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	<title>Janela na web &#187; Pacote Obama</title>
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	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
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		<title>O pecado original do pacote Obama &#8211; uma conversa com Antal Fekete</title>
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		<pubDate>Wed, 11 Feb 2009 10:48:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O economista húngaro Antal Fekete discorda frontalmente do que chama um «cocktail» de asneiras keynesianas e monetaristas em voga na elite americana. O pacote Obama aprovado no Senado por uma unha negra e as iniciativas da Reserva Federal e do novo secretário do Tesouro não o entusiasmam. Sofrem todas do mesmo defeito de origem. Uma entrevista a contracorrente.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">“O pacote Obama vai falhar”, dispara o economista húngaro <a href="www.professorfekete.com">Antal Fekete</a>, de 77 anos, numa entrevista a partir de Acapulco. O programa de emergência americano aprovado esta semana no Senado por um voto de diferença sofre do mesmo pecado original de anteriores &#8211; ainda que as caras tenham mudado e várias alíneas sejam diferentes. Consiste na mesma crença de verter moeda fiduciária na economia sem suporte de valor real, denuncia o professor nascido em Budapeste.</p>
<p class="MsoNormal">Fekete, que é matemático de formação, ironiza com a nova equipa económica e financeira de Obama. “A Sala Oval está refém de uma clique viciada numa mesma mistura de paradigmas keynesianos e monetaristas (da corrente de Milton Friedman)”, afirma.</p>
<p class="MsoNormal">Pode parecer um paradoxo, mas este <em>cocktail</em> vive de duas ideias para a função da «mão visível» do Estado: intervenção do braço do Estado no mercado colmatando alegadas “falhas” da procura em tempo de crise e manipulação financeira pelos bancos centrais da taxa de juro.</p>
<p class="MsoNormal">Fekete é um dos sobreviventes da chamada <a href="http://mises.org/etexts/austrian.asp">escola económica austríaca</a> nascida em Viena no final do século XIX e que teve como fundador Karl Menger e como seguidores economistas de renome como Ludwig von Mises, o Nobel Friedrich Hayek e o próprio Joseph Schumpeter. A esta corrente de economistas «malditos» sempre provocou alergia esta concepção do Estado intervencionista. Mises tinha uma frase célebre: &#8220;a primeira obrigação de um economista é a de dizer aos governos o que não podem fazer&#8221;.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Políticas letais</strong></p>
<p class="MsoNormal">As convicções dominantes em Washington são duas políticas letais, observa o professor reformado da Memorial University of Newfoundland, no Canadá, onde leccionou desde que saiu da Hungria aquando da invasão soviética de 1956. “A principal raiz das depressões não é o afundamento da procura, como sugeriu Keynes, mas a destruição de capital provocada pela deliberada supressão política das taxas de juro”, explica-nos Fekete, que é considerado um dos especialistas da teoria de formação e origem dos juros.</p>
<p class="MsoNormal">Pelo que o problema central não está na procura, no consumo, mas na “destruição de capital” ocorrida ciclicamente durante as «bolhas» e estoiros financeiros, sublinha.</p>
<p class="MsoNormal">Por outro lado, o mito das taxas de juro tendencialmente para zero como medicina curativa – usada, em diversas alturas, quer por Alan Greenspan como por Ben Bernanke, personagem que ainda está a presidir à Reserva Federal americana &#8211; deriva da ideia que os políticos e banqueiros centrais têm de que podem “gerir” a massa monetária a seu bel-prazer sem que haja um “sustentáculo” com real valor.</p>
<p class="MsoNormal">Fekete recorda que “os japoneses acreditaram nos conselhos dos doutores monetários americanos” quando se viram atirados para a crise dos anos 1990 e sabe-se os resultados (negativos) dessa experiência até hoje. A “lei” de Fekete tem funcionado (ver no final deste texto).</p>
<p class="MsoNormal"><strong>A prenda estratégica dada à China</strong></p>
<p class="MsoNormal">Essa tentação fiduciária agravou-se sobretudo desde o «golpe Nixon» em Agosto de 1971. O presidente americano cortou a relação do dólar com o padrão ouro, seguindo o conselho de Milton Friedman contra a opinião, por exemplo, do Nobel Paul Samuelson que defendia a desvalorização do dólar.</p>
<p class="MsoNormal">O fecho da “janela do ouro” trouxe a euforia de dar impunemente à manivela na impressão da «nota verde». Depois, a espiral de «crédito sintético» não parou mais, recorda o nosso interlocutor que escreveu nos anos 1980 uma série de textos sobre política monetária – <a href="http://www.professorfekete.com/math.asp">‘Os Dez Pilares de uma Moeda e Crédito saudáveis’</a>.</p>
<p class="MsoNormal">O que isso gerou foi uma bebedeira de liquidez assente na ideia de eternamente se ficar a dever, refinanciando sucessivamente a dívida, sem planos sérios de a pagar alguma vez. E acreditando na capacidade política de manter os credores na convicção da bondade do esquema. Sem temer que um dia a corda parta.</p>
<p class="MsoNormal">Entretanto, irónica e paradoxalmente, a liquidez artificial do consumidor americano e do estado despesista <em>yankee</em> nadando em moeda fiduciária provocou o inesperado: a China aproveitou a janela de oportunidade. Foi a prenda estratégica para o <em>boom</em> chinês e a sua enorme liquidez em dólares.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Do gelado ao escaldante: um cenário a não desprezar</strong></p>
<p class="MsoNormal">Fekete é, por isso, muito crítico das sugestões, nos EUA, de se desenvolver uma política de flexibilização monetária quantitativa (tecnicamente chamada de <em>quantitative easing</em>), de criar recipientes financeiros para o «lixo» do sistema, designados por <em>bad bank</em>, ou de nacionalizar a banca socializando as asneiras. “Além do mais, isso terá efeito zero na economia, e levará à bancarrota do governo americano”, diz peremptório.</p>
<p class="MsoNormal">O que poderá ter como consequência um cenário evolutivo que Fekete antecipa: “a economia passar de um período de deflação – em curso – para um de hiperinflação mais tarde”. Ou seja passar de um banho gelado para um duche a escaldar. Uma oscilação selvagem que pode surgir de surpresa e para a qual “o mundo não está preparado”, diz o professor. E em que os fantasmas de uma economia caótica como a da República de Weimar na Alemanha dos anos 1920 e 1930 vêm à lembrança.</p>
<p class="MsoNormal">A hipótese de um cenário desses foi, recentemente, relembrada por dois analistas londrinos da Morgan Stanley Smith Barney num relatório ambíguo intitulado “Poderá a hiperinflação acontecer de novo?” (29 de Janeiro de 2009). “Obviamente, este é um cenário extremo”, dizem Joachim Fels e Spyros Andreopoulos, que o classificam como “uma possibilidade distante”, mas concluem: “Será avisado não ignorar este risco”. Referem que “um evento (surpresa) do tipo cisne negro” relativo a inflação ou mesmo hiperinflação faz sentido em certas condições.</p>
<p class="MsoNormal">Fekete propõe, por isso, o regresso progressivo ao padrão-ouro e ao sistema de taxas de câmbio fixas “que o mundo abandonou tão loucamente em 1931 e depois em 1971”.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Sugestão à China</strong></p>
<p class="MsoNormal">Sugere à China que seja pioneira neste plano alternativo, pois o que ela detém agora “é um pilha de títulos (americanos) de dívida, que, no final, podem não valer mais do que o papel impresso em que estão”. Basta que o dólar colapse e que o Governo americano seja obrigado a declarar incumprimento.</p>
<p class="MsoNormal">Um cenário “argentino” que muitos já andam a prognosticar. Pelo que a China deveria colocar as barbas de molho – além do mais é hoje em dia o principal fornecedor de ouro do mundo, tendo ultrapassado a África do Sul em 2007, segundo a consultora inglesa GFMS.</p>
<p class="MsoNormal"><strong><span style="font-size: 14pt; line-height: 115%;">A “lei” de Fekete</span></strong></p>
<p class="MsoNormal">Há uma relação perversa entre a manipulação em baixa das taxas de juro pelos bancos centrais e a circulação de capital, diz o matemático Antal Fekete.</p>
<p class="MsoNormal">Apesar de ao cidadão comum endividado parecer que os juros em queda livre lhe vão aliviar a vida, Fekete deduziu uma “lei” que os economistas keynesianos e monetaristas não gostam especialmente: “à medida que a taxa de juro decai, o valor de liquidação da dívida aumenta – em vez de o diminuir, uma taxa de juro em queda aumenta o fardo da dívida”.</p>
<p class="MsoNormal">Por isso, Fekete considera a lógica de manipulação de taxas de juro tendencialmente para zero como uma arma “letal”. E, a partir do momento “em que o saldo entre o valor de liquidação da dívida e os activos ultrapassa o capital, as firmas tornam-se insolventes. É o que aconteceu aos bancos nos EUA e no Reino Unido. É o que aconteceu à indústria americana do automóvel, por exemplo”, conclui.</p>
<p class="MsoNormal">A destruição de valor pode não ser logo óbvia a nível macroeconómico. Revela-se por outros dados chocantes em que a América actual é pródiga.</p>
<p class="MsoNormal">Os números falam por si:</p>
<p class="MsoNormal">- o agregado M3 (indicador da massa monetária total na economia, que a Reserva Federal americana deixou de publicar desde Março de 2006) no final de 2008 estava a crescer 11% ao ano, segundo a Shadowstats.com;</p>
<p class="MsoNormal">- por cada dólar de PIB americano é necessário “imprimir” 6 notas verdes de um dólar (ou seja, o valor real em paridade de poder de compra do actual dólar é 1/6 do seu valor nominal!);</p>
<p class="MsoNormal">- a pirâmide de instrumentos financeiros “derivados”, em Junho de 2008 (último dado semestral conhecido), segundo o <a href="www.bis.org">Banco Internacional de Pagamentos</a> totalizava 683 biliões de dólares (cerca de 531000 mil milhões de euros), ou seja 11 vezes o PIB mundial. Um grupo de quatro bancos multinacionais – JP Morgan Chase, Citibank, Bank of America e HSBC &#8211; detém 24% dessa pirâmide, segundo Andrew Hughes, da Global Research. Para alguns analistas, esta pirâmide poderá ser o fósforo que incendeia a floresta em 2009;</p>
<p class="MsoNormal">- o défice orçamental poderá rondar os 10% do PIB americano em 2009 e 2010 e manter-se em níveis vermelhos por vários anos (muitíssimo acima do que é proibido pelas regras da Zona Euro), segundo revelou o Borrowing Advisory Committee do Departamento do Tesouro.</p>
<p class="MsoNormal">Uma versão em inglês, não editada, da conversa com Antal Fekete pode ser lida <a href="http://www.professorfekete.com/articles%5CAEFHowToStopTheDepression.pdf">aqui</a>.</p>
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