Janela na web » Jyrki Katainen http://janelanaweb.com O seu portal de Management em Português desde 1995. Editado por Jorge Nascimento Rodrigues Sun, 03 Jan 2016 13:17:02 +0000 pt-PT hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.1 Suomi-sarilho: balanço das eleições na Finlândia http://janelanaweb.com/novidades/suomi-sarilho-balanco-das-eleicoes-na-finlandiao-distante-pais-dos-mil-lagos-tornou-se-subitamente-um-tema-politico-quente-na-periferia-da-zona-euro-portugal-e-o-primeiro-na-linha-do-tsunami-de-efei/ http://janelanaweb.com/novidades/suomi-sarilho-balanco-das-eleicoes-na-finlandiao-distante-pais-dos-mil-lagos-tornou-se-subitamente-um-tema-politico-quente-na-periferia-da-zona-euro-portugal-e-o-primeiro-na-linha-do-tsunami-de-efei/#comments Mon, 18 Apr 2011 09:55:51 +0000 http://janelanaweb.com/?p=849 A expressiva votação no partido populista Verdadeiros Finlandeses veio baralhar as contas da próxima coligação governamental em Helsínquia.

Quatro temas quentes europeus – o resgate a Portugal em curso de negociação técnica, a renegociação dos juros para o caso da Irlanda, o risco de uma re-estruturação da dívida grega antes do desejado por Bruxelas, pelo Banco Central Europeu e pelo Fundo Monetário Internacional, e a aprovação do mecanismo europeu de estabilização (MEE) para funcionar a partir de meados de 2013 – entraram numa zona de incerteza.

A reunião do Ecofin (onde a Finlândia participa dado ser membro da zona euro) de 16 de maio e a cimeira europeia dos 27 membros da União Europeia em final de junho entraram em contagem decrescente com a espinha do país dos mil lagos – Suomi – na garganta.

O cisne cinzento: os Verdadeiros Finlandeses

“Apesar do partido mais votado ter sido o Kansallinen Kokoomus (KoK) – um partido liberal-conservador de centro-direita, pró-europeu e membro do Partido Popular Europeu (PPE) , que acabou por obter 44 dos 200 deputados do Parlamento da Finlândia, o grande vencedor foi o partido Perussuomalaiset (Verdadeiros Finlandeses), um partido populista antieuropeu fundado em 1995, que subiu de 5 para 39 deputados”, refere ao Expresso Luís Alves, responsável pelo blogue mokkikunta.org , co-editor do site Lusofin.com e membro do magazine diário online Ovi Magazine.

O quadro político tradicional do distante e pacato país da Nokia formado por três grandes partidos clássicos – o KOK (Partido da Coligação Nacional, membro do Partido Popular Europeu), o Sosialidemokraattinen Puolue (SDP, Partido Socialdemocrata, também conhecido por Demarit, similar ao PS português) e o Suomen Keskusta (SK, Partido do Centro, um partido municipalista e rural) – foi profundamente abalado por um “cisne cinzento” (o partido dos Verdadeiros Finlandeses) que se afirmou no lago. [Não é um “cisne negro”, de todo surpreendente, impensável, pois já rondava o lago há algum tempo, sendo previsível a sua subida eleitoral meteórica].

Os Verdadeiros Finlandeses alcançaram 19 % dos votos, mais do que as sondagens apontavam, colocando-se como a terceira força do país. Foi o único partido a aumentar a percentagem de votos nestas eleições (quase 15 pontos percentuais), o que reflete uma clara deslocação do eleitorado finlandês para as posições populistas. O partido mais penalizado foi o SK, o partido do centro, que havia ganho as eleições anteriores e liderava a anterior coligação governamental com o KOK, os Verdes e o Partido Popular Sueco.

Sarilho certo

O que é certo é que dois dos três partidos mais votados – os populistas e os social-democratas – pronunciaram-se negativamente sobre o resgate a Portugal. “É impossível dizer, por agora, qual vai ser o impacto. Uma coisa é certa, as políticas face à União Europeia e à zona euro vão mudar. Claro que depende da coligação que surja no final de umas negociações que vão ser duras e vão durar algum tempo”, adverte Matti Pohjola, professor de Economia da Universidade de Aalto, no centro de Helsínquia.

Opinião partilhada por Elina Berghall, economista do Instituto Governamental de Investigação Económica (VATT): “É claro que os Verdadeiros Finlandeses não podem ser arredados das negociações que vão decorrer. Ora, a atitude deles somada à dos social-democratas, que foram o segundo partido mais votado, promete sarilho nas negociações sobre o apoio aos países da zona euro com crise de dívida”. A economista acrescenta: “Julgo que é provável que estes partidos críticos exijam uma solução mais sólida para acabar com a constante reemergência das crises de dívida na zona euro, quer isso signifique exigência de uma reestruturação dessas dívidas, uma saída da Finlândia, na medida do possível, da participação nesses pacotes de resgate, ou outra solução qualquer”.

Para Paavo Okko, vice-reitor da Escola de Economia e de Gestão da Universidade de Turku, “estes resultados poderão sinalizar uma posição mais euro-cética também em outros países na Europa”, e crê que o melhor “do ponto de vista finlandês é que o fundo de resgate a Portugal seja organizado sem garantias extra da Finlândia”.

Xadrez confuso

O xadrez político está, de facto, confuso. A geometria da próxima coligação é variada e, em alguns casos, as alianças potenciais são contra-natura, como a junção num mesmo governo dos três partidos mais votados, colocando à mesma mesa social-democratas e populistas.

Uma coisa parece certa, a de que o novo governo será liderado por Jyrki Katainen, leader do Kokoomus, o partido ganhador. Katainen foi o ministro das Finanças na coligação anterior e um dos críticos mais contundentes da situação portuguesa no último Ecofin em Budapeste. “Mas outro cenário possível poderá passar por uma coligação que inclua dois pequenos partidos – o Suomen Kristillisdemokraatit (cristãos-democratas, com 6 lugares no parlamento) e o Partido Popular Sueco (Suomen ruotsalainen kansanpuolue, que representa os interesses da minoria sueca no país, e que dispõe de 9 lugares)”, refere Luís Alves.

O partido mais votado nas anteriores eleições, o SK, o principal derrotado, bem como
o Vihreä liitto (Verdes) e o Vasemmistoliitto (Aliança de Esquerda, similar ao Bloco de Esquerda português, que obteve 8,1%, e 14 lugares, sendo a quinta força política do país), deverão colocar-se na oposição.

Opinião popular radicalizada

Mesmo que as negociações conduzam a uma coligação mais “suave” face aos problemas pendentes da zona euro, a opinião popular está muito radicalizada. “Segundo uma recente sondagem do canal televisivo finlandês MTV3, uma clara maioria dos finlandeses – cerca de 60% – opõe-se ao pacote de resgate previsto para os países da zona euro em dificuldades financeiras. A maior percentagem de rejeição do FEEF (Fundo Europeu de Estabilização Financeira) verificou-se nas regiões do Norte da Finlândia, onde o desemprego é mais elevado. Tal como os Verdadeiros Finlandeses, também os partidos de esquerda, incluindo o SDP, se opõem ao pacote europeu de resgate financeiro, embora de forma diversa”, adianta Luís Alves.

Por isso a volatilidade da situação é alta. Ainda que seja de admitir alguma flexibilidade política no final. “É previsível que flexibilizem posições, tendo em conta a tradição consensual dos finlandeses na formação de largas coligações governamentais”, admite Luís Alves.

Paavo Okko deixa uma esperança, a finalizar: “Mesmo que seja difícil formar o novo governo, não creio que a sua política europeia venha a ser muito diferente. Os conservadores do KOK e os social-democratas são basicamente partidos pró-europeus. O partido populista de Tino Soini até pode ser deixado fora da coligação, se tomar posições excessivas contra a estabilização do euro”.

O tema finlandês entrou definitivamente na agenda portuguesa. “Vejamos o que sucede”, conclui Paavo Okko.

Resultados Eleitorais

KOK: 20,4%, 44 lugares no Parlamento (perdeu 6 lugares)

SDP: 19,1%, 42 lugares (perdeu 3)

Verdadeiros Finlandeses: 19%, 39 lugares (ganhou 34)

Centro (SK): 15,8%, 35 lugares (perdeu 16), principal derrotado, perdeu a liderança da coligação governamental

Aliança de Esquerda: 8,1%, 14 lugares (perdeu 3)

Verdes: 7,2%, 10 lugares (perdeu 5)

Partido Popular Sueco da Finlândia: 4,3%, 9 lugares (manteve a representação parlamentar)

Cristãos-democratas (KD): 4%, 6 lugares (perdeu 1)

Nota: O artigo contou com a colaboração muito importante de Luís Alves.

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