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	<title>Janela na web &#187; modelos de equilíbrio geral</title>
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	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
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		<title>Uma nova proposta de casamento para Keynes &#8211; um desafio teórico</title>
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		<pubDate>Wed, 30 Dec 2009 12:10:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Está na hora de “casar” John Maynard Keynes com os críticos do monetarismo e do despesismo em finanças públicas. A proposta de William White, da OCDE.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Está na hora de “casar” John Maynard Keynes com os críticos do monetarismo e do despesismo em finanças públicas.</strong></p>
<p>Depois de o Keynesianismo ter sido submerso na síntese dos modelos de equilíbrio geral que a Grande Recessão mandou para o caixote do lixo, William White, da OCDE, propõe a aproximação aos pontos fortes da corrente de pensamento económico designada por <a href="http://www.econlib.org/library/Enc/AustrianSchoolofEconomics.html">escola austríaca</a> que condena os excessos na gestão das finanças públicas por parte dos governos e na política monetária por parte dos bancos centrais ou governos.</p>
<p>O casamento da herança de Keynes, à revelia deste, no século passado, com o formalismo matemático deu mau resultado. Apesar de o economista de Cambridge ter casado, na realidade, com a bailarina russa Lydia Lopokova, que enviuvou em 1946, os economistas John Hicks (1904-1989), inglês, e Paul Samuelson (1915-2009), americano, empurraram o keynesianismo para uma união de facto com os seus arqui-inimigos neoclássicos, que foi apelidada de “nova síntese neoclássica”.</p>
<p>O próprio Keynes numa troca de cartas com Hicks manifestava-se muito céptico sobre a utilidade de tais abordagens formalistas, que esqueciam dois pilares do seu pensamento: a incerteza e o comportamento humano que ele designava por ‘animal spirits’.</p>
<p>Agora, propõe-se um novo casamento para Keynes &#8211; a procura de uma nova síntese na macroeconomia. Já que a Grande Recessão destes últimos dois anos se encarregou de invalidar a mistura “bastarda”, como a mimoseava uma das discípulas inglesas e amigas de Keynes, Joan Robinson.</p>
<p><strong>Procurar “pontes”</strong></p>
<p>William White, presidente do Comité de Economia e Desenvolvimento da OCDE e ex-economista-chefe do Banco de Pagamentos Internacionais, fala &#8211; numa entrevista (que pode ser <a href="http://janelanaweb.com/novidades/a-new-synthesis-for-macroeconomics/">lida em inglês aqui</a>) que nos concedeu &#8211; de regressar ao Keynes original e de procurar “pontes” com os pontos fortes de uma outra velha corrente com que o mestre de Cambridge esgrimiu argumentos durante os anos 1930 e 1940, a chamada “escola austríaca”.</p>
<p>Nessa corrente foram proeminentes, no século XX, economistas de origem austríaca como o Nobel Friedrich von Hayek (1899-1992) e Ludwig von Mises (1881-1973), mas também o americano Murray Rothbard (1926-1995), que tem um livro reeditado pelo Mises Institute sobre a Grande Depressão americana (<strong><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=0945466056/janelanawebjnrA/">America’s Great Depression</a></strong>) que contrasta, por exemplo, com a visão keynesiana de John Kenneth Galbraith sobre as causas de 1929 (<strong>Crash 1929</strong>, traduzido em Portugal pela Gestão Plus).</p>
<p>Em vez das “pontes” entre o keynesianismo e as metodologias de modelação dos neoclássicos, em que se investiu no passado, White insiste que é preciso “uma mudança de paradigma” em que podem desaguar as ideias originais de Keynes e alguns pontos de vista nucleares dos “austríacos”.</p>
<p><strong>Arte de cirurgião</strong></p>
<p>O economista da OCDE actua como um cirurgião escolhendo e extraindo como relevantes as críticas muito duras feitas pela “escola austríaca” quer à dinâmica pró-cíclica das intervenções dos bancos centrais e dos governos que acompanharam a vaga de financeirização durante a “bolha” dos anos 2000, bem como a tentação das políticas anticrise dos governos para estenderem as suas intervenções para além de um período extraordinário.</p>
<p>O risco de transformar o que Keynes considerava como intervenção “anormal” em vício rotineiro tem um custo enorme: o de impedir, no período de depressão, os ajustamentos indispensáveis no tecido económico – particularmente nos sectores oligopolizados com empresas “demasiado gigantes para falirem”. “Os estímulos keynesianos pelo lado da procura terão certamente benefícios no curto prazo, mas podem, eventualmente, provocar efeitos menos desejáveis se impedirem os ajustamentos necessários nas capacidades de produção”, refere White.</p>
<p>Por isso, o economista da OCDE tende a construir um elo entre Hayek e Keynes – onde a maioria, de um lado e de outro da barricada teórica, tem visto contradições antagónicas de princípio, White vê a possibilidade de “um corredor contínuo” utilizando o melhor de cada um dos lados. Cirurgia que os integristas de cada uma das correntes não apreciarão.</p>
<p>A intenção de White é, claramente, preencher junto dos práticos – dos economistas dos bancos centrais e das equipas ministeriais, dos especialistas dos partidos e dos <em>think tank</em> – o vazio deixado pela perda de confiança nos modelos de equilíbrio geral.</p>
<p><strong>CURTA ENTREVISTA A William White</strong></p>
<p><strong>«Sublinho que, para Keynes, tratava-se de agir em circunstâncias extremas»</strong></p>
<p><em>P: A sua ideia é extrair cirurgicamente da escola austríaca os pontos fortes da crítica aos excessos do monetarismo e do despesismo governamental e juntá-los ao pensamento original de Keynes?</em></p>
<p>R: Sim, basicamente. Creio que tanto Hayek como Anthony Fisher (1915-1988) como Keynes tinham razão. Hayek recomendava que, em primeiro lugar, não nos metêssemos nesses sarilhos. Fisher juntava, no entanto, que a fase descendente do ciclo tinha sido pior do que Hayek imaginava. E Keynes tinha razão ao dizer que, nessas circunstâncias extraordinárias, havia um papel para a política monetária, e sobretudo orçamental. Sublinho que, para Keynes, tratava-se de agir em circunstâncias extremas</p>
<p><em>P: O ponto de vista “austríaco” pode ser, também, útil contra os excessos de subsidiação em períodos de depressão em que é necessário proceder a reajustamentos no tecido económico?</em></p>
<p>R: Acho que a dependência excessiva das ferramentas macroeconómicas empurrou-nos para o mau caminho. Na verdade, muitos usam esses estímulos para evitar a necessidade de uma reestruturação e os problemas relacionados acabaram por tomar proporções inimagináveis com o tempo. Temo que é a situação em que estamos hoje.</p>
<p>(c) JNR, Janelanaweb, 2009. Versão original publicada na edição impressa do semanário português EXPRESSO em 24/12/09.</p>
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		<title>Ascensão e Coma do “liberalismo” – hipótese de investigação</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 23:42:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No âmbito de um projecto sobre globalização, liberalismo e totalitarismo no capitalismo pós-Revolução Industrial, desenvolve-se, aqui, como hipótese de investigação uma periodização sobre a ascensão e coma do liberalismo (no sentido que é dado na Europa e na América Latina a este ‘ismo’), bem como algumas pistas para a fase actual do pensamento em política económica na nova vaga de globalização em curso. Assim, agradecemos todos os comentários e críticas.

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			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">O pensamento liberal na economia teve um processo evolutivo que, em muitos aspectos, acompanhou as vagas de globalização.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Apesar de não desenvolvermos esse ponto neste texto, as fases do liberalismo económico associaram-se a fases geopolíticas distintas da projecção externa das duas grandes potências (Inglaterra e Estados Unidos) que dominaram os ciclos geopolíticos desde o século XVIII.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Apenas, em relação, à fase final, que corresponde à Administração W. Bush, nos referimos directamente ao facto do neo-liberalismo se ter “embutido” no plano de projecção externa norte-americana.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Como nota final introdutória, quando aqui falamos de pensamento liberal não nos referimos aos movimentos políticos liberais do século XIX (às revoluções oitocentistas por toda a Europa e América Latina) nem ao pensamento político de oposição ao totalitarismo e pela sociedade aberta durante o século XX, particularmente durante o domínio do fascismo e ao longo da emergência e afirmação do totalitarismo soviético.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><em> </em></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>Cinco fases do pensamento liberal em economia</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Sobre a evolução do liberalismo em economia podem referir-se, como hipótese, cinco “fases” até ao seu coma actual:</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- A dos fundadores clássicos da <strong>Economia Política</strong> (a começar em 1776, em Inglaterra, com <strong>A Riqueza das Nações</strong>, de Adam Smith), que geraram dois pilares do liberalismo económico original: 1) a atribuição de um estatuto excepcional ao mercado (o que denominaremos de “excepcionalismo” do <em>free market</em>) em relação ao qual o Estado deveria ter uma postura máxima de “laissez faire”, tendo em conta a capacidade do mercado de actuar espontaneamente como uma &#8220;mão invísivel&#8221; (uma expressão que, curiosamente, Adam Smith, o seu pai, usa escassamente, mas que ficou para a História, para surpresa do próprio); 2) o de suporte ideológico e político, a partir de 1860, de um moderno capitalismo financeiro que geraria uma nova fase de globalização marcada pela projecção externa do que se designou por “imperialismo” europeu, japonês e depois americano durante o final do século XIX e primeiras décadas do século XX;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- <strong>A reacção ao keynesianismo e ao totalitarismo nos anos 1930 a 1950</strong>. De destacar dois aspectos: 1) o debate em Inglaterra sobre política económica e monetária (a polémica Keynes-Hayek nos anos 1930 sobre como deveria o Estado democrático lidar com a Grande Depressão, ganha por Keynes); 2) o debate político mercado capitalista vs. planificação socialista (uma discussão que tinha por pano de fundo o ponto de vista corrente na maioria da esquerda de que a planificação era teórica e operacionalmente &#8220;superior&#8221;; Hayek, sem dúvida, de novo, desde 1944, com o magistral <strong>The Road to Serfdom</strong>, publicado primeiro em Inglaterra e, depois, pela Universidade de Chicago, nos EUA, e, depois, com a sua obra <strong>The Sensory Order</strong>, de 1952), em que Hayek tinha razão por antecipação, como a história viria a provar décadas depois com a implosão do socialismo &#8220;real&#8221; na União Soviética, com a viragem reformista na China e com o abandono do &#8220;planismo&#8221; pela esquerda governante no Ocidente;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>- A Escola de Chicago</strong> e a emergência dos dois F, Friedman e Fama nos anos de 1960 a 1980. O surgimento do Monetarismo (a sua popularização ocorreria depois da atribuição do Nobel a Milton Friedman em 1976 e, ironicamente, depois da sua passagem à reforma em 1977) e da hipótese do mercado eficiente (exposta pela primeira vez em 1970 por Eugene Fama no <em>Journal of Finance</em>). A ascensão da academia americana no panorama do pensamento económico mundial. Ocorre a sua implantação na academia e nos organismos de política económica. O formalismo matemático assume a hegemonia da macroeconomia e triunfa sobre a substância. Desenvolve-se a primeira vaga de modelos de equilíbrio geral (conhecidos pela designação inglesa de Dynamic Stochastic General Equilibrium). Inventa-se um novo “excepcionalismo” – os mercados <em>financeiros</em> teriam um estatuto especial, seriam intrinsecamente distintos do resto da economia e deveriam ser endeusados como o arquétipo da eficiência;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- O <strong>Grande Salto em Frente</strong> do que viria a ficar etiquetado como “neo-liberalismo”, após o ano de fractura de 1989 (evento simbólico da Queda do Muro de Berlim). John Williamson cria em 1989 a marca “consenso de Washington” que se torna a cartilha “neo-liberal”, mesmo a contragosto do seu criador. Ocorre o efeito da queda do Muro de Berlim e da expansão do liberalismo político triunfante (Francis Fukuyama e o “fim da História”, um ensaio de 1989). Assiste-se a uma aceleração da desregulação financeira e da financeirização – os primeiros sinais da instabilidade intrínseca que esta dinâmica hegemónica gera ocorrem com as crises “regionais” (como a asiática) dos anos 1990, com crises nacionais “estruturais” verdadeiros protótipos dos problemas sistémicos (como a japonesa desde o início da década de 1990 e depois a argentina de 2001), e com o <em>crash</em> do Nasdaq em 2000. Irrompe uma segunda vaga formalista, de convergência liberal-neo-keynesiana de “modelos” de “síntese” de equilíbrio geral;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- <strong>O neo-liberalismo como pensamento “embutido” na geopolítica</strong> no início desta década com a confluência dos “neo-cons” (que inventaram um tripé doutrinário: a legitimidade das acções de guerra pre-entivas, da mudança de regime e do eventual uso de armas nucleares tácticas como estratégia geopolítica de exportação, a partir dos documentos do Nuclear Posture Review de 2001 e da National Security Strategy de 2002) e do optimismo globalista de que a “terra é plana” (<strong>The World is Flat</strong>, de Thomas Friedman, 2005) com a cartilha neo-liberal. Em simultâneo, a financeirização prossegue a passo acelerado, com a fantasia da “Grande Moderação” teorizada por Ben Bernanke em 2004.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">As duas últimas fases encontraram a bancarrota com o fracasso da projecção geopolítica da Administração Bush e do seu círculo “neo-con”, bem como com a inesperada Grande Recessão iniciada em meados de 2007.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Todos os analistas recordam hoje as <a href="http://www.nytimes.com/2008/10/24/business/economy/24panel.html">quase patéticas declarações </a>de um ex-todo poderoso Alan Greenspan, o “pai” das «bolhas» recentes (enquanto esteve à frente da Reserva Federal americana, entre 1987 e 2006), perante um comité do Congresso americano em 2008, de que estava “chocado” com a Depressão e de que tinha constatado “uma falha”. É difícil encontrar uma confissão tão terra-a-terra de que “o conjunto do edifício intelectual colapsou no Verão do ano passado” (Greenspan <em>dixit</em>).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>O ciclo do totalitarismo pode ser mais longo</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">O ciclo do totalitarismo em economia é mais complexo e parece poder ser <em>mais longo</em>. Sobrepõe-se, em parte, ao do liberalismo em economia.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Começa doutrinariamente com Karl Marx (1818-1883) e do ponto de vista de prototipagem política com a Comuna de Paris em 1871. Mas revela maior resiliência e uma capacidade de projecção futura, tendo recuperado do coma induzido pela implosão da URSS (1991).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Com a actual projecção da China como superpotência económica e política – uma estratégia evolutiva desde os anos 1970, após a liquidação do maoismo &#8211; o totalitarismo e o seu filhote, o capitalismo de Estado, está em ascensão em diversas partes estratégicas do globo, tem um poderoso íman de atracção entre os países e as elites emergentes, e continua a ser uma tentação, ainda que mitigada, mesmo em regimes democráticos onde predomina a camada tecno-burocrática e dos negócios privados (financeiros e outros lóbis sectoriais) ligados ao regime.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Esta <strong>resiliência do totalitarismo</strong>, coloca às correntes democráticas um problema estratégico duplo, o de manter, na política económica, uma linha de fronteira com as dinâmicas quer do capitalismo de estado como da financeirização (aliás, esta última recorre sempre que necessário à <em>mão bem visível</em> do Estado para a desregulação, o apoio “pró-cíclico” e a garantia de salvação da alta finança em última instância a pretexto do risco sistémico do hoje famoso dito “too big to fail”).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong><em>De-coupling</em> com o neo-liberalismo</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Na área da política económica requer que se faça um “de-coupling” entre o liberalismo e um conjunto de estratégias que têm sido consideradas, nesciamente, como “neo-liberais” por algumas correntes radicais.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">A meu ver, duas delas, mais polémicas, são as seguintes:</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- a legitimidade da <strong>reprivatização</strong>, do alargamento do papel do empreendedorismo, e/ou do aumento do papel da sociedade civil nas áreas fora das funções centrais do Estado;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">- a <strong>política orçamental</strong> que tem de ser elástica, em função, naturalmente, da situação do ciclo económico; só a vulgata keynesiana (que o próprio jamais defendeu) achará que o “rigor” em política orçamental é uma imbecilidade.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Na área da política monetária, reclama-se um corte com a estratégia “neo-liberal”, consensual à direita e à esquerda governantes, de fomento <strong>pró-cíclico</strong>, postura que tem favorecido a financeirização e a alimentação sucessiva de “bolhas” especulativas</p>
<p><!--[endif]--><span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;,&quot;serif&quot;;">Desde há muito que <a href="http://janelanaweb.com/novidades/the-chief-economist-the-central-bankers-do-not-listened-to">William White</a>, ex-quadro do BIS, reclamava a necessidade de um rejeição da prociclicidade em tempos de alta bolsista e de aquecimento da economia. Complementarmente, se é errónea a política monetária &#8220;neutra&#8221; (defendida por Hayek contra Keynes nos anos 1930, na suposição, errónea, de que existiria neutralidade da moeda) em períodos de Depressão, é, também, ilusório pensar que a manipulação em baixa das taxas de juro, pela política monetária, é suficiente para restaurar as expectativas dos agentes económicos. O que essa política extremista de baixa está a revelar é que os agentes que, efectivamente, usam esse dinheiro barato são os especuladores.</span></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>Cinco erros &#8211; uma proposta de sistematização</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">No campo do pensamento macroeconómico, as teorias da eficiência e do equilíbrio dos mercados estão em coma profundo, apesar da tentativa destas correntes académicas em fazerem o seu “de-coupling” em relação ao que ocorreu (vide as <a href="http://janelanaweb.com/novidades/%C2%ABi-say-i-won%C2%BB-%E2%80%93-eugene-fama-the-%E2%80%98father%E2%80%99-of-the-efficient-markets-hypothesis/">entrevistas que Eugene Fama</a> tem dado recentemente ou diversas intervenções na recente conferência ‘<a href="http://www.cesifo-group.de/portal/page/portal/ifoHome/c-event/c2conf/50confforthcoming/_confforthcoming?item_link=es09_programme.htm">What’s wrong with modern macroeconomics?</a>’, organizada pelo CESifo em Munique).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Essas hipóteses e modelos pecam por cinco aspectos centrais interligados, tentando, aqui, resumir algum debate recente nos <em>fora</em> académicos e nos blogues de economistas, sobretudo americanos:</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>1)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela ausência de modelização da <strong>incerteza</strong> e do <strong>comportamento real dos agentes</strong> (o famoso ‘animal spirits’ e os comportamentos de imitação epidémica, contágio, euforia e pânico), aspectos levantados por Keynes (e, recentemente, recordados pelo biógrafo inglês de Keynes, <a href="http://janelanaweb.com/novidades/%C2%ABkeynes-would-have-hated-the-excessive-financialization-of-today%C2%BB/">Robert Skidelsky</a>, na sua obra <strong>The Return of the Master,</strong> e por George Akerlof e Robert Shiller no livro justamente com o título <strong>Animal Spirits</strong>, integrado na <em>shortlist</em> para Business Book of the Year 2009, do Financial Times e da Goldman Sachs) e magistralmente pelo grande matemático e físico Henri Poincaré no início do século XX (“os homens não decidem independentemente uns dos outros; reagem uns sobre os outros (&#8230;), [têm] hábitos de carneiros de Panúrgio [um personagem de Rabelais] ”);</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>2)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela visão errónea sobre os agentes económicos entendidos como <strong>entes isolados</strong><span> </span>apenas “ligados” por um anónimo mercado que <strong>agregaria espontaneamente</strong> (a famosa &#8220;mão invisível&#8221;) o comportamento de cada indivíduo (comportamento que fantasiaram como sendo próprio de um agente “racional”, criando o mito do <em>homo economicus</em>); uma das variantes admite que os agentes individualmente podem agir irracionalmente, mas o mercado, como um conjunto omnisciente, teria racionalidade; estes pontos de vista ignoram inclusive as conclusões da psicologia e da neurologia que apontam para as limitações cognitivas dos indivíduos;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>3)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela visão irrealista de que os mercados <strong>reflectiriam toda a informação existente</strong> em cada momento, desconhecendo a verificação empírica de que os mercados são frequentemente “ineficientes em termos informacionais” (como referem os economistas da corrente “comportamentalista”), sofrem de diversos &#8220;ruídos&#8221;, devido aos comportamentos dos agentes que são baseados em padrões comportamentais que incluem a heurística na tomada de decisão (muitas regras simples que temos interiorizadas são erradas de todo, baseiam-se em preconceitos, etc.), a arrogância e o auto-convencimento, o optimismo e o pessimismo, a tendência para olhar à experiência recente (limitar-se a uma memória de curto-prazo) e não às médias históricas, a separação mental de decisões por “gavetas” quando deveriam estar interligadas;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>4)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->pela <strong>incapacidade de integrar as dinâmicas</strong> cíclicas (não só das flutuações de curto prazo, como das ondas longas), interactivas (as famosas redes, <em>networks</em>, na expressão popularizada em inglês) e adaptativas que são <strong>endógenas</strong> ao sistema económico (incluindo o espaço financeiro, onde se verifica uma “instabilidade intrínseca” apontada por Hyman Minsky desde os anos 1970, e onde emergem, regularmente, as “oscilações selvagens” e a “volatilidade extrema”) e comprovadas pela história económica; para os adeptos dos modelos de equilíbrio, os ciclos económicos são uma anormalidade provocada por choques &#8220;externos&#8221;;</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="margin-left: 36pt; text-align: justify; text-indent: -18pt;"><!--[if !supportLists]--><span><span>5)<span style="font-family: &quot;Times New Roman&quot;; font-style: normal; font-variant: normal; font-weight: normal; font-size: 7pt; line-height: normal; font-size-adjust: none; font-stretch: normal; -x-system-font: none;"> </span></span></span><!--[endif]-->por um historicismo “modernista” que olha o <em>mercado</em> como <strong>uma descoberta dos economistas políticos</strong> do <em>laissez faire</em>, e não como um <em>processo evolutivo</em> ao longo de séculos provavelmente desde o urbanismo mercantil da dinastia Sung (960-1279)<span> </span>na China.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong>Domínio da substância sobre o formalismo &#8211; o que o pensamento económico precisa<br />
</strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"><strong> </strong></p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">O pensamento económico, em certo sentido, tem de regressar à Economia Política. A substância tem de reganhar a hegemonia sobre o formalismo e a “elegância matemática”, como sublinhava, recentemente, Geoffrey Hodgson na revista <a href="http://cje.oxfordjournals.org/current.dtl"><em>Cambridge Journal of Economics</em></a> (nº6, volume 33, Novembro 2009, pp.1205-1221).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">E o formalismo, útil para os organismos de apoio à política económica e monetária, indispensável para os práticos, tem de abandonar as fantasias e, como ferramenta que é, ganhar a eficiência dos modelos complexos, por exemplo dos desenvolvidos hoje em dia pelos econofísicos (como Didier Sornette, director do Financial Crisis Observatory, em Zurique, ou Jean-Philippe Bouchaud, da École Politéchnique de Paris).</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Tem, também, de superar a <a href="http://janelanaweb.com/novidades/o-manifesto-de-paul-krugman-regresso-a-keynes-ou-que-mil-flores-florescam/">bipolarização</a> entre neo-liberalismo e keynesianismo, que alguns tentaram, agora, fazer renascer. Há mais pensamento económico inovador para além desta dicotomia.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">Além do mais, muitas das polémicas do passado têm de ser colocadas no ambiente geopolítico da altura. Não são sequer compreensíveis sem esse enquadramento &#8211; só, contextualizando, é possível identificar padrões e aprender com o efeito de percurso (o que os anglo-saxónicos chamam de <em>path dependency)</em>. A memória histórica é fundamental para combater a amnésia que afecta muitos debates actuais, mas não se podem &#8220;extrair&#8221; citações ou pontos de vista do passado desligando-os do seu contexto.</p>
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">
<p class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;">
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			<wfw:commentRss>http://janelanaweb.com/novidades/ascensao-e-coma-do-%e2%80%9cliberalismo%e2%80%9d-%e2%80%93-hipotese-de-investigacao/feed/</wfw:commentRss>
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