<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Janela na web &#187; G7</title>
	<atom:link href="http://janelanaweb.com/tag/g7/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://janelanaweb.com</link>
	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
	<lastBuildDate>Fri, 11 May 2012 18:16:32 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.2.1</generator>
		<item>
		<title>Dossiê BRICS:  Da Cimeira em Nova Deli à relação de forças no FMI e Banco Mundial</title>
		<link>http://janelanaweb.com/novidades/cimeira-dos-brics-em-nova-deli-i-29032012-das-palavras-aos-actos/</link>
		<comments>http://janelanaweb.com/novidades/cimeira-dos-brics-em-nova-deli-i-29032012-das-palavras-aos-actos/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 09:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ardina na Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Competitividade]]></category>
		<category><![CDATA[História Económica]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>
		<category><![CDATA[André Martin]]></category>
		<category><![CDATA[Banco de desenvolvimento dos BRICS]]></category>
		<category><![CDATA[banco Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[BRIC]]></category>
		<category><![CDATA[BRICS]]></category>
		<category><![CDATA[China]]></category>
		<category><![CDATA[cimeiras]]></category>
		<category><![CDATA[cimeiras BRIC]]></category>
		<category><![CDATA[Conselho de Segurança]]></category>
		<category><![CDATA[Constantin Gurdgiev]]></category>
		<category><![CDATA[Daniel Bradlow]]></category>
		<category><![CDATA[Delhi ACTION Plan]]></category>
		<category><![CDATA[Dilma Rousseff]]></category>
		<category><![CDATA[exportação de capitais]]></category>
		<category><![CDATA[factos e datas BRIC]]></category>
		<category><![CDATA[FMI]]></category>
		<category><![CDATA[Fundação Getúlio Vargas]]></category>
		<category><![CDATA[G7]]></category>
		<category><![CDATA[Global Financial Stability Report]]></category>
		<category><![CDATA[Hu Jintao]]></category>
		<category><![CDATA[Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Jim Young Kim]]></category>
		<category><![CDATA[maior exportador de capitais]]></category>
		<category><![CDATA[Michael Pettis]]></category>
		<category><![CDATA[Nova Deli]]></category>
		<category><![CDATA[Oliver Stuenkel]]></category>
		<category><![CDATA[ONU]]></category>
		<category><![CDATA[Plano de ação de Nova Deli]]></category>
		<category><![CDATA[presidência Banco Mundial]]></category>
		<category><![CDATA[Ricardo Amorim]]></category>
		<category><![CDATA[Soumodip Sarkar]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://janelanaweb.com/?p=1137</guid>
		<description><![CDATA[Realizou-se dia 29 de março de 2012 na capital da Índia a 4ª cimeira das cinco principais potências emergentes. Economistas dos cinco países envolvidos comentam as expetativas em torno do encontro e depois o seu balanço. Um plano de ação foi aprovado pela primeira vez. Não é, ainda, o momento de macrodecisão do grupo, mas para lá se caminha.


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>PARTE I: DISCUSSÂO PRÉVIA à CIMEIRA DE NOVA DELHI. Com o tema oficial &#8220;Parceria dos BRICS para a Estabilidade Global, Segurança e Prosperidade&#8221; reúnem-se hoje em Nova Deli os líderes dos cinco países &#8211; Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul &#8211; que dão nome ao acrónimo. Passará esta quarta cimeira do grupo da habitual retórica geopolítica a atos cirúrgicos que pressionem efetivamente o G7 (clube dos sete países desenvolvidos) é a grande interrogação que atravessa as declarações dos economistas e consultores ouvidos pelo Expresso, oriundos dos cinco países envolvidos.</strong></p>
<p>Da agenda constam diversos temas em torno da situação geopolítica e económica global. No plano geopolítico, os analistas e economistas ouvidos salientaram a situação do Médio Oriente (Irão e Síria) e a questão dos lugares permanentes com direito de veto no Conselho de Segurança (onde Brasil, Índia e África do Sul não estão) das Nações Unidas. E, entre os temas económicos, a estratégia comum face à crise da zona euro, a possibilidade de criação de um banco de desenvolvimento, o lançamento de uma aliança entre as bolsas dos cinco países, o estabelecimento de crédito denominado nas divisas de cada um para as transações comerciais entre os cinco, eliminando o dólar, a cooperação na segurança marítima, e a eventual análise da sucessão na presidência do Banco Mundial em junho.</p>
<p>O presidente chinês Hu Jintao levou uma comitiva de 150 membros e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi acompanhada de seis ministros e dois governadores (de Sergipe e da Paraíba).</p>
<p>Para apimentar o ambiente, o The Times of India noticiava a poucas horas de abertura da cimeira que a Índia ultrapassará a China em 2050, depois desta última ultrapassar os Estados Unidos em 2020, segundo o &#8220;Relatório sobre a Riqueza&#8221; da Knight Frank e do Citi Private Bank.</p>
<p>Na primeira quinzena reuniu-se, em Nova Deli, uma pré-cimeira, onde académicos e especialistas de think tanks dos cinco países discutiram e desenvolveram ideias que serão integradas na declaração final dos líderes.</p>
<p><strong>Retórica ou, finalmente, ação?</strong></p>
<p>&#8220;A realização de mais esta cimeira representa uma clara posição política como grupo que mostra que o poder mundial está a mudar e rapidamente, e, sem dúvida, que a grande cobertura mediática vai tornar isto claro para muita gente&#8221;, sublinha-nos Soumodip Sarkar, natural de Jamshedpur &#8211; conhecida como a &#8220;cidade do aço&#8221; da Índia &#8211; e professor do Departamento de Gestão da Universidade de Évora.</p>
<p>Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais a Escola de História e Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, considera que a agenda deste quarto encontro aponta claramente que &#8220;os BRICS estão a institucionalizar, lentamente, os seus laços&#8221;. Stuenkel participou em Nova Deli nas reuniões preparatórias desta cimeira e vê nos temas que vão ser abordados a procura de criação de plataformas de colaboração mais sólidas. É francamente otimista: &#8220;Para além da ideia de um Banco de Desenvolvimento, a iniciativa de um mercado bolsista comum, a eliminação de barreiras ao investimento e a cooperação na segurança marítima, apontam para um plano de regulamentação comum que permita o desenvolvimento do comércio entre os BRICS. Também serão dados passos no sentido do reforço dos laços ao nível da sociedade civil, que são fracos, bem como nas relações entre institutos de investigação e organizações não governamentais, para troca de boas práticas sobre assuntos como a desigualdade, poluição, redução da pobreza, saúde e educação&#8221;.</p>
<p>No entanto, as diferenças entre os cinco são sempre uma pedra no sapato. &#8220;Mais discursos do que decisões&#8221;, teme Ricardo Amorim, consultor brasileiro em São Paulo, que participa no programa semanal &#8220;Manhattan Connection&#8221; transmitido no Brasil pelo canal GloboNews, da Globo. &#8220;Eles tornaram-se cada vez mais poderosos e importantes na economia global, mas há grandes diferenças de interesses entre eles, que tornam difícil que atuem como um bloco coordenado&#8221;, refere Amorim. &#8220;A cimeira vai certamente produzir uma forte retórica em torno da cooperação geopolítica e da coordenação de políticas, mas, para além disto, é pouco provável que as iniciativas anunciadas venham a ter um real impacto no terreno&#8221;, duvida o economista russo Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College, em Dublin, na Irlanda. O consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya, vai mesmo mais longe &#8211; a janela de oportunidade de afirmação dos BRICS pode fechar-se. &#8220;Não espero nada de extraordinário desta cimeira. As diferenças entre os BRICS são mais profundas do que muita gente julga. Se a crise financeira &#8216;ocidental&#8217; desaparecer, também os BRICS vão por água abaixo&#8221;, diz, sem rendilhados, o autor de &#8220;Made in India&#8221;.</p>
<p><strong>O que cada um quer</strong></p>
<p>A China é, sem dúvida, a potência mais forte neste grupo. É a segunda economia do mundo e a sua capacidade de soft power à escala mundial, apesar da repressão interna e de posições controversas no Conselho de Segurança da ONU, é indiscutível. Os objetivos económicos são os mais transparentes: &#8220;Espero que os BRICS consigam mais consenso na cooperação multilateral e no âmbito da governação económica global, sobretudo alargando a cooperação económica e financeira em terrenos como os swaps de divisas, a abertura dos mercados de capitais e a redução das restrições ao comércio e ao investimento&#8221;, sublinha-nos Xu Hongcai, professor de Finanças em Pequim e diretor no China Center for International Economic Exchanges, um dos mais importantes think tanks chineses.</p>
<p>Soumodip Sarkar admite que um dos propósitos do anfitrião, a Índia, possa ser &#8220;o relaxamento de tensões, sobretudo com a China e a obtenção do apoio desta para que a Índia possa assegurar um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU&#8221;.</p>
<p>O Brasil poderá querer, também, arrefecer as tensões com a China em torno do problema da ainda fraca valorização da moeda chinesa e da &#8220;invasão&#8221; dos produtos manufaturados chineses, sublinha-nos Peter Draper, investigador do South African Institute of International Affairs (SAIIA) e professor na Wits Business School em Joanesburgo. Brasília tem falado contra a &#8220;guerra de divisas&#8221; e os destinatários não são só as políticas de &#8220;alívio quantitativo&#8221; da Reserva Federal norte-americana ou de liquidez do Banco Central Europeu. O falhanço da Ronda de Doha, promovida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), prejudica as exportações agrícolas brasileiras, pelo que a procura de apoio político para relançar o tema poderá ser um dos temas da agenda de Dilma Rousseff. A convergência de agenda na OMC entre o Brasil, Índia e a África do Sul, que se têm reunido no âmbito de um grupo que se denomina IBAS (acrónimo para os três países do &#8216;Sul&#8217;), poderá ser um dos resultados desta cimeira, procurando apoio da China e da Rússia.</p>
<p>A Rússia tem curiosamente um pé em cada lado. É membro do G8 (um alargamento a Moscovo pelo grupo dos 7 países desenvolvidos) e fundador dos BRICS, o que torna ambígua a sua estratégia, além de diversos problemas económicos advindos das diferentes especializações dos cinco. O economista russo Constantin Gurdgiev salienta, por exemplo, o problema com o desenvolvimento do comércio baseado nas divisas de cada um: &#8220;Para a Rússia, e também para o Brasil, o comércio em commodities continuará referenciado ao dólar e conseguir realizar transações em volume significativas com base em outras divisas implica grandes riscos nos câmbios para estas duas economias&#8221;.</p>
<p>Coletivamente, como grupo, se concretizarem algumas das medidas em discussão, &#8220;estarão a por em cheque as instituições saídas de Bretton Woods&#8221;, sublinha o sul-africano Peter Draper. Até onde vai, em termos práticos, este objetivo é uma incógnita. Desde a probabilidade de criação no terreno de entidades &#8220;paralelas&#8221;, como a ideia avançada pela Índia de Banco de Desenvolvimento (que abordaremos mais adiante), ou, apenas, como arma de pressão política para obrigar o G7 &#8211; em particular os EUA e a União Europeia &#8211; a ceder posições e a alterar a correlação de forças nessas instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial (cuja presidência fica vaga em junho) ou a estrutura do Conselho de Segurança das Nações Unidas. &#8220;Continuamos com organizações mundiais cuja estrutura data do fim da 2ª Guerra Mundial. Os ganhadores dessa guerra, apesar de declarações piedosas sobre a necessidade de reformas, não estão dispostos a largar ou partilhar, por exemplo, o poder de veto, e nas instituições financeiras os EUA e a Europa continuam a ter, de longe, a maioria dos votos. A situação só se resolve se esses dois &#8216;blocos&#8217; se dispuserem a realizar as alterações necessárias nos direitos de voto. Devo confessar que não estou otimista&#8221;, diz-nos, por seu lado, Thomas Wheeler, um diplomata sul-africano reformado, também investigador do SAIIA.</p>
<p><strong>Banco de Desenvolvimento, sim ou não?</strong></p>
<p>Tem sido o ponto da agenda mais badalado. Foi iniciativa da Índia, sublinha Ashutosh Sheshabalaya, que refere &#8220;pequenos projetos piloto, como o do Haiti, lançado em conjunto pela Índia, Brasil e África do Sul, abriram espaço para esta ideia, que se torna apelativa se for apoiada pelas enormes reservas de divisas da China&#8221;. Mas Peter Draper sublinha que a China quererá a presidência e que estará a movimentar-se no sentido do renminbi (a moeda chinesa) ser a principal divisa.</p>
<p>O professor sul-africano Daniel Bradlow, da Faculdade de Direito da Universidade de Pretória, é um entusiasta: &#8220;É uma iniciativa com grande potencial. Poderá tornar-se mais do que uma fonte de financiamento para projetos infraestruturais e de desenvolvimento, ampliando a cooperação Sul-Sul e desafiando as abordagens tradicionais ao desenvolvimento, tornando-se uma fonte de pensamento criativo e inovador. Além disso, sugere que os BRICS poderão começar a criar centros alternativos de governação económica aos existentes controlados pelo G7, o que encoraja a uma reforma mais rápida e profunda das instituições atuais&#8221;.</p>
<p>O aspeto de pressão geopolítica é sublinhado por dois outros especialistas. &#8220;Apesar de um dos argumentos importantes para a criação do Banco de Desenvolvimento ser financiar grandes projetos de infraestrutura, sem estar à mercê do financiamento das organizações multilaterais, como o FMI &#8211; onde os BRICS têm ainda fraco poder de voto -, penso que é incontornável pois é outra forma de mostrarem que o poder está a mudar dos países OCDE para os emergentes&#8221;, sublinha o indiano Soumodip Sarkar. O brasileiro Ricardo Amorim vê na iniciativa uma arma geopolítica de pressão: &#8220;É um passo inevitável no caso dos países ricos não permitirem aos BRICS ter uma palavra mais forte no FMI ou no Banco Mundial (BM). Se os BRICS não tiverem mais poder nestas instituições, acabarão por criar as suas próprias, tornando o FMI e o BM irrelevantes&#8221;.</p>
<p>Oliver Stuenkel, por seu lado, acha que poderá ser um instrumento &#8220;potencialmente muito útil para reforçar os laços económicos entre os BRICS&#8221;, pois relações entre o Brasil e a Índia, por exemplo, são ainda fracas.</p>
<p>Mas poderá ficar-se, para já, pela criação de uma equipa de estudo do problema, segundo diplomatas brasileiros afirmaram aos media do país. O presidente do Banco Mundial (BM), o norte-americano Robert Zoellick, tentou &#8220;desdramatizar&#8221; o assunto na quarta-feira considerando a ideia &#8220;um complemento&#8221; à atividade do BM, mas advertiu que criar um banco &#8220;é um empreendimento complicado&#8221;. Sarkar não partilha das advertências de Zoellick: &#8220;Do ponto de vista prático, é claro que é fundamental que o novo banco obtenha boas notações de crédito, e eu penso que o conseguirá&#8221;.</p>
<p>Opinião diametralmente oposta é defendida pelo economista russo Gurdgiev. &#8220;Do meu ponto de vista, o tempo para um banco Sul-Sul ainda não chegou. Simplesmente por haver excedentes para aplicar não é razão para criar um banco, sobretudo porque o Brasil e a Índia continuam a ter défices da balança corrente e o excedente da Rússia está a minguar&#8221;, afirma, para ainda ser mais contundente: &#8220;Em virtude dos enormes níveis de corrupção nas estruturas de decisão dos países dos BRICS é difícil imaginar que este novo corpo internacional escape a esses problemas. Alcançar uma eficiência no investimento e gestão, que não esteja politizada, é difícil. Os governos dos BRICS permanecem excessivamente politizados e tendem a promover agendas regionalistas e autocentradas. Além do mais, os BRICS não têm nem experiência, nem inovação estratégica a oferecer como alternativa viável ao Banco Mundial&#8221;.</p>
<p><strong>Presidência do Banco Mundial</strong></p>
<p>Com o lugar a vagar em junho, era a oportunidade de ouro para um gesto firme dos BRICS, sublinha Peter Draper, apoiando um candidato único. O Banco Mundial entrevistará os candidatos entre 9 e 11 de abril. Os países em desenvolvimento apresentaram já dois candidatos, um da Colômbia (que curiosamente não é apoiado pelo governo do seu país) e uma africana, a ministra das Finanças nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala. Mas, até à data, não houve declaração de apoio a um candidato comum, tal como já havia acontecido aquando da substituição do director-geral do Fundo Monetário Internacional, sublinha-nos Oliver Stuenkel.</p>
<p>&#8220;É absolutamente indefensável que o presidente do Banco Mundial seja sempre um norte-americano e que o diretor-geral do FMI seja um europeu. Mas, realisticamente, as coisas não mudarão, enquanto as economias emergentes e os países em desenvolvimento não atuarem a uma só voz&#8221;, refere o sul-africano Daniel Bradlow, que advoga o apoio à candidatura africana, além do mais protagonizada por uma mulher.</p>
<p>Mas a realidade é outra. &#8220;Não acho que os BRICS consigam ter um candidato comum. As fricções, por exemplo, entre a Índia e a China são fortes&#8221;, diz Ashutosh Sheshabalaya. Mais diplomaticamente Xu Hongai sublinha: &#8220;É uma boa oportunidade pra mudar as regras do jogo e escolher alguém dos BRICS. Mas, a proposta teria certamente a oposição dos Estados Unidos&#8221;.</p>
<p><strong>Envolvimento na crise da zona euro</strong></p>
<p>A crise da dívida nos países &#8220;periféricos&#8221; da zona euro desde 2010 e a evolução da economia europeia para a recaída na recessão em 2012 abriram uma oportunidade para a &#8220;intervenção&#8221; dos BRICS neste continente. Mas o tipo de envolvimento tem sido ambíguo.</p>
<p>A tese oficial é a intervenção indireta através do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com uma contrapartida, refere o brasileiro Ricardo Amorim: &#8220;os países ricos terão de dar mais poder de decisão aos emergentes no FMI&#8221;. O professor sul-africano Bradlow é mesmo mais taxativo: &#8220;A Europa deve estar disposta a conceder votos e voz na gestão destas instituições internacionais&#8221;.</p>
<p>O professor indiano Soumodip Sarkar sublinha que não lhe parece que &#8220;a questão da crise europeia seja uma prioridade&#8221; na agenda dos BRICS, servindo mais &#8220;para a China, e até certo ponto para a Índia e o Brasil, a usarem como oportunidade para maior presença no continente através de aquisições&#8221;. Para Xu Hongcai, &#8220;o apoio dos BRICS deve ligar-se a cooperação económica bilateral&#8221;, e, nesse campo, deve haver uma contrapartida: &#8220;Os países desenvolvidos devem ter uma política mais aberta de exportação de produtos de alta tecnologia e de transferência de alta tecnologia para os BRICS no sentido de permitir um desenvolvimento &#8216;verde&#8217; e da economia de baixo carbono&#8221;.</p>
<p>Mas o economista russo Gurdgiev fala a contracorrente: &#8220;Os BRICS devem focalizar-se nas suas próprias economias e ficar de fora de qualquer envolvimento ativo na crise europeia. Devem resistir a todo o custo a qualquer envolvimento direto. Sobretudo devem concentrar-se em investir em empresas privadas europeias e manter-se completamente afastados de aumentar o seu envolvimento em dívida pública da zona euro&#8221;. Em termos concretos, acha que &#8220;para além de atribuírem alguns fundos ao FMI para não ficarem atrás dos empréstimos que o Banco Central Europeu irá fazer aquela instituição, duvido que os BRICS pretendam colocar fundos consideráveis no Mecanismo Europeu de Estabilidade&#8221;.</p>
<p><strong>BRICS &#8211; NÚMEROS &#038; FACTOS</strong></p>
<p># BRICS é um acrónimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O acrónimo inicial BRIC foi criado por Jim O&#8217;Neill, da Goldman Sachs, em 2001, e não incluía a África do Sul, que integrou o grupo na terceira cimeira na China, em Sanya, em abril do ano passado.</p>
<p># Em termos globais, os BRICS estendem-se por 26% dos continentes e albergam 42% da população mundial, com a China e a Índia como os dois países mais populosos do mundo. Dominam também 40% do PIB mundial. Deverão ultrapassar o poder económico do G7 em 2035, segundo as previsões de Jim O&#8217;Neill. Na última década foram o principal motor do crescimento económico, responsáveis por 50% do aumento anual do PIB mundial. Este ano, estima-se que representarão 56% desse crescimento. O G7 (grupo dos 7 países ricos) não deverá ser responsável por mais de 9,5%.</p>
<p>#O comércio entre os BRICS é ainda fraco, representando 230 mil milhões de dólares, pouco mais de 1% do comércio internacional de exportações. No entanto está a crescer anualmente 28%. As cimeiras têm apontado no sentido de facilitar os fluxos comerciais. Os bancos centrais dos BRICS assinaram acordos de swap de divisas e fortaleceram a sua cooperação, que se estendeu também aos seus bancos de desenvolvimento. O uso das próprias divisas nas transações pretende diminuir o risco cambial e baixar os custos de transação. No entanto, o facto de os BRICS deterem grandes montantes de reservas em dólares e de alguns serem detentores de enorme exposição aos título do Tesouro norte-americanos limita a margem de manobra de dispensar o dólar. &#8220;A desestabilização frontal do sistema baseado no dólar não é do interesse de ninguém, inclusive dos BRICS&#8221;, afirma o consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya.</p>
<p># A primeira cimeira realizaou-se em Ekaterinburgo, na Rússia, em 2009, seguida de Brasília, no Brasil, em 2010, Sanya, na China, em 2011, e agora Nova Deli.</p>
<p># Os cinco países dominam 35% das reservas em divisas mundiais.</p>
<p># Rússia (desde 1945 através da União Soviética) e China (desde 1971) são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Brasil, Índia e África do Sul têm sido eleitos por mandatos de dois anos para os 10 membros não permanentes. No mandato de 2011-2012 estão presentes África do Sul e Índia (o mandato em que está, também, representado Portugal) e no mandato de 2010-2011 esteve o Brasil.</p>
<p># Há um mosaico de especializações internacionais: A Índia é cada vez mais um exportador de serviços e de investimento, incluindo para os seus parceiros dos BRICS, e até de executivos de topo (o presidente do Citigroup, Vikram Pandit, o provável próximo CEO do Deutsche Bank, Anshu Jain, e o provável sucessor de Warren Buffett à frente da Hathaway, Ajit Jain); o Brasil é um exportador de bens agrícolas, tal como a África do Sul, ainda que esta em menor grau; a Rússia, o Brasil e a África do Sul são exportadores de uma diversidade de commodities; a China é cada vez mais o principal fornecedor de produtos manufacturados e o principal cliente de commodities.</p>
<p><strong>PARTE II &#8211; BALANÇO DA CIMEIRA. &#8220;Foi notável a hostilidade visível nos media ocidentais, prévia a esta cimeira. Quase todas as opiniões e comentadores sublinharam que os BRICS não têm futuro e que estariam longe de encontrar um denominador comum&#8221;, refere-nos Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais na Escola de História e Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Stuenkel participou nas reuniões prévias preparatórias da cimeira de Nova Deli, que se realizou na semana anterior ao encontro, e veio otimista sobre a dinâmica criada, ao fim de três anos depois da primeira cimeira na Rússia.</strong></p>
<p>Apesar do coro de críticas a ocidente, ficou clara a determinação dos BRICS, diz o economista indiano Soumodip Sarkar, professor na Universidade de Évora, que sublinha: &#8220;A cimeira teve um impacto nos media globais onde os BRICS mostraram ao mundo que o poder mudou. Devemos esperar, também, que estes países se tornem mais determinados nos assuntos internacionais&#8221;.</p>
<p><strong>Um plano de ação</strong></p>
<p>Uma das novidades aprovadas, agora, foi o &#8220;Plano de Ação de Deli&#8221;, com 17 pontos, que aponta, como refere o professor da FGV, para &#8220;um reforço dos laços a todos os níveis entre os cinco países&#8221;. As reuniões multilaterais a nível ministerial e de especialistas passam a ser regulares em diversas áreas e as consultas entre diplomatas nas missões permanentes dos BRICS em Nova Iorque, Viena e Genebra, cidades onde estão sediadas importantes organizações internacionais, serão acionadas sempre que necessário. A este nível, o Plano de Ação prevê o reforço das relações nas questões de energia e académicas.</p>
<p>Mas é na área das relações comerciais e financeiras que esta cimeira deu um passo em frente, consideram os especialistas ouvidos pelo Expresso. &#8220;Os líderes dos BRICS reconheceram em profundidade o significado de dar passos pragmáticos para promover a cooperação bilateral no comércio, no investimento e na área financeira&#8221;, sublinha o economista chinês Xu Hongcai, professor de Finanças em Pequim e diretor no China Center for International Economic Exchanges, um dos mais importantes think tanks chineses. Ele destaca os mecanismos que vão ser montados entre bancos centrais, entre bancos ligados ao comércio externo e ao desenvolvimento, e entre as bolsas respetivas. O ponto 18 do comunicado final de Deli refere a conclusão de um acordo de extensão das facilidades de crédito em divisas dos cinco através de um mecanismo de cooperação bancária e outro acordo para um mecanismo de confirmação de cartas de crédito entre os bancos de comércio externo e de desenvolvimento dos cinco países. Por outro lado, o ponto 47 refere o estabelecimento de uma aliança entre as bolsas dos BRICS, uma iniciativa conjunta das bolsas de valores respetivas.</p>
<p><strong>Principais vítimas: Zona euro e Japão</strong></p>
<p>&#8220;As decisões 18 e 47 do comunicado são os resultados mais significativos e têm um potencial claro de reorientar os fluxos financeiros e comerciais mundiais para as relações Sul-Sul, ou, pelo menos, entre os BRICS. As implicações destas decisões vão, para além, do simples comércio bilateral. Se tiverem sucesso, no longo prazo, reduzirão os fluxos de capital para vários países desenvolvidos, sobretudo regiões com fraco crescimento e com crédito deteriorado, nomeadamente na zona euro e Japão&#8221;, afirma, por seu lado, o economista russo Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College, em Dublin. Gurdgiev vai mesmo mais longe no impacto geoeconómico desta decisão dos BRICS: &#8220;Orientar mais comércio para as relações entre os BRICS e reter os excedentes comerciais nas divisas deles vai implicar uma maior marginalização da Europa e do Japão&#8221;.</p>
<p>A proposta da Índia de criação de um Banco de Desenvolvimento ficou de ser estudada. Para Soumodip Sarkar, essa será a medida de maior impacto, muito mais do que as relacionadas com o comércio, atrás referidas, sobre as quais o professor de Évora duvida quanto à sua intensidade real na prática. Oliver Stuenkel garante &#8220;que o Banco surgirá no próximo ano durante a cimeira dos BRICS na África do Sul&#8221;. Em contraste, Constantin Gurdgiev acha pouco provável que esse banco venha a conhecer a luz do sol. Por razões geopolíticas: &#8220;É claro para mim que, atualmente, o Brasil, e em menor grau a Rússia e a Índia, não vêm grande possibilidade de concretização de um tal tipo de banco financiado diretamente pelos BRICS. Uma instituição desse tipo seria, naturalmente, dominada pelos excedentes da balança corrente da China, criando uma situação em que decisões politizadas poderão favorecer a estratégia de captura global de cadeias de fornecimento de commodities pela China&#8221;, frisa o economista russo.</p>
<p><strong>A questão das quotas no FMI</strong></p>
<p>Outra dimensão importante da cimeira situa-se no plano da política internacional. Apesar de uma insistência nas questões de governação das instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, a cimeira não decidiu apoiar um candidato comum à presidência deste último, tal como já acontecera com o caso do FMI. Sobre o FMI, Xu Hongcai é crítico do &#8220;ritmo de ajustamento das quotas&#8221;. Entretanto, a diretora-geral do FMI respondeu, esta semana, às críticas afirmando ao Knowledge Wharton/Paris Tech Review, que o processo de reforma das quotas, que estará precisamente &#8220;a meio&#8221; caminho, levará a uma deslocação de 6% para as economias emergentes e em desenvolvimento. &#8220;Os BRIC estarão claramente entre os recipientes destas quotas adicionais, e em virtude dessa reforma todos eles estarão entre os 10 principais países desta instituição em termos de quotas&#8221;, frisou Christine Lagarde.</p>
<p>No campo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a pressão é clara. &#8220;Os BRICS desejam reformar as Nações Unidas. A China e a Rússia apoiam que o Brasil, Índia e África do Sul desempenhem um papel maior na ONU&#8221;, refere Xu Hongcai.</p>
<p>Um dos pontos que foi sublinhado respeita às relações entre a China e a Índia. &#8220;Os problemas bilaterais entre os dois países são encarados como a maior vulnerabilidade no conceito dos BRICS. Mas é surpreendente como ambas se relacionaram bem&#8221;, diz Stuenkel. Soumodip Sarkar sublinha, por seu lado, &#8220;o que se passou nos bastidores em particular entre a China e a Índia e entre o Brasil e a Índia&#8221;. O professor de Évora salienta que as tensões entre os dois vizinhos asiáticos &#8220;arrefeceram, e isso pode ser uma medida de crescente confiança que poderá levar a mais investimento da China na Índia&#8221;. Entre o Brasil e a Índia assinou-se um acordo que permitirá a investigadores brasileiros investigar nas universidades indianas.</p>
<p>A posição sobre a situação na Síria parece refletir a postura da Rússia na guerra civil em curso e quanto ao Irão os BRICS afirmaram, em conjunto, que não se pode permitir que a situação evolua para um conflito, sublinha, a concluir, Oliver Stuenkel.</p>
<p><strong>PARTE III: Eleição do presidente do Banco Mundial (Semana de 16-19 de abril). Moscovo deu a mão a Washington DC e Pequim vê virtualidades na nomeação de um descendente asiático. Provavelmente será a última que o &#8220;Ocidente&#8221; conseguirá ganhar. Daqui a cinco anos, as economias emergentes esperam ter alterado a correlação de forças.<br />
</strong></p>
<p>Jim Young Kim, o norte-americano de ascendência sul-coreana, indicado pelo presidente Barack Obama, foi escolhido presidente do Banco Mundial para os próximos cinco anos pelos 25 membros da direção deste organismo internacional. Mas não foi por unanimidade. &#8220;É a primeira vez na história do Banco Mundial que uma indicação dos Estados Unidos é contestada. Isto mostra claramente a perda de hegemonia da superpotência&#8221;, afirma ao Expresso André Roberto Martin, um professor de geografia política da Universidade de São Paulo.</p>
<p>Kim substitui outro norte-americano, Robert Zoellick, dentro da &#8220;tradição&#8221; de que cabe aos Estados Unidos dominar o banco e a um europeu liderar o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta &#8220;regra&#8221; informal que vigora há sete décadas ainda não foi, desta vez, quebrada, apesar das fortes movimentações dos africanos para impor o seu candidato, a ministra das Finanças nigeriana, Ngozi Okonjo-Iweala. Daniel Bradlow, da Universidade de Pretória, sublinha-nos a importância da unidade africana nesta questão, incentivada pela África do Sul (hoje em dia membro do &#8220;clube&#8221; que dá pelo acrónimo de BRICS &#8211; acrónimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A ministra africana chegou a recolher o apoio de 39 quadros do Banco Mundial, de centenas de académicos, e até de jornais &#8220;ocidentais&#8221; influentes, como o &#8220;Financial Times&#8221; e o &#8220;The Economist&#8221;. Entre as quatro grandes economias emergentes, o Brasil deu um passo político claro ao declarar o apoio à ministra nigeriana e ao romper com os EUA nesta matéria. &#8220;No entanto, percebeu-se logo que dificilmente a aposta sairia vitoriosa ao enfrentar o candidato apoiado pelos americanos&#8221;, confessa André Martin.</p>
<p><em><strong>A última vez?</strong></em></p>
<p>Alguns analistas admitem que seja a última vez que Washington DC consegue a proeza. &#8220;Kim e Lagarde são provavelmente os últimos a ser impostos pelos EUA e pela Europa. Daqui a quatro a cinco anos quando os seus sucessores forem escolhidos, estaremos a viver num mundo bem diferente. A candidatura de Ngozi Okonjo-Iweala dá-nos uma primeira ideia de como a seleção futura [nestes cargos] será feita&#8221;, diz-nos Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, que tem participado, por parte do Brasil, nas reuniões preparatórias das cimeiras dos BRICS.</p>
<p>Kim, que veio com a família da Coreia do Sul para os EUA com apenas cinco anos, é um médico de 52 anos pioneiro no tratamento da SIDA e da tuberculose nos países pobres e foi uma escolha de Obama que surpreendeu. O economista russo Constantin Gurdgiev, professor em Dublin, acha que foi &#8220;uma decisão muito inteligente de Obama&#8221;. Kim é desde 2009 presidente do Dartmouth College, no New Hampshire. A organização global contra a pobreza Oxfam considera-o &#8220;um herói do desenvolvimento&#8221;, ainda que deplore a forma de escolha ainda vigor no Banco Mundial, que acaba por retirar mérito aos candidatos em favor da correlação de forças geopolítica. Xu Hongcai, diretor do mais importante think tank chinês, considera que &#8220;são boas notícias&#8221;. Este professor na Universidade de Pequim diz ao Expresso que é positivo o fato de Kim &#8220;não ser um político, ter conhecimento e experiência de gestão, e inclusive ser de ascendência asiática&#8221;. &#8220;Algo mudou. Estou inclinado a pensar que é um novo começo histórico&#8221;, conclui.</p>
<p><strong>Rússia roeu a corda</strong></p>
<p>O grupo dos BRICS acabou por não ter uma posição comum sobre os candidatos ao cargo na sua última cimeira no princípio deste mês. A Rússia acabou por tomar uma decisão unilateral de apoio ao candidato de Obama sem pré-aviso oficial aos restantes membros do &#8220;clube&#8221;, deploraram diplomatas indianos, e contra a vontade expressa do Brasil que pretendia uma posição coordenada. &#8220;A Rússia não tem a certeza em que campo está&#8221;, ironiza Stuenkel. E Michael Pettis, um americano professor em Pequim, diz-nos que &#8220;os países em desenvolvimento têm objetivos e interesses muito diferentes&#8221; e que é &#8220;um erro achar que [os BRIC] queiram o mesmo para o sistema de governação mundial&#8221;. Pelo que não se admirou com o que voltou a acontecer agora.</p>
<p>A mesma cena aconteceu aquando da escolha para a liderança do FMI, depois da saída, inesperada, de Strauss-Kahn. Os BRICS não conseguiram apoiar o candidato mexicano Agustín Carstens, então, em virtude da relutância do Brasil. Constantin Gurdgiev considera que os BRICS &#8211; e particularmente a China e a Rússia &#8211; vão concentrar-se na alteração por &#8220;dentro&#8221; da correlação de forças, alavancando a reforma do sistema de quotas e de votação.</p>
<p>Por outro lado, os BRICS começam a ter uma agenda distinta no que toca ao financiamento do desenvolvimento mundial. &#8220;Eles estão a procurar construir um banco alternativo ao Banco Mundial e livrar-se do domínio da moeda norte-americana nas transações internacionais, o que significa, pelo volume de reservas que dispõem, que o Banco Mundial e o FMI já não são tão cruciais como outrora para alavancar o desenvolvimento&#8221;, conclui André Martin.</p>
<p><strong>PARTE IV: O desfasamento do FMI e do Banco Mundial. Economistas dos países emergentes, da Europa e Estados Unidos falam do abismo entre a realidade e a relação de forças no FMI e no Banco Mundial e discutem a tática de “mudar por dentro” estas organizações. A Europa é o bloco mais em cheque.<br />
</strong></p>
<p>A economia mundial sofreu uma mudança colossal nos últimos 20 anos. O peso das principais economias avançadas no produto interno bruto (PIB) mundial diminui expressivamente de 63% para 45%. </p>
<p>Este afundamento da importância económica da então denominada “tríade” – Estados Unidos, Europa e Japão – foi compensado pela ascensão fulgurante das quatro novas potências emergentes, batizadas por Jim O’Neill, da Goldman Sachs, com o acrónimo BRIC (para Brasil, Rússia, Índia e China), que saltaram de 15% para cerca de 27% do PIB mundial, e pelo disparo do crescimento em grande parte do antigo Terceiro Mundo. A própria expressão “Terceiro Mundo” lamçada há quase 60 anos por Alfred Sauvy no jornal francês L&#8217;Observateur (edição de 14 agosto de 1952) caiu em desuso.</p>
<p>No plano geopolítico, a transformação foi, também, radical. Avaliando o peso geopolítico, com base em oito indicadores (que vão muito além do peso no PIB, que assinalámos acima), o momento de viragem ocorreu no final da década de 1990. </p>
<p>O estudo de dois investigadores portugueses, Fernando Fonseca e Fernando Gonçalves, para o período entre 1994 e 2003 revela que o G7 (as sete economias mais avançadas do mundo) perdeu 31 pontos no seu peso geopolítico e os BRIC ganharam 36 pontos. Nessa década, a China subiu ao segundo lugar no mapa geopolítico ocupando o lugar da antiga União Soviética que implodira. O grupo que mais perdeu peso geopolítico foi a União Europeia.</p>
<p>Uma outra mudança surpreendente é o papel exportador de capital de alguns dos gigantes emergentes, com destaque para a China que é, atualmente, o segundo maior exportador de capital do mundo e o maior credor da dívida norte-americana. Segundo o &#8220;Global Financial Stability Report&#8221; do FMI, entre os 13 maiores exportadores de capital em 2011 (últimos dados disponíveis divulgados em abril de 2012) dois são BRICS (China, com 12,5% do total mundial de capital exportado; e Rússia, com 6,3%), outros dois são “tigres” do Pacífico (Singapura e Taiwan) e quatro são exportadores de petróleo do Médio Oriente (Arábia Saudita, Kuwait, Irão e Qatar). No conjunto detêm 44,8% da exportação mundial de capitais. Nessa lista, a Alemanha alcançou o primeiro lugar em 2011, com 12,8%, ultrapassando a China por uma unha negra, e o Japão é o quarto (com 7,5%) tendo sido ultrapassado pela Arábia Saudita. Em relação a 2010, é de notar que houve uma redução muito significativa do peso relativo na exportação de capitais por parte da China (desceu de 20,1% para 12,5%) e do Japão (desceu de 12,9% para 7,5%).</p>
<p>A China dispõe, também, das maiores reservas cambiais do mundo, com 3305 mil milhões de dólares, muito à frente do Japão que é o número dois, com 1288 mil milhões. No conjunto, os BRICS dispõem de 4500 mil milhões de dólares de reservas cambiais, quase 5 vezes mais do que as de todo o sistema da zona euro.</p>
<p>No entanto, esta contabilidade trivial não teve tradução, ainda, nas duas organizações financeiras mundiais saídas dos acordos de Bretton Woods em 1944, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM). </p>
<p><em><strong>Instituições “excessivamente ocidentalizadas”</strong></em></p>
<p>Os BRICS detêm menos de 12% dos direitos de voto no FMI e os EUA e a Europa continuam a ter o “privilégio exorbitante” de repartir as chefias das duas instituições. As propostas em cima da mesa, para a 14ª revisão de quotas na instituição que se iniciou em 2010, descem ligeiramente o peso no FMI da Europa (de 31,92% para 30,3%) e dos EUA (de 17,69% para 17,40%) e aumentam a percentagem dos BRICS nas quotas de 11,52% para 15,24%. O desajustamento permanecerá.</p>
<p>“O panorama geopolítico está em mudança. O FMI e o BM estão ainda atrasados para reconhecer a nova realidade e se ajustarem em termos de liderança e de regras”, resume Mark Thoma, professor na Universidade do Oregon, e autor de um dos blogues de referência norte-americanos, Economist’s View. E o ritmo de mudança que se verifica dentro dessas duas instituições é frustrante: “não satisfaz as expectativas dos países em crescimento”, afirma Hugo Dixon, editor do Reuters Breakingviews, em Londres. As duas instituições são “excessivamente ocidentalizadas” e “a sua forma de decidir está ainda controlada de um modo neocolonialista pelos EUA e por uma vagarosa Europa”, acentua-nos Shaun Rein, outro norte-americano que criou em Xangai a China Market Research nos anos 1990 e que é autor do livro “The End of Cheap China”. Por seu lado, Jayati Ghosh, professora de Economia na Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Deli, e fundadora da Fundação de Investigação Económica, é mesmo mais radical: “Essas duas instituições têm três défices: de relevância, de credibilidade e de confiança. Sem dúvida que a atual distribuição de quotas e de votos não faz sentido. Mas, para mim, a ideologia dessas duas organizações é o problema real”.</p>
<p><em><strong>O problema chama-se Europa</strong></em></p>
<p>O dedo é particularmente apontado à Europa. “O excessivo poder da Europa é claramente o problema. A zona euro, por exemplo, deveria ter um só lugar conjunto na direção e deveria haver um realinhamento de votos”, sublinha Danny Bradlow, professor da Universidade de Pretória, na África do Sul. A que acresce uma dimensão bem atual: “A Europa é hoje o principal utilizador do dinheiro do FMI, o poder que retém não é sustentável”, chama a atenção Hugo Dixon. Na realidade, quase 2/3 dos compromissos assumidos pelo FMI no âmbito de programas de financiamento estão nos três países da zona euro com planos de resgate. São 65,6 mil milhões de euros dos 123,8 mil milhões que a instituição tem atualmente aplicados no mundo.</p>
<p>Muitos analistas acusam inclusive de ser a zona euro em apuros o destinatário da iniciativa de Christine Lagarde de pegar na sua malinha de mão chique para recolher financiamento para uma “almofada” de intervenção. Conseguiu 430 mil milhões de dólares (cerca de 325 mil milhões de euros), graças a uma larga fatia de 200 mil milhões de dólares por parte da própria zona euro e a uma contribuição generosa do Japão com um montante de 60 mil milhões. Os BRIC são citados em pé de página no comunicado sobre a recolha de fundos juntamente com “outros” com um contributo pouco superior ao japonês. </p>
<p>Os críticos apontam o dedo ao FMI de estar a ignorar a “Primavera Árabe” e nomeadamente o Egito, cuja probabilidade de bancarrota tem subido, a ponto de ser um dos dez candidatos no mundo a um evento desse tipo. Fora da Europa, escandaliza que o programa para a Grécia seja 23 vezes superior à própria contribuição de Atenas para o Fundo.</p>
<p>Shaun Rein é mesmo mais cáustico: “A inabilidade da Europa em resolver os seus próprios problemas internos prova que não pode querer ensinar o resto do mundo. São precisas outras visões para ajudar a resolver os problemas atuais”. E Oliver Stuenkel, professor na Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, adverte os europeus: “Quanto mais tempo a Europa se recusar, mais perderá o próprio goodwill de que ainda dispõe entre as potências emergentes”.</p>
<p><em><strong>Mudar por dentro</strong></em></p>
<p>A “tática” a seguir dentro destas organizações provoca divergências entre os economistas ouvidos. Shaun Rein afirma que essa é a forma de agir da China. “Ter a China e a Índia com mais poder dentro do atual sistema, em vez de querer criar um outro sistema paralelo, é o mais aconselhável para a segurança mundial”, acrescenta Rein. Oliver Stuenkel, que tem participado, pelo Brasil, nas reuniões preparatórias das cimeiras dos BRICS, considera tal tática “crescentemente eficaz”. </p>
<p>Mark Thoma, por seu lado, resume assim a tática: “Eu julgo que a mudança por dentro é necessária e possível, mas tem de ser dirigida pela pressão de fora. Esta última é a força motivadora fundamental”. O professor francês Dominique Plihon, um dos líderes dos manifesto europeu dos “Economistas Aterrados”, vai no mesmo sentido: “Duas estratégias devem ser complementares – a reforma por dentro, por um lado, e a criação de novas instituições regionais, por outro, como está em curso na América Latina e na Ásia”. </p>
<p>A pressão por fora não é apenas de discursos e resoluções das cimeiras dos BRICS. “A própria proposta sobre um Banco dos BRICS ou as medidas alternativas no campo da política monetária – ainda que não totalmente separadas do FMI – sugerem que, a dado momento, se possam ter de equacionar estruturas alternativas”, afirma Bradlow. Curiosamente, Dirk Elsner, consultor alemão da INNOVECS e autor do blogue de economia Blik Log, não acredita nessa mudança por dentro: “Essa estratégia cimenta a estrutura de poder”.</p>
<p>Um das linhas de “mudança por dentro” diz respeito à mudança do cabaz de divisas que suporta a unidade de conta do FMI, os direitos de saque especiais (DSE, SDR no acrónimo em inglês). Esse cabaz atualmente alberga o dólar, o euro, o iene e a libra. Stuenkel considera a inclusão da divisa chinesa, o yuan (ou renminbi), no cabaz como “um passo fundamental”. Mas Dirk Elsner acha o mecanismo dos DSE “demasiado opaco” para se transformar num sistema fiável. E a indiana Jayati Ghosh vai mais longe, acha que “uma solução tecnocrática não vai funcionar”. E explica: “Uma solução como o ‘bancor’ – uma divisa mundial &#8211; proposta por Keynes nos anos 1940 ou usar os DSE como divisa global falhará se não for apoiada pelos países. A divisa internacional é um problema de poder internacional, não é um problema técnico”. </p>
<p><em><strong>O calcanhar de Aquiles dos BRICS</strong></em></p>
<p>Para os entrevistados, a europeia Christine Lagarde e o norte-americano Jim Yong Kim são os últimos a ser eleitos pelo método tradicional de partilha do posto mais elevado entre a Europa e os EUA. De qualquer modo, pela primeira vez, houve o que alguns designam por “eleição competitiva” no FMI. </p>
<p>O candidato apoiado pelos EUA foi eleito, mas contra uma oponente, Ngozi Okonjo-Iweala, a ministra das Finanças da Nigéria, apoiada por África em bloco e expressamente pelo Brasil. “As futuras eleições [daqui a quatro e a cinco anos no FMI e no Banco Mundial] terão de seguir este padrão”, garante Bradlow. Por ora, nomeadamente os BRICS, dividiram-se, com alguns a apostar ainda no cavalo americano, como o fez expressamente a Rússia. </p>
<p>Aliás, sublinha Dominique Plihon, o entendimento entre os BRICS é ainda muito limitado. Esse parece ser o seu calcanhar de Aquiles. Uma das linhas de fratura, sublinhou esta semana Robert D. Kaplan, jornalista da revista norte-americana “Atlantic Monthly”, é a nova rivalidade geopolítica entre a China e a Índia que se alimenta das possibilidades trazidas pela alta tecnologia. </p>
<p>E Michael Pettis, professor na Guanghua School of Management da Universidade de Pequim e autor do blogue de referência “China Financial Markets”, refere-nos: “É um erro assumir que os quatro BRIC querem o mesmo em termos de sistema global de governação. Há interesses de base diferentes: o Brasil e a Rússia querem preços altos das commodities, a China e a Índia querem-nos baratos. O Brasil anda em guerra contra o que chama de ‘guerras de divisas’, a China nem quer ouvir falar disso”.</p>
<p><em><strong>O fim do “Consenso de Washington”?</strong></em></p>
<p>Estará a verificar-se alguma mudança na orientação destas instituições, foi a pergunta final que colocámos aos entrevistados. </p>
<p>Mark Thoma acha que o FMI e o BM têm aprendido com os erros. Os erros cometidos pelo FMI face às crises sucessivas dos anos 1990 na Europa de Leste, na América Latina e na Ásia quase lhe ditaram uma sentença de morte. O volume anual de empréstimos do FMI caiu brutalmente de cerca de 97 mil milhões de dólares em 2003 para 9,5 mil milhões em 2007. </p>
<p>Muitas das vítimas dessas crises globais acabaram por levantar a cabeça, não em virtude dos programas do FMI, mas graças ao disparo nos preços das commodities que permitiu aos países em desenvolvimento exportadores acumular reservas em divisas, que, em 2008, atingiram o triplo das da “tríade” reunidas. Muitos países do “Sul”, como o Brasil, Argentina, Uruguai, Indonésia e Filipinas reembolsaram antecipadamente o FMI e esvaziaram o seu papel. O Fundo foi, ironicamente, salvo do gongue final pela crise das dívidas soberanas na zona euro a partir de 2009, regressando a um patamar anual acima de 120 mil milhões de dólares de fundos aplicados. O G20 na cimeira de Londres em abril de 2009 deu-lhe a mão.</p>
<p>Mas esta ressurreição está a ter um preço: o “Consenso de Washington”, que muitos designam por “cartilha neoliberal”, está a ser arquivado discretamente. Um estudo realizado por Susanne Lutz e Matthias Kranke, da Universidade de Berlim, mostra que as intervenções do Fundo na Letónia, Hungria e Roménia já impuseram condições mais “leves”. As contradições entre a equipa do FMI e os especialistas da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu encheram o anedotário recente dos programas de resgate da Grécia, Irlanda e Portugal. Os guardiões do “Consenso” têm estado em Bruxelas e Frankfurt, mais do que em Washington DC, o que surpreendeu os sindicalistas e a esquerda nos países intervencionados habituados a gritar a plenos pulmões “Fora daqui FMI”.</p>
<p>Aliás, Christine Lagarde, na reunião da Primavera realizada há duas semanas, já tentou criar uma nova etiqueta para a estratégia do FMI: o “Momento de Washington”. Jayati Ghosh, no entanto, não acredita apenas em palavras: “Mesmo quando aceitam os erros nos artigos científicos e na investigação dos seus quadros, ou nos discursos, depois, raramente, isso é refletido no terreno”. Já quanto ao Banco Mundial, Shaun Rein é de opinião “que não tem aprendido nada com os erros, continua a ser excessivamente politizado”. Veremos se o novo presidente Jim Yong Kim muda a situação. Xu Hongcai, diretor do mais importante grupo de reflexão chinês, diz-nos que “está inclinado a pensar que é um novo começo histórico”.</p>
<p><em>Fonte da Parte IIV: artigos de João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues publicados na edição impressa do Expresso de 28 de abril de 2012.</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://janelanaweb.com/novidades/cimeira-dos-brics-em-nova-deli-i-29032012-das-palavras-aos-actos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Retoma: o fantasma do modelo “japonês” ronda os países “ricos”</title>
		<link>http://janelanaweb.com/novidades/retoma-o-fantasma-do-modelo-%e2%80%9cjapones%e2%80%9d-ronda-os-paises-%e2%80%9cricos%e2%80%9d/</link>
		<comments>http://janelanaweb.com/novidades/retoma-o-fantasma-do-modelo-%e2%80%9cjapones%e2%80%9d-ronda-os-paises-%e2%80%9cricos%e2%80%9d/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 25 Sep 2009 15:22:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ardina na Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Competitividade]]></category>
		<category><![CDATA[English articles]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagens]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>
		<category><![CDATA[Cambridge Journal of Economics]]></category>
		<category><![CDATA[Carlota Perez]]></category>
		<category><![CDATA[crescimento]]></category>
		<category><![CDATA[estagnação]]></category>
		<category><![CDATA[eutanásia]]></category>
		<category><![CDATA[features]]></category>
		<category><![CDATA[financeirização]]></category>
		<category><![CDATA[Francesco Giavazzi]]></category>
		<category><![CDATA[G20]]></category>
		<category><![CDATA[G7]]></category>
		<category><![CDATA[James Galbraith]]></category>
		<category><![CDATA[John Foster]]></category>
		<category><![CDATA[Keynes]]></category>
		<category><![CDATA[modelo japonÊs]]></category>
		<category><![CDATA[Monthly Review]]></category>
		<category><![CDATA[Olivier Blanchard]]></category>
		<category><![CDATA[PIB]]></category>
		<category><![CDATA[rentier]]></category>
		<category><![CDATA[retoma anémica]]></category>
		<category><![CDATA[small is beautiful]]></category>
		<category><![CDATA[Tge Great Financial Crisis]]></category>
		<category><![CDATA[Veblen]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://janelanaweb.com/?p=269</guid>
		<description><![CDATA[E depois da crise, no ‘Ocidente’? Assistiremos ao regresso do crescimento dourado ou da estagnação secular? Os economistas dividem-se. Os pessimistas falam de uma “retoma” anémica nos países “ricos”, da condenação a um crescimento de tipo “japonês”. Os optimistas vêm na inovação a luz ao fundo do túnel]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">O presidente da Reserva Federal decretou recentemente que a recessão técnica terá terminado nos Estados Unidos e a OCDE voltou a divulgar o seu “compósito de indicadores” referindo que a maioria dos países da OCDE e dos BRIC já parou de contrair o produto interno bruto. Apesar dos temores de uma recaída próxima ou mais tardia – como aconteceu em 1932 e depois em 1938 na Grande Depressão anterior -, o debate está a mover-se para o terreno do médio-longo prazo.</p>
<p class="MsoNormal">Será que as economias desenvolvidas vão ter crescimentos medíocres, ‘à japonesa’, inferiores a 2% e tendencialmente próximo de 1%? Será que, inclusive, esses países estarão a sofrer de estagnação crónica da economia real desde os anos 1970? A única saída possível é gerar nova ‘bolha’ financeira (por exemplo em torno das tecnologias “limpas” e dos negócios “verdes”) <span> </span>e prosseguir com a financeirização da dinâmica económica? Será que há alguma saída por via da inovação tecnológica, ou esta deixou de ter o impacto «schumpeteriano», que se apregoava outrora, no crescimento das economias maduras?</p>
<p class="MsoNormal">Olhando a história económica no pós queda do Muro de Berlim verificamos que, na actual fase de globalização, as taxas de crescimento entre os dois tipos de países comummente designados de desenvolvidos e em desenvolvimento estão cada vez mais distantes umas das outras. O crescimento nos desenvolvidos manifestou uma dinâmica duas vezes e meia inferior. O caso do Japão foi o mais extremo, entre os &#8220;ricos&#8221;, com uma média anual do crescimento do PIB em década e meia inferior a 2% (ver tabela 1).</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Tabela 1</strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong>Padrões de crescimento da actual fase da globalização</strong></p>
<p class="MsoNormal">(Taxa média anual de crescimento real do PIB, 1991-2007, em %)</p>
<p class="MsoNormal">Países desenvolvidos: 2,5%; Países em desenvolvimento: 6,4%; Modelo “japonês”: 1,9%</p>
<p class="MsoNormal">Fonte: UNCTAD, Setembro 2009</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Tabela 2</strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong>Padrões de crescimento nos Estados Unidos desde a Grande Depressão</strong></p>
<p class="MsoNormal">(Taxa média anual de crescimento real do PIB, por décadas, em %)</p>
<p class="MsoNormal">1930/1939: 1,3%; 1940/1949: 5,9%; 1950/1959: 4,1%; 1960/1969: 4,4%; 1970/1979: 3,3%; 1980/1989: 3,1%; 1990/1999: 3,1%; 2000/2009: 1,8%</p>
<p class="MsoNormal"><em>Fonte: The Great Financial Crisis, 2009 e <a href="http://www.bea.gov/national/xls/gdpchg.xls">http://www.bea.gov/national/xls/gdpchg.xls</a>; Obs: estimativa de -3% para 2009, UNCTAD</em></p>
<p class="MsoNormal">No caso dos EUA (ver tabela 2, acima), outrora o “motor” da economia mundial, o tecto da taxa foi baixando desde os anos 1970 e esta última década apresentará um padrão de “tipo japonês” (inferior a 2% de média anual). Em relação à tendência de muito longo prazo da economia americana, que cresceu, em média, quase 4% ao ano nos últimos duzentos anos, as previsões apontam para metade dessa dinâmica histórica no futuro.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Sob o signo da financeirização</strong></p>
<p class="MsoNormal">Em compensação, a financeirização da economia mundial foi arrasadora: em 2007, o valor total dos activos financeiros globais somava 194 biliões de dólares (trilhões, na designação anglo-saxónica), o que significava uma &#8220;profundidade financeira&#8221; de 343% do PIB, segundo o mais recente relatório &#8216;<a href="http://www.mckinsey.com/mgi/publications/gcm_sixth_annual_report/executive_summary.asp">Global Capital Markets</a>&#8216; da McKinsey.</p>
<p class="MsoNormal">Há, por isso, <strong>um problema sério na economia real nos países capitalistas maduros</strong>, dizem John Bellamy Foster e Fred Magdoff, editores da revista americana Monthly Review, no seu mais recente livro <strong>T<a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=1583671846/janelanawebjnrA/">he Great Financial Crisis</a></strong> (Monthly Review Press, Janeiro 2009). Atribuem essa maleita crónica ao que designam por capitalismo monopolista e financeiro que amortece o efeito da revolução tecnológica, do empreendedorismo e da “destruição criativa” renovadora. “O que poderá fazer sair desta situação o capitalismo? Não se vislumbra outra saída – dentro do sistema – que não seja outra vaga de financeirização, em última análise tão destrutiva como a última”, diz-nos <a href="mailto:jfoster@uoregon.edu">John Foster</a>, que prevê “explosões históricas pela frente”. Uma expressão dos anos da Grande Depressão regressou aos debates: a “estagnação secular”.</p>
<p class="MsoNormal">Muitos analistas mostram, por isso, prudência e falam de uma futura retoma “anémica” nos países desenvolvidos, e nomeadamente nos EUA, <a href="http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2009/09/blanchardindex.htm">como o referiu Olivier Blanchard</a>, director de Investigação no Fundo Monetário Internacional, na revista deste organismo, Finance &amp; Development, publicada em Setembro. A OCDE teme que haja mesmo uma queda no produto potencial e que o nível de desemprego se mantenha alto, mesmo com estabilidade de preços. “Outros são mesmo mais pessimistas e alegam que haverá inclusive uma redução da taxa de crescimento, e não só do potencial”, frisa-nos <a href="mailto:francesco.giavazzi@unibocconi.it">Francesco Giavazzi</a>, da <a href="http://faculty,unibocconi.it/francescogiavazzi">Universidade Bocconi</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Tecnologia ao fundo do túnel?</strong></p>
<p class="MsoNormal">E as tecnologias de informação e comunicação (TIC) parecem não estar a resolver o problema. John Bellamy Foster disse-nos: “A revolução digital foi importante mas não conseguiu, nem de perto, ter o impacto que teve a máquina a vapor, o caminho-de-ferro e o automóvel”. Ou seja, o que Toffler chamou entusiasticamente de “terceira vaga” teve, até hoje, um impacto coxo, com uma intensidade inferior às revoluções industriais.</p>
<p class="MsoNormal">Mas <a href="mailto:carperezperez@yahoo.com">Carlota Perez</a>, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, não se deixa abater: “Todos estes anos de investimento nas TIC criaram as condições para uma idade de ouro sustentável. É neste sentido que a finança tem de ser ‘seduzida’, através da regulação, do tratamento fiscal e da pressão da opinião pública”. Ela fala de luz ao fundo do túnel desta crise: virá um grande impulso de desenvolvimento que precisou de mais de meio século para gerar os seus efeitos. Depois das crises de 2000 (rebentar da ‘bolha’ tecnológica) e da crise actual (financeira) abre-se um período final de posicionamento da sociedade baseada no conhecimento, mostrou, recentemente, num estudo publicado no <a href="http://cje.oxfordjournals.org/content/vol33/issue4/">Cambridge Journal of Economics (nº33, 2009)</a>. O ponto de vista da professora é que a dinâmica de financeirização será revertida e que a hegemonia da economia real regressará, tal como aconteceu após a Grande Depressão dos anos 1930 até 1970.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Mudar o eixo da política</strong></p>
<p class="MsoNormal">O economista italiano Giavazzi é ainda, politicamente, mais claro: “A forma de retornar ao crescimento implica uma mudança na carga fiscal, dos rendimentos do trabalho para os activos financeiros. Os governos podem ajudar, mudando a carga fiscal das actividades produtivas para as rendas financeiras”.</p>
<p class="MsoNormal">E sugere em termos de estratégia empresarial nos países desenvolvidos: “Enquanto o consumo interno nos grandes países emergentes não se tornar a motor da economia mundial, o que ainda vai demorar tempo, pode e deve explorar-se uma ponte no investimento, com taxas de juro baixas, no sentido de uma reestruturação das estruturas de produção nos países desenvolvidos de modo a se prepararem para a tal mudança de alocação geográfica e de alteração da composição do consumo mundial”.</p>
<p class="MsoNormal">As firmas no mundo ocidental têm de se adaptar para a oportunidade da massificação do consumo nos grandes países emergentes. “Vai haver mais consumo na China e menos nos EUA. Mais procura de electrodomésticos básicos, por exemplo, e menos relativamente de automóveis topo de gama. O que tem um corolário: os países que investirem, agora, na reestruturação, sairão mais ricos da crise”, conclui o professor italiano.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>O regresso do pequeno é belo</strong></p>
<p class="MsoNormal">Também o <em>small is beautiful</em> regressa ao sistema financeiro pelo grupo dos Economistas para a Paz e Segurança e pela Iniciativa para Repensar a Economia que reuniu em Agosto em Paris e que teve como relator o economista <a href="http://www.utexas.edu/lbj/faculty/galbraith.html">James K. Galbraith</a> (ver curta entrevista abaixo). A tese central do grupo é que a situação anterior à crise não pode ser restaurada no que toca ao sistema financeiro. Por isso, Galbraith sublinha, no Manifesto da reunião, que o papel das agências de regulação transnacionais e nacionais tem de ser reforçado e que as estruturas do sistema financeiro devem ser emagrecidas para acabar com o “demasiado grande para falir” e lhes quebrar o poder de influência política. Uma medida radical num ambiente em que o que se tem assistido é a uma concentração financeira ainda maior em menos actores na Wall Street, movimento que alguns analistas consideram inclusive que foi fomentado explicitamente pela acção da Reserva Federal e do Tesouro americanos durante o Grande Pânico de 2008.</p>
<p class="MsoNormal">A força deste ecossistema é conhecida. Galbraith fala-nos de uma dinâmica sociológica por baixo desta realidade numa curta entrevista: foi “criada uma classe profissional treinada de gente que pratica a retenção”. Não admira que John M. Keynes, no seu tempo, já falasse da necessidade de fazer “<a href="http://janelanaweb.com/novidades/the-medicine-suggested-by-keynes-euthanasia-of-the-%E2%80%98rentier%E2%80%99-system/">a eutanásia do <em>rentista</em></a>”, recuperando o radicalismo do economista americano <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Thorstein_Veblen">Thorstein Veblen</a> com a sua teoria sobre a classe ociosa, publicada há cento e dez anos.</p>
<p class="MsoNormal"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong>ENTREVISTA RÁPIDA </strong></p>
<p class="MsoNormal">Responde:<a href="http://utip.gov.utexas.edu/JG/"> </a><strong><a href="http://utip.gov.utexas.edu/JG/"><em>James K. Galbraith</em></a> (Universidade do Texas, Austin, EUA)</strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong></strong></p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 14pt; line-height: 115%;">Regressar ao <em>small is beautiful</em> para o sistema financeiro</span></strong></p>
<p class="MsoNormal"><em>P: Na presente fase da gestão da crise, precisaríamos de mais políticas schumpeterianas em vez de keynesianas?</em></p>
<p class="MsoNormal">R: Não vejo a relevância da inovação para o momento actual. Mas admito que o investimento dirigido a problemas como a energia e o ambiente tenham relevância.</p>
<p class="MsoNormal"><em>P: A financeirização da economia dos últimos trinta anos consolidou um ecossistema poderoso que alguns afirmam que ‘capturou’ o Estado. Acha realista que se consiga mexer em profundidade neste sistema como propõe o relatório do grupo de Paris? O próprio presidente Obama acabou, recentemente, por não discursar no New York Stock Exchange.</em></p>
<p class="MsoNormal">R: Durante toda a minha carreira propus coisas que não eram consideradas ‘realistas’, mas não descarto as dificuldades.</p>
<p class="MsoNormal"><em>P: É realista, também, propor o emagrecimento dos grupos bancários transnacionais ocidentais, para mais sabendo que os bancos estatais chineses dominam hoje as classificações mundiais em capitalização?</em></p>
<p class="MsoNormal">R: Não estou preocupado com essas classificações. O meu objectivo é um sistema financeiro estável e não predatório. Instituições mais pequenas é melhor, como se refere no relatório. Demasiado grande para falir é um risco que não se deveria repetir. Os próprios chineses entendem isso.</p>
<p class="MsoNormal"><em>P: Com todas essas medidas em relação ao chamado sistema sombra financeiro não há o risco de ele migrar para outras geografias?</em></p>
<p class="MsoNormal">R: Insisto que o princípio de emagrecimento deve ser injectado no sistema. O sistema financeiro não deve retornar à situação em que estava antes da crise.</p>
<p class="MsoNormal"><strong> </strong></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://janelanaweb.com/novidades/retoma-o-fantasma-do-modelo-%e2%80%9cjapones%e2%80%9d-ronda-os-paises-%e2%80%9cricos%e2%80%9d/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>«Não há solução sem a China»</title>
		<link>http://janelanaweb.com/novidades/%c2%abnao-ha-solucao-sem-a-china%c2%bb/</link>
		<comments>http://janelanaweb.com/novidades/%c2%abnao-ha-solucao-sem-a-china%c2%bb/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 25 Mar 2009 23:55:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ardina na Crise]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas Gurus]]></category>
		<category><![CDATA[Novidades]]></category>
		<category><![CDATA[Bretton Woods]]></category>
		<category><![CDATA[Bruegel]]></category>
		<category><![CDATA[dólar]]></category>
		<category><![CDATA[features]]></category>
		<category><![CDATA[FMI]]></category>
		<category><![CDATA[G20]]></category>
		<category><![CDATA[G7]]></category>
		<category><![CDATA[globalização]]></category>
		<category><![CDATA[Indhira Santos]]></category>
		<category><![CDATA[multilateralismo]]></category>
		<category><![CDATA[regulação financeira]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://janelanaweb.com/?p=100</guid>
		<description><![CDATA[Indhira Santos, perita do think tank BRUEGEL, de Bruxelas, fala sobre as expectativas para a reunião do G20 de dia 2 de Abril.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">A <a href="http://www.g20.org/">reunião do G20</a> a 2 de Abril em Londres vai ser palco de duras lutas. <a href="mailto:Indhira.santos@brueguel.org">Indhira Santos</a>, nascida na República Dominicana, investigadora residente do <em>think tank</em> Brussels European and Global Economic Laboratory, conhecido pelo acrónimo <a href="http://www.bruegel.org">Bruegel</a> (que é, também, o nome do grande pintor flamengo renascentista do sec. XVI), exprime quatro expectativas que recolhem o consenso de muitos analistas:</p>
<p class="MsoNormal">- face à dimensão da crise internacional, o G20 é o local ideal, reflectindo o ‘sentir’ de mais de 80% do PIB mundial;</p>
<p class="MsoNormal">- qualquer resolução que não envolva activamente a China estará condenada ao fracasso;</p>
<p class="MsoNormal">- é o momento certo para as organizações multilaterais filhas de Bretton Woods, e particularmente o Fundo Monetário Internacional, aumentarem o seu peso político e tornarem-se mais representativas das realidades actuais;</p>
<p class="MsoNormal">- é necessário um fórum complementar para a área dos temas da regulação financeira, em que todos os centros financeiros relevantes estejam presentes, incluindo a Suíça e Singapura.</p>
<p class="MsoNormal">No campo da adequação do FMI às novas realidades, <a href="http://www.bruegel.org/Public/Scholars.php?ID=1167&amp;contactID=2074">Indhira Santos</a>, num artigo assinado com Jean Pisani-Ferry, publicado na revista <a href="http://www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2009/03/index.htm">Finance &amp; Development</a> deste mês publicada pelo Fundo, refere uma conclusão crua, que vai gerar polémica e resistência: “Em termos práticos, a mudança vai exigir a redução do número de lugares europeus e a renúncia do poder de veto dos Estados Unidos”. A par do debate sobre a continuação do papel do dólar como divisa mundial – que tem estado ao rubro, inclusive tendo levado o secretário do Tesouro norte-americano a dar o dito por não dito num curto espaço de tempo -, a dança das cadeiras vai implicar duras batalhas.</p>
<p class="MsoNormal">O G20 que reuniu pela primeira vez em 1999 é formado pelos seguintes países: os que pertencem ao G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão, Reino Unido), mais a União Europeia, a Rússia (que participou no que se designou por G8) e mais onze emergentes (África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Brasil, China, Coreia do Sul, Índia, Indonésia, México e Turquia).</p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal"><strong>P: Acha que o G20 vai substituir politicamente o G7 daqui para o futuro?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: Os dois fóruns têm vantagens comparativas em temas distintos. Um papel mais forte para um deles não significa largar o outro. Mas, claramente, face à dimensão da crise económica internacional, o G20 é o fórum certo. E mais: qualquer iniciativa para reanimar a economia mundial ou resolver os desequilíbrios globais que não inclua, por exemplo, a China de corpo inteiro, estará condenada ao fracasso.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>P: A gravidade da situação não exigiria um núcleo duro de grandes potências mais pequeno que o G20, ainda que diferente, na sua composição política, do G7?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: Qualquer discussão sobre a arquitectura financeira global sem uma adequada representação do mundo emergente acabará prisioneira dos mesmos problemas do modelo actual. Contudo, é importante reconhecer que enquanto o G20 é o grupo ideal para definir prioridades para a ordem económica global e para incentivar a cooperação, é menos capacitado para outros tópicos como a regulação financeira.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>P: Mas que tipo de fórum para esse tipo de tema mais específico?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: Diria que nem o G20 nem o velho G7 ou G8 serve para isso. É necessário um fórum onde estejam todos os centros financeiros fundamentais – incluindo a Suíça e Singapura – para além dos ‘clientes’ importantes.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>P: Pelo que o tema da regulação financeira, em particular dos veículos financeiros ou dos <em>offshore</em>, não deveria ser a estrela do encontro?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: Ainda que seja difícil aos políticos evitar a discussão de alguns dos assuntos de regulação e financeiros que menciona, não creio que deva ser aí a procura de valor acrescentado deste G20. A agenda deve ir para além desses temas – pois, como referi, discuti-los sem importantes protagonistas à mesa e com complexidades técnicas, é muito limitado.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>P: Aliás, a regulação parecia ser a tónica da reunião de emergência do G20 de Washington&#8230;</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: O principal foco nessa altura referido no comunicado final dizia respeito ao falhanço da regulação e da supervisão e os remédios considerados deveriam ser de ordem regulatória.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>R: Então o que deveria ser central?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: Temas ligados ao comércio internacional e à integração das políticas económicas e financeiras deveriam estar na frente. A par claramente do reforço das instituições financeiras internacionais, como o Fundo Monetário Internacional – claramente uma prioridade. Aliás, aumentar os recursos do FMI é um passo na direcção certa para construir a confiança numa segurança multilateral. Também a necessidade de uma acção orçamental globalmente coordenada deveria ser discutida seriamente. A coordenação dos estímulos orçamentais é fundamental, contudo não perdendo de vista o regresso a um controlo orçamental no futuro, sobretudo num quadro em que se espera que a dívida pública nos países avançados vá disparar. Devem, também, ser evitadas políticas cambiais que gerem instabilidade externa. O G20 deve pedir ao FMI que monitorize isso em tempo real e que reporte imediatamente as transgressões.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>P: A vaga de globalização vai recuar, ou o G20 pode fazer algo contra essa possibilidade?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: Já não há dúvida que a crise está a afectar os factores que estavam por detrás de uma globalização rápida nos últimos anos – propriedade privada, companhias globais integradas, cadeia de fornecimentos global e mercados abertos. Espera-se que o comércio internacional caia 2,8% em 2009 e que os fluxos líquidos de capitais privados para as economias emergentes deverão baixar para 82% do nível atingido em 2007. No artigo que publiquei com Jean Pisani-Ferry referimos que esta crise trava, por agora, a expansão rápida da globalização, e que é a primeira crise desta vaga. Na memória de muita gente não há uma crise deste tipo. O que fica claro é que a contracção do comércio internacional é não só um canal de transmissão como um factor de aceleração dessa contracção. A economia global manifesta falta de resiliência, apesar da integração regional e da emergência de novas potências económicas.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>P: Isso quer dizer que o proteccionismo vai regressar em força?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: O pêndulo pode de facto guinar agora para a direcção oposta. Apesar do empenhamento do G20 em que não se iria recorrer a medidas proteccionistas, têm-se criado barreiras alfandegárias e outras às importações, lançado subsídios à exportação e outras medidas discriminatórias para o comércio internacional. Ainda que eu ache que o regresso a um proteccionismo do tipo do que houve nos anos 1930 seja pouco provável, os líderes mundiais devem ter essa experiência bem em mente. Pelo que é necessário colocar na agenda preservar a integração comercial e económica.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>P: E que medidas podem ser tomadas?</strong></p>
<p class="MsoNormal">R: O G20 deverá acordar num código de conduta que estabeleça que tipo de medidas de apoio e de emergência são aceitáveis ou não em tempo de crise, ou seja em que medida afectam directa ou indirectamente o comércio internacional. A Organização Mundial do Comércio e a OCDE (Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico) deverão encarregar-se dessa tarefa de monitorização.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://janelanaweb.com/novidades/%c2%abnao-ha-solucao-sem-a-china%c2%bb/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>0</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>The first ever truly global crisis &#8211; an interview with Franck Biancheri from the Newropeans</title>
		<link>http://janelanaweb.com/trends/the-first-ever-truly-global-crisis-an-interview-with-franck-biancheri-from-the-newropeans/</link>
		<comments>http://janelanaweb.com/trends/the-first-ever-truly-global-crisis-an-interview-with-franck-biancheri-from-the-newropeans/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 16 Dec 2008 18:50:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ardina na Crise]]></category>
		<category><![CDATA[English articles]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevistas Gurus]]></category>
		<category><![CDATA[Tendências]]></category>
		<category><![CDATA[Bretton Woods]]></category>
		<category><![CDATA[features]]></category>
		<category><![CDATA[Franck Biancheri]]></category>
		<category><![CDATA[G20]]></category>
		<category><![CDATA[G7]]></category>
		<category><![CDATA[global crisis]]></category>
		<category><![CDATA[globalization]]></category>
		<category><![CDATA[international monetary system]]></category>
		<category><![CDATA[Newropeans]]></category>
		<category><![CDATA[Nixon shock]]></category>
		<category><![CDATA[systemic]]></category>
		<category><![CDATA[systemic crisis]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://janelanaweb.com/?p=52</guid>
		<description><![CDATA[This crisis is definitely the terminal moment of the Bretton Woods system, 1944 version at the end of the World War and 1971-76 version after the Nixon shock. Also it’s the bridge for a change in the great power system. In this sense it’s a systemic crisis – not of capitalism as a system, but of the geopolitical, economic and financial system design from the 1940s. It’s completely different from the 1930s, refers Franck Biancheri, the leader of Newropeans. This is the first truly global crisis – a crisis of a world finally truly globalized in finance and economy.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!--[if gte mso 9]><xml> <w:WordDocument> <w:View>Normal</w:View> <w:Zoom>0</w:Zoom> <w:TrackMoves /> <w:TrackFormatting /> <w:DoNotShowRevisions /> <w:DoNotPrintRevisions /> <w:DoNotShowMarkup /> <w:DoNotShowComments /> <w:DoNotShowInsertionsAndDeletions /> <w:DoNotShowPropertyChanges /> <w:HyphenationZone>21</w:HyphenationZone> <w:PunctuationKerning /> <w:ValidateAgainstSchemas /> <w:SaveIfXMLInvalid>false</w:SaveIfXMLInvalid> <w:IgnoreMixedContent>false</w:IgnoreMixedContent> <w:AlwaysShowPlaceholderText>false</w:AlwaysShowPlaceholderText> <w:DoNotPromoteQF /> <w:LidThemeOther>PT</w:LidThemeOther> <w:LidThemeAsian>X-NONE</w:LidThemeAsian> <w:LidThemeComplexScript>X-NONE</w:LidThemeComplexScript> <w:Compatibility> <w:BreakWrappedTables /> <w:SnapToGridInCell /> <w:WrapTextWithPunct /> <w:UseAsianBreakRules /> <w:DontGrowAutofit /> <w:SplitPgBreakAndParaMark /> <w:DontVertAlignCellWithSp /> <w:DontBreakConstrainedForcedTables /> <w:DontVertAlignInTxbx /> <w:Word11KerningPairs /> <w:CachedColBalance /> </w:Compatibility> <w:BrowserLevel>MicrosoftInternetExplorer4</w:BrowserLevel> <m:mathPr> <m:mathFont m:val="Cambria Math" /> <m:brkBin m:val="before" /> <m:brkBinSub m:val="&#45;-" /> <m:smallFrac m:val="off" /> <m:dispDef /> <m:lMargin m:val="0" /> <m:rMargin m:val="0" /> <m:defJc m:val="centerGroup" /> <m:wrapIndent m:val="1440" /> <m:intLim m:val="subSup" /> <m:naryLim m:val="undOvr" /> </m:mathPr></w:WordDocument> </xml><![endif]--><!--[if gte mso 9]><xml> <w:LatentStyles DefLockedState="false" DefUnhideWhenUsed="true"   DefSemiHidden="true" DefQFormat="false" DefPriority="99"   LatentStyleCount="267"> <w:LsdException Locked="false" Priority="0" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Normal" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="heading 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 7" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 8" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="9" QFormat="true" Name="heading 9" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 7" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 8" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" Name="toc 9" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="35" QFormat="true" Name="caption" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="10" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Title" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="0" Name="Default Paragraph Font" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="0" Name="Body Text" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="11" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtitle" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="0" Name="Hyperlink" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="22" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Strong" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="0" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Emphasis" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="0" Name="Normal (Web)" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="59" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Table Grid" /> <w:LsdException Locked="false" UnhideWhenUsed="false" Name="Placeholder Text" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="1" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="No Spacing" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" UnhideWhenUsed="false" Name="Revision" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="34" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="List Paragraph" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="29" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Quote" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="30" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Quote" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 1" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 2" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 3" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 4" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 5" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="60" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Shading Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="61" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light List Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="62" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Light Grid Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="63" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 1 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="64" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Shading 2 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="65" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 1 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="66" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium List 2 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="67" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 1 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="68" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 2 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="69" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Medium Grid 3 Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="70" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Dark List Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="71" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Shading Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="72" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful List Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="73" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" Name="Colorful Grid Accent 6" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="19" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtle Emphasis" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="21" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Emphasis" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="31" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Subtle Reference" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="32" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Intense Reference" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="33" SemiHidden="false"    UnhideWhenUsed="false" QFormat="true" Name="Book Title" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="37" Name="Bibliography" /> <w:LsdException Locked="false" Priority="39" QFormat="true" Name="TOC Heading" /> </w:LatentStyles> </xml><![endif]--> <!--[if gte mso 10]></p>
<style>
 /* Style Definitions */
 table.MsoNormalTable
	{mso-style-name:"Table Normal";
	mso-tstyle-rowband-size:0;
	mso-tstyle-colband-size:0;
	mso-style-noshow:yes;
	mso-style-priority:99;
	mso-style-qformat:yes;
	mso-style-parent:"";
	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt;
	mso-para-margin:0cm;
	mso-para-margin-bottom:.0001pt;
	mso-pagination:widow-orphan;
	font-size:11.0pt;
	font-family:"Calibri","sans-serif";
	mso-ascii-font-family:Calibri;
	mso-ascii-theme-font:minor-latin;
	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";
	mso-fareast-theme-font:minor-fareast;
	mso-hansi-font-family:Calibri;
	mso-hansi-theme-font:minor-latin;
	mso-bidi-font-family:"Times New Roman";
	mso-bidi-theme-font:minor-bidi;}
</style>
<p><![endif]--></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">This crisis is definitely the terminal moment of the Bretton Woods system, 1944 version at the end of the World War II and 1971-76 version after the <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nixon_Shock">Nixon shock</a>. Also it’s the bridge for a change in the great power system. In this sense it’s a systemic crisis – not of capitalism as a system, but of the geopolitical, economic and financial system design from the 1940s. It’s completely different from the 1930s, refers Franck Biancheri, the leader of <a href="http://www.newropeans.eu">Newropeans</a>. This is the <strong>first </strong>truly global crisis – a crisis of a world finally truly globalized in finance and economy.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">Paradoxically, he thinks that the Eurozone is a safeguard – the crisis will not be as severe as in the US-UK axis. In geopolitical geography, the G7 is dead, says Franck. The priority is how to substitute the role of the US dollar in the financial and trade system (for instance in commodities). Franck does not expect the euro as the new world currency and do not support the return to the gold standard. A basket of world’s main currencies will be fine.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US"> </span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">PROFILE</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US"> </span></strong></p>
<p style="margin-top: 0cm; text-align: justify;"><span style="font-size: 11pt;" lang="EN-GB">Franck Biancheri, 47, holds a Master in Political Sciences from the Institut d’Études Politiques de Paris (Sciences-Po), is Senior Fellow Researcher for the think-tank </span><span lang="FR"><a href="http://www.europe2020.org/"><span style="text-decoration: none; color: #000000;">Laboratoire Européen d’Anticipation Politique Europe 2020 (LEAP/E2020)</span></a></span><span style="font-size: 11pt;" lang="EN-GB">. He is also editorial adviser to </span><span lang="FR"><a href="http://www.newropeans-magazine.org/"><span style="text-decoration: none; color: #000000;">Newropeans Magazine</span></a></span><span style="font-size: 11pt;" lang="FR"> </span><span style="font-size: 11pt;" lang="EN-GB">and President of </span><span lang="FR"><a href="http://www.newropeans.eu/"><span style="text-decoration: none; color: #000000;">Newropeans</span></a></span><span style="font-size: 11pt;" lang="EN-GB">, the first trans-European political party, launched in June 2005, which will present lists in all EU Member states for the elections to the European Parliament in June 2009. <span> </span>He is also the founder and president of the </span><span lang="FR"><a href="http://www.tiesweb.org/"><span style="text-decoration: none; color: #000000;">TIESWeb</span></a></span><span style="font-size: 11pt;" lang="EN-GB"> Transatlantic Network, launched in 1997 with the joint support of the European Commission and the US Department of State, with the mission to strengthen the transatlantic partnership by promoting dialogue between individuals on a people-to-people level. <span> </span>In 2003, he was elected “</span><span lang="FR"><a href="http://www.time.com/time/europe/hero/poll.html"><span style="text-decoration: none; color: #000000;">one of the 20 2003 Heroes</span></a></span><span style="font-size: 11pt;" lang="EN-GB">” by Time Magazine’s European readers, joining Bono, Zinedine Zidane, Lech Walesa, Vaclav Havel, Tony Blair, or Nelson Mandela. In 2004 he was also elected “among the 25 who change the world” by the 5<sup>th</sup> World Forum on E-Democracy and by PoliticsOnline. In 2006, he became the coordinator of the </span><span lang="FR"><a href="http://www.leap2020.eu/GEAB-in-English_r25.html?PHPSESSID=3d3a2ed478d1c5f8bcc2d100fe70b85d"><span style="text-decoration: none; color: #000000;">Global Europe Anticipation Bulletin (GEAB)</span></a></span><span style="font-size: 11pt;" lang="EN-GB">, the monthly confidential letter of LEAP/E2020. Biancheri is namely the author of <a href="http://www.euractiv.com/en/future-eu/vision-europe-2020/article-117195"><em><strong><span style="font-style: normal;">Vision Europe 2020</span></strong></em></a>, about future EU political trends, published in 2002, thought up by the under 40 European generation at that time.</span></p>
<p style="margin-top: 0cm; text-align: justify;">
<p class="MsoBodyText"><strong><span>Interview by Jorge Nascimento Rodrigues</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: You talk of a systemic crisis. The American political scientist Immanuel Wallerstein has been referring since some time ago the emergence of a systemic crisis, different from previous capitalist crisis. What you mean by systemic and what’s new in the present crisis? </span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: From February 15<sup>th</sup> 2006 on, when we coined the expression “global systemic crisis” in our bulletin (the GEAB N°2), we defined this concept as a general break down of world governance as we knew it in the past decades (essentially since WW II). More specifically, since 1945, and in particular since 1989, the pillar of the “world order” has been the US, mostly relying on a mixture of military and financial supremacy. This leadership was relayed by a certain number of Allied countries, mostly within NATO (in particular UK) in addition with Japan. This is the “world order” which is falling in this global systemic crisis, and which is being progressively replaced by a new architecture of global governance, involving several new players and redefining the very tools of global management. </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: And what means the falling of the present geopolitical world order in economic terms?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: Among other things, as we anticipated since 2006, it means the end of a world financial system organized in a pyramidal way, with Wall Street (New York) on top, seconded by The City (London). On the monetary front, it may be summarized by the expression “the collapse of the Dollar Wall”, to make an analogy with the collapse of the Berlin Wall which marked in 1989 the end of the other dominant player of the post WW II world, the USSR.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span style="font-size: 16pt;" lang="EN-US">Biancheri: «It’s the end of a geopolitical era, not of capitalism»</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: That means a crisis of capitalism as a system?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: In our opinion, this crisis has nothing to do with the end of capitalism or even a crisis of capitalism. It has on the contrary everything to do with the end of a political era which saw the overall global supremacy of one country, the USA; and which has been marked, since the 1970s and Bretton Woods II, by an increasing number of aberrations and excesses in the financial and monetary spheres, due to the diminishing ability of the USA to fulfill its role of global pillar. Atlas is exhausted and his world is falling apart. The systemic nature is therefore highlighting a major point: the crisis affects the very basis of the existing global organization in the fields of finance, currency, economy &amp; politics… It comes from long-term problems which were not addressed in due time. And therefore neither short-term solutions nor ‘more of the same’ actions will be able to curb the crisis development.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span style="font-size: 14pt;" lang="EN-US">Biancheri: « This crisis will be much stronger and will last longer than the 1930s one, especially for the USA which are its epicenter, but also for countries which are heavily integrated within the US economic and strategic sphere. »</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US"> </span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: Is this ongoing crisis similar to the 1930s one?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: In 2007, we called the starting crisis in the USA, the ‘Very Great US Depression’. So this crisis indeed is different from the 1930s one in many ways. First, today’s world is far more integrated than in the 1930s so this crisis is definitely the first ever truly ‘global crisis’. The 1930s one was essentially limited to the USA and Europe. Second, our societies depend much more on the financial sphere than 80 years ago, so the impact of the financial meltdown is going to affect more deeply and more durably our societies. Third, the USA, which is the epicenter of the current global crisis, was an ascendant world power in the 1930s when now it is a decaying one. So the crisis impact will reinforce the downward trends affecting the USA today, when in the 1930s the crisis impact was strongly diminished by the upward trend affecting the USA at that time. All in all, LEAP/E2020 has been repeatedly underscoring for almost three years that this crisis will be much stronger and will last longer than the 1930s one, especially for the USA which are its epicenter, but also for countries which are heavily integrated within the US economic and strategic sphere. This crisis is definitely the terminal moment of the Bretton Woods system, 1944 version &amp; 1971-76 version.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span style="font-size: 14pt;" lang="EN-US">Biancheri: « Within the Eurozone we will see a ‘normal’ recession or more probably stagnation or small magnitude stagflation with growth comprised between minus 1 and plus 1 per cent till 2011; while in the USA we are talking of a long depression (about a decade), with negative growth of an average of minus 2% for the coming 2/3 years, involving therefore social unrest, loss of global clout, and so on and so forth. UK will follow a similar pattern. »</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: Do you see essential differences between the US and the European crisis?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: The major difference is going to be between the USA and the Eurozone. EU member states outside the Eurozone will be affected more severely than Eurozone ones. And some of them more integrated to the US economic and strategic sphere such as UK for instance, will be at least as affected as the USA if not more. Within the Eurozone we will see a ‘normal’ recession or more probably stagnation or small magnitude stagflation with growth comprised between minus 1 and plus 1 per cent till 2011; while in the USA we are talking of a long depression (about a decade), with negative growth of an average of minus 2% for the coming 2/3 years, involving therefore social unrest, loss of global clout, and so on and so forth. UK will follow a similar pattern. </span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: You think the Eurozone will thrive, now, better than the Atlantic US-UK axis, the innovation engines in economy and finance of the previous crisis in the last century?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: To put it simply: within the Eurozone, on average, we don’t foresee like in the case of the USA (and UK) a decade-long loss of manufacturing capacities, a huge housing bubble, a collapse of top financial institutions, a general bailout of an increasing number of major companies in all kinds of sectors (banks, insurances, manufacturers,…), a deficit situation at every level (local authorities, federal authorities, households, trade, payments,…).</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: The Eurozone is a truly safeguard against default and financial meltdown? Do we need in Europe other collective institutional tools for crisis management other than the ECB?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: Yes, as I just said, the Eurozone is acting as the best protection against the current economic tsunami. If we may take an analogy, to resist the tsunami, some countries are sitting on multifloor concrete buildings (that&#8217;s the case of the Eurozone), while others have only groundfloor concrete buildings (Japan, China for instance), and others only groundfloor or multifloors wooden buildings (USA, UK for instance). But the eurozone situation is far from perfect. There is an obvious need for regular meetings of the Eurozone summit now that it was gathered once last November. It should take place the day before every EU summit (every 4 months). There is a need for a kind of Secretariat of the Eurozone which will coordinate economic policies and serve as the daily interlocutor to the ECB on the one hand (in charge of monetary matters) and with the EU Commission &amp; Parliament (in charge of the whole EU area). These two “instruments” are pre-requisite in order to have a pro-active Eurozone rather than a reactive one.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span style="font-size: 14pt;" lang="EN-US">Biancheri: «The existence of a developed social system is the big asset of Europe compared to the USA or Asia which don&#8217;t have them and will be faced by the emergency of having to build them from almost scratch, or face social unrest on a large scale. »</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: From the medicines already applied in the US and in Europe which do you think are effective?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: To prevent major banks to collapse by injecting public funds within their capital and having the states taking the required share of power at their board has been, when done, an efficient emergency solution. On the contrary, buying out distressed assets, or not taking a share of power in banks when public capital is injected, are inefficient measures. The distressed assets buyout is only pushing towards the state (and ultimately the taxpayer) the cost of getting out of the mess. And not entering the bank&#8217;s board is only making more probable that in a few months, because banks are not delivering the loan increase to the economy they promised, the very same banks will have to be fully nationalized.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: What must be the priorities?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: Overall, there are two priorities in the coming 2/3 months: a) initiating major infrastructure investment plans which in a year time will start creating lots of new jobs and adapt our infrastructure&#8217;s to tomorrow&#8217;s world; b) preparing our social systems to a major wave of unemployment in 2009/2010 so that they can both face an increase in number of unemployed people and an increase in the duration of the unemployment period. The existence of a developed social system is the big asset of Europe compared to the USA or Asia which don&#8217;t have them and will be faced by the emergency of having to build them from almost scratch, or face social unrest on a large scale.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: Do you think deflation (induced by the recent crash in commodity prices, particularly oil) is now the “public enemy”?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: No. We are seeing a transitory deflation of asset prices which skyrocketed for speculative reasons. But the amazing money creation, especially in the US which is printing money like never before, or the major use of debt to pay their way out of the crisis, again in the USA and also in UK, will result into strong inflation in these countries. </span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span style="font-size: 14pt;" lang="EN-US">Biancheri: « This transition period should not last more than a year. The G20 will start operating as a new “engine” for global governance when it will address the core issue of &#8216;how to replace the US Dollar as the core of the international monetary system?&#8217;. »</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: What do you expect from the next G20 meeting?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: The G20 meetings are showing that global economic and financial governance by the Anglosphere plus EU and Japan is finished. Other players are getting into the game and will not get out of it from now on. But, having said that, for the moment the new players still play by the old rules. This transition period should not last more than a year. The G20 will start operating as a new “engine” for global governance when it will address the core issue of &#8216;how to replace the US Dollar as the core of the international monetary system?&#8217;. Till then, it will only be a discussion forum. I don&#8217;t expect the next meeting in London to be more than that. Most probably, the 3<sup>rd</sup> meeting, if organized by summer 2009, will start becoming something else. For that to happen it must be organized outside the USA or UK (the two anchors of the collapsing financial system); Geneva or Vienna could be good locations, or Singapore or Tokyo); and it must put upfront the core question of the US Dollar on the table.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: Who will be the best candidate to substitute the US dollar as international reserve and trade currency – the euro? Or we will return to the gold standard?</span></strong><span lang="EN-US"><br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: </span><span lang="EN-US">No we don&#8217;t believe to a return to gold as the modern economy is too complex now to be related to one single physical value, especially one which is distributed worldwide without any connection to the respective weights of major world economies. And the instability created by a reference currency controlled by a single political entity as it is the case for the US Dollar clearly makes the case against any attempt for the Euro to play such a role.  We think that the coming years will see the emergence of a global reserve currency (which could be called the &#8220;Global&#8221;)</span><span style="font-size: 10pt; font-family: " lang="EN-US">. Only a complete overhaul of the system, involving the establishment of a global currency of reference based on a basket of world’s main currencies, can prevent the world from entering into a depression and its related stream of crises.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span style="font-size: 14pt;" lang="EN-US">Biancheri: « I am very afraid that Barak Obama and his team still belong to the &#8216;old political class&#8217;. When looking at his team of economic advisers or officials, you can only notice that they all come from yesterday. »</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: And from the new US Administration? Obama is part of your required 20 percent renewal of the political world class?</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: The new US administration is facing a task of historic proportion, but I am very afraid that Barak Obama and his team still belong to the &#8216;old political class&#8217;. When looking at his team of economic advisers or officials, you can only notice that they all come from yesterday. People like Laurence Summers have been directly responsible of the big Wall Street mess of the past decade (when they orchestrated in 1999 the suppression of Great Depression regulations preventing the banks to behave as they just did these past years). And Timothy Geithner is one of the three major decision-makers (together with Paulson and Bernanke) of the failed interventions of the past year. Meanwhile, Obama and his team only discovered the crisis at the same time as every single American citizen when it exploded mid September 2008. Their program is a classical &#8216;democratic&#8217; one, to which they just intend to put more money to fight the crisis. Just think that Obama explained that his stimulus plan will create or preserve 2.5 million jobs (if it works)… with unemployment growing up at more than 500,000 jobs per month, it will not even be sufficient to compensate for job losses of the next 6 months. We are clearly far from the required measures. And when he says that in such a period of crisis &#8216;deficits don&#8217;t matter&#8217;, he just seems to ignore that those deficits are a key factor which triggered the current crisis. Last but not least, LEAP/E2020 thinks that the clear indication that a political leader will start dealing efficiently with the crisis in the USA will come when somebody will put clearly in the US public debate that without diminishing by 50% the US military spending, there is no way out of the &#8216;Very Great US Depression&#8217;. Not that the US military budget is the only problem to solve in this country, but it is a kind of strategic &#8216;Gordian knot&#8217;. Without slicing it, there is no way for the US to elaborate its required new vision to get out of the depression.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span style="font-size: 14pt;" lang="EN-US">Biancheri: «</span></strong><strong><span style="font-size: 14pt;" lang="EN-US"> The point which remains to be seen is whether the USA will take a pro-active approach to the down-scaling of its military power and therefore that they will try to anticipate it and to organize it. Or whether it will be imposed to it by the defaulting of the US government. »</span></strong><strong></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US"> </span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: That will mean a big downgrade of the hegemonic image and capacity of hard power of the US. Do you think the American Administration is in bankruptcy to be forced to do that, or even politically pressed to accept its fall from the superpower status?<br />
<!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: We think at LEAP/E2020 that, regarding this matter, the direction is from now on set by unstoppable historic trends. The hegemonic image of the USA is already a thing of the past or good for Hollywood movies only: Iran, Georgia, North Korea, the mess in Iraq, the quagmire in Afghanistan are there to prove it. The point which remains to be seen is whether the USA will take a pro-active approach to the down-scaling of its military power and therefore that they will try to anticipate it and to organize it. Or whether it will be imposed to it by the defaulting of the US government. In any case, lots of US bases throughout the world will soon be for sale.<br />
There are lots of talks among Western elites about Obama being the new Roosevelt or Kennedy. For LEAP/E2020 the question is essentially whether he will be &#8220;Gorbama&#8221; (or &#8220;Obatchev&#8221;) and therefore avoid the use of the country&#8217;s military strength to hopelessly try to retain in super-powership; or if the new president will succumb to the classical imperial temptation of using military force to try to stay on top. We will only start to have clues about that by mid 2009.</span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><strong><span lang="EN-US">Q: But Gorbatchev was the trigger for the Soviet Union superpower implosion. Geopolitics has horror to vacuum…</span></strong></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US"> </span></p>
<p class="MsoBodyText"><span lang="EN-US">FB: This time the vacuum will be filled indeed by several powers.</span></p>
<p><!--[if !supportLineBreakNewLine]--><br />
<!--[endif]--></p>
<p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"><span lang="EN-US"> </span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://janelanaweb.com/trends/the-first-ever-truly-global-crisis-an-interview-with-franck-biancheri-from-the-newropeans/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>1</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

<!-- Performance optimized by W3 Total Cache. Learn more: http://www.w3-edge.com/wordpress-plugins/

Page Caching using disk (enhanced)

Served from: janelanaweb.com @ 2012-05-22 22:48:23 -->
