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	<title>Janela na web &#187; Milton Friedman</title>
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	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
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		<title>“Euro: uma missão difícil, mas não impossível” (Bill Witherell)</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Apr 2010 22:45:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A Grécia foi ao mercado “testar” a confiança e sofreu um agravamento da probabilidade de bancarrota do país. Juntou-se a Irlanda, o ex-tigre celta, que viu, também, disparar o seu risco, ultrapassando o português. A zona euro sofreu novas ondas de choque aqui analisadas por Bill Witherell, economista-chefe da Cumberland Advisors. Estará o euro em "morte lenta"?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O CONTEXTO</strong></p>
<p><ins datetime="2010-04-04T23:30" cite="mailto:JNR"> </ins></p>
<p>Foi, de novo, uma semana “quente” na zona euro em duas “periferias” distantes uma da outra.</p>
<p>A Irlanda “descobriu” que o lixo tóxico do seu sistema financeiro monta a 81 mil milhões de euros, quase metade do seu PIB de um ano, e o ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan, anunciou um plano de salvação massivo de recapitalização de bancos e de estabelecimentos de crédito mútuo, que deverá envolver mais 15 a 20 mil milhões de euros. A Irlanda não conseguiu, ainda, em Janeiro sair da recessão, com um decréscimo do PIB de 1,28%, depois de dois anos no negativo. O resultado deste agravamento da situação foi o aumento rápido da probabilidade de incumprimento da dívida soberana irlandesa (12,24%, no fecho na sexta-feira) que ultrapassou o risco português (12,13%).</p>
<p>Por outro lado, a Grécia realizou duas operações de financiamento da dívida que não correram bem. Foi o primeiro “teste” à forma como os mercados financeiros encaram a situação depois do compromisso de Bruxelas para estender uma bóia de salvação a Atenas. Os mercados deram o sinal que só acreditam na solução como São Tomé: ver para crer. A probabilidade de <em>default</em> grego disparou, de novo, e mantém o país no 7º lugar (26,11%) no <em>ranking</em> mundial de risco de bancarrota. A Grécia ultrapassou a Islândia (24,21%) e a Letónia (21,38%, que desceu para 10º na lista, fruto do programa do FMI em curso) e aproximou-se do Dubai (27,34%).</p>
<p>O impacto desta turbulência nas duas “periferias” do euro preocupa <a href="mailto:Bill.Witherell@Cumber.com">Bill Witherell</a>, economista-chefe global da Cumberland Advisors, uma firma gestora de fundos à escala mundial, que considera o euro ainda “adolescente” uma missão difícil, mas não impossível, e nesse campo desmente o prognóstico aziago de Milton Friedman, o “papa” do monetarismo.</p>
<p>Estará o euro em &#8220;morte lenta&#8221;? Bill diz que não.</p>
<p><strong>ENTREVISTA a Bill Witherell </strong>por Jorge Nascimento Rodrigues (c) 2010</p>
<p><em>P: O prognóstico de <a href="http://www.digitalnpq.org/articles/economic/36/12-01-2005/milton_friedman">Milton Friedman</a>, há cinco anos atrás, de que a zona euro não sobreviveria mais do que uma ou duas décadas, pois não tinha precedente histórico, está cada vez mais próximo de se concretizar, face ao que ocorreu com a crise grega?</em></p>
<p>R: Parece-me que a história, neste caso, estará errada. Mas não creio que a crise grega seja um problema temporário. Ela revelou, de facto, um problema fundamental – a falta de meios de coordenação de políticas económicas na zona euro. Julgo que os membros do euro acabarão por trabalhar estreitamente para reduzir o problema. Não será fácil nem rápido, mas a alternativa não é aceitável.</p>
<p><em>P: Mas a zona euro actual não será uma missão impossível em virtude da assimetria gritante entre os seus membros e do facto do próprio Banco Central Europeu ter funções limitadas?</em></p>
<p>R: É uma missão difícil, mas não impossível. É possível que um, ou mesmo vários membros acabem por decidir que a missão é demasiado difícil para eles e saiam. Mas, a meu ver, essas saídas não destruirão o euro.</p>
<p><strong>FME não é concretizável no futuro próximo</strong></p>
<p><em>P: Um <a href="http://geoscopio.tv/2010/02/gestao-do-risco/sugestao-de-criacao-de-um-fundo-monetario-europeu/">Fundo Monetário Europeu</a> (FME) é viável?</em></p>
<p>R: Viável é, não creio é que seja concretizável no futuro próximo. A proposta vai no sentido da necessidade de uma mais estreita cooperação nessa área, mas a forma dessa cooperação será provavelmente diferente.</p>
<p><em>P: A Estónia é o próximo país a aderir ao euro, já em 2011, segundo o plano de alargamento desta zona monetária. A entrada irá para a frente, ou o processo poderá ser parado?</em></p>
<p>R: Poderá haver hesitações, inclusive dos dois lados, mas creio que a Comissão Europeia manterá o objectivo.</p>
<p><em>P: Correm rumores na imprensa alemã de que Angela Merkel quer travar novos passos no processo de integração monetária. Fala-se mesmo de uma mudança de estratégia. A Alemanha pode dar-se ao luxo disso?</em></p>
<p>R: Não me admiraria que a Alemanha venha a resistir a deixar entrar mais economias fracas na zona euro. Mas nos mercados financeiros não há ainda informação de que tenha mudado de posição quanto ao essencial.</p>
<p><strong>Pouco provável que dólar chegue à paridade com o euro</strong></p>
<p><em>P: Poderemos regressar à paridade euro-dólar, algo que ocorreu na primeira fase do euro (entre Março de 1999 e Janeiro de 2000) e mais tarde entre Novembro de 2002 e Abril de 2003? Há muitos especuladores a apostarem nessa meta até final do ano.</em></p>
<p>R: O euro poderá reconquistar algum do terreno perdido desde o princípio do ano, mas esse ganho será limitado a meu ver. Eu antecipei que o dólar se fortaleceria este ano, mas não arrisco dizer que chegue à paridade com o euro. Acho inclusive que um euro menos revalorizado face ao dólar poderá proporcionar um ganho de competitividade cambial aos países exportadores da zona euro, num período em que o crescimento fora da zona euro está a ocorrer aceleradamente.</p>
<p><em>P: A zona euro poderá sofrer um abanão muito mais sério se algum “cisne negro” aparecer, como uma crise de confiança dos mercados financeiros em relação a Espanha, Itália ou Bélgica, ou até uma recaída na Irlanda? O mercado dos </em>credit default swaps<em> relativos à dívida soberana de Espanha, Irlanda e Itália, tem estado, de novo, esta semana, em alta&#8230;</em></p>
<p>R: Sim, isso será um desafio à zona euro muito maior do que o provocado pela Grécia. Mas, por definição, os “cisnes negros” não se antecipam – não são esperados. São imprevisíveis.</p>
<p><em>P: Talvez um “cisne cinzento”, como Nassim Taleb, também, alvitra&#8230; Esses eventos extremos “cinzentos” são mais “modeláveis”, diz ele.</em></p>
<p>R: Bom, quanto mais cedo as reformas necessárias forem feitas quer na zona euro (maior coordenação) quer, em termos orçamentais, a nível de cada país membro, mais resiliente será a zona euro face a esses “cisnes cinzentos” ou mesmo “negros”.</p>
<p><strong>Hipótese de crise no Reino Unido agravará a situação da Europa</strong></p>
<p><em>P: Um problema sério no Reino Unido – a agência de notação S&amp;P acaba de manter a sua perspectiva negativa sobre este país -, ainda que não seja membro da zona euro, poderá ter um impacto colateral sério na moeda única?</em></p>
<p>R: Uma economia inglesa fraca afectará as exportações da zona euro, tal como um enfraquecimento da libra. Não creio que os problemas do Reino Unido ajudem a zona euro.</p>
<p><strong><em>EPISÓDIOS RECENTES</em></strong></p>
<p><em>P: Na última semana, fomos surpreendidos com novas nuvens cinzentas sobre a Irlanda. A probabilidade de incumprimento da dívida soberana aumentou de tal modo que ultrapassou a própria probabilidade de </em><em>default relativa a Portugal. Que “cisne negro” apareceu?</em></p>
<p>R: Veja-se o que se está a passar com os bancos irlandeses. O ministro das Finanças irlandês divulgou a extensão dos problemas financeiros do sistema financeiro do país.</p>
<p><em>P: Também a probabilidade de </em>default <em>da Grécia voltou a disparar. Os mercados não acreditam na solução mista de Bruxelas ou estão a empurrar os gregos para os braços do FMI?</em></p>
<p>R: Recorde-se que a Moody’s cortou a notação de bancos gregos. E, de acordo com o Financial Times, a mesma agência de <em>rating</em> teria dado uma notação negativa para quase 20 mil milhões de euros de operações financeiras estruturadas. Não me surpreende, por isso, a reacção desses mercados.</p>
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		<title>Ascensão e Coma do “liberalismo” – hipótese de investigação</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 23:42:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No âmbito de um projecto sobre globalização, liberalismo e totalitarismo no capitalismo pós-Revolução Industrial, desenvolve-se, aqui, como hipótese de investigação uma periodização sobre a ascensão e coma do liberalismo (no sentido que é dado na Europa e na América Latina a este ‘ismo’), bem como algumas pistas para a fase actual do pensamento em política económica na nova vaga de globalização em curso. Assim, agradecemos todos os comentários e críticas.

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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">O pensamento liberal na economia teve um processo evolutivo que, em muitos aspectos, acompanhou as vagas de globalização.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Apesar de não desenvolvermos esse ponto neste texto, as fases do liberalismo económico associaram-se a fases geopolíticas distintas da projecção externa das duas grandes potências (Inglaterra e Estados Unidos) que dominaram os ciclos geopolíticos desde o século XVIII.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Apenas, em relação, à fase final, que corresponde à Administração W. Bush, nos referimos directamente ao facto do neo-liberalismo se ter “embutido” no plano de projecção externa norte-americana.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Como nota final introdutória, quando aqui falamos de pensamento liberal não nos referimos aos movimentos políticos liberais do século XIX (às revoluções oitocentistas por toda a Europa e América Latina) nem ao pensamento político de oposição ao totalitarismo e pela sociedade aberta durante o século XX, particularmente durante o domínio do fascismo e ao longo da emergência e afirmação do totalitarismo soviético.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>Cinco fases do pensamento liberal em economia</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Sobre a evolução do liberalismo em economia podem referir-se, como hipótese, cinco “fases” até ao seu coma actual:</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- A dos fundadores clássicos da <strong>Economia Política</strong> (a começar em 1776, em Inglaterra, com <strong>A Riqueza das Nações</strong>, de Adam Smith), que geraram dois pilares do liberalismo económico original: 1) a atribuição de um estatuto excepcional ao mercado (o que denominaremos de “excepcionalismo” do <em>free market</em>) em relação ao qual o Estado deveria ter uma postura máxima de “laissez faire”, tendo em conta a capacidade do mercado de actuar espontaneamente como uma &#8220;mão invísivel&#8221; (uma expressão que, curiosamente, Adam Smith, o seu pai, usa escassamente, mas que ficou para a História, para surpresa do próprio); 2) o de suporte ideológico e político, a partir de 1860, de um moderno capitalismo financeiro que geraria uma nova fase de globalização marcada pela projecção externa do que se designou por “imperialismo” europeu, japonês e depois americano durante o final do século XIX e primeiras décadas do século XX;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- <strong>A reacção ao keynesianismo e ao totalitarismo nos anos 1930 a 1950</strong>. De destacar dois aspectos: 1) o debate em Inglaterra sobre política económica e monetária (a polémica Keynes-Hayek nos anos 1930 sobre como deveria o Estado democrático lidar com a Grande Depressão, ganha por Keynes); 2) o debate político mercado capitalista vs. planificação socialista (uma discussão que tinha por pano de fundo o ponto de vista corrente na maioria da esquerda de que a planificação era teórica e operacionalmente &#8220;superior&#8221;; Hayek, sem dúvida, de novo, desde 1944, com o magistral <strong>The Road to Serfdom</strong>, publicado primeiro em Inglaterra e, depois, pela Universidade de Chicago, nos EUA, e, depois, com a sua obra <strong>The Sensory Order</strong>, de 1952), em que Hayek tinha razão por antecipação, como a história viria a provar décadas depois com a implosão do socialismo &#8220;real&#8221; na União Soviética, com a viragem reformista na China e com o abandono do &#8220;planismo&#8221; pela esquerda governante no Ocidente;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>- A Escola de Chicago</strong> e a emergência dos dois F, Friedman e Fama nos anos de 1960 a 1980. O surgimento do Monetarismo (a sua popularização ocorreria depois da atribuição do Nobel a Milton Friedman em 1976 e, ironicamente, depois da sua passagem à reforma em 1977) e da hipótese do mercado eficiente (exposta pela primeira vez em 1970 por Eugene Fama no <em>Journal of Finance</em>). A ascensão da academia americana no panorama do pensamento económico mundial. Ocorre a sua implantação na academia e nos organismos de política económica. O formalismo matemático assume a hegemonia da macroeconomia e triunfa sobre a substância. Desenvolve-se a primeira vaga de modelos de equilíbrio geral (conhecidos pela designação inglesa de Dynamic Stochastic General Equilibrium). Inventa-se um novo “excepcionalismo” – os mercados <em>financeiros</em> teriam um estatuto especial, seriam intrinsecamente distintos do resto da economia e deveriam ser endeusados como o arquétipo da eficiência;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- O <strong>Grande Salto em Frente</strong> do que viria a ficar etiquetado como “neo-liberalismo”, após o ano de fractura de 1989 (evento simbólico da Queda do Muro de Berlim). John Williamson cria em 1989 a marca “consenso de Washington” que se torna a cartilha “neo-liberal”, mesmo a contragosto do seu criador. Ocorre o efeito da queda do Muro de Berlim e da expansão do liberalismo político triunfante (Francis Fukuyama e o “fim da História”, um ensaio de 1989). Assiste-se a uma aceleração da desregulação financeira e da financeirização – os primeiros sinais da instabilidade intrínseca que esta dinâmica hegemónica gera ocorrem com as crises “regionais” (como a asiática) dos anos 1990, com crises nacionais “estruturais” verdadeiros protótipos dos problemas sistémicos (como a japonesa desde o início da década de 1990 e depois a argentina de 2001), e com o <em>crash</em> do Nasdaq em 2000. Irrompe uma segunda vaga formalista, de convergência liberal-neo-keynesiana de “modelos” de “síntese” de equilíbrio geral;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- <strong>O neo-liberalismo como pensamento “embutido” na geopolítica</strong> no início desta década com a confluência dos “neo-cons” (que inventaram um tripé doutrinário: a legitimidade das acções de guerra pre-entivas, da mudança de regime e do eventual uso de armas nucleares tácticas como estratégia geopolítica de exportação, a partir dos documentos do Nuclear Posture Review de 2001 e da National Security Strategy de 2002) e do optimismo globalista de que a “terra é plana” (<strong>The World is Flat</strong>, de Thomas Friedman, 2005) com a cartilha neo-liberal. Em simultâneo, a financeirização prossegue a passo acelerado, com a fantasia da “Grande Moderação” teorizada por Ben Bernanke em 2004.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">As duas últimas fases encontraram a bancarrota com o fracasso da projecção geopolítica da Administração Bush e do seu círculo “neo-con”, bem como com a inesperada Grande Recessão iniciada em meados de 2007.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Todos os analistas recordam hoje as <a href="http://www.nytimes.com/2008/10/24/business/economy/24panel.html">quase patéticas declarações </a>de um ex-todo poderoso Alan Greenspan, o “pai” das «bolhas» recentes (enquanto esteve à frente da Reserva Federal americana, entre 1987 e 2006), perante um comité do Congresso americano em 2008, de que estava “chocado” com a Depressão e de que tinha constatado “uma falha”. É difícil encontrar uma confissão tão terra-a-terra de que “o conjunto do edifício intelectual colapsou no Verão do ano passado” (Greenspan <em>dixit</em>).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>O ciclo do totalitarismo pode ser mais longo</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">O ciclo do totalitarismo em economia é mais complexo e parece poder ser <em>mais longo</em>. Sobrepõe-se, em parte, ao do liberalismo em economia.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Começa doutrinariamente com Karl Marx (1818-1883) e do ponto de vista de prototipagem política com a Comuna de Paris em 1871. Mas revela maior resiliência e uma capacidade de projecção futura, tendo recuperado do coma induzido pela implosão da URSS (1991).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Com a actual projecção da China como superpotência económica e política – uma estratégia evolutiva desde os anos 1970, após a liquidação do maoismo &#8211; o totalitarismo e o seu filhote, o capitalismo de Estado, está em ascensão em diversas partes estratégicas do globo, tem um poderoso íman de atracção entre os países e as elites emergentes, e continua a ser uma tentação, ainda que mitigada, mesmo em regimes democráticos onde predomina a camada tecno-burocrática e dos negócios privados (financeiros e outros lóbis sectoriais) ligados ao regime.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Esta <strong>resiliência do totalitarismo</strong>, coloca às correntes democráticas um problema estratégico duplo, o de manter, na política económica, uma linha de fronteira com as dinâmicas quer do capitalismo de estado como da financeirização (aliás, esta última recorre sempre que necessário à <em>mão bem visível</em> do Estado para a desregulação, o apoio “pró-cíclico” e a garantia de salvação da alta finança em última instância a pretexto do risco sistémico do hoje famoso dito “too big to fail”).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong><em>De-coupling</em> com o neo-liberalismo</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Na área da política económica requer que se faça um “de-coupling” entre o liberalismo e um conjunto de estratégias que têm sido consideradas, nesciamente, como “neo-liberais” por algumas correntes radicais.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">A meu ver, duas delas, mais polémicas, são as seguintes:</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- a legitimidade da <strong>reprivatização</strong>, do alargamento do papel do empreendedorismo, e/ou do aumento do papel da sociedade civil nas áreas fora das funções centrais do Estado;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- a <strong>política orçamental</strong> que tem de ser elástica, em função, naturalmente, da situação do ciclo económico; só a vulgata keynesiana (que o próprio jamais defendeu) achará que o “rigor” em política orçamental é uma imbecilidade.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Na área da política monetária, reclama-se um corte com a estratégia “neo-liberal”, consensual à direita e à esquerda governantes, de fomento <strong>pró-cíclico</strong>, postura que tem favorecido a financeirização e a alimentação sucessiva de “bolhas” especulativas</p>
<p><!--[endif]--><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Desde há muito que <a href="http://janelanaweb.com/novidades/the-chief-economist-the-central-bankers-do-not-listened-to">William White</a>, ex-quadro do BIS, reclamava a necessidade de um rejeição da prociclicidade em tempos de alta bolsista e de aquecimento da economia. Complementarmente, se é errónea a política monetária &#8220;neutra&#8221; (defendida por Hayek contra Keynes nos anos 1930, na suposição, errónea, de que existiria neutralidade da moeda) em períodos de Depressão, é, também, ilusório pensar que a manipulação em baixa das taxas de juro, pela política monetária, é suficiente para restaurar as expectativas dos agentes económicos. O que essa política extremista de baixa está a revelar é que os agentes que, efectivamente, usam esse dinheiro barato são os especuladores.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>Cinco erros &#8211; uma proposta de sistematização</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">No campo do pensamento macroeconómico, as teorias da eficiência e do equilíbrio dos mercados estão em coma profundo, apesar da tentativa destas correntes académicas em fazerem o seu “de-coupling” em relação ao que ocorreu (vide as <a href="http://janelanaweb.com/novidades/%C2%ABi-say-i-won%C2%BB-%E2%80%93-eugene-fama-the-%E2%80%98father%E2%80%99-of-the-efficient-markets-hypothesis/">entrevistas que Eugene Fama</a> tem dado recentemente ou diversas intervenções na recente conferência ‘<a href="http://www.cesifo-group.de/portal/page/portal/ifoHome/c-event/c2conf/50confforthcoming/_confforthcoming?item_link=es09_programme.htm">What’s wrong with modern macroeconomics?</a>’, organizada pelo CESifo em Munique).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Essas hipóteses e modelos pecam por cinco aspectos centrais interligados, tentando, aqui, resumir algum debate recente nos <em>fora</em> académicos e nos blogues de economistas, sobretudo americanos:</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>1)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela ausência de modelização da <strong>incerteza</strong> e do <strong>comportamento real dos agentes</strong> (o famoso ‘animal spirits’ e os comportamentos de imitação epidémica, contágio, euforia e pânico), aspectos levantados por Keynes (e, recentemente, recordados pelo biógrafo inglês de Keynes, <a href="http://janelanaweb.com/novidades/%C2%ABkeynes-would-have-hated-the-excessive-financialization-of-today%C2%BB/">Robert Skidelsky</a>, na sua obra <strong>The Return of the Master,</strong> e por George Akerlof e Robert Shiller no livro justamente com o título <strong>Animal Spirits</strong>, integrado na <em>shortlist</em> para Business Book of the Year 2009, do Financial Times e da Goldman Sachs) e magistralmente pelo grande matemático e físico Henri Poincaré no início do século XX (“os homens não decidem independentemente uns dos outros; reagem uns sobre os outros (&#8230;), [têm] hábitos de carneiros de Panúrgio [um personagem de Rabelais] ”);</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>2)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela visão errónea sobre os agentes económicos entendidos como <strong>entes isolados</strong><span> </span>apenas “ligados” por um anónimo mercado que <strong>agregaria espontaneamente</strong> (a famosa &#8220;mão invisível&#8221;) o comportamento de cada indivíduo (comportamento que fantasiaram como sendo próprio de um agente “racional”, criando o mito do <em>homo economicus</em>); uma das variantes admite que os agentes individualmente podem agir irracionalmente, mas o mercado, como um conjunto omnisciente, teria racionalidade; estes pontos de vista ignoram inclusive as conclusões da psicologia e da neurologia que apontam para as limitações cognitivas dos indivíduos;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>3)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela visão irrealista de que os mercados <strong>reflectiriam toda a informação existente</strong> em cada momento, desconhecendo a verificação empírica de que os mercados são frequentemente “ineficientes em termos informacionais” (como referem os economistas da corrente “comportamentalista”), sofrem de diversos &#8220;ruídos&#8221;, devido aos comportamentos dos agentes que são baseados em padrões comportamentais que incluem a heurística na tomada de decisão (muitas regras simples que temos interiorizadas são erradas de todo, baseiam-se em preconceitos, etc.), a arrogância e o auto-convencimento, o optimismo e o pessimismo, a tendência para olhar à experiência recente (limitar-se a uma memória de curto-prazo) e não às médias históricas, a separação mental de decisões por “gavetas” quando deveriam estar interligadas;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>4)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela <strong>incapacidade de integrar as dinâmicas</strong> cíclicas (não só das flutuações de curto prazo, como das ondas longas), interactivas (as famosas redes, <em>networks</em>, na expressão popularizada em inglês) e adaptativas que são <strong>endógenas</strong> ao sistema económico (incluindo o espaço financeiro, onde se verifica uma “instabilidade intrínseca” apontada por Hyman Minsky desde os anos 1970, e onde emergem, regularmente, as “oscilações selvagens” e a “volatilidade extrema”) e comprovadas pela história económica; para os adeptos dos modelos de equilíbrio, os ciclos económicos são uma anormalidade provocada por choques &#8220;externos&#8221;;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>5)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->por um historicismo “modernista” que olha o <em>mercado</em> como <strong>uma descoberta dos economistas políticos</strong> do <em>laissez faire</em>, e não como um <em>processo evolutivo</em> ao longo de séculos provavelmente desde o urbanismo mercantil da dinastia Sung (960-1279)<span> </span>na China.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>Domínio da substância sobre o formalismo &#8211; o que o pensamento económico precisa<br />
</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">O pensamento económico, em certo sentido, tem de regressar à Economia Política. A substância tem de reganhar a hegemonia sobre o formalismo e a “elegância matemática”, como sublinhava, recentemente, Geoffrey Hodgson na revista <a href="http://cje.oxfordjournals.org/current.dtl"><em>Cambridge Journal of Economics</em></a> (nº6, volume 33, Novembro 2009, pp.1205-1221).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">E o formalismo, útil para os organismos de apoio à política económica e monetária, indispensável para os práticos, tem de abandonar as fantasias e, como ferramenta que é, ganhar a eficiência dos modelos complexos, por exemplo dos desenvolvidos hoje em dia pelos econofísicos (como Didier Sornette, director do Financial Crisis Observatory, em Zurique, ou Jean-Philippe Bouchaud, da École Politéchnique de Paris).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Tem, também, de superar a <a href="http://janelanaweb.com/novidades/o-manifesto-de-paul-krugman-regresso-a-keynes-ou-que-mil-flores-florescam/">bipolarização</a> entre neo-liberalismo e keynesianismo, que alguns tentaram, agora, fazer renascer. Há mais pensamento económico inovador para além desta dicotomia.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Além do mais, muitas das polémicas do passado têm de ser colocadas no ambiente geopolítico da altura. Não são sequer compreensíveis sem esse enquadramento &#8211; só, contextualizando, é possível identificar padrões e aprender com o efeito de percurso (o que os anglo-saxónicos chamam de <em>path dependency)</em>. A memória histórica é fundamental para combater a amnésia que afecta muitos debates actuais, mas não se podem &#8220;extrair&#8221; citações ou pontos de vista do passado desligando-os do seu contexto.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://janelanaweb.com/novidades/ascensao-e-coma-do-%e2%80%9cliberalismo%e2%80%9d-%e2%80%93-hipotese-de-investigacao/feed/</wfw:commentRss>
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