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A “solução islandesa” face ao default voltou a estar em foco dois anos depois, por causa do que ocorreu na Irlanda. O ministro dos Assuntos Económicos e dois economistas falam da justeza de ter deixado os bancos falir. Mas a economia mergulhou numa depressão de onde saiu timidamente neste último trimestre
A virtual round table with three specialists: Paul Davidson, Editor of the Journal of Post Keynesian Economics, author of John Maynard Keynes (Palgrave Macmillan, September 2007) and The Keynes Solution (Palgrave Macmillan, September 2009), Bernard Schwartz Center for Economic Policy Analysis in New Jersey; Rolf J. Langhammer, Vice-President of the Kiel Institute for the World Economy, one of Germany’s leading economic research institutes; and Bill Witherell, Chief Global Economist of Cumberland Advisors, a registered investment advisory firm headquartered in Sarasota, Florida, and past Chairman of the International Roundtable of the National Association for Business Economics.
ENTREVISTA exclusiva sobre a Crise da Dívida Soberana
Com RICARDO CABRAL, professor da Universidade da Madeira
Técnicos do FMI e do BCE demonstram que dívida pública excessiva afecta o crescimento do PIB per capita. No caso de Portugal, pode significar menos 1,75 pontos percentuais na riqueza criada por cada um num horizonte de cinco anos e mais 2,4 pontos percentuais nas taxas de juro nominais de longo prazo pagas a detentores de dívida soberana
Apesar do pico da crise da dívida portuguesa ter sido em Maio e já estar, para alguns mais optimistas, nas brumas da memória, os indicadores fundamentais da situação externa do país continuam os mesmos. O nervosismo especulativo dos investidores internacionais pode ter abrandado ligeiramente com o verão e desviado o foco de Portugal para a Irlanda, mas os desafios estruturais permanecem. Neste artigo, publicado originalmente na revista portuguesa Exame (na edição de Agosto de 2010), apresentamos um painel de bordo dos principais pontos fracos no final de 2009.
Uma nota técnica do Fundo Monetário Internacional refere que a margem de manobra orçamental portuguesa a partir de 2015 será muito curta. Com a Grécia, Itália e Japão forma, agora, o grupo das economias desenvolvidas com uma situação potencial mais crítica em termos de endividamento público.
Série Dívida Pública – 1º artigo – Está ao rubro na América a discussão se o endividamento público acima de 90% do PIB provoca mossas de médio prazo no crescimento económico ou não. A investigadora Yeva Nersisyan acha que não. Pelo menos nos Estados Unidos não se aplica.
Os incumprimentos (default) de dívida soberana tendem a agrupar-se como num cacho de uvas. Os especialistas falam de um padrão histórico de “clusterização” destas situações nos últimos duzentos anos após grandes recessões globais (como as dos anos 1800 e 1930) ou crises pluricontinentais (como as dos anos 1980 e 1990). Esse risco renasceu agora com esta Grande Recessão. Com as probabilidades de default agora a descerem acentuadamente para os PIGS, depois do mais recente pico a 20 de Julho, o tema pode ser bizarro. Pode parecer a memorabilia. Mas convém não o empurrar para baixo do tapete.
Com apenas 36 anos, esta doutorada italiana em economia internacional é uma das vozes europeias em Bruxelas que se destaca pela investigação que desenvolve sobre o enquadramento macroeconómico desta grande crise. Diz, em entrevista à revista portuguesa Exame [edição de Julho de 2010], que não há fuga possível à necessidade de “ajustamentos” nas contas públicas e no endividamento, sobretudo na alavancagem habitual excessiva no sistema financeiro.
O ano passado ficará como um dos eleitos de um clube especial, o das maiores quebras do comércio internacional. Apesar de uma recessão global inferior a 1%, o efeito nas trocas mundiais foi muito ampliado. O enigma está a ser estudado pelos economistas. Mais um ensaio sobre esta crise. [Artigo original publicado na revista portuguesa EXAME, edição de Julho 2010]
(c) Jorge Nascimento Rodrigues, 2010
[AVISO: Texto Longo]