Janela na web » Inner Mongolia Baotou Steel http://janelanaweb.com O seu portal de Management em Português desde 1995. Editado por Jorge Nascimento Rodrigues Sun, 03 Jan 2016 13:17:02 +0000 pt-PT hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.1 O ouro do século XXI, segundo o holandês Derk Bol http://janelanaweb.com/novidades/o-ouro-do-seculo-xxi-segundo-o-holandes-derk-bol/ http://janelanaweb.com/novidades/o-ouro-do-seculo-xxi-segundo-o-holandes-derk-bol/#comments Sat, 23 Jul 2011 22:26:30 +0000 http://janelanaweb.com/?p=959 Se os metais básicos e o carvão dominaram a Revolução Industrial e o petróleo e o silício o século XX, as matérias-primas críticas para a alta tecnologia vão dominar o século XXI, serão o ouro deste século.

Derk Bol

O maior risco de fornecimento no futuro face ao disparo da procura e a barreiras protecionistas à sua exportação concentra-se em nove materiais críticos – as denominadas terras raras (ou metais raros que formam um grupo de 17 dividido em “pesados” e “leves”), o grupo das platinas, o germânio, o antimónio, o magnésio, o gálio, o índio, o nióbio e o volfrâmio (ou tungsténio, que atingiu picos de produção em Portugal nos anos da Segunda Guerra Mundial e da Guerra da Coreia).

A União Europeia definiu esses materiais como críticos para a sua economia pois em alguns casos depende do exterior em termos líquidos a 100%, como sucede com os metais raros, as platinas, o antimónio e o nióbio.

Vantagem estratégica da China

Em sete casos a geografia da extração e produção das matérias-primas críticas está localizada na China, que desde os anos 1990 iniciou uma estratégia de domínio mundial da oferta destes materiais: 97% da produção de metais raros (particularmente na região da Mongólia Interior onde são extraídos em condições infra humanas), 87% do antimónio, 84% do volfrâmio, 83% do gálio, 82% do magnésio, 79% do germânio e 60% do índio. Os restantes grandes produtores nestes materiais críticos são o Brasil, que domina 90% da produção de nióbio, e a África do Sul que detém 77% da produção de platina. Em suma, 3 dos atuais BRICS (a nova designação para o grupo formado pelo Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

Para o controlo mais efetivo do sector das terras raras a empresa chinesa Inner Mongolia Baotou Steel Rare-Earth Hi-Tech Co Ltd, que é o maior produtor mundial, anunciou a criação de uma bolsa para estas matérias-primas.

A China iniciou já o controlo das exportações nos metais raros, volfrâmio, índio e magnésio, quer através de limitações à exportação – cujos cortes variam entre 37% e 50% – em 2011, bem como a imposição de uma taxa aduaneira de exportação nas terras raras. “A China é o principal ganhador no atual cenário de fornecimento às altas tecnologias”, refere-nos Derk Bol, cientista do Materials Innovation Institute, em Delft, na Holanda, que apresentou recentemente em Bruxelas um estudo sobre os materiais críticos. Razões geopolíticas ou de flutuação dos preços em virtude das expectativas dos produtores e intermediários vão trazer muita volatilidade a este sector, refere o especialista.

Bol considera, no entanto, que a atual vantagem geoeconómica da China poderá empurrar outros países do mundo a reativarem a produção e a procurarem alterar a correlação de forças neste campo. “Reabrir velhas minas de metais raros, por exemplo, como a de Mountain Pass no sul da Califórnia, nos Estados Unidos, ou novas minas na Austrália, poderá ser um caminho, ou começar a extrair esses metais raros de minas que estão atualmente a produzir metais básicos como o cobre. As terras raras em muitos casos são subprodutos da mineração de metais básicos. Mas isso levará alguns anos – até lá, claro, a China terá essa vantagem estratégica tanto económica como geopoliticamente”, afirma mostrando um gráfico de evolução destes materiais em que, depois da “era americana”, se poderá seguir a “era chinesa”.

Da era americana à era chinesa?

Respondendo ao desafio, a Molycorp americana, que detém a famosa mina de Mountain Pass, realizou uma entrada em bolsa no ano passado levantando 500 milhões de dólares para reabri a mina e em novembro surgiu um primeiro fundo de investimento transacionável em bolsas, o Market Vectors Rare Earths/Strategic Metals (REMX), cotado no New York Stock Exchange. O Congresso norte-americano quer construir uma reserva estratégia de terras raras para a área militar.

Disparo da procura

O cientista holandês salientou que em quatro casos – gálio, índio, germânio e platina – o disparo da procura vai ser brutal. Em 2030 estima que a procura do gálio multiplicará por mais de 6, a do índio mais de 3 vezes, a do germânio mais do dobro e a da platina uma vez e meia. Este aumento extraordinário da procura dever-se-á ao desenvolvimento de sectores como o fotovoltaico, dos ecrãs planos e táteis, dos semicondutores emissores de luz, dos cabos de fibra ótica, das tecnologias óticas, do filme solar, das baterias de alto desempenho, das células de combustível e dos catalisadores.

A União Europeia, no âmbito da “Iniciativa Matérias-Primas”, definiu em 2008 que os materiais críticos são fundamentais em indústrias que vão marcar a economia do futuro: automóvel movido a energias alternativas, produção e armazenagem de energia, conservação da energia, proteção ambiental, maquinaria de alta precisão (envolvendo nanotecnologia), miniaturização tecnológica, processadores e circuitos integrados, e eletrónica de consumo. Já sem falar na indústria militar mais sofisticada, como sistemas de mísseis, visão noturna, navegação e radares.

Os “metais de alta tecnologia” têm hoje uma alta visibilidade mediática no caso dos automóveis híbridos ou movidos a eletricidade Um Prius da Toyota usa 25 quilogramas deste tipo de materiais.

Risco de guerras

A escassez deste tipo de materiais cruciais para as novas tecnologias não seria nenhuma novidade. No passado recente houve problemas com o fornecimento de silício para o sector dos painéis solares (90% ainda se baseiam no silício) e em 2000 ocorreu a crise do tântalo para os telemóveis.

Derk Bol admite inclusive que pode haver o risco de guerras por estes recursos, mas sublinha que “podem ser evitadas se o comércio livre destas matérias-primas for feito através da Organização Mundial do Comércio. Em pequena escala, elas já são motivo de disputas fronteiriças”.

Substituir estas matérias-primas críticas por novos materiais artificiais pode ser um caminho para evitar esse stresse económico e político, mas o especialista holandês adverte que “não é uma solução de curto prazo; em geral isso leva 5 a 10 anos”. Pelo que o cientista holandês considera a reciclagem e a eficiência no design dos produtos e da cadeia de produção como enormes ajudas para contrabalançar o risco de escassez e controlo geopolítico das matérias-primas críticas.

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