strong></p>
<p>O mais interessante que ocorreu nestes dez anos foi, no entanto, a mudança geofinanceira. O efeito da derrocada do Nasdaq em 2000 e depois a correcção no Dow Jones em Setembro de 2001 provocaram uma quase hecatombe na mobilização anual de capital através das bolsas, quer por entradas em bolsa como por outras emissões.</p>
<p>Segundo a <a href="http://www.world-exchanges.org/files/focus/pdf/FOCUS%200110.pdf">análise da última década pela World-Exchanges.org</a> (portal da World Federation of Exchanges), assistiu-se a uma quebra de 67%: o capital mobilizado através das bolsas caiu de 894 mil milhões de dólares em 2000 para 306 mil milhões em 2002, só se assistindo a uma viragem de trajectória em 2003. Os valores de 2000 só voltaram a ser atingidos e ultrapassados em 2007 (966 mil milhões de dólares), tendo, no entanto, caído para valores próximos do início da década em 2009 (856 mil milhões).</p>
<p>O impacto no dia seguinte foi mais profundo na Ásia (onde a mobilização de capitais via bolsa caiu 71% até finais de 2002) e nos EUA (69%) do que na Europa (onde, depois de uma quebra de 49% até final de 2001, viria a entrar num <em>boom</em> até final de 2008). Contudo, dez anos depois, é a Ásia que lidera a mobilização de capitais através das bolsas (com uma diferença de quase 50 mil milhões em relação aos EUA e de mais de 100 mil milhões em relação à Europa). A capitalização de mercado na Ásia passou de 16% do total mundial em 2000 para 31% em finais de 2009, passando à frente da Europa.</p>
<p>As doze bolsas com crescimentos superiores a 80% na sua capitalização bolsista (avaliada em dólares) entre Janeiro de 2009 e Janeiro de 2010 estão em 7 casos na Ásia emergente (Indonésia, Bolsa nacional da Índia, Shenzhen/China, Bolsa de Bombaim, Austrália, Taiwan e Singapura), 4 no leste da Europa e Médio Oriente (Istambul, Varsóvia, Budapeste e Tel Aviv), e 1 na América Latina (Brasil), comparando com a subida de 46% do Nasdaq, de 34% da Euronext e de 31% do New York Stock Exchange.</p>
<p>Ironia da história, simbólica desta “mudança”, é o facto de que, desde 2005, as empresas chinesas que entraram em bolsa mobilizaram 210 biliões de dólares (cerca de 150 mil milhões de euros), mais 14% do que as americanas.</p>
<p><strong>ANEXO DE QUADROS</strong><br />
<em>Quadro I</em><br />
<strong>Valorizações históricas médias do índice S&amp;P 500</strong><br />
(P/E – <em>Price Earnings Ratio</em>, Valores em Dezembro de cada ano, salvo outro mês referido; rácio ajustado ciclicamente)</p>
<p>1890: 14,4<br />
1892: 18<br />
1893: 15,6 &#8211; <em>Crash</em><br />
1901: 21,68 &#8211; Pico do virar de século<br />
1903: 16,04<br />
1907: 11,3 &#8211; <em>Crash</em> global; Início da 1ª Grande Recessão<br />
1920: 4,7 &#8211; (Mínimo histórico)<br />
1928: 25,3 &#8211; Início da “bolha”<br />
Setembro 1929: 32,5 (pico da “bolha” dos anos 20)<br />
Outubro 1929: 28,9 &#8211; <em>Crash</em> global; Início da Grande Depressão<br />
Julho 1932: 5,8<br />
1973: 13,4 – Choque petrolífero &#8211; Início de década de P/E abaixo de 10<br />
1974: 8,2<br />
1981: 7,8<br />
1984: 9,5<br />
1985: 11,6<br />
1989: 17,6<br />
1994: 19,9 &#8211; Início da “bolha” da Nova Economia<br />
1997: 33<br />
1998: 38,8<br />
1999: 44,1 &#8211; (Máximo histórico) “Exuberância irracional” da Nova Economia<br />
2000: 37,2 &#8211; Duplo <em>Crash</em> do Nasdaq em 11 de Março e 14 de Abril<br />
2001: 30,5 &#8211; <em>Crash</em> do DJIA em 17 Setembro<br />
2002: 30,5<br />
2003: 26,6<br />
2004: 27,1<br />
2005: 26,4<br />
2006: 27,2<br />
2007: 25,9 (Pico do DJIA em 9 de Outubro)<br />
2008: 15,37 &#8211; <em>Crash</em> global e pânico financeiro<br />
2009: 20,32<br />
Média histórica: 16,34</p>
<p><em>Fonte</em>: Robert Shiller, sítio na web: <a href="http://www.irrationalexuberance.com/index.htm">http://www.irrationalexuberance.com/index.htm</a><br />
<em>Nota</em>: O Price/Earnings Ratio (normalmente designado por P/E ou PER) é um indicador utilizado para analisar o valor de uma acção. Representa a relação entre o seu preço e os lucros da empresa. Quanto mais elevado mais “exuberante” é a valorização bolsista. Robert Shiller calculou o P/E das 500 empresas cotadas no NYSE, AMEX e NASDAQ do índice Standard and Poor’s.</p>
<p><em>Quadro II</em><br />
<strong>Estrelas do Nasdaq</strong><br />
Empresa;	Ano IPO;		P/E;	Capitalização de mercado ($mil milhões)</p>
<p>Amazon:	1997;			57,58	;			52,24;<br />
Yahoo:	1996;			36,92	;			22,08;<br />
Intel:		1971;			26,96;			115,24;<br />
Google:	2004;			26,49	;			171,95;<br />
Cisco:	1990;		        23,39	;			139,51;<br />
Oracle:	1986;			21,18	;			121,87;<br />
Apple:	1980;			19,64;			182,87;<br />
Dell:		1988;			18,18;			26,36;<br />
Microsoft:	1986;			15,85;			252,33;<br />
eBay: 	1998;			12,79;			30,34</p>
<p><em>Fonte</em>: <a href="http://www.streetauthority.com/">StreetAuthority.com</a></p>
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		<title>Há 10 anos, a Janela na Web alertava para o risco de crash no Nasdaq</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Feb 2010 19:25:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Janelanaweb alertou há 10 anos para o risco de crash do Nasdaq, que viria a ocorrer, depois, com uma dupla assinatura em Março e Abril de 2000.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Há uma década, a 12 de Fevereiro de 2000, no semanário Expresso e depois em a Janelanaweb.com, alertava-se para o risco de crash no Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, ou da &#8220;Nova Economia&#8221;, como então se referia.</p>
<p>Poderá encontrar <a href="http://janelanaweb.com/crise/crise.html#nasdaq">aqui</a>, os artigos de Fevereiro de 2000 até final do ano, um dossiê completo que permite acompanhar o que então se passou. Entre eles, uma entrevista com Robert Shiller. Um dossiê com ilustrações exclusivas de Paulo Buchinho.</p>
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		<title>2010:o ano da encruzilhada chinesa</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Dec 2009 00:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A segunda maior potência do mundo realizou em Dezembro a sua conferência anual sobre economia. O governo chinês tenta manter o modelo económico que foi a sua galinha de ovos de ouro, ao mesmo tempo que promete começar a mudá-lo em 2010. Mas há risco de derrocada da “bolha” chinesa, diz-nos o professor Hung Ho-fung.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">A mudança do modelo económico da China, que tem estado assente na exportação para os mercados de consumo do Ocidente (hoje em depressão) e na especulação financeira e imobiliária desenfreada, continua a estar mergulhada na incerteza.</p>
<p class="MsoNormal">As orientações para 2010, o último ano do actual plano quinquenal, expressas pela <em>nomenklatura</em> chinesa na sua mais alta <a href="http://business.globaltimes.cn/china-economy/2009-12/489765.html">reunião anual de reflexão económica</a>, que decorreu em Dezembro, continuam a ser ambíguas, a dar uma no cravo e outra na ferradura, a tentar manter o social-financismo dominante a par de um olhar (tornado urgente) para a desagregação da economia e sociedade rurais da China e para “a previsível tensão inflacionista no próximo ano” (no dizer do <a href="http://news.xinhuanet.com/english/2009-12/07/content_12604988.htm">comunicado final</a>).</p>
<p class="MsoNormal">Na linguagem típica da comunicação política chinesa, a conferência sublinhou que o governo desenvolverá esforços para reforçar as políticas rurais e aumentar a sociedade de consumo chinesa, o que era reclamado por uma das facções do poder, no sentido de “transformar o padrão económico de desenvolvimento”. Pretende, também, controlar o crédito industrial para os sectores intensivos em consumo de energia, poluidores e com capacidade excessiva de produção. Mas continuará a promover a retoma das suas exportações, nomeadamente procurando novos mercados de destino e a continuação do encaixe de liquidez no comércio internacional.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>O que se passar na China será decisivo</strong></p>
<p class="MsoNormal">Os bancos centrais e os ministérios de finanças do mundo inteiro continuam a digerir a linguagem semi-opaca que saiu desta conferência anual sobre estratégia económica, que tem o nome pomposo de Conferência de Trabalho Central sobre Economia. Criada há mais de dez anos, reúne os responsáveis por políticas governamentais a nível central e provincial, ou seja a elite tecnocrática de toda a China. Esta reunião magna deveria ter ocorrido em finais de Novembro mas acabou por ser adiada para o fim-de-semana passada e para o princípio desta semana.</p>
<p class="MsoNormal">A atenção a estes eventos em Beijing sobrepõem-se a tudo o resto, explica-nos Hung Ho-fung, um sociólogo chinês de Hong Kong a dar aulas na Universidade de Indiana, numa entrevista (em inglês) que <a href="http://janelanaweb.com/novidades/the-centrality-of-china/">pode ler aqui.</a></p>
<p class="MsoNormal">Provavelmente são, hoje, mais decisivos do que o que se passa em Washington ou na Wall Street. “A China é agora a economia mais importante em todo este processo da crise; o que lá se passar será decisivo”, acrescenta o editor da obra colectiva <a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=0801893089/janelanawebjnrA/"><strong>China and the Transformation of Global Capitalism</strong></a> (The Johns Hopkins University Press, Agosto 2009).</p>
<p class="MsoNormal">Politicamente, é uma situação difícil para a liderança chinesa. “Uma encruzilhada, um dilema”, diz Hung. O modelo económico vigente e a intervenção keynesiana iniciada em 2008 (programados 4 biliões de yuan, trilhões na designação anglo-saxónica, cerca de 400 mil milhões de euros) face à crise mundial permitiram à China acelerar de um crescimento do PIB de 6,1% no primeiro trimestre de 2009 para 7,9% no segundo e 8,9% no terceiro. Até final de 2010, o governo chinês pretende aplicar os 1,2 biliões de yuans restantes do pacote sino-keynesiano, segundo a Reuters.</p>
<p class="MsoNormal">A liderança chinesa espera fechar 2009 com um crescimento anual de 8% do PIB – o objectivo estratégico de “segurar o oito” (<em>baoba</em>, dizem os chineses), depois de em 2008 ter crescido 9,6%. No final do terceiro trimestre, o <a href="http://www.chinability.com/GDP.htm">crescimento anual acumulado era de 7,7%</a>. Isso conseguiu-se, também, com uma injecção de crédito na economia real que, em finais de Novembro, já ia nos 9,2 biliões (trilhões, na designação anglo-saxónica) de yuans (29% do PIB chinês de 2008, no valor revisto recentemente para 31,4 biliões de yuans), cerca de 940 mil milhões de euros.</p>
<p class="MsoNormal">A previsão de crescimento para 2010 é de 9,4%, regressando ao patamar de 2008. “Mas muitos destes investimentos promovidos pelo pacote são ineficientes, geram sobrecapacidade e crédito mal parado, problemas futuros no orçamento central e local. Menos de 20% destes estímulos se destinaram à parte social”, sublinha-nos Hung, que prossegue: “Os ‘desvios’ para outros fins foram muitos – parte dos estímulos serviram para especular nas bolsas e no imobiliário, gerando bolhas nestes dois mercados”. Por isso, o professor admite: “Há risco de derrocada da bolha chinesa”.</p>
<p class="MsoNormal">Inclusive, através dos circuitos internacionais, tais fundos serviram para investir nas bolsas estrangeiras sobreaquecidas (como em Wall Street) ou para buscar dinheiro barato na América (como se sabe a Reserva Federal mantém taxas de juro de referência próximas de 0% em termos nominais) para aplicações especulativas.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>A política na sombra</strong></p>
<p class="MsoNormal">Hung Ho-fung refere, por isso, que há uma questão política na “sombra” de todas estas discussões económicas, por vezes opacas: a luta aguda dentro da classe dominante chinesa entre duas vias, uma profundamente ligada ao modelo export-especulador, que Hung associa a “uma elite urbana costeira que monopoliza o poder e o partido”, e um sector, por muitos apelidado de “populista”, que pretenderia um maior “equilíbrio” entre o mundo rural (ainda é 54% da população, ainda que tendo perdido 148 milhões de habitantes desde 2000) e o urbano (<a href="http://news.xinhuanet.com/english/2009-06/15/content_11547831.htm">600 milhões e 118 megacidades</a>) e que ganharia peso político com o alargamento das classe médias consumistas.</p>
<p class="MsoNormal">Muitos analistas sublinham que a flexibilidade do Partido Comunista Chinês seria uma espécie de seguro de vida da transformação “equilibrada” chinesa. Nicholas Bequelin, investigador do Human Rights Watch na Ásia, escreve mesmo, na Far Eastern Economic Review <a href="http://www.feer.com/essays/2009/december51/the-limits-of-the-partys-adaptation">de Dezembro de 2009</a>, que “é o partido que pode ser descrito como o primeiro partido comunista mais darwinista da história, uma organização que vê a constante adaptação darwiniana como a chave da sobrevivência política”. Mas, acha que este comportamento “flexível” (palavra que, aliás, surge no comunicado final da conferência) começa “a revelar os seus limites”.</p>
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		<title>&#8220;Comparar com 1929 é um erro&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 20:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Teremos de recuar até à Grande Depressão de 1873 para encontrar paralelo válido, diz o historiador económico americano Scott Nelson.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">“A Grande Depressão de 1929 é o ‘modelo’ errado de comparação para a actual crise de crédito global!”, exclama o historiador económico <a href="http://srnels.people.wm.edu/">Scott Reynolds Nelson</a>, contra a opinião corrente entre analistas e políticos. Este professor do departamento de História no Colégio de William &amp; Mary, na Virginia, nos Estados Unidos, afirma que temos de recuar ainda mais no tempo, até ao final do século XIX, para redescobrir uma outra Grande Depressão gerada por causas similares à actual que se iniciou em 2007.</p>
<p class="MsoNormal">O regresso aconselhado na História leva-nos quase para um século e meio atrás, algo do qual não há a menor memória histórica hoje em dia.</p>
<p class="MsoNormal"><a href="mailto:srnels@wm.edu">Scott Nelson</a> recorda a Grande Depressão entre Outubro de 1873 e Março de 1879, a maior de sempre registada nos tempos modernos, de agonia durante 65 meses, que, três anos depois, seria seguida pela crise de 1882/1885. No conjunto desta dupla assinatura, foram quase nove anos de parto de uma nova ordem económica com a transição de “uma produção baseada nas artes e ofícios para uma assente nos fluxos” e em que se assistiu ao nascimento “das economias de escala guiadas por uma concentração e consolidação jamais vista”, surgindo os novos barões da indústria americana como Andrew Carnegie, o rei do aço, e John D. Rockefeller, o rei do petróleo, frisa-nos o historiador.</p>
<p class="MsoNormal">No plano simbólico, a depressão ocorreu no meio de uma “invasão americana” de produtos agro-industriais por toda a Europa, e particularmente na Inglaterra, a superpotência da altura, que devastaram o complexo cerealífero da Europa Central e que levaram o Reino Unido a tornar-se dependente das importações alimentares dos Estados Unidos, país que começou a amealhar excedentes na balança comercial. A que se associou uma consequência geoeconómica perturbadora, acrescenta o historiador: “uma mudança do centro de gravidade do crédito mundial da Europa para os Estados Unidos”.</p>
<p class="MsoNormal">Scott publicou um artigo na The Chronicle Review sobre esta comparação com 1873 que teve um efeito inesperado na comunidade académica e financeira, e que pode ser lido <a href="http://billtotten.blogspot.com/2009/02/real-great-depression.html">aqui</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Semelhanças chocantes</strong></p>
<p class="MsoNormal">A depressão começada no último trimestre de 1873 teve raízes financeiras como a actual. Rebentou “num contexto com padrões similares que tornam óbvia a comparação”, recorda-nos Scott. Basta recordar duas das traves mestras: uma ‘bolha’ imobiliária sem paralelo em França e nos dois novos impérios emergentes, a Prússia e a Áustria-Hungria, e um disparo inacreditável (para a época) de veículos financeiros ‘tóxicos’ inventados para o financiamento do <em>boom</em> ferroviário americano que eram difíceis de avaliar no seu real valor, mas que eram publicitados nos jornais em grandes parangonas como o caminho mais rápido para um retorno financeiro apetecível para quem os incluísse no seu portefólio de investimentos. “Estes produtos eram negociados por todo o mundo e inclusive 2/3 destes títulos estavam nas mãos de estrangeiros”, adianta o nosso interlocutor.</p>
<p class="MsoNormal">O primeiro sinal de fim de festa foi o <em>crash</em> da bolsa de Viena de Áustria em Maio de 1873. E, a dado momento, todo o esquema financeiro global rebentou: o evento do tipo Lehman Brothers da época foi o estoiro da casa financeira de Filadélfia, uma das líderes da euforia ferroviária americana, a Jay Cooke &amp; Company, na ‘quinta-feira negra’ de 18 de Setembro de 1873. “Subitamente verificava-se, na rua, que muitos activos financeiros eram imaginários e portanto tóxicos. A crise de crédito contagiou toda a actividade económica e seguiu-se um <em>crash</em> bolsista”, sublinha o historiador, que prepara para 2010 o lançamento de um novo livro intitulado ‘Crash: An Uncommon History of America’s Financial Panics’.</p>
<p class="MsoNormal">Em horas, nomes fortes da Wall Street nova-iorquina caíram no meio do pânico geral e de uma vã corrida à liquidez. O governo americano anunciou comprar 10 milhões de dólares daquele ‘lixo tóxico’, mas o efeito, surpreendentemente, foi a continuação da queda bolsista, e a 20 de Setembro a New York Stock Exchange teve de suspender a negociação pela primeira vez na sua história. Entretanto, o governo americano, sob pressão dos barões da indústria (Cornelius Vanderbilt, Henry Clews e outros) que se haviam reunido com o presidente Ulysses Grant (presidente entre 1869 e 1877) num hotel da 5ª Avenida nova-iorquina, havia comprado 13 milhões de dólares de títulos aflitos e esgotara a sua capacidade de injecção financeira. A crise de crédito subsistiu e destrui uma boa parte do tecido económico americano nos meses seguintes. Em algumas grandes cidades americanas, o desempregou chegou aos 25% da população activa.</p>
<p class="MsoNormal">A via de ‘saída’ da tormenta, aparentemente, teve, então, dois desenvolvimentos: os principais bancos de Nova Iorque formaram um Clearing House Committee, que acabou por ser um caminho para a reconstrução dos mercados de crédito; e o presidente americano rejeitou em 1874 uma lei do Congresso insistindo na impressão de mais dólares para inundar os mercados e acabou por pressionar os legisladores no sentido de se indexar o dólar ao ouro em 1875. De qualquer modo, a recessão duraria, ainda, mais quatro anos e a América seria sacudida por um movimento grevista sem precedentes e por intervenções repressivas do governo, nomeadamente já na vigência do novo presidente americano Rutherford Hayes (1877-1881), contra os ferroviários. No Verão de 1878 a bolsa recomeçou a animar-se e o investimento nos caminhos-de-ferro regressou no ano seguinte.</p>
<p class="MsoNormal">Esta recessão foi baptizada como a 1ª Grande Depressão da economia capitalista saída das revoluções industriais – foi muito mais longa do que a posterior de 1929/1933.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Uma outra história em 1929</strong></p>
<p class="MsoNormal">Tornou-se hoje moda falar da crise de 1929/1933, que é usada para todo o tipo de comparações em termos de evolução da contracção da produção, do comércio internacional ou da evolução da derrocada bolsista. Usa-se 1929, também, como referência para políticas públicas que não teriam sido logo postas em marcha, mas sim tardiamente adoptadas.</p>
<p class="MsoNormal">Contudo, no plano das causas, a Grande Depressão iniciada em 1929 foi gerada por uma crise capitalista clássica de sobreprodução (excesso de oferta de bens que não encontravam suficiente procura) e num contexto de altas taxas aduaneiras com um proteccionismo elevado, dois aspectos que não ocorreram nos anos 1870, nem agora, refere o historiador. “Só por volta de 1931, a crise de sobreprodução se tornou então uma crise bancária. Foi um processo bem distinto”, acentua Scott Nelson. No plano político, com repercussões financeiras globais, como cedo avisou o economista inglês John Maynard Keynes em ‘As Consequências Económicas da Paz’ (escrito em 1919), o acelerador de 1929 foi um fardo excessivo de indemnizações de guerra a pagar pela Alemanha imperial então derrotada na 1ª Guerra Mundial, que conduziram a um período de hiperinflação e de bancarrota (a famosa República de Weimar de 1921 a 1923) naquele país e a um efeito devastador nas reservas de ouro inglesas.</p>
<p class="MsoNormal">Face à diferença entre estas duas grandes depressões – iniciadas em 1873 e 1929 &#8211; é de admitir que as lições de política económica e financeira para combater as suas causas sejam, por isso, necessariamente distintas.</p>
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		<title>A loucura das túlipas &#8211; o primeiro «crash» europeu</title>
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		<pubDate>Sat, 16 May 2009 18:08:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A primeira exuberância irracional seguida de estoiro da história do capitalismo financeiro – a corrida aos bolbos das exóticas flores com vírus na Holanda de 1636 e 1637. O que é similar ao que ocorreu noutros «crashes» financeiros e o que foi diferente. Falam o autor de 'Tulipomania' e um historiador económico holandês.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>A tulipomania do século XVII em algumas cidades na Holanda ficou na história económica como a primeira grande manifestação da «exuberância irracional» dos especuladores. Uma exuberância tão inacreditável que levou o autor inglês <a href="mailto:mike@mikedash.com">Mike Dash</a> a escrever a sua <a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=0609604392/janelanawebjnrA/">incrível história</a>. </p>
<p>O irónico é que se transaccionaram, entre Dezembro de 1636 e Fevereiro de 1637, somas inacreditáveis, para a época, em troca de “um direito sobre um bolbo de uma flor num canteiro que nasceria dali a seis meses e que, ainda por cima, era bela porque carregava um vírus, o ‘mosaico’, que lhe diminuía a durabilidade”, espanta-se, ainda hoje, o historiador económico holandês <a href="http://www.iue.it/Personal/VanGelderen/Researchers/HenkLooijesteijn.shtml">Hendrikus Looijesteijn</a>, actualmente no Instituto Universitário Europeu em Florença. </em></p>
<p>3 LIÇÕES</p>
<p>. A psicologia da exuberância irracional é uma doença congénita da ganância típica do capitalismo: «os envolvidos sempre acharão que estão a tomar decisões racionais e que, desta vez, as coisas serão diferentes do passado, que os mercados não estoirarão» (Mike Dash)</p>
<p>. A memória histórica das pessoas é limitada. Apenas a geração que viveu a derrocada e a seguinte provavelmente se lembrarão dos efeitos devastadores e assumirão uma postura de menor risco especulativo. «Foi o que aconteceu com os filhos da Grande Depressão» (Mike Dash). Mas já não com os netos e bisnetos.</p>
<p>. A febre das túlipas não é parecida às derrocadas em Bolsa posteriores ou dos sistemas financeiros formais (como o caso que esteve na origem da crise actual). Contudo, “houve alguma parecença com a febre das <em>dot-com</em> dos anos 1990. E o resultado, também, foi parecido: apesar do <em>crash</em>, o novo segmento (a economia da Internet) acabou por singrar” (Hendrikus Looijesteijn).</p>
<p><strong>UMA CONVERSA COM MIKE DASH E HENDRIKUS LOOIJESTEIJN SOBRE A BOLHA DAS TÚLIPAS NA HOLANDA DOS ANOS 1600</strong></p>
<p>Algumas classes de bolbos – com nomes pomposos como ‘almirante’, ‘general’, ‘generalíssimo’, ´vice-rei’ – eram transaccionadas por mais do que o preço de uma mansão luxuosa e mesmo trocados por esses edifícios no pico da loucura por alguns ricaços mais gananciosos, como revela o manuscrito <a href="http://library.wur.nl/tulips/">The Tulip Book</a>, que inclui tamanhos e preços daquela época. Um simples bolbo carregado de ‘mosaico’ podia ser transaccionado, no pico da febre, por 20 vezes o salário médio anual de um artesão ou 3 vezes os rendimentos médios de um comerciante abastado! </p>
<p>Para os profissionais da especulação este esquema rendia 350 a 500% em apenas 9 meses, enquanto o negócio das especiarias das Índias, com todos os riscos que comportava, não renderia mais de 400% em 2 anos. Os bolbos não eram encarados como futuras flores de decoração, mas como veículo financeiro para especular. Deixaram de ter qualquer correlação com o seu valor comparativo em relação a outros produtos e serviços (incluindo a própria arte da floricultura).</p>
<p>É claro que o que motivou esta loucura não foi a paixão que alguns cultivadores e coleccionadores da classe alta holandesa nutriam por esta flor exótica que teria vindo para a Europa a partir da Carreira da Índia portuguesa, pelas mãos do governador Lopo Vaz de Sampayo caído em desgraça, que a trouxera do Ceilão (esta versão não está comprovada), ou através da Turquia otomana, onde os sultões eram jardineiros exímios (versão considerada plausível pelos historiadores). </p>
<p>O que atraía os holandeses da média, pequena e micro burguesia urbana transformados em floristas e os camponeses cultivadores era o ‘milagre’ de em sucessivas negociações diárias arrecadarem ganhos, uma renda fácil de obter, que alimentava uma ganância desmedida face à dureza da obtenção de rendimentos em trabalhos de 16 ou mais horas diárias ou de risco na Expansão imperial nas Índias, recorda Looijesteijn. </p>
<p>As promissórias sobre alguns destes bolbos chegaram a vender-se e revender-se 10 vezes num só dia – um sistema de &#8216;alavancagem&#8217; inacreditável para a época, em que ainda não havia uma tecla de computador para dar uma ordem em menos de um segundo. Baptizaram este negócio muito apropriadamente de “comércio do vento”. Recorde-se que esta especulação milionária decorria num canto das tabernas ou hospedarias, num frenesim, entre bebedeiras de cerveja e prostitutas – era um esquema financeiro informal.</p>
<p>O estoiro começaria, sem pré-aviso, numa ‘terça-feira negra’, a primeira (dia 4) de Fevereiro de 1637 – a quebra de preços foi mais rápida e abrupta do que qualquer outro <em>crash</em> financeiro da história subsequente. A queda de preços entre Fevereiro e Maio de 1637 foi de 95 a 99%, incomparavelmente mais do que no Dow Jones actualmente (mais de 50% em 20 meses) ou na Grande Depressão (quase 90% em quatro anos).</p>
<p><strong>Uma redoma que amorteceu o crash</strong></p>
<p>O que valeu a esta bolha e ao estoiro subsequente é que tudo decorreu quase como que em uma redoma, frisa Mike Dash, que se surpreendeu com o caso quando o estudou para escrever “A Febre das Túlipas”, mais um dos seus livros sobre comportamentos extremos das pessoas, <a href="http://www.mikedash.com/">a sua especialidade literária</a>.  “Acabou por nunca ser uma mercadoria transaccionada na bolsa de Amesterdão, não tendo contaminado o sistema financeiro formal, a bolha estava muito localizada e não contagiou o resto da economia real ligada à expansão nas Índias”, sublinha o autor de “A Febre das Túlipas”. </p>
<p>Quando o estoiro se deu, as autoridades tomaram, também, uma medida salomónica: “Proibiram os litígios de chegarem a tribunal, considerando que as transacções eram ilegais. Como quase todos deviam a quase todos, a situação ficou equilibrada, ainda que alguns correctores perdessem muito, e tivessem de refazer a vida. O mais problemático aconteceu com os cultivadores dos bolbos que perderam valor em termos contabilísticos e deixaram de ter compradores enlouquecidos, mas curiosamente a Holanda acabaria por desenvolver um nicho na floricultura e tornar-se-ia o pólo internacional desta cultura”, conclui o escritor.</p>
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		<title>Volatilidade é maior hoje do que no «crash» de 1929/32</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Nov 2008 18:55:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Em pouco mais de 1/3 dos dias que demorou a crise na Wall Street no período da Grande Depressão, as variações extremas do índice Dow Jones são hoje mais frequentes no decurso do actual «crash» que se iniciou em Outubro do ano passado. Um estudo do analista Mark J. Lundeen mostra que a volatilidade está a atingir níveis historicamente jamais vividos]]></description>
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<p class="MsoNormal">Estamos a viver um período único – “a volatilidade está a atingir uma frequência espantosa”, diz o analista <a href="http://janelanaweb.com/novidades/o-que-nos-diz-a-historia-economica/">Mark J. Lundeen</a> que criou um modelo de acompanhamento da actual crise na Wall Street nova-iorquina, comparando-a a par e passo com a derrocada bolsista que ocorreu entre 3 de Setembro de 1929 e 8 de Julho de 1932, a pior de sempre na história daquela praça financeira.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O conceito de volatilidade usado pelos especialistas financeiros permite “medir” as variações extremas diárias no índice bolsista, sejam no sentido da descida ou da subida, ou seja toma em conta quer as positivas (motivadas por euforias repentinas) ou as negativas (derivadas de pânico súbito). Avalia o grau de ‘nervosismo’ dos investidores bolsistas, independentemente da cor do movimento de preços das acções – ‘verde’ ou ‘vermelha’.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Lundeen verificou que nos 290 dias de negociação no New York Stock Exchange que a actual derrocada bolsista já leva, até 21 de Novembro passado, desde o pico do Dow Jones Industrial Average (DJIA) em 9 de Outubro de 2007, a frequência de variações de preços acima de 1% &#8211; sejam positivas ou negativas &#8211; é superior àquela que se verificou nos 845 dias da derrocada financeira do tempo da Grande Depressão.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Esta penúltima semana de Novembro foi, aliás, uma vez mais exemplar da volatilidade intra-diária e de um dia para outro. A euforia e o pânico – por vezes com a diferença de umas horas &#8211; revezaram-se à medida que noticias potencialmente «positivas» (eventualmente a confirmação de um membro da rede das Reservas Federais como futuro secretário de Tesouro da Administração Obama) ou realisticamente «negativas» (como os números do desemprego ou a entrada do Japão em recessão) iam surgindo nos «media».</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong>O paradoxo da falta de suicídios</strong></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Em certos patamares de volatilidade média-alta e alta – casos dos intervalos de variação entre 2-3%, 4-5%, 6-7%, 7-8% e 10-11% &#8211; a frequência de ocorrências é, no actual, «crash», muito superior à que se verificou entre 1929-1932. Lundeen avalia estes movimentos em grupos de 40 dias de negociação na bolsa anteriores a um pico de volatilidade e o seu modelo corre dados desde 1900 até à data.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Sublinhe-se que a volatilidade média anual “normal” desde 1900 no DJIA, calculada por este analista, é de 0,79%, o que significa que tudo o que se move acima deste patamar deve tocar as campainhas de alarme.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">O que é paradoxal, espanta-se Lundeen, é que “enquanto na crise de 1929-1932 os afectados saltavam das janelas da Wall Street para se suicidar, hoje compram bilhetes de avião e vão de férias, porque sentem que têm a longa mão da Reserva Federal e do Tesouro americanos por detrás”.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Como falta (felizmente) aquela tonalidade de sangue, a agonia bolsista actual quase que se transformou em “normalidade”. As injecções de liquidez, as notícias de planos «keynesianos» (como o grande plano de Obama até 2011) e a tentativa de desdramatização política (com discursos e cimeiras sucessivas) estão a funcionar como morfina num doente terminal, provocando-lhe rompantes de euforia, a que se seguem, depois, quedas mais dramáticas e dolorosas, aproximando a <a href="http://janelanaweb.com/novidades/4%C2%BA-maior-%C2%ABcrash%C2%BB-desde-1885/">actual derrocada</a> de níveis já alarmantes superiores a 1974 e 1921.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Quadro de referência comparativo 1929/32-2007/08 (c) Mark J. Lundeen <a href="http://www.gold-eagle.com/editorials_08/lundeen112208.html">aqui</a>.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong>Quando o Barron&#8217;s nos deixa preocupados</strong></p>
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<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Ainda segundo Lundeen, o prognóstico de continuação de más notícias na Wall Street pode ser «lido» no comportamento do Índice de Confiança da <a href="http://online.barrons.com/public/main">Barron’s</a> (ICB), uma publicação financeira de referência do The Wall Street Journal. Esse índice avalia a relação entre as taxas de rentabilidade de obrigações com potencial mais elevado ou intermédio. O <a href="http://www.gold-eagle.com/editorials_08/lundeen112908.html">ICB está, actualmente, abaixo dos 50,</a> o <strong>que não ocorria desde o «crash» de 1937/1942.</strong></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Como sublinha Lundeen, “quando o índice da Barron’s desce a tal ponto é um sinal dado pelo mercado de que os seus agentes estão muito preocupados com as perspectivas de ganhos”.</p>
<p class="MsoNormal">
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		<title>5º maior «crash» desde 1885</title>
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		<pubDate>Thu, 20 Nov 2008 23:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ardina na Crise]]></category>
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		<description><![CDATA[Com o fecho de 5ª feira (20 de Novembro) abaixo dos 7600 pontos, o Dow Jones «empurrou» o actual ciclo descendente («bear») bolsista na Wall Street para o quarto mais grave desde o início do índice há 123 anos, se o ponto mais baixo for esta quinta-feira negra.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: ">O Dow Jones Industrial Average (DJIA), o principal índice da Wall Street de Nova Iorque, voltou a fechar hoje (dia 20 de Novembro) com uma quebra superior a 400 pontos (uma variação negativa de 5,56% em relação a ontem) e ficou abaixo dos 7600 pontos. Confirmaram-se os prognósticos que avançávamos <a href="http://janelanaweb.com/novidades/dow-jones-atinge-novo-minimo-desde-outubro-de-2007/">ontem</a> para esta quinta-feira negra.</span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: "> </span></p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: ">A quebra acumulada desde o pico da última ‘bolha’ em 15 de Outubro de 2007 é de 46,4%. A actual crise bolsista na praça de Nova Iorque é já a quinta mais grave desde o nascimento do índice em 1885, se o ponto mais baixo do ciclo se fixasse nesta quinta-feira negra. Superou já a de 1973/1974. As quatro derrocadas bolsistas mais graves do que a actual ocorreram em 1929/1932 (quebra de 89,16%), em 1938/1942 (51,51%), 1906/1907 (47,79%) e 1937/1938 (46,94%).</span></p>
<p class="MsoNormal">Sexta feira (dia 21 de Novembro), depois de uma abertura no vermelho, o DJIA subiu repentinamente, à ultima hora, fechando positivo com um aumento superior a 6,5%, manifestando, uma vez mais, a alta volatilidade a que a Wall Street está a ser sujeita &#8211; muito mais intensa do que em 1929, como referiremos <a href="http://janelanaweb.com/novidades/volatilidade-e-maior-hoje-do-que-no-%C2%ABcrash%C2%BB-de-192932/">noutro artigo</a>.</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><span style="font-size: 9pt; font-family: ">Os anteriores mínimos neste ciclo descendente desde Outubro de 2007 tinham sido observados durante o ‘Outubro Negro’ deste ano, em 10, 24 e 27 de Outubro, e ontem, 19 de Novembro. O «crash» actual leva apenas 13 meses de vida, o que nos leva a temer que maiores quebras ainda estarão para chegar, como muitos <a href="http://janelanaweb.com/novidades/%C2%ABe-altura-de-evitar-as-bolsas%C2%BB-diz-stephen-mcclellan/">analistas têm previsto.</a></span></p>
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