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	<title>Janela na web &#187; Scott Nelson</title>
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	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
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		<title>&#8220;Comparar com 1929 é um erro&#8221;</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Jun 2009 20:38:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Teremos de recuar até à Grande Depressão de 1873 para encontrar paralelo válido, diz o historiador económico americano Scott Nelson.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p class="MsoNormal">“A Grande Depressão de 1929 é o ‘modelo’ errado de comparação para a actual crise de crédito global!”, exclama o historiador económico <a href="http://srnels.people.wm.edu/">Scott Reynolds Nelson</a>, contra a opinião corrente entre analistas e políticos. Este professor do departamento de História no Colégio de William &amp; Mary, na Virginia, nos Estados Unidos, afirma que temos de recuar ainda mais no tempo, até ao final do século XIX, para redescobrir uma outra Grande Depressão gerada por causas similares à actual que se iniciou em 2007.</p>
<p class="MsoNormal">O regresso aconselhado na História leva-nos quase para um século e meio atrás, algo do qual não há a menor memória histórica hoje em dia.</p>
<p class="MsoNormal"><a href="mailto:srnels@wm.edu">Scott Nelson</a> recorda a Grande Depressão entre Outubro de 1873 e Março de 1879, a maior de sempre registada nos tempos modernos, de agonia durante 65 meses, que, três anos depois, seria seguida pela crise de 1882/1885. No conjunto desta dupla assinatura, foram quase nove anos de parto de uma nova ordem económica com a transição de “uma produção baseada nas artes e ofícios para uma assente nos fluxos” e em que se assistiu ao nascimento “das economias de escala guiadas por uma concentração e consolidação jamais vista”, surgindo os novos barões da indústria americana como Andrew Carnegie, o rei do aço, e John D. Rockefeller, o rei do petróleo, frisa-nos o historiador.</p>
<p class="MsoNormal">No plano simbólico, a depressão ocorreu no meio de uma “invasão americana” de produtos agro-industriais por toda a Europa, e particularmente na Inglaterra, a superpotência da altura, que devastaram o complexo cerealífero da Europa Central e que levaram o Reino Unido a tornar-se dependente das importações alimentares dos Estados Unidos, país que começou a amealhar excedentes na balança comercial. A que se associou uma consequência geoeconómica perturbadora, acrescenta o historiador: “uma mudança do centro de gravidade do crédito mundial da Europa para os Estados Unidos”.</p>
<p class="MsoNormal">Scott publicou um artigo na The Chronicle Review sobre esta comparação com 1873 que teve um efeito inesperado na comunidade académica e financeira, e que pode ser lido <a href="http://billtotten.blogspot.com/2009/02/real-great-depression.html">aqui</a>.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Semelhanças chocantes</strong></p>
<p class="MsoNormal">A depressão começada no último trimestre de 1873 teve raízes financeiras como a actual. Rebentou “num contexto com padrões similares que tornam óbvia a comparação”, recorda-nos Scott. Basta recordar duas das traves mestras: uma ‘bolha’ imobiliária sem paralelo em França e nos dois novos impérios emergentes, a Prússia e a Áustria-Hungria, e um disparo inacreditável (para a época) de veículos financeiros ‘tóxicos’ inventados para o financiamento do <em>boom</em> ferroviário americano que eram difíceis de avaliar no seu real valor, mas que eram publicitados nos jornais em grandes parangonas como o caminho mais rápido para um retorno financeiro apetecível para quem os incluísse no seu portefólio de investimentos. “Estes produtos eram negociados por todo o mundo e inclusive 2/3 destes títulos estavam nas mãos de estrangeiros”, adianta o nosso interlocutor.</p>
<p class="MsoNormal">O primeiro sinal de fim de festa foi o <em>crash</em> da bolsa de Viena de Áustria em Maio de 1873. E, a dado momento, todo o esquema financeiro global rebentou: o evento do tipo Lehman Brothers da época foi o estoiro da casa financeira de Filadélfia, uma das líderes da euforia ferroviária americana, a Jay Cooke &amp; Company, na ‘quinta-feira negra’ de 18 de Setembro de 1873. “Subitamente verificava-se, na rua, que muitos activos financeiros eram imaginários e portanto tóxicos. A crise de crédito contagiou toda a actividade económica e seguiu-se um <em>crash</em> bolsista”, sublinha o historiador, que prepara para 2010 o lançamento de um novo livro intitulado ‘Crash: An Uncommon History of America’s Financial Panics’.</p>
<p class="MsoNormal">Em horas, nomes fortes da Wall Street nova-iorquina caíram no meio do pânico geral e de uma vã corrida à liquidez. O governo americano anunciou comprar 10 milhões de dólares daquele ‘lixo tóxico’, mas o efeito, surpreendentemente, foi a continuação da queda bolsista, e a 20 de Setembro a New York Stock Exchange teve de suspender a negociação pela primeira vez na sua história. Entretanto, o governo americano, sob pressão dos barões da indústria (Cornelius Vanderbilt, Henry Clews e outros) que se haviam reunido com o presidente Ulysses Grant (presidente entre 1869 e 1877) num hotel da 5ª Avenida nova-iorquina, havia comprado 13 milhões de dólares de títulos aflitos e esgotara a sua capacidade de injecção financeira. A crise de crédito subsistiu e destrui uma boa parte do tecido económico americano nos meses seguintes. Em algumas grandes cidades americanas, o desempregou chegou aos 25% da população activa.</p>
<p class="MsoNormal">A via de ‘saída’ da tormenta, aparentemente, teve, então, dois desenvolvimentos: os principais bancos de Nova Iorque formaram um Clearing House Committee, que acabou por ser um caminho para a reconstrução dos mercados de crédito; e o presidente americano rejeitou em 1874 uma lei do Congresso insistindo na impressão de mais dólares para inundar os mercados e acabou por pressionar os legisladores no sentido de se indexar o dólar ao ouro em 1875. De qualquer modo, a recessão duraria, ainda, mais quatro anos e a América seria sacudida por um movimento grevista sem precedentes e por intervenções repressivas do governo, nomeadamente já na vigência do novo presidente americano Rutherford Hayes (1877-1881), contra os ferroviários. No Verão de 1878 a bolsa recomeçou a animar-se e o investimento nos caminhos-de-ferro regressou no ano seguinte.</p>
<p class="MsoNormal">Esta recessão foi baptizada como a 1ª Grande Depressão da economia capitalista saída das revoluções industriais – foi muito mais longa do que a posterior de 1929/1933.</p>
<p class="MsoNormal"><strong>Uma outra história em 1929</strong></p>
<p class="MsoNormal">Tornou-se hoje moda falar da crise de 1929/1933, que é usada para todo o tipo de comparações em termos de evolução da contracção da produção, do comércio internacional ou da evolução da derrocada bolsista. Usa-se 1929, também, como referência para políticas públicas que não teriam sido logo postas em marcha, mas sim tardiamente adoptadas.</p>
<p class="MsoNormal">Contudo, no plano das causas, a Grande Depressão iniciada em 1929 foi gerada por uma crise capitalista clássica de sobreprodução (excesso de oferta de bens que não encontravam suficiente procura) e num contexto de altas taxas aduaneiras com um proteccionismo elevado, dois aspectos que não ocorreram nos anos 1870, nem agora, refere o historiador. “Só por volta de 1931, a crise de sobreprodução se tornou então uma crise bancária. Foi um processo bem distinto”, acentua Scott Nelson. No plano político, com repercussões financeiras globais, como cedo avisou o economista inglês John Maynard Keynes em ‘As Consequências Económicas da Paz’ (escrito em 1919), o acelerador de 1929 foi um fardo excessivo de indemnizações de guerra a pagar pela Alemanha imperial então derrotada na 1ª Guerra Mundial, que conduziram a um período de hiperinflação e de bancarrota (a famosa República de Weimar de 1921 a 1923) naquele país e a um efeito devastador nas reservas de ouro inglesas.</p>
<p class="MsoNormal">Face à diferença entre estas duas grandes depressões – iniciadas em 1873 e 1929 &#8211; é de admitir que as lições de política económica e financeira para combater as suas causas sejam, por isso, necessariamente distintas.</p>
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