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	<title>Janela na web &#187; Novidades</title>
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	<description>O seu portal de Management em Português desde 1995 editado por Jorge Nascimento Rodrigues</description>
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		<title>Sobreendividamento provoca redução no crescimento</title>
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		<pubDate>Mon, 07 May 2012 09:44:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A dívida pública acima de 90% do PIB provoca nos países desenvolvidos um abrandamento na taxa de crescimento a longo prazo, segundo um novo estudo de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff que já haviam chamado a atenção em 2009 para essa correlação.

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O mundo desenvolvido substituiu as economias em desenvolvimento e emergentes no sobreendividamento público, com uma dívida pública média acima dos 90% do produto interno bruto (PIB). Os 90% são considerados um limiar crítico que afeta a trajetória de crescimento económico se tais níveis se verificarem pelo menos durante cinco anos, segundo os investigadores norte-americanos Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, autores do livro &#8220;This Time is Different&#8221;. Esta obra alertou, logo em 2009, para o problema cíclico da dívida e das crises de bancarrotas ao longo de um horizonte histórico de oito séculos.  </strong></p>
<p>&#8220;Os riscos de longo prazo de uma dívida pública elevada são reais&#8221;, sublinham, agora, de novo. O problema agrava-se ainda mais, dizem os dois autores, porque uma fatia importante dessa dívida pública é detida por entidades estrangeiras. A zona euro aproxima-se daquele limiar crítico, com um nível de 87,2% em 2011, segundo os últimos dados do Eurostat (23/04/2012).</p>
<p><strong>Abrandamento no crescimento económico<br />
</strong><br />
Num estudo publicado na semana passada pelos dois autores, intitulado &#8220;<a href="http://www.nber.org/papers/w18015">Debt Overhangs: Past and Present</a>&#8221; (NBER Working Paper, nº18015), identificam-se 26 episódios de sobreendividamento público desde 1800 em 22 países desenvolvidos que apontam para duas conclusões dramáticas: o crescimento anual foi em média 1,2% mais baixo do que poderia ser (se não houvesse aquela situação de sobreendividamento) e a duração média de tais episódios foi de 23 anos. No caso português, a situação de sobreendividamento durou 33 anos seguidos, entre 1875 e 1908.</p>
<p>No final desse período médio apontado pelo estudo, o efeito acumulado no PIB foi de cerca de 25% menos do que nos períodos em que não houve sobreendividamento. O que sugere, também, que a relação entre sobreendividamento e crescimento fraco &#8220;não é apenas um fenómeno cíclico&#8221;.</p>
<p>Os dois autores advertem que muitos países enfrentam problemas de sobreendividamento em cinco frentes &#8211; dívida pública, dívida privada (empresas e famílias), dívida externa (tanto pública como privada na mão de entidades estrangeiras) e nos fundos de pensões e de programas de saúde. &#8220;O que sugere que pode ser muito pior do que no passado&#8221;, referem. Sublinham, ainda, que não tomaram em conta, neste estudo, as &#8220;dívidas escondidas&#8221;, sobretudo no sector público.</p>
<p>No entanto, a finalizar, ressalvam que o artigo agora publicado &#8220;não deve ser interpretado como um manifesto para uma desalavancagem rápida da dívida pública num ambiente de crescimento extremamente fraco e de alto nível de desemprego&#8221;.</p>
<p>Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff chamam, ainda, a atenção para o facto de que uma parte da dívida de privados acaba, em períodos de crise, por ser absorvida pelos governos, agravando a dívida pública. O que isto implica em responsabilidades adicionais dos governos, em virtude de garantias diretas e indiretas dadas durante a atual crise financeira, é analisado, recentemente, por Gerald Epstein e Pierre Habbard em &#8220;Speculation and Sovereign Debt &#8211; An Insidious Interaction&#8221;, onde se refere que esse fardo era, em 2010, em média, equivalente a 20 a 30% do PIB nos países da OCDE. Portugal, tal como Espanha e Coreia do Sul, estavam no patamar dos 30% do PIB, mas países como a Irlanda, Luxemburgo, Islândia e China posicionavam-se acima dos 50%. A Irlanda batia mesmo o recorde com 80% do PIB. Se somarmos essas obrigações financeiras adicionais do governo de Dublin à sua dívida pública em 2010, o conjunto atingiu 200% do PIB do país.</p>
<p><strong>Correlação não significa causalidade</strong></p>
<p>Quase em simultâneo com a divulgação do estudo dos dois investigadores norte-americanos, foi publicado na Europa um trabalho académico de Ugo Panizza e Andrea Presbitero onde se contestavam as conclusões de Reinhart e Rogoff.</p>
<p>Os dois investigadores italianos, em &#8220;<a href="http://polis.unipmn.it/pubbl/RePEc/uca/ucapdv/panizza198.pdf">Public debt and Economic Growth: Is there a causal effect</a>&#8221; (MoFIR, working paper, 65, abril 2012), alegam que há que fazer uma distinção entre correlação (que pode ser verificável empiricamente) e causalidade na quebra do crescimento. Panizza e Presbitero alegam que essa quebra pode ser derivada da própria reação das políticas públicas aos níveis de endividamento provocando recessões.</p>
<p>&#8220;Não encontrámos nenhuma evidência que um alto nível de dívida prejudique o futuro crescimento nas economias desenvolvidas. Deste modo, tendo em conta o estado do nosso conhecimento, acreditamos que a ligação entre dívida e crescimento não deve ser usada como argumento de apoio às políticas de consolidação orçamental&#8221;, afirmam, concluindo inclusive que &#8220;as economias desenvolvidas da nossa amostra ainda estão abaixo do limiar específico para cada país a partir do qual a dívida começa a ter um impacto negativo no crescimento&#8221;.</p>
<p><a href="http://janelanaweb.com/novidades/%E2%80%9Cbancarrota-e-possivel-em-paises-ricos%E2%80%9D-carmen-reinhart/">Entrevista a Carmen Reinhart</a> sobre &#8220;This Time is Different&#8221;. </p>
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		<title>Conferência Internacional de Coimbra de abril 2012: Ficar no euro, mudando as regras</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 22:47:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Economistas europeus discutiram em Coimbra nos dias 18 e 19 de abril o tema "A Zona Euro, de Maastricht a 2020, a crítica de um projeto e de um trajeto". Avançam com um caminho alternativo. Entrevistas aos economistas estrangeiros presentes.


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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Sair do euro? Não. &#8220;Ninguém deve fazer esse favor aos proponentes da austeridade. Estes devem sofrer as consequências da sua estratégia. Permanecendo na zona euro, mantém-se a responsabilidade de alemães, holandeses e finlandeses, se a situação se agravar. Se os periféricos abandonarem o euro sofrerão sozinhos as consequências&#8221;, afirma Peter Wahl, economista alemão, investigador do Weed, um instituto sobre economia mundial, ecologia e desenvolvimento, em Berlim. Wahl, nascido em 1948, é um dos economistas europeus que vai intervir na conferência &#8220;A zona euro, de Maastricht a 2020, a crítica de um projeto e de um trajeto&#8221;, que se realiza na Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra, na próxima semana. Por coincidência na sala Keynes.</strong></p>
<p>Uma saída do euro por parte de alguns países até poderia ser benéfica se feita &#8220;de um modo ordeiro&#8221;, admite Dominique Plihon, nascido em 1946, professor de economia financeira na Universidade de Paris XIII, e outros dos intervenientes. &#8220;Mas como essa condição não é provavelmente exequível, é preferível prosseguir políticas alternativas dentro da zona euro, baseadas na cooperação&#8221;, acrescenta, dando o mote para um programa alternativo. &#8220;Com uma dívida em euros, não há solução fora do sistema monetário europeu&#8221;, acrescenta, pragmaticamente, Marcello de Cecco, nascido em 1938, professor da Escola Normal de Pisa e da LUISS, uma universidade privada, em Roma, ligada, na sua fundação, à Cofindustria (a federação do patronato italiano). De Cecco seria o mais velho dos intervenientes, não fossem motivos de saúde que o vão reter em Roma.</p>
<p>No entanto, se essa oportunidade não for explorada, &#8220;é muito provável que algumas economias periféricas acabem por ter de sair da moeda única, ainda que o processo de ajustamento possa ser muito intenso&#8221;, admite Alberto Montero Soler, professor de Economia Aplicada da Universidade de Málaga e presidente da Fundação Centro de Estudos Políticos e Sociais. Soler é o benjamim neste grupo, nascido em 1970. Nessas circunstâncias, o italiano De Cecco só vê utilidade se os periféricos &#8220;conseguirem levar a França com eles criando uma zona euro mediterrânica, com uma taxa de câmbio fraca&#8221;. Mas, para a grega Marica Frangakis, nascida em 1950, da direção do Instituto Nicos Poulantzas da Universidade de Atenas, as saídas do euro podem ser inevitáveis: &#8220;Há já uma zona euro a duas velocidades. Se esta situação continua por muito mais tempo, a viabilidade do projeto europeu fica em causa. A saída do euro pode não ser uma solução, mas o resultado final&#8221;.</p>
<p><strong>A culpa é do mercantilismo</strong></p>
<p>Uma das razões endógenas da crise atual da zona euro radica num problema de origem da criação da própria zona monetária &#8211; a sua heterogeneidade. A crise financeira e económica recente sublinhou-a. Hoje é uma constatação feita, recentemente, pelo próprio presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mário Draghi. &#8220;Draghi está certo a 50%. Há problemas estruturais entre os membros da zona euro, e os mais importantes são os desequilíbrios nas balanças correntes. Quer as situações de excedente como as de défice têm de ser reduzidas. E isto significa ajustamentos também na Alemanha, na Áustria, na Holanda e em outros países com excedentes. Os países deficitários, por seu lado, necessitam de impulsos para um crescimento inteligente&#8221;, diz Peter Wahl. &#8220;A atual crise da zona euro não é um problema apenas causado pela dívida dos periféricos. É, sobretudo, um problema dos países do centro, que prosseguiram políticas mercantilistas baseadas na austeridade dos salários&#8221;, afirma, por seu lado, Dominique Plihon.</p>
<p>A questão de que os desequilíbrios não podem ser unilateralmente resolvidos, envolvendo apenas os países deficitários, foi levantada por John Maynard Keynes no início do século XX. Apesar de difícil de &#8220;engolir&#8221; pelos políticos e os eleitorados dos países excedentários, é a única saída &#8220;ordeira&#8221;. &#8220;Não bastam mais transferências orçamentais através dos fundos estruturais. É necessária uma estratégia gémea de transferir uma parte da dívida soberana para o Banco Central Europeu ou o Mecanismo Europeu de Estabilização, além da emissão de euro-obrigações viradas para o crescimento que podem ser emitidas pelo Fundo Europeu de Investimento (FEI). Isto pode ser feito pelo FEI sem qualquer revisão dos Tratados&#8221;, explica o economista britânico Stuart Holland, nascido em 1940, antigo ministro-sombra trabalhista e atualmente professor da Faculdade de Economia de Coimbra. Este fundo foi criado em 1994 como uma parceria público privada que hoje tem como sócio maioritário o Banco Europeu de Investimentos, sendo o seu braço armado para o capital de risco e para o apoio ao financiamento de PME por parte das instituições financeiras europeias.</p>
<p>Holland fala de um &#8220;New Deal&#8221; para a Europa &#8220;transformando excedentes em investimentos, incluindo os excedentes dos bancos centrais das economias emergentes e dos fundos soberanos que pretendam diversificar fora do dólar&#8221;. A solução é a criação de um Tesouro europeu, diz Alberto Montero Soler, que remata: &#8220;A ditadura dos credores, dos rentistas, não é nunca a solução para um problema de dívida generalizada como o que temos. As soluções podem ser específicas, mas todas elas passam por aliviar a carga da dívida para os endividados&#8221;.</p>
<p><strong>A hegemonia alemã</strong></p>
<p>A hegemonia alemã na zona euro é uma das questões que vem à baila por detrás da atual ortodoxia monetária seguida pelo BCE e de ajustamento orçamental inscrito no próprio &#8220;compacto orçamental&#8221; &#8211; a chamada &#8220;regra de ouro&#8221; que se pretende constitucionalizar. Para o alemão Wahl, não há um problema de hegemonia, mas sim uma posição &#8220;das elites alemãs em manter uma posição competitiva à custa dos países com défice&#8221;. Mas para o inglês Holland, o hegemonismo alemão é óbvio: &#8220;Claro que há, e por múltiplas razões pouco reconhecidas, ainda que se devam distinguir os alemães da Alemanha&#8221;.</p>
<p>O italiano De Cecco é, ainda, mais explícito: &#8220;A Alemanha é o hegemonista na Europa, o que quer que aconteça ao compacto orçamental. A situação é diferente desde 1989, desde o colapso da União Soviética e da reunificação alemã. Esses dois acontecimentos tornaram a Alemanha no hegemonista natural na Europa&#8221;. &#8220;Os alemães seguiram um mercantilismo extremo e inteligente, foram capazes de usar a moeda comum, o euro, da forma mais vantajosa&#8221;, acrescenta. Há que tirar-lhes o chapéu.</p>
<p>Mas o hegemonismo gera um paradoxo: &#8220;Quanto mais sucesso tiver a Alemanha na imposição dessas regras, maior a resistência contra elas, minando a própria hegemonia alemã. Nada é nítido num processo complexo como este&#8221;, conclui a grega Marica Frangakis.</p>
<p><strong>Caminho alternativo</strong></p>
<p>. Desvalorização do euro</p>
<p>. Pacote europeu de estímulos à economia</p>
<p>. Novo mandato para o Banco Central Europeu</p>
<p>. Solidariedade interna na zona euro, para além dos fundos estruturais</p>
<p>. Euro-obrigações (eurobonds)</p>
<p>. Orçamento europeu</p>
<p>. Política comum de impostos em relação às empresas e às transações financeiras</p>
<p>. Normas sociais comuns, como um salário mínimo na União Europeia</p>
<p>. Aliviar a carga de dívida dos países periféricos</p>
<p>. Austeridade em relação aos responsáveis pela crise financeira</p>
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		<title>Dossiê BRICS:  Da Cimeira em Nova Deli à relação de forças no FMI e Banco Mundial</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 09:31:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Realizou-se dia 29 de março de 2012 na capital da Índia a 4ª cimeira das cinco principais potências emergentes. Economistas dos cinco países envolvidos comentam as expetativas em torno do encontro e depois o seu balanço. Um plano de ação foi aprovado pela primeira vez. Não é, ainda, o momento de macrodecisão do grupo, mas para lá se caminha.


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>PARTE I: DISCUSSÂO PRÉVIA à CIMEIRA DE NOVA DELHI. Com o tema oficial &#8220;Parceria dos BRICS para a Estabilidade Global, Segurança e Prosperidade&#8221; reúnem-se hoje em Nova Deli os líderes dos cinco países &#8211; Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul &#8211; que dão nome ao acrónimo. Passará esta quarta cimeira do grupo da habitual retórica geopolítica a atos cirúrgicos que pressionem efetivamente o G7 (clube dos sete países desenvolvidos) é a grande interrogação que atravessa as declarações dos economistas e consultores ouvidos pelo Expresso, oriundos dos cinco países envolvidos.</strong></p>
<p>Da agenda constam diversos temas em torno da situação geopolítica e económica global. No plano geopolítico, os analistas e economistas ouvidos salientaram a situação do Médio Oriente (Irão e Síria) e a questão dos lugares permanentes com direito de veto no Conselho de Segurança (onde Brasil, Índia e África do Sul não estão) das Nações Unidas. E, entre os temas económicos, a estratégia comum face à crise da zona euro, a possibilidade de criação de um banco de desenvolvimento, o lançamento de uma aliança entre as bolsas dos cinco países, o estabelecimento de crédito denominado nas divisas de cada um para as transações comerciais entre os cinco, eliminando o dólar, a cooperação na segurança marítima, e a eventual análise da sucessão na presidência do Banco Mundial em junho.</p>
<p>O presidente chinês Hu Jintao levou uma comitiva de 150 membros e a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi acompanhada de seis ministros e dois governadores (de Sergipe e da Paraíba).</p>
<p>Para apimentar o ambiente, o The Times of India noticiava a poucas horas de abertura da cimeira que a Índia ultrapassará a China em 2050, depois desta última ultrapassar os Estados Unidos em 2020, segundo o &#8220;Relatório sobre a Riqueza&#8221; da Knight Frank e do Citi Private Bank.</p>
<p>Na primeira quinzena reuniu-se, em Nova Deli, uma pré-cimeira, onde académicos e especialistas de think tanks dos cinco países discutiram e desenvolveram ideias que serão integradas na declaração final dos líderes.</p>
<p><strong>Retórica ou, finalmente, ação?</strong></p>
<p>&#8220;A realização de mais esta cimeira representa uma clara posição política como grupo que mostra que o poder mundial está a mudar e rapidamente, e, sem dúvida, que a grande cobertura mediática vai tornar isto claro para muita gente&#8221;, sublinha-nos Soumodip Sarkar, natural de Jamshedpur &#8211; conhecida como a &#8220;cidade do aço&#8221; da Índia &#8211; e professor do Departamento de Gestão da Universidade de Évora.</p>
<p>Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais a Escola de História e Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, considera que a agenda deste quarto encontro aponta claramente que &#8220;os BRICS estão a institucionalizar, lentamente, os seus laços&#8221;. Stuenkel participou em Nova Deli nas reuniões preparatórias desta cimeira e vê nos temas que vão ser abordados a procura de criação de plataformas de colaboração mais sólidas. É francamente otimista: &#8220;Para além da ideia de um Banco de Desenvolvimento, a iniciativa de um mercado bolsista comum, a eliminação de barreiras ao investimento e a cooperação na segurança marítima, apontam para um plano de regulamentação comum que permita o desenvolvimento do comércio entre os BRICS. Também serão dados passos no sentido do reforço dos laços ao nível da sociedade civil, que são fracos, bem como nas relações entre institutos de investigação e organizações não governamentais, para troca de boas práticas sobre assuntos como a desigualdade, poluição, redução da pobreza, saúde e educação&#8221;.</p>
<p>No entanto, as diferenças entre os cinco são sempre uma pedra no sapato. &#8220;Mais discursos do que decisões&#8221;, teme Ricardo Amorim, consultor brasileiro em São Paulo, que participa no programa semanal &#8220;Manhattan Connection&#8221; transmitido no Brasil pelo canal GloboNews, da Globo. &#8220;Eles tornaram-se cada vez mais poderosos e importantes na economia global, mas há grandes diferenças de interesses entre eles, que tornam difícil que atuem como um bloco coordenado&#8221;, refere Amorim. &#8220;A cimeira vai certamente produzir uma forte retórica em torno da cooperação geopolítica e da coordenação de políticas, mas, para além disto, é pouco provável que as iniciativas anunciadas venham a ter um real impacto no terreno&#8221;, duvida o economista russo Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College, em Dublin, na Irlanda. O consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya, vai mesmo mais longe &#8211; a janela de oportunidade de afirmação dos BRICS pode fechar-se. &#8220;Não espero nada de extraordinário desta cimeira. As diferenças entre os BRICS são mais profundas do que muita gente julga. Se a crise financeira &#8216;ocidental&#8217; desaparecer, também os BRICS vão por água abaixo&#8221;, diz, sem rendilhados, o autor de &#8220;Made in India&#8221;.</p>
<p><strong>O que cada um quer</strong></p>
<p>A China é, sem dúvida, a potência mais forte neste grupo. É a segunda economia do mundo e a sua capacidade de soft power à escala mundial, apesar da repressão interna e de posições controversas no Conselho de Segurança da ONU, é indiscutível. Os objetivos económicos são os mais transparentes: &#8220;Espero que os BRICS consigam mais consenso na cooperação multilateral e no âmbito da governação económica global, sobretudo alargando a cooperação económica e financeira em terrenos como os swaps de divisas, a abertura dos mercados de capitais e a redução das restrições ao comércio e ao investimento&#8221;, sublinha-nos Xu Hongcai, professor de Finanças em Pequim e diretor no China Center for International Economic Exchanges, um dos mais importantes think tanks chineses.</p>
<p>Soumodip Sarkar admite que um dos propósitos do anfitrião, a Índia, possa ser &#8220;o relaxamento de tensões, sobretudo com a China e a obtenção do apoio desta para que a Índia possa assegurar um lugar permanente no Conselho de Segurança da ONU&#8221;.</p>
<p>O Brasil poderá querer, também, arrefecer as tensões com a China em torno do problema da ainda fraca valorização da moeda chinesa e da &#8220;invasão&#8221; dos produtos manufaturados chineses, sublinha-nos Peter Draper, investigador do South African Institute of International Affairs (SAIIA) e professor na Wits Business School em Joanesburgo. Brasília tem falado contra a &#8220;guerra de divisas&#8221; e os destinatários não são só as políticas de &#8220;alívio quantitativo&#8221; da Reserva Federal norte-americana ou de liquidez do Banco Central Europeu. O falhanço da Ronda de Doha, promovida pela Organização Mundial do Comércio (OMC), prejudica as exportações agrícolas brasileiras, pelo que a procura de apoio político para relançar o tema poderá ser um dos temas da agenda de Dilma Rousseff. A convergência de agenda na OMC entre o Brasil, Índia e a África do Sul, que se têm reunido no âmbito de um grupo que se denomina IBAS (acrónimo para os três países do &#8216;Sul&#8217;), poderá ser um dos resultados desta cimeira, procurando apoio da China e da Rússia.</p>
<p>A Rússia tem curiosamente um pé em cada lado. É membro do G8 (um alargamento a Moscovo pelo grupo dos 7 países desenvolvidos) e fundador dos BRICS, o que torna ambígua a sua estratégia, além de diversos problemas económicos advindos das diferentes especializações dos cinco. O economista russo Constantin Gurdgiev salienta, por exemplo, o problema com o desenvolvimento do comércio baseado nas divisas de cada um: &#8220;Para a Rússia, e também para o Brasil, o comércio em commodities continuará referenciado ao dólar e conseguir realizar transações em volume significativas com base em outras divisas implica grandes riscos nos câmbios para estas duas economias&#8221;.</p>
<p>Coletivamente, como grupo, se concretizarem algumas das medidas em discussão, &#8220;estarão a por em cheque as instituições saídas de Bretton Woods&#8221;, sublinha o sul-africano Peter Draper. Até onde vai, em termos práticos, este objetivo é uma incógnita. Desde a probabilidade de criação no terreno de entidades &#8220;paralelas&#8221;, como a ideia avançada pela Índia de Banco de Desenvolvimento (que abordaremos mais adiante), ou, apenas, como arma de pressão política para obrigar o G7 &#8211; em particular os EUA e a União Europeia &#8211; a ceder posições e a alterar a correlação de forças nessas instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional, o Banco Mundial (cuja presidência fica vaga em junho) ou a estrutura do Conselho de Segurança das Nações Unidas. &#8220;Continuamos com organizações mundiais cuja estrutura data do fim da 2ª Guerra Mundial. Os ganhadores dessa guerra, apesar de declarações piedosas sobre a necessidade de reformas, não estão dispostos a largar ou partilhar, por exemplo, o poder de veto, e nas instituições financeiras os EUA e a Europa continuam a ter, de longe, a maioria dos votos. A situação só se resolve se esses dois &#8216;blocos&#8217; se dispuserem a realizar as alterações necessárias nos direitos de voto. Devo confessar que não estou otimista&#8221;, diz-nos, por seu lado, Thomas Wheeler, um diplomata sul-africano reformado, também investigador do SAIIA.</p>
<p><strong>Banco de Desenvolvimento, sim ou não?</strong></p>
<p>Tem sido o ponto da agenda mais badalado. Foi iniciativa da Índia, sublinha Ashutosh Sheshabalaya, que refere &#8220;pequenos projetos piloto, como o do Haiti, lançado em conjunto pela Índia, Brasil e África do Sul, abriram espaço para esta ideia, que se torna apelativa se for apoiada pelas enormes reservas de divisas da China&#8221;. Mas Peter Draper sublinha que a China quererá a presidência e que estará a movimentar-se no sentido do renminbi (a moeda chinesa) ser a principal divisa.</p>
<p>O professor sul-africano Daniel Bradlow, da Faculdade de Direito da Universidade de Pretória, é um entusiasta: &#8220;É uma iniciativa com grande potencial. Poderá tornar-se mais do que uma fonte de financiamento para projetos infraestruturais e de desenvolvimento, ampliando a cooperação Sul-Sul e desafiando as abordagens tradicionais ao desenvolvimento, tornando-se uma fonte de pensamento criativo e inovador. Além disso, sugere que os BRICS poderão começar a criar centros alternativos de governação económica aos existentes controlados pelo G7, o que encoraja a uma reforma mais rápida e profunda das instituições atuais&#8221;.</p>
<p>O aspeto de pressão geopolítica é sublinhado por dois outros especialistas. &#8220;Apesar de um dos argumentos importantes para a criação do Banco de Desenvolvimento ser financiar grandes projetos de infraestrutura, sem estar à mercê do financiamento das organizações multilaterais, como o FMI &#8211; onde os BRICS têm ainda fraco poder de voto -, penso que é incontornável pois é outra forma de mostrarem que o poder está a mudar dos países OCDE para os emergentes&#8221;, sublinha o indiano Soumodip Sarkar. O brasileiro Ricardo Amorim vê na iniciativa uma arma geopolítica de pressão: &#8220;É um passo inevitável no caso dos países ricos não permitirem aos BRICS ter uma palavra mais forte no FMI ou no Banco Mundial (BM). Se os BRICS não tiverem mais poder nestas instituições, acabarão por criar as suas próprias, tornando o FMI e o BM irrelevantes&#8221;.</p>
<p>Oliver Stuenkel, por seu lado, acha que poderá ser um instrumento &#8220;potencialmente muito útil para reforçar os laços económicos entre os BRICS&#8221;, pois relações entre o Brasil e a Índia, por exemplo, são ainda fracas.</p>
<p>Mas poderá ficar-se, para já, pela criação de uma equipa de estudo do problema, segundo diplomatas brasileiros afirmaram aos media do país. O presidente do Banco Mundial (BM), o norte-americano Robert Zoellick, tentou &#8220;desdramatizar&#8221; o assunto na quarta-feira considerando a ideia &#8220;um complemento&#8221; à atividade do BM, mas advertiu que criar um banco &#8220;é um empreendimento complicado&#8221;. Sarkar não partilha das advertências de Zoellick: &#8220;Do ponto de vista prático, é claro que é fundamental que o novo banco obtenha boas notações de crédito, e eu penso que o conseguirá&#8221;.</p>
<p>Opinião diametralmente oposta é defendida pelo economista russo Gurdgiev. &#8220;Do meu ponto de vista, o tempo para um banco Sul-Sul ainda não chegou. Simplesmente por haver excedentes para aplicar não é razão para criar um banco, sobretudo porque o Brasil e a Índia continuam a ter défices da balança corrente e o excedente da Rússia está a minguar&#8221;, afirma, para ainda ser mais contundente: &#8220;Em virtude dos enormes níveis de corrupção nas estruturas de decisão dos países dos BRICS é difícil imaginar que este novo corpo internacional escape a esses problemas. Alcançar uma eficiência no investimento e gestão, que não esteja politizada, é difícil. Os governos dos BRICS permanecem excessivamente politizados e tendem a promover agendas regionalistas e autocentradas. Além do mais, os BRICS não têm nem experiência, nem inovação estratégica a oferecer como alternativa viável ao Banco Mundial&#8221;.</p>
<p><strong>Presidência do Banco Mundial</strong></p>
<p>Com o lugar a vagar em junho, era a oportunidade de ouro para um gesto firme dos BRICS, sublinha Peter Draper, apoiando um candidato único. O Banco Mundial entrevistará os candidatos entre 9 e 11 de abril. Os países em desenvolvimento apresentaram já dois candidatos, um da Colômbia (que curiosamente não é apoiado pelo governo do seu país) e uma africana, a ministra das Finanças nigeriana Ngozi Okonjo-Iweala. Mas, até à data, não houve declaração de apoio a um candidato comum, tal como já havia acontecido aquando da substituição do director-geral do Fundo Monetário Internacional, sublinha-nos Oliver Stuenkel.</p>
<p>&#8220;É absolutamente indefensável que o presidente do Banco Mundial seja sempre um norte-americano e que o diretor-geral do FMI seja um europeu. Mas, realisticamente, as coisas não mudarão, enquanto as economias emergentes e os países em desenvolvimento não atuarem a uma só voz&#8221;, refere o sul-africano Daniel Bradlow, que advoga o apoio à candidatura africana, além do mais protagonizada por uma mulher.</p>
<p>Mas a realidade é outra. &#8220;Não acho que os BRICS consigam ter um candidato comum. As fricções, por exemplo, entre a Índia e a China são fortes&#8221;, diz Ashutosh Sheshabalaya. Mais diplomaticamente Xu Hongai sublinha: &#8220;É uma boa oportunidade pra mudar as regras do jogo e escolher alguém dos BRICS. Mas, a proposta teria certamente a oposição dos Estados Unidos&#8221;.</p>
<p><strong>Envolvimento na crise da zona euro</strong></p>
<p>A crise da dívida nos países &#8220;periféricos&#8221; da zona euro desde 2010 e a evolução da economia europeia para a recaída na recessão em 2012 abriram uma oportunidade para a &#8220;intervenção&#8221; dos BRICS neste continente. Mas o tipo de envolvimento tem sido ambíguo.</p>
<p>A tese oficial é a intervenção indireta através do Fundo Monetário Internacional (FMI). Com uma contrapartida, refere o brasileiro Ricardo Amorim: &#8220;os países ricos terão de dar mais poder de decisão aos emergentes no FMI&#8221;. O professor sul-africano Bradlow é mesmo mais taxativo: &#8220;A Europa deve estar disposta a conceder votos e voz na gestão destas instituições internacionais&#8221;.</p>
<p>O professor indiano Soumodip Sarkar sublinha que não lhe parece que &#8220;a questão da crise europeia seja uma prioridade&#8221; na agenda dos BRICS, servindo mais &#8220;para a China, e até certo ponto para a Índia e o Brasil, a usarem como oportunidade para maior presença no continente através de aquisições&#8221;. Para Xu Hongcai, &#8220;o apoio dos BRICS deve ligar-se a cooperação económica bilateral&#8221;, e, nesse campo, deve haver uma contrapartida: &#8220;Os países desenvolvidos devem ter uma política mais aberta de exportação de produtos de alta tecnologia e de transferência de alta tecnologia para os BRICS no sentido de permitir um desenvolvimento &#8216;verde&#8217; e da economia de baixo carbono&#8221;.</p>
<p>Mas o economista russo Gurdgiev fala a contracorrente: &#8220;Os BRICS devem focalizar-se nas suas próprias economias e ficar de fora de qualquer envolvimento ativo na crise europeia. Devem resistir a todo o custo a qualquer envolvimento direto. Sobretudo devem concentrar-se em investir em empresas privadas europeias e manter-se completamente afastados de aumentar o seu envolvimento em dívida pública da zona euro&#8221;. Em termos concretos, acha que &#8220;para além de atribuírem alguns fundos ao FMI para não ficarem atrás dos empréstimos que o Banco Central Europeu irá fazer aquela instituição, duvido que os BRICS pretendam colocar fundos consideráveis no Mecanismo Europeu de Estabilidade&#8221;.</p>
<p><strong>BRICS &#8211; NÚMEROS &#038; FACTOS</strong></p>
<p># BRICS é um acrónimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O acrónimo inicial BRIC foi criado por Jim O&#8217;Neill, da Goldman Sachs, em 2001, e não incluía a África do Sul, que integrou o grupo na terceira cimeira na China, em Sanya, em abril do ano passado.</p>
<p># Em termos globais, os BRICS estendem-se por 26% dos continentes e albergam 42% da população mundial, com a China e a Índia como os dois países mais populosos do mundo. Dominam também 40% do PIB mundial. Deverão ultrapassar o poder económico do G7 em 2035, segundo as previsões de Jim O&#8217;Neill. Na última década foram o principal motor do crescimento económico, responsáveis por 50% do aumento anual do PIB mundial. Este ano, estima-se que representarão 56% desse crescimento. O G7 (grupo dos 7 países ricos) não deverá ser responsável por mais de 9,5%.</p>
<p>#O comércio entre os BRICS é ainda fraco, representando 230 mil milhões de dólares, pouco mais de 1% do comércio internacional de exportações. No entanto está a crescer anualmente 28%. As cimeiras têm apontado no sentido de facilitar os fluxos comerciais. Os bancos centrais dos BRICS assinaram acordos de swap de divisas e fortaleceram a sua cooperação, que se estendeu também aos seus bancos de desenvolvimento. O uso das próprias divisas nas transações pretende diminuir o risco cambial e baixar os custos de transação. No entanto, o facto de os BRICS deterem grandes montantes de reservas em dólares e de alguns serem detentores de enorme exposição aos título do Tesouro norte-americanos limita a margem de manobra de dispensar o dólar. &#8220;A desestabilização frontal do sistema baseado no dólar não é do interesse de ninguém, inclusive dos BRICS&#8221;, afirma o consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya.</p>
<p># A primeira cimeira realizaou-se em Ekaterinburgo, na Rússia, em 2009, seguida de Brasília, no Brasil, em 2010, Sanya, na China, em 2011, e agora Nova Deli.</p>
<p># Os cinco países dominam 35% das reservas em divisas mundiais.</p>
<p># Rússia (desde 1945 através da União Soviética) e China (desde 1971) são membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Brasil, Índia e África do Sul têm sido eleitos por mandatos de dois anos para os 10 membros não permanentes. No mandato de 2011-2012 estão presentes África do Sul e Índia (o mandato em que está, também, representado Portugal) e no mandato de 2010-2011 esteve o Brasil.</p>
<p># Há um mosaico de especializações internacionais: A Índia é cada vez mais um exportador de serviços e de investimento, incluindo para os seus parceiros dos BRICS, e até de executivos de topo (o presidente do Citigroup, Vikram Pandit, o provável próximo CEO do Deutsche Bank, Anshu Jain, e o provável sucessor de Warren Buffett à frente da Hathaway, Ajit Jain); o Brasil é um exportador de bens agrícolas, tal como a África do Sul, ainda que esta em menor grau; a Rússia, o Brasil e a África do Sul são exportadores de uma diversidade de commodities; a China é cada vez mais o principal fornecedor de produtos manufacturados e o principal cliente de commodities.</p>
<p><strong>PARTE II &#8211; BALANÇO DA CIMEIRA. &#8220;Foi notável a hostilidade visível nos media ocidentais, prévia a esta cimeira. Quase todas as opiniões e comentadores sublinharam que os BRICS não têm futuro e que estariam longe de encontrar um denominador comum&#8221;, refere-nos Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais na Escola de História e Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Stuenkel participou nas reuniões prévias preparatórias da cimeira de Nova Deli, que se realizou na semana anterior ao encontro, e veio otimista sobre a dinâmica criada, ao fim de três anos depois da primeira cimeira na Rússia.</strong></p>
<p>Apesar do coro de críticas a ocidente, ficou clara a determinação dos BRICS, diz o economista indiano Soumodip Sarkar, professor na Universidade de Évora, que sublinha: &#8220;A cimeira teve um impacto nos media globais onde os BRICS mostraram ao mundo que o poder mudou. Devemos esperar, também, que estes países se tornem mais determinados nos assuntos internacionais&#8221;.</p>
<p><strong>Um plano de ação</strong></p>
<p>Uma das novidades aprovadas, agora, foi o &#8220;Plano de Ação de Deli&#8221;, com 17 pontos, que aponta, como refere o professor da FGV, para &#8220;um reforço dos laços a todos os níveis entre os cinco países&#8221;. As reuniões multilaterais a nível ministerial e de especialistas passam a ser regulares em diversas áreas e as consultas entre diplomatas nas missões permanentes dos BRICS em Nova Iorque, Viena e Genebra, cidades onde estão sediadas importantes organizações internacionais, serão acionadas sempre que necessário. A este nível, o Plano de Ação prevê o reforço das relações nas questões de energia e académicas.</p>
<p>Mas é na área das relações comerciais e financeiras que esta cimeira deu um passo em frente, consideram os especialistas ouvidos pelo Expresso. &#8220;Os líderes dos BRICS reconheceram em profundidade o significado de dar passos pragmáticos para promover a cooperação bilateral no comércio, no investimento e na área financeira&#8221;, sublinha o economista chinês Xu Hongcai, professor de Finanças em Pequim e diretor no China Center for International Economic Exchanges, um dos mais importantes think tanks chineses. Ele destaca os mecanismos que vão ser montados entre bancos centrais, entre bancos ligados ao comércio externo e ao desenvolvimento, e entre as bolsas respetivas. O ponto 18 do comunicado final de Deli refere a conclusão de um acordo de extensão das facilidades de crédito em divisas dos cinco através de um mecanismo de cooperação bancária e outro acordo para um mecanismo de confirmação de cartas de crédito entre os bancos de comércio externo e de desenvolvimento dos cinco países. Por outro lado, o ponto 47 refere o estabelecimento de uma aliança entre as bolsas dos BRICS, uma iniciativa conjunta das bolsas de valores respetivas.</p>
<p><strong>Principais vítimas: Zona euro e Japão</strong></p>
<p>&#8220;As decisões 18 e 47 do comunicado são os resultados mais significativos e têm um potencial claro de reorientar os fluxos financeiros e comerciais mundiais para as relações Sul-Sul, ou, pelo menos, entre os BRICS. As implicações destas decisões vão, para além, do simples comércio bilateral. Se tiverem sucesso, no longo prazo, reduzirão os fluxos de capital para vários países desenvolvidos, sobretudo regiões com fraco crescimento e com crédito deteriorado, nomeadamente na zona euro e Japão&#8221;, afirma, por seu lado, o economista russo Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College, em Dublin. Gurdgiev vai mesmo mais longe no impacto geoeconómico desta decisão dos BRICS: &#8220;Orientar mais comércio para as relações entre os BRICS e reter os excedentes comerciais nas divisas deles vai implicar uma maior marginalização da Europa e do Japão&#8221;.</p>
<p>A proposta da Índia de criação de um Banco de Desenvolvimento ficou de ser estudada. Para Soumodip Sarkar, essa será a medida de maior impacto, muito mais do que as relacionadas com o comércio, atrás referidas, sobre as quais o professor de Évora duvida quanto à sua intensidade real na prática. Oliver Stuenkel garante &#8220;que o Banco surgirá no próximo ano durante a cimeira dos BRICS na África do Sul&#8221;. Em contraste, Constantin Gurdgiev acha pouco provável que esse banco venha a conhecer a luz do sol. Por razões geopolíticas: &#8220;É claro para mim que, atualmente, o Brasil, e em menor grau a Rússia e a Índia, não vêm grande possibilidade de concretização de um tal tipo de banco financiado diretamente pelos BRICS. Uma instituição desse tipo seria, naturalmente, dominada pelos excedentes da balança corrente da China, criando uma situação em que decisões politizadas poderão favorecer a estratégia de captura global de cadeias de fornecimento de commodities pela China&#8221;, frisa o economista russo.</p>
<p><strong>A questão das quotas no FMI</strong></p>
<p>Outra dimensão importante da cimeira situa-se no plano da política internacional. Apesar de uma insistência nas questões de governação das instituições internacionais, como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, a cimeira não decidiu apoiar um candidato comum à presidência deste último, tal como já acontecera com o caso do FMI. Sobre o FMI, Xu Hongcai é crítico do &#8220;ritmo de ajustamento das quotas&#8221;. Entretanto, a diretora-geral do FMI respondeu, esta semana, às críticas afirmando ao Knowledge Wharton/Paris Tech Review, que o processo de reforma das quotas, que estará precisamente &#8220;a meio&#8221; caminho, levará a uma deslocação de 6% para as economias emergentes e em desenvolvimento. &#8220;Os BRIC estarão claramente entre os recipientes destas quotas adicionais, e em virtude dessa reforma todos eles estarão entre os 10 principais países desta instituição em termos de quotas&#8221;, frisou Christine Lagarde.</p>
<p>No campo do Conselho de Segurança das Nações Unidas, a pressão é clara. &#8220;Os BRICS desejam reformar as Nações Unidas. A China e a Rússia apoiam que o Brasil, Índia e África do Sul desempenhem um papel maior na ONU&#8221;, refere Xu Hongcai.</p>
<p>Um dos pontos que foi sublinhado respeita às relações entre a China e a Índia. &#8220;Os problemas bilaterais entre os dois países são encarados como a maior vulnerabilidade no conceito dos BRICS. Mas é surpreendente como ambas se relacionaram bem&#8221;, diz Stuenkel. Soumodip Sarkar sublinha, por seu lado, &#8220;o que se passou nos bastidores em particular entre a China e a Índia e entre o Brasil e a Índia&#8221;. O professor de Évora salienta que as tensões entre os dois vizinhos asiáticos &#8220;arrefeceram, e isso pode ser uma medida de crescente confiança que poderá levar a mais investimento da China na Índia&#8221;. Entre o Brasil e a Índia assinou-se um acordo que permitirá a investigadores brasileiros investigar nas universidades indianas.</p>
<p>A posição sobre a situação na Síria parece refletir a postura da Rússia na guerra civil em curso e quanto ao Irão os BRICS afirmaram, em conjunto, que não se pode permitir que a situação evolua para um conflito, sublinha, a concluir, Oliver Stuenkel.</p>
<p><strong>PARTE III: Eleição do presidente do Banco Mundial (Semana de 16-19 de abril). Moscovo deu a mão a Washington DC e Pequim vê virtualidades na nomeação de um descendente asiático. Provavelmente será a última que o &#8220;Ocidente&#8221; conseguirá ganhar. Daqui a cinco anos, as economias emergentes esperam ter alterado a correlação de forças.<br />
</strong></p>
<p>Jim Young Kim, o norte-americano de ascendência sul-coreana, indicado pelo presidente Barack Obama, foi escolhido presidente do Banco Mundial para os próximos cinco anos pelos 25 membros da direção deste organismo internacional. Mas não foi por unanimidade. &#8220;É a primeira vez na história do Banco Mundial que uma indicação dos Estados Unidos é contestada. Isto mostra claramente a perda de hegemonia da superpotência&#8221;, afirma ao Expresso André Roberto Martin, um professor de geografia política da Universidade de São Paulo.</p>
<p>Kim substitui outro norte-americano, Robert Zoellick, dentro da &#8220;tradição&#8221; de que cabe aos Estados Unidos dominar o banco e a um europeu liderar o Fundo Monetário Internacional (FMI). Esta &#8220;regra&#8221; informal que vigora há sete décadas ainda não foi, desta vez, quebrada, apesar das fortes movimentações dos africanos para impor o seu candidato, a ministra das Finanças nigeriana, Ngozi Okonjo-Iweala. Daniel Bradlow, da Universidade de Pretória, sublinha-nos a importância da unidade africana nesta questão, incentivada pela África do Sul (hoje em dia membro do &#8220;clube&#8221; que dá pelo acrónimo de BRICS &#8211; acrónimo para Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). A ministra africana chegou a recolher o apoio de 39 quadros do Banco Mundial, de centenas de académicos, e até de jornais &#8220;ocidentais&#8221; influentes, como o &#8220;Financial Times&#8221; e o &#8220;The Economist&#8221;. Entre as quatro grandes economias emergentes, o Brasil deu um passo político claro ao declarar o apoio à ministra nigeriana e ao romper com os EUA nesta matéria. &#8220;No entanto, percebeu-se logo que dificilmente a aposta sairia vitoriosa ao enfrentar o candidato apoiado pelos americanos&#8221;, confessa André Martin.</p>
<p><em><strong>A última vez?</strong></em></p>
<p>Alguns analistas admitem que seja a última vez que Washington DC consegue a proeza. &#8220;Kim e Lagarde são provavelmente os últimos a ser impostos pelos EUA e pela Europa. Daqui a quatro a cinco anos quando os seus sucessores forem escolhidos, estaremos a viver num mundo bem diferente. A candidatura de Ngozi Okonjo-Iweala dá-nos uma primeira ideia de como a seleção futura [nestes cargos] será feita&#8221;, diz-nos Oliver Stuenkel, professor da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, que tem participado, por parte do Brasil, nas reuniões preparatórias das cimeiras dos BRICS.</p>
<p>Kim, que veio com a família da Coreia do Sul para os EUA com apenas cinco anos, é um médico de 52 anos pioneiro no tratamento da SIDA e da tuberculose nos países pobres e foi uma escolha de Obama que surpreendeu. O economista russo Constantin Gurdgiev, professor em Dublin, acha que foi &#8220;uma decisão muito inteligente de Obama&#8221;. Kim é desde 2009 presidente do Dartmouth College, no New Hampshire. A organização global contra a pobreza Oxfam considera-o &#8220;um herói do desenvolvimento&#8221;, ainda que deplore a forma de escolha ainda vigor no Banco Mundial, que acaba por retirar mérito aos candidatos em favor da correlação de forças geopolítica. Xu Hongcai, diretor do mais importante think tank chinês, considera que &#8220;são boas notícias&#8221;. Este professor na Universidade de Pequim diz ao Expresso que é positivo o fato de Kim &#8220;não ser um político, ter conhecimento e experiência de gestão, e inclusive ser de ascendência asiática&#8221;. &#8220;Algo mudou. Estou inclinado a pensar que é um novo começo histórico&#8221;, conclui.</p>
<p><strong>Rússia roeu a corda</strong></p>
<p>O grupo dos BRICS acabou por não ter uma posição comum sobre os candidatos ao cargo na sua última cimeira no princípio deste mês. A Rússia acabou por tomar uma decisão unilateral de apoio ao candidato de Obama sem pré-aviso oficial aos restantes membros do &#8220;clube&#8221;, deploraram diplomatas indianos, e contra a vontade expressa do Brasil que pretendia uma posição coordenada. &#8220;A Rússia não tem a certeza em que campo está&#8221;, ironiza Stuenkel. E Michael Pettis, um americano professor em Pequim, diz-nos que &#8220;os países em desenvolvimento têm objetivos e interesses muito diferentes&#8221; e que é &#8220;um erro achar que [os BRIC] queiram o mesmo para o sistema de governação mundial&#8221;. Pelo que não se admirou com o que voltou a acontecer agora.</p>
<p>A mesma cena aconteceu aquando da escolha para a liderança do FMI, depois da saída, inesperada, de Strauss-Kahn. Os BRICS não conseguiram apoiar o candidato mexicano Agustín Carstens, então, em virtude da relutância do Brasil. Constantin Gurdgiev considera que os BRICS &#8211; e particularmente a China e a Rússia &#8211; vão concentrar-se na alteração por &#8220;dentro&#8221; da correlação de forças, alavancando a reforma do sistema de quotas e de votação.</p>
<p>Por outro lado, os BRICS começam a ter uma agenda distinta no que toca ao financiamento do desenvolvimento mundial. &#8220;Eles estão a procurar construir um banco alternativo ao Banco Mundial e livrar-se do domínio da moeda norte-americana nas transações internacionais, o que significa, pelo volume de reservas que dispõem, que o Banco Mundial e o FMI já não são tão cruciais como outrora para alavancar o desenvolvimento&#8221;, conclui André Martin.</p>
<p><strong>PARTE IV: O desfasamento do FMI e do Banco Mundial. Economistas dos países emergentes, da Europa e Estados Unidos falam do abismo entre a realidade e a relação de forças no FMI e no Banco Mundial e discutem a tática de “mudar por dentro” estas organizações. A Europa é o bloco mais em cheque.<br />
</strong></p>
<p>A economia mundial sofreu uma mudança colossal nos últimos 20 anos. O peso das principais economias avançadas no produto interno bruto (PIB) mundial diminui expressivamente de 63% para 45%. </p>
<p>Este afundamento da importância económica da então denominada “tríade” – Estados Unidos, Europa e Japão – foi compensado pela ascensão fulgurante das quatro novas potências emergentes, batizadas por Jim O’Neill, da Goldman Sachs, com o acrónimo BRIC (para Brasil, Rússia, Índia e China), que saltaram de 15% para cerca de 27% do PIB mundial, e pelo disparo do crescimento em grande parte do antigo Terceiro Mundo. A própria expressão “Terceiro Mundo” lamçada há quase 60 anos por Alfred Sauvy no jornal francês L&#8217;Observateur (edição de 14 agosto de 1952) caiu em desuso.</p>
<p>No plano geopolítico, a transformação foi, também, radical. Avaliando o peso geopolítico, com base em oito indicadores (que vão muito além do peso no PIB, que assinalámos acima), o momento de viragem ocorreu no final da década de 1990. </p>
<p>O estudo de dois investigadores portugueses, Fernando Fonseca e Fernando Gonçalves, para o período entre 1994 e 2003 revela que o G7 (as sete economias mais avançadas do mundo) perdeu 31 pontos no seu peso geopolítico e os BRIC ganharam 36 pontos. Nessa década, a China subiu ao segundo lugar no mapa geopolítico ocupando o lugar da antiga União Soviética que implodira. O grupo que mais perdeu peso geopolítico foi a União Europeia.</p>
<p>Uma outra mudança surpreendente é o papel exportador de capital de alguns dos gigantes emergentes, com destaque para a China que é, atualmente, o segundo maior exportador de capital do mundo e o maior credor da dívida norte-americana. Segundo o &#8220;Global Financial Stability Report&#8221; do FMI, entre os 13 maiores exportadores de capital em 2011 (últimos dados disponíveis divulgados em abril de 2012) dois são BRICS (China, com 12,5% do total mundial de capital exportado; e Rússia, com 6,3%), outros dois são “tigres” do Pacífico (Singapura e Taiwan) e quatro são exportadores de petróleo do Médio Oriente (Arábia Saudita, Kuwait, Irão e Qatar). No conjunto detêm 44,8% da exportação mundial de capitais. Nessa lista, a Alemanha alcançou o primeiro lugar em 2011, com 12,8%, ultrapassando a China por uma unha negra, e o Japão é o quarto (com 7,5%) tendo sido ultrapassado pela Arábia Saudita. Em relação a 2010, é de notar que houve uma redução muito significativa do peso relativo na exportação de capitais por parte da China (desceu de 20,1% para 12,5%) e do Japão (desceu de 12,9% para 7,5%).</p>
<p>A China dispõe, também, das maiores reservas cambiais do mundo, com 3305 mil milhões de dólares, muito à frente do Japão que é o número dois, com 1288 mil milhões. No conjunto, os BRICS dispõem de 4500 mil milhões de dólares de reservas cambiais, quase 5 vezes mais do que as de todo o sistema da zona euro.</p>
<p>No entanto, esta contabilidade trivial não teve tradução, ainda, nas duas organizações financeiras mundiais saídas dos acordos de Bretton Woods em 1944, o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial (BM). </p>
<p><em><strong>Instituições “excessivamente ocidentalizadas”</strong></em></p>
<p>Os BRICS detêm menos de 12% dos direitos de voto no FMI e os EUA e a Europa continuam a ter o “privilégio exorbitante” de repartir as chefias das duas instituições. As propostas em cima da mesa, para a 14ª revisão de quotas na instituição que se iniciou em 2010, descem ligeiramente o peso no FMI da Europa (de 31,92% para 30,3%) e dos EUA (de 17,69% para 17,40%) e aumentam a percentagem dos BRICS nas quotas de 11,52% para 15,24%. O desajustamento permanecerá.</p>
<p>“O panorama geopolítico está em mudança. O FMI e o BM estão ainda atrasados para reconhecer a nova realidade e se ajustarem em termos de liderança e de regras”, resume Mark Thoma, professor na Universidade do Oregon, e autor de um dos blogues de referência norte-americanos, Economist’s View. E o ritmo de mudança que se verifica dentro dessas duas instituições é frustrante: “não satisfaz as expectativas dos países em crescimento”, afirma Hugo Dixon, editor do Reuters Breakingviews, em Londres. As duas instituições são “excessivamente ocidentalizadas” e “a sua forma de decidir está ainda controlada de um modo neocolonialista pelos EUA e por uma vagarosa Europa”, acentua-nos Shaun Rein, outro norte-americano que criou em Xangai a China Market Research nos anos 1990 e que é autor do livro “The End of Cheap China”. Por seu lado, Jayati Ghosh, professora de Economia na Universidade Jawaharlal Nehru, em Nova Deli, e fundadora da Fundação de Investigação Económica, é mesmo mais radical: “Essas duas instituições têm três défices: de relevância, de credibilidade e de confiança. Sem dúvida que a atual distribuição de quotas e de votos não faz sentido. Mas, para mim, a ideologia dessas duas organizações é o problema real”.</p>
<p><em><strong>O problema chama-se Europa</strong></em></p>
<p>O dedo é particularmente apontado à Europa. “O excessivo poder da Europa é claramente o problema. A zona euro, por exemplo, deveria ter um só lugar conjunto na direção e deveria haver um realinhamento de votos”, sublinha Danny Bradlow, professor da Universidade de Pretória, na África do Sul. A que acresce uma dimensão bem atual: “A Europa é hoje o principal utilizador do dinheiro do FMI, o poder que retém não é sustentável”, chama a atenção Hugo Dixon. Na realidade, quase 2/3 dos compromissos assumidos pelo FMI no âmbito de programas de financiamento estão nos três países da zona euro com planos de resgate. São 65,6 mil milhões de euros dos 123,8 mil milhões que a instituição tem atualmente aplicados no mundo.</p>
<p>Muitos analistas acusam inclusive de ser a zona euro em apuros o destinatário da iniciativa de Christine Lagarde de pegar na sua malinha de mão chique para recolher financiamento para uma “almofada” de intervenção. Conseguiu 430 mil milhões de dólares (cerca de 325 mil milhões de euros), graças a uma larga fatia de 200 mil milhões de dólares por parte da própria zona euro e a uma contribuição generosa do Japão com um montante de 60 mil milhões. Os BRIC são citados em pé de página no comunicado sobre a recolha de fundos juntamente com “outros” com um contributo pouco superior ao japonês. </p>
<p>Os críticos apontam o dedo ao FMI de estar a ignorar a “Primavera Árabe” e nomeadamente o Egito, cuja probabilidade de bancarrota tem subido, a ponto de ser um dos dez candidatos no mundo a um evento desse tipo. Fora da Europa, escandaliza que o programa para a Grécia seja 23 vezes superior à própria contribuição de Atenas para o Fundo.</p>
<p>Shaun Rein é mesmo mais cáustico: “A inabilidade da Europa em resolver os seus próprios problemas internos prova que não pode querer ensinar o resto do mundo. São precisas outras visões para ajudar a resolver os problemas atuais”. E Oliver Stuenkel, professor na Fundação Getúlio Vargas, de São Paulo, adverte os europeus: “Quanto mais tempo a Europa se recusar, mais perderá o próprio goodwill de que ainda dispõe entre as potências emergentes”.</p>
<p><em><strong>Mudar por dentro</strong></em></p>
<p>A “tática” a seguir dentro destas organizações provoca divergências entre os economistas ouvidos. Shaun Rein afirma que essa é a forma de agir da China. “Ter a China e a Índia com mais poder dentro do atual sistema, em vez de querer criar um outro sistema paralelo, é o mais aconselhável para a segurança mundial”, acrescenta Rein. Oliver Stuenkel, que tem participado, pelo Brasil, nas reuniões preparatórias das cimeiras dos BRICS, considera tal tática “crescentemente eficaz”. </p>
<p>Mark Thoma, por seu lado, resume assim a tática: “Eu julgo que a mudança por dentro é necessária e possível, mas tem de ser dirigida pela pressão de fora. Esta última é a força motivadora fundamental”. O professor francês Dominique Plihon, um dos líderes dos manifesto europeu dos “Economistas Aterrados”, vai no mesmo sentido: “Duas estratégias devem ser complementares – a reforma por dentro, por um lado, e a criação de novas instituições regionais, por outro, como está em curso na América Latina e na Ásia”. </p>
<p>A pressão por fora não é apenas de discursos e resoluções das cimeiras dos BRICS. “A própria proposta sobre um Banco dos BRICS ou as medidas alternativas no campo da política monetária – ainda que não totalmente separadas do FMI – sugerem que, a dado momento, se possam ter de equacionar estruturas alternativas”, afirma Bradlow. Curiosamente, Dirk Elsner, consultor alemão da INNOVECS e autor do blogue de economia Blik Log, não acredita nessa mudança por dentro: “Essa estratégia cimenta a estrutura de poder”.</p>
<p>Um das linhas de “mudança por dentro” diz respeito à mudança do cabaz de divisas que suporta a unidade de conta do FMI, os direitos de saque especiais (DSE, SDR no acrónimo em inglês). Esse cabaz atualmente alberga o dólar, o euro, o iene e a libra. Stuenkel considera a inclusão da divisa chinesa, o yuan (ou renminbi), no cabaz como “um passo fundamental”. Mas Dirk Elsner acha o mecanismo dos DSE “demasiado opaco” para se transformar num sistema fiável. E a indiana Jayati Ghosh vai mais longe, acha que “uma solução tecnocrática não vai funcionar”. E explica: “Uma solução como o ‘bancor’ – uma divisa mundial &#8211; proposta por Keynes nos anos 1940 ou usar os DSE como divisa global falhará se não for apoiada pelos países. A divisa internacional é um problema de poder internacional, não é um problema técnico”. </p>
<p><em><strong>O calcanhar de Aquiles dos BRICS</strong></em></p>
<p>Para os entrevistados, a europeia Christine Lagarde e o norte-americano Jim Yong Kim são os últimos a ser eleitos pelo método tradicional de partilha do posto mais elevado entre a Europa e os EUA. De qualquer modo, pela primeira vez, houve o que alguns designam por “eleição competitiva” no FMI. </p>
<p>O candidato apoiado pelos EUA foi eleito, mas contra uma oponente, Ngozi Okonjo-Iweala, a ministra das Finanças da Nigéria, apoiada por África em bloco e expressamente pelo Brasil. “As futuras eleições [daqui a quatro e a cinco anos no FMI e no Banco Mundial] terão de seguir este padrão”, garante Bradlow. Por ora, nomeadamente os BRICS, dividiram-se, com alguns a apostar ainda no cavalo americano, como o fez expressamente a Rússia. </p>
<p>Aliás, sublinha Dominique Plihon, o entendimento entre os BRICS é ainda muito limitado. Esse parece ser o seu calcanhar de Aquiles. Uma das linhas de fratura, sublinhou esta semana Robert D. Kaplan, jornalista da revista norte-americana “Atlantic Monthly”, é a nova rivalidade geopolítica entre a China e a Índia que se alimenta das possibilidades trazidas pela alta tecnologia. </p>
<p>E Michael Pettis, professor na Guanghua School of Management da Universidade de Pequim e autor do blogue de referência “China Financial Markets”, refere-nos: “É um erro assumir que os quatro BRIC querem o mesmo em termos de sistema global de governação. Há interesses de base diferentes: o Brasil e a Rússia querem preços altos das commodities, a China e a Índia querem-nos baratos. O Brasil anda em guerra contra o que chama de ‘guerras de divisas’, a China nem quer ouvir falar disso”.</p>
<p><em><strong>O fim do “Consenso de Washington”?</strong></em></p>
<p>Estará a verificar-se alguma mudança na orientação destas instituições, foi a pergunta final que colocámos aos entrevistados. </p>
<p>Mark Thoma acha que o FMI e o BM têm aprendido com os erros. Os erros cometidos pelo FMI face às crises sucessivas dos anos 1990 na Europa de Leste, na América Latina e na Ásia quase lhe ditaram uma sentença de morte. O volume anual de empréstimos do FMI caiu brutalmente de cerca de 97 mil milhões de dólares em 2003 para 9,5 mil milhões em 2007. </p>
<p>Muitas das vítimas dessas crises globais acabaram por levantar a cabeça, não em virtude dos programas do FMI, mas graças ao disparo nos preços das commodities que permitiu aos países em desenvolvimento exportadores acumular reservas em divisas, que, em 2008, atingiram o triplo das da “tríade” reunidas. Muitos países do “Sul”, como o Brasil, Argentina, Uruguai, Indonésia e Filipinas reembolsaram antecipadamente o FMI e esvaziaram o seu papel. O Fundo foi, ironicamente, salvo do gongue final pela crise das dívidas soberanas na zona euro a partir de 2009, regressando a um patamar anual acima de 120 mil milhões de dólares de fundos aplicados. O G20 na cimeira de Londres em abril de 2009 deu-lhe a mão.</p>
<p>Mas esta ressurreição está a ter um preço: o “Consenso de Washington”, que muitos designam por “cartilha neoliberal”, está a ser arquivado discretamente. Um estudo realizado por Susanne Lutz e Matthias Kranke, da Universidade de Berlim, mostra que as intervenções do Fundo na Letónia, Hungria e Roménia já impuseram condições mais “leves”. As contradições entre a equipa do FMI e os especialistas da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu encheram o anedotário recente dos programas de resgate da Grécia, Irlanda e Portugal. Os guardiões do “Consenso” têm estado em Bruxelas e Frankfurt, mais do que em Washington DC, o que surpreendeu os sindicalistas e a esquerda nos países intervencionados habituados a gritar a plenos pulmões “Fora daqui FMI”.</p>
<p>Aliás, Christine Lagarde, na reunião da Primavera realizada há duas semanas, já tentou criar uma nova etiqueta para a estratégia do FMI: o “Momento de Washington”. Jayati Ghosh, no entanto, não acredita apenas em palavras: “Mesmo quando aceitam os erros nos artigos científicos e na investigação dos seus quadros, ou nos discursos, depois, raramente, isso é refletido no terreno”. Já quanto ao Banco Mundial, Shaun Rein é de opinião “que não tem aprendido nada com os erros, continua a ser excessivamente politizado”. Veremos se o novo presidente Jim Yong Kim muda a situação. Xu Hongcai, diretor do mais importante grupo de reflexão chinês, diz-nos que “está inclinado a pensar que é um novo começo histórico”.</p>
<p><em>Fonte da Parte IIV: artigos de João Silvestre e Jorge Nascimento Rodrigues publicados na edição impressa do Expresso de 28 de abril de 2012.</em></p>
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		<title>A 1ª Grande Guerra de Algoritmos &#8212; o mundo financeiro invísivel, em velocidade abaixo do segundo (uma conversa com o físico Neil Johnson)</title>
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		<pubDate>Sun, 12 Feb 2012 10:11:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A revista New Scientist divulgou esta semana os resultados de uma investigação que mostra como funciona, invisivelmente, a "negociação de alta frequência" nos mercados financeiros. Ouvimos para o semanário português Expresso (edição inline) o líder da equipa, o físico Neil Johnson, da Universidade de Miami.
Jorge Nascimento Rodrigues (c) 2012

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Há uma &#8220;grande guerra&#8221;, diz-nos o cientista norte-americano Neil Johnson. Ela trava-se hoje nos mercados financeiros. Uma guerra invisível entre algoritmos que torna ainda maior o risco sistémico do capitalismo financeiro. O que se designa por &#8220;negociação de alta frequência&#8221; (<em>high frequency trading</em>, acrónimo HFT, em inglês), com ordens dadas automaticamente em milésimas do segundo, domina hoje mais de 50% da negociação, em valor, nos Estados Unidos e mais de 30% na Europa, segundo a consultora Tabb Group.</strong></p>
<p><a href="http://janelanaweb.com/trends/a-great-war-of-algorithms-is-already-under-way-scientist-neil-johnson/">ENTREVISTA EM INGLÊS/Interview</a> (English version)</p>
<p>A equipa norte-americana de Neil Johnson, do Departamento de Física da Universidade de Miami, em colaboração com outros cientistas do Centro de Sistemas Complexos da Universidade de Vermont e da empresa Nanex, descobriu como é que esses algoritmos funcionam, como provocam oscilações selvagens, para cima e para baixo, invisíveis nos ecrãs dos <em>traders</em>, que se vão acumulando como fissuras que acabam, num dado momento crítico, por provocar derrocadas colossais, ultra-rápidas, inesperadas, difíceis de prever e evitar pelos humanos. Em suma, estes algoritmos acabam por provocar &#8220;cisnes negros&#8221;, dizem os cientistas, cujo artigo científico que descreve o estudo foi precisamente intitulado &#8220;<a href="http://aps.arxiv.org/ftp/arxiv/papers/1202/1202.1448.pdf">Financial black swans driven by ultrafast machine ecology</a>&#8220;. E com tanto &#8220;cisne negro&#8221; no lago, esta multidão acaba por provocar convulsões sistémicas.</p>
<p><strong>Sinais anteriores às derrocadas financeiras</strong></p>
<p>Esta descoberta foi, de imediato, relatada pela revista <strong>New Scientist</strong> na quinta-feira. O grupo estudou nada menos do que 18.520 &#8220;cisnes negros&#8221; ocorridos entre 2006 e 2011 com uma duração menor a um segundo e meio (1500 milésimas de segundo). Isto significa que ocorreram, em média, quase 12 eventos extremos deste tipo por cada dia de negociação naqueles seis anos. O período, diz-nos <strong>Neil Johnson</strong>, &#8220;permitiu apanhar não só a geração do colapso financeiro global de 2008 como depois a derrocada relâmpago de 6 de maio de 2010&#8243;, um fenómeno absolutamente surpreendente, já durante a recuperação bolsista, a partir de março de 2009, do <em>crash</em> de 2008. O evento extremo de maio ficou conhecido pela designação em inglês de &#8220;<em>flash-crash</em>&#8221; (derrocada instantânea). O número de &#8220;cisnes negros&#8221; diários disparou uma semana antes da derrocada de 2008 e pouco antes do evento de maio de 2010, mostra o estudo desta equipa de físicos.</p>
<p>As primeiras amostras de surpresas desagradáveis de grande dimensão provenientes da atividade insana da HFT, bem visíveis nas bolsas norte-americanas, ocorreram, de facto, em 2010 no que ficou conhecido como &#8220;derrocadas instantâneas&#8221;, a primeira a 6 de maio (a mais conhecida) e depois outra a 1 de setembro. A de 6 de maio foi acompanhada em todo o mundo quase em direto durante os trinta minutos que decorreu. Entre as 14h30 e as 15h30 de Nova Iorque, o Dow Jones Industrial Average caiu 600 pontos, a mais colossal queda intradiária jamais registada, para de seguida recuperar meteoricamente. O mistério do evento levou os governos americano e britânico a estudar o assunto como questão de segurança e muitos cientistas, sobretudo os ligados à corrente da teoria da complexidade, a mergulharem nesta &#8220;prenda&#8221; dada pelos mercados financeiros.</p>
<p><strong>Espírito microbial num mundo de piranhas</strong></p>
<p>O que está por debaixo disto é o que Neil chama de uma nova &#8220;ecologia&#8221; de agentes, um mundo invisível para o comum dos mortais, fruto da desmaterialização brutal ocorrida no sistema financeiro desde a vaga de financeirização dos anos 1980 e 1990.  As empresas que detêm estas ferramentas têm uma vantagem estratégica. E serão 400 num universo de 20.000 firmas que operam hoje nestes mercados, segundo um estudo do Aite Group.</p>
<p>Neil pega na célebre expressão de Keynes sobre a &#8220;alma animal&#8221;  (<em>animal spirits</em>) dos investidores para falar, usando uma imagem, de algo bem mais complexo. Estes novos agentes estão impregnados de uma &#8220;alma microbial&#8221; &#8211; &#8220;são mais simples do que os humanos ou mesmo os animais, mas muito, muito mais rápidos&#8221;. &#8220;São mais parecidos com a vida inicial na Terra&#8221;, sublinha-nos. A grande questão é como este mundo digital &#8211; que vive numa dimensão de tempo abaixo do segundo &#8211; povoado por esta &#8220;vida inicial&#8221; vai evoluir.</p>
<p>Nem mesmo os grandes mestres de xadrez conseguem ter a rapidez suficiente &#8220;para detetar estas situações estratégicas&#8221;. &#8220;Abaixo de 650 milésimas de segundo, só mesmo máquinas&#8221;, diz-nos Neil Johnson, para depois brincar: &#8220;É como um lago cheio de piranhas de diferentes tipos com um nível de concorrência muito feroz&#8221;. Mas logo acrescenta que não está a fazer um juízo moral: &#8220;Não estou a dizer que isto é errado, mas pode ver que este nível de concorrência é feroz &#8211; e é isto que exatamente ocorre nos mercados&#8221;. Por debaixo dos nossos pés e afetando-nos, sem darmos conta &#8211; a não ser quando há as derrocadas bolsistas. Quando já é tarde.</p>
<p><strong>Tropas no terreno</strong></p>
<p>Por isso, a ambição destes cientistas é criar algumas ferramentas de previsão e que possam mitigar o risco. O que defrontamos é &#8220;um sistema de máquinas em que vemos o declínio da capacidade humana para influenciar os movimentos de preços em escalas de tempo cada vez mais pequenas&#8221;, diz o físico.</p>
<p>Já não se trata mais do sistema &#8220;misto&#8221; anterior homem-máquina. Para responder à dinâmica deste novo sistema automatizado, é preciso algo similar às ferramentas de que dispõem os engenheiros espaciais ou aeronáuticos: &#8220;olhar para o conjunto microscópico de pequenas fissuras e avaliar se a aeronave está em condições de segurança de continuar a voar&#8221;. Neil Johnson pensa que os reguladores têm de colocar &#8220;tropas no terreno&#8221; com essa capacidade. No artigo científico propõem-se três estratégias algorítmicas para tal.</p>
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		<title>BRIC: cambio o simple moda?</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 10:08:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Pese a las críticas, la visión de O'Neill y su equipo en Goldman Sachs ha provocado  tres consecuencias devastadoras en la percepción que había del mundo había hace una década.

Cabe recordar que el concepto de BRIC surgió al mismo tiempo que muchos analistas trataron de transmitir la idea de que los ataques terroristas del 11 de septiembre en los Estados Unidos había sido un punto de inflexión. "El mundo ha cambiado", se dijo entonces. El que se unió el renacimiento inexorable de la superpotencia "soltera".
Una visita BRIC a BRIC --  (c) Jorge Nascimento Rodrigues, 2012]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;Probablemente es el acrónimo de mayor éxito de la última década&#8221;, nos dice Joaquim Ramos Silva, profesor del Instituto Superior de Economia e Gestão, autor de &#8220;Portugal / Brasil:. Una década de expansión de las relaciones económicas, 1992-2002&#8243;<br />
</strong></p>
<p><em>(c) Jorge Nascimento Rodrigues, 2012<br />
Traducción Pedro Loupa, Adventus Konwledge Partners, Madrid</em></p>
<p>Jim O&#8217;Neill acuñó el acrónimo BRIC en noviembre de 2001 en un artículo para la serie de Economía Global de la consultora Goldman Sachs, al referirse a cuatro economías: Brasil, Rusia, India y China. &#8220;Pensé que la economía mundial en las próximas décadas se vería impulsada por el crecimiento de estos cuatro países altamente poblados y económicamente ambiciosos &#8220;, dice el &#8220;padre&#8221; del concepto en su último libro &#8221; The Growth Map – Economic Opportunity in the BRICs and Beyond &#8220;, publicado por Portfolio/Penguin a finales de 2011, una década después del famoso artículo.</p>
<p>Del libro se ha generado una entrevista con el autor y una visita guiada BRIC a BRIC que fueron publicadas en el semanario portugués Expresso. La edición en castellano <a href="http://janelanaweb.com/trends/jim-oneill-el-padre-del-acronimo-bric-%E2%80%9Cme-gusta-la-definicion-que-he-oido-del-partido-comunista-de-china-como-una-gran-camara-de-comercio%E2%80%9D/">se puede leer aquí.</a></p>
<p><strong>Cambio de la percepción a nivel subliminal</strong></p>
<p>El acrónimo BRIC ha terminado por despertar pasiones y criticas directas. Algunas de las críticas vienen del seno de los economistas y consultores de los países que forman parte del acrónimo.</p>
<p>El director general adjunto de la Organización Mundial del Comercio (OMC), el economista indio Harsha Vardhana Singh, es un entusiasta: &#8220;El concepto fue introducido al mismo tiempo de las negociaciones de la Ronda de Desarrollo de Doha que fueran lanzadas por la OMC y China se unió a la organización. Era un concepto muy útil de varias maneras, incluyendo el cambio de la percepción a un nivel subliminal. Se advirtió a la gente a la creciente importancia y la presencia de países no pertenecientes a la OCDE y, en general, señaló el inmenso potencial de los países en desarrollo. La percepción de los inversores hacia estas economías mejoro”. Incluso desde el punto de vista de la OMC, este economista doctorado en Oxford, señala que &#8220;la construcción de una coalición desde este tan diversificado grupo ha posibilitado alcanzar los objetivos, incluyendo las negociaciones en la OMC y en el trabajo diario&#8221;.</p>
<p>La principal conclusión que cualquier ciudadano del mundo obtiene es, por supuesto, idéntica a la del economista y consultor brasileño Ricardo Amorim: &#8220;El acrónimo fue muy útil para llamar la atención sobre un brutal proceso de transformación que está ocurriendo en la economía mundial, donde los países emergentes y, en particular, los BRIC, están adquiriendo una importancia cada vez mayor&#8221;. Por su parte, Constantino Xavier, un investigador portugués en la Universidad Johns Hopkins en Washington DC, que vivió en la India, dijo que &#8220;el concepto fue realmente útil para el Occidente discutir el ‘surgimiento del resto’ después del final de la Guerra Fría&#8221;.</p>
<p><strong>Las dos historias más impresionantes</strong></p>
<p>Desde 2001, varios equipos de trabajo de Goldman Sachs han ido actualizando las previsiones en las que cada una de las cuatro economías superaría a las economías ricas del G-7.</p>
<p>La realidad acabaría por la sorpresa del ascenso de China al segundo lugar antes del 2015 y la superación a Italia y el Reino Unido por parte de Brasil mucho antes de 2025. China es, desde 2010, el número dos, y Brasil, desde 2011, el número seis. O&#8217;Neill considera los dos casos, las dos historias más impresionantes de la última década. India y Rusia también están en el lugar 9 y 10, a una distancia de 300 mil millones a 350 mil millones de dólares de Italia y el Reino Unido, pero probablemente no será necesario llegar a 2015 o 2020 para superar estos dos países europeos. El analista Shubrah Gupta en The Indian Express, dijo recientemente que &#8220;el futuro está llegando antes de lo previsto&#8221;.</p>
<p>Sin embargo, las cuatro economías son responsables desde el año 2003 del 65% del crecimiento anual de la economía mundial. El impulso que han dado al comercio mundial puede ser apreciado por los números impresionantes del período 1990 a 2009, las exportaciones de bienes y servicios crecieron 86% en Rusia, un 176% en Brasil, 738% en la India y 1993% en China. Este dinamismo en las exportaciones se mantendrá, aun que algo más tibio, en el período 2010 a 2016, de acuerdo con las previsiones: Rusia 34,7%, 79,6% en Brasil, la India 171% y 178% en China.</p>
<p><strong>El talón de Aquiles político</strong></p>
<p>Sin embargo, para el economista ruso Constantin Gurdgiev, el concepto &#8220;es una amalgama de realidades completamente diferentes en el plan político, cultural, institucional y económico&#8221;. En términos del PIB per cápita, o la riqueza media, es un grupo con extremos, con la India y Rusia en la parte superior de esta pirámide. Por un lado, tenemos economías que dependen de las exportaciones de bienes y ancladas a nivel regional, tales como Rusia y Brasil, mezcladas con una potencia comercial mundial, la fábrica del mundo, China, y un líder en el nicho de los servicios internacionales, la India. Hay una enorme brecha económica entre China, que es el segundo mayor acreedor neto del mundo (después de Japón), y Brasil, que es el cuarto mayor deudor neto del mundo después de los EE.UU., España y Australia.</p>
<p>Michael Pettis, un estadounidense que es profesor de mercados financieros en la Universidad de Beijing, es aún más mordaz: &#8220;Como una herramienta de marketing para los fondos en la búsqueda de capital fue muy útil. Pero no creo que signifique mucho más que eso. Yo soy muy escéptico acerca del crecimiento inexorable de los BRIC”. Para Ricardo Amorim, quien es también presentador en el Manhattan Connection de Globo News, &#8220;los BRIC tienen intereses comunes pero también grandes diferencias de intereses resultantes de las diferencias económicas y políticas. En el campo comercial, por ejemplo, es difícil verlos trabajar juntos, mientras India y China sean los principales importadores de materias primas y Brasil y Rusia los principales exportadores&#8221;. El economista brasileño cree que incluso en el caso de su país &#8220;no es lo suficientemente grande como para establecer las tendencias globales, pero sólo, de influir marginalmente sobre ellas&#8221;.</p>
<p>El investigador portugués Constantino Xavier va más allá en la crítica del concepto: &#8220;Es imposible separar la sostenibilidad del crecimiento económico de los asuntos políticos y de la gobernabilidad democrática. Esto puede parecer menos evidente hoy en día en el que Occidente está en recesión y necesitamos que los BRIC crezcan lo más rápido posible&#8221;. Y predice: &#8220;Pero tarde o temprano habrá grandes desafíos contra los modelos autoritarios de Rusia y China y movimientos populares y reclamos democráticos &#8211; contra la corrupción y la desigualdad en los ingresos &#8211; en la India o Brasil&#8221;.</p>
<p><strong>La gran transformación</strong></p>
<p>Pese a las críticas, la visión de O&#8217;Neill y su equipo en Goldman Sachs ha provocado  tres consecuencias devastadoras en la percepción que había del mundo había hace una década.</p>
<p>Cabe recordar que el concepto de BRIC surgió al mismo tiempo que muchos analistas trataron de transmitir la idea de que los ataques terroristas del 11 de septiembre en los Estados Unidos había sido un punto de inflexión. &#8220;El mundo ha cambiado&#8221;, se dijo entonces. El que se unió el renacimiento inexorable de la superpotencia &#8220;soltera&#8221;.</p>
<p>Pero en realidad, el mundo había cambiado radicalmente años atrás. El episodio terrorista, fue apenas, una otra señal de la gran transformación en el que los principales protagonistas no tienen nada que ver con las redes terroristas o los estados fallidos.</p>
<p><em>Esta gran transformación geoeconómica y geopolítica puede ser observada por tres ángulos.</em></p>
<p>En primer lugar, parece que con la revolución capitalista de China iniciada por Deng Xiaoping a finales de 1970 y más tarde con la caída del Muro de Berlín a finales de 1980 se abrió una nueva ola de globalización. Estos momentos de fractura han puesto fin a la primera ola iniciada por los portugueses en el siglo XV y que se vería en una sucesión de los imperios europeos o de sede europea a dominar el mundo (los cinco ciclos de potencia con Portugal, Países Bajos, Reino Unido dos veces y los EE.UU.) o tratando de dominarlo, fallando en ese dominio (la España Filipina, la Francia napoleónica, la Alemania Guillermina y después Hitleriana y la URSS en el proyecto como una gran potencia basado en el &#8220;socialismo en un solo país&#8221; de Stalin).</p>
<p>Como el agua sucia del baño, ha desaparecido el Tercer Mundo en que Alfred Sauvy en los años 1950 veía como &#8220;tercer estado&#8221; alternativo a un mundo basado en el equilibrio del terror y la lucha ideológica y de posiciones entre los dos sistemas, el capitalismo y el “socialismo real &#8220;.</p>
<p>En segundo lugar, el &#8220;modelo de éxito&#8221; del año 1990, los &#8220;tigres&#8221; (del Pacífico o Europa) de alta densidad de población y pequeñas áreas, dio paso a la potencia de &#8220;economías-ballena&#8221;, en que la noción de &#8220;gran espacios &#8220;como fuente de poder regresa a la geoeconomia y a la geopolítica,  destaca Andre Martin, profesor de Geografía Política de la Universidad de Sao Paulo. Para Joaquim Ramos Silva, profesor del Instituto de Economía y Gestión (ISEG) en Lisboa, la aparición de estas &#8220;ballenas&#8221; influye en el ambiente mucho más que los &#8220;pequeños peces&#8221;.</p>
<p>El entusiasmo sobre los &#8220;tigres&#8221; daría lugar a otras historias económicas aún más sorprendentes, los BRIC, y en particular dos casos: China y Brasil. Para Jim O&#8217;Neill, son las dos grandes historias de nuestra generación.</p>
<p>En tercer lugar, las economías BRIC y otros emergentes de menor dimensión, se han convertido en los inversores en las economías avanzadas. &#8220;Desde mediados de 1990 estamos asistiendo a una internacionalización sin precedentes de los flujos de inversión y carteras globales, así como el desarrollo de un comercio sólido entre los países del&#8221; Sur &#8221; y una dinámica de los flujos de inversión entre economías emergentes e ingreso promedio. Este proceso se consolidó en la medida que los receptores netos del capital financiero de las economías avanzadas se han convertido, paradójicamente, en nuevos inversores esenciales en las economías avanzadas&#8221;, destaca Constantin Gurdgiev.</p>
<p>Algo sorprendente surgió. Un estudio realizado por el McKinsey Global Institute en los mercados financieros en 2011, señaló: &#8220;Contrariamente a la creencia popular de que los flujos de capital hacia los mercados emergentes son muy volátiles, lo que encontramos es que los flujos entre los países desarrollados son mucho más volátiles. Cuando se ajusta al tamaño medio, los flujos de capital hacia los países desarrollados son 20% más volátiles que los flujos hacia los mercados emergentes&#8221;. Si en el año 2000, la inversión extranjera en las economías emergentes fueron sólo del 6% del total, una década después, ascendieron a 20%. Un elemento central de esta dinámica &#8211; que representa el 61% &#8211; es la adquisición de títulos de deuda extranjeros por los bancos centrales de los países emergentes.</p>
<p>La capitalización del mercado bursátil mundial se va a someterse a un cambio de tendencia hasta el año 2030. De acuerdo con un estudio realizado por Goldman Sachs, recientemente citado por EconomyWatch, la capitalización bursátil en los mercados emergentes para esa fecha llegará a los 80 mil millones (trillones en anglosajón, billones en portugués de Brasil) de dólares, tomando 2010 como punto de partida. En contraste, la capitalización en los países desarrollados sólo será de 66 mil millones de dólares. La situación de partida en 2010 fue de 14 mil millones de dólares para los países emergentes y 30 millones de dólares para los desarrollados. La participación de los BRIC se elevará del 18% actual al 30% en 2020 y el 41% en 2030.</p>
<p><strong>¿Crisis crea una gran oportunidad o simple moda?</strong></p>
<p>Mientras la crisis financiera estalló en 2008 y luego profundizó la recesión internacional, y muchos decretaron la pena de muerte de los BRIC. &#8220;Hubo momentos en que yo también me preocupe [con la supervivencia del acrónimo]&#8220;, admite O&#8217;Neill. Sin embargo, los cuatro países revelaron dos componentes: la resiliencia a la Gran Recesión y el espíritu de &#8220;coopeticion”, lo que en gestión significa cooperar y competir. Peter Drysdale, un profesor de la Universidad Nacional Australiana en Canberra, &#8220;ha quedado claro que estos países en conjunto pueden resistir a las imposiciones occidentales en el plano multilateral&#8221;. &#8220;Las diferencias entre ellos son mucho menores que con Occidente. Esta es la co-dependencia que proporciona el mortero de los BRIC &#8220;, concluye.</p>
<p>La crisis trae, sin embargo, una inesperada oportunidad para los BRIC. &#8220;Su declaración política se puede datar en la reunión que se hicieran en Ekaterimburgo, Rusia, en junio de 2009&#8243;, dice Drysdale. El acrónimo de Jim O&#8217;Neill ha sufrido un cambio radical: ahora es un club político. La foto de las manos dadas de los presidentes de Brasil, Rusia y China con el primer ministro indio, dio la vuelta al mundo. &#8220;Ya sea en el logro de sus objetivos en casa como a nivel internacional, los BRIC se van convertir en un club político más fuerte en el futuro. Sin embargo, el número de miembros será, sin duda flexible, con distintas combinaciones que se consideren necesarias&#8221;, dijo Harsha Singh.</p>
<p>Dada la aparición de este club, las opiniones de algunos economistas encuestados son de un gran escepticismo. Michael Pettis arriesga que el club BRIC puede ser una moda pasajera. &#8220;En otros momentos de debilidad económica, hemos escuchado con gran entusiasmo de nuevas agrupaciones políticas internacionales. En la década de 1970, por ejemplo, oímos hablar del creciente poder del bloque árabe, después del Movimiento de Países No Alineados, después de la resurrección de la América Latina, y así sucesivamente. Pero políticamente todos tenían pocos intereses en común, más allá del deseo de una mayor presencia en el escenario mundial. Y todos marchitaran &#8220;, concluye. Ashutosh Sheshabalaya, autor de &#8220;Made in India&#8221; (&#8220;Rising Elephant&#8221;, en la edición de Inglés) es de la misma opinión.</p>
<p>Por su parte, Joaquim Ramos Silva, del ISEG, dice que &#8220;hay diferencias dentro del grupo que realmente cuentan,&#8221; y continúa: &#8220;Cada uno tiene su especialidad y siguió su propio camino de la integración en la economía mundial, así que un consenso entre ellos no es tarea fácil. También se muestran reacios, cada uno por sí mismo o en conjunto, para asumir las responsabilidades del potencial de hegemonía que tienen y en desafiar abiertamente a los titulares de esa hegemonía. Así que en un futuro próximo, avanzaran paso a paso, y probablemente no siempre como grupo&#8221;. Constantino Xavier también no está convencido de la eficacia del grupo: &#8220;Es poco probable que se convierta en una cooperación eficaz. China y la India son rivales y ningún miembro del club está interesado en unirse contra el poder hegemónico en ejercicio, los Estados Unidos”. </p>
<p>El grupo terminaría por nombrar a un nuevo miembro, Sudáfrica, a finales de diciembre de 2010. Es hora de cambiar el acrónimo BRIC, agregando la &#8220;S&#8221; de Sudáfrica, una economía que ni siquiera está incluida en lo que Jim O&#8217;Neill ha nombrado como el &#8220;Next11&#8243;  que combinan economías en crecimiento con las economías emergentes. &#8220;Me resulta difícil pensar en Sudáfrica como genuino BRIC o incluso como una economía en crecimiento. Es la mitad del tamaño de una economía como Indonesia o de Turquía&#8221;, escribe en libro &#8221; The Growth Map&#8221;. Claramente, el acrónimo se ha  liberado definitivamente del &#8220;padre&#8221;.</p>
<p>La cooptación de Sudáfrica genera, de hecho, muchas reflexiones. En términos geopolíticos, el consultor indio, Ashutosh Sheshabalaya diseña una tesis: &#8220;En vista de las métricas utilizadas, el Club pone en segundo lugar a India, haciéndola un socio menor de cara a China. India ha luchado por otro grupo, el IBSA, como contrapeso, agregando la India, Brasil y Sudáfrica. Fue por eso que China se ha apresurado a juntar a Sudáfrica para el club y a cambiar de nombre del grupo a BRICS a finales de diciembre de 2010”. Por su parte, el profesor brasileño André Martin afirma: &#8220;Como brasileño, yo prefiero decir que Brasil, India, Sudáfrica y Australia tienen una condición común de líderes regionales y que se están convirtiendo en las potencias emergentes del hemisferio sur. Quiero decir con &#8216;Sur &#8220;no un espacio estrictamente geográfico, sino geopolítico y me refiero a los países colonizados que aún no están reconocidos por la ONU como potencias mundiales&#8221;. En una tríada diseñada por O&#8217;Neill &#8211; los &#8220;ricos&#8221; en declive (inclusive con una marginalización progresiva de Japón y Europa), las nuevas &#8220;economías-ballena&#8221; de crecimiento (los BRIC) y el resto &#8211; el profesor de geopolítica prefiere un &#8220;modelo binario&#8221; realmente roto entre el &#8220;Norte&#8221; y &#8220;Sur&#8221;.</p>
<p>Este año la reunión de los BRICS será en marzo en la India.</p>
<p>Históricamente, cuatro de los cinco miembros de los BRICS son países cuya estrecha relación con la globalización iniciada por los portugueses en el siglo XV se conoce.</p>
<p><strong>BRIC a BRIC – radiografia rápida</strong></p>
<p><strong>BRASIL es una de las dos historias más impresionantes del cambio mundial que se produjo en las últimas dos décadas</strong>, esto es lo que cree Jim O&#8217;Neill. La implementación del Plan Real en 1994 fue el momento decisivo, nos dice Joaquim Ramos Silva, autor de &#8220;Portugal/Brasil: Una década de expansión de las relaciones económicas, 1992-2002&#8243; Junto con este cambio macroeconómico, la economía se diversificó, se ha liberado del destino de los ciclos vinculados a un determinado producto básico (<em>commodity</em>) desde la época colonial, dice el profesor del ISEG, en Lisboa.</p>
<p>Para los siguientes veinte años, Ramos Silva plantea dos escenarios. </p>
<p>El primer &#8220;menos optimista&#8221;. Si bien que haya crecimiento, el país se enfrenta a varias &#8220;barreras institucionales&#8221;: la corrupción, la falta de seguridad, la administración disfuncional de la justicia , la burocracia, las tormentas políticas generadas por intereses políticos muy específicos de algunos grupos. Lo que puede verse agravado por el colapso del boom de las materias primas. </p>
<p>El segundo escenario, &#8220;más optimista&#8221;, implica que Brasil se liberará de su dependencia de las fluctuaciones &#8211; a veces salvajes &#8211; impulsadas por la volatilidad de los precios de las materias primas en los mercados mundiales. Pero esto requerirá &#8220;más de una generación&#8221; y especialmente que &#8220;el liderazgo político permanezca anclado estratégicamente&#8221;, concluye Ramos Silva.</p>
<p>Pero hay un escollo político, nos dice André Roberto Martin, profesor de Geografía Política de la Universidad de São Paulo: &#8220;La política industrial no despega. Aun gastamos la mitad del presupuesto nacional en la amortización de los intereses y nuestra área Educativa sigue muy mal. Las élites empresariales y en parte los intelectuales, siguen siendo prisioneros de los neoliberales, no aceptando la inversión pública en infraestructuras”. El peligro es que Brasil se pueda  convertir en un prisionero de lo que los economistas llaman &#8220;enfermedad holandesa&#8221;, queden fascinados con las materias primas &#8211; como el petróleo, café, soja, jugo de naranja, mineral de hierro, aluminio o celulosa &#8211; que pasó del 40% de las exportaciones en la década de 1990 al 51% entre 2007 y 2010. Y abandone su papel en las áreas industriales de incorporación de alta tecnología, como la energía, el espacio y la aviación, donde tienen casos de éxito de nivel mundial.</p>
<p>El mismo club político de los BRIC, visto desde Brasil, &#8220;no puede tener una identidad diplomática, debido a las asimetrías entre China y Rusia, por un lado, que son reconocidos por el Consejo de Seguridad de las Naciones Unidas como las grandes potencias, y India y Brasil, por otro lado, que todavía tienen mucho camino por recorrer en esa dirección &#8220;, nos dice el escéptico André Martin. &#8220;Como brasileño, yo prefiero decir que Brasil, India, Sudáfrica y Australia tienen una condición común de líderes regionales que se están convirtiendo en las potencias emergentes del hemisferio sur. Quiero decir con&#8221; Sur &#8220;no un espacio estrictamente geográfico, sino geopolítico y me refiero a los países colonizados que aún no son reconocidos por la ONU como potencias mundiales. Una tríada diseñada por O&#8217;Neill  &#8211; los &#8220;ricos&#8221; en caída (incluso con una progresiva marginalización de Japón y Europa), las nuevas &#8220;economías- ballena&#8221; de crecimiento (los BRIC); y el resto &#8211; el profesor de la geopolítica prefiere un &#8220;modelo binario&#8221; realmente roto entre el &#8220;Norte&#8221; y &#8220;Sur&#8221;.</p>
<p><strong>RUSIA siempre será una &#8220;paradoja&#8221;</strong>, dice Boris Kagarlitsky, director del Instituto de la Globalización y los Movimientos Sociales en Moscú. &#8220;La paradoja de la historia de Rusia es que, a pesar de ser económicamente parte de la periferia, siempre ha sido un elemento estructural del centro, como el gran imperio europeo que era. Pero en 1991, Rusia vuelve a su condición periférica, perdiendo su estatus imperial &#8220;, dijo el economista ruso, autor de, precisamente, &#8220;Imperio de la Periferia: Rusia y el Sistema Mundial &#8220;, publicado en 2008. Por lo tanto, es perentorio: &#8220;El concepto de BRIC es completamente artificial. Rusia no tiene nada que ver con este grupo. Se trata de una antigua potencia industrial que está en caída. Su crecimiento actual proviene de las materias primas. Gran parte de la industria continúa utilizando equipos obsoletos de la era soviética, con muy poca inversión. El actual gobierno ruso tomó la idea de los BRIC como tabla de salvación del resultado de una total falta de ideas o estrategias.&#8221;</p>
<p>Aun admitiendo la importancia de la cooperación con China y la India, el profesor ruso cree que &#8220;hay más razones para trabajar con Ucrania o Kazajistán, o incluso con Polonia.&#8221; Pero es de la opinión de que esta relación sólo funcionará si se basa en &#8220;la cooperación y no en la dominación imperialista&#8221;.</p>
<p>Por su parte, para Constantin Gurdgiev, un economista ruso que enseña en Dublín, en Irlanda, la otra paradoja de Rusia tiene que ver con los escenarios de evolución a futuro. &#8220;Por un lado, parecen muy previsibles, si la tendencia actual continúa, pero por el otro, pueden tener mucha más diversidad e imprevisibilidad que los escenarios para los otros BRIC&#8221; nos refiere el profesor que enseña en el Trinity College. Y explica:&#8221;La naturaleza misma de la historia del país se debe a la alta volatilidad, que hoy se combina con una excesiva dependencia de las industrias extractivas y  una democracia todavía muy prematura. Lo que hace que Rusia sea más susceptible a las perturbaciones exógenas &#8211; similar a Brasil, y menos para los casos de China e India &#8211; y también un mayor riesgo asociado a un entorno político interno y regional volátil, en contraste con otros BRIC&#8221;.</p>
<p>Si la tasa de crecimiento promedio en términos reales se sitúa entre los 3,2% y el 3,5% entre 2010 y 2030, Rusia será capaz de llegar a un nivel medio de riqueza comparable a la media de la Unión Europea en la actualidad. Otro elemento de optimismo viene de su integración en diciembre a la Organización Mundial del Comercio, dice Gurdgiev: &#8220;El país va a ser capaz de hacer un reajuste importante de su economía con un aumento espectacular de la participación de los productos y servicios modernos en sus exportaciones, incluso con un papel cada vez más importante en la agroindustria y la biotecnología tanto en Europa como en Asia.&#8221;</p>
<p>Constantin Gurdgiev admite que el club de los BRIC se mantiene activo entre 2012 y 2050, y que en el escenario mundial podría surgir un mundo bipolar, con el anterior G-7, por un lado, y &#8220;un eje entre Rusia, India y China para que sirva de anclaje a las economías emergentes. &#8220;En este punto, la idea de un &#8220;Occidente ampliado,&#8221; integrando a Rusia, defendido recientemente por Zbigniew Brzezinski, hijo de la nobleza polaca en los años 1920 y anterior asesor de seguridad nacional de EE.UU. en el periodo final de la Guerra Fría, no tiene grandes posibilidades.</p>
<p><strong>INDIA es &#8220;el misterio más grande de los países BRIC,&#8221;</strong> escribe Jim O&#8217;Neill  en &#8220;The Growth Map&#8221;. Es un mosaico inquietante que combina un increíble potencial para &#8220;crecer más rápido que cualquier otro de los tres ‘colegas’ del grupo&#8221;, pero la magnitud de la pobreza y la burocracia son destructivas y en muchos aspectos está &#8220;15 a 20 años por detrás de China&#8221;. El estudio del equipo de O&#8217;Neill predice que la India sea la tercera economía más grande del mundo en 2050 &#8211; actualmente se encuentra en la 10ª posición.</p>
<p>El punto de inflexión que permitió traer a la India para el centro de la atención llegó en 1991 con las reformas económicas del nuevo gobierno de Narasimha Rao, quien nombró ministro de Finanzas a Manmohan Singh (ahora primer ministro), el mago del cambio. India rompió, entonces la maldición del subdesarrollo: Después de un crecimiento promedio del 1,3% durante el dominio colonial británico en los 47 primeros años del siglo XX y una tasa de 3,5% a lo largo de una orientación de tendencia &#8216;socialista&#8217; luego después de la independencia, el país paso a un promedio de 7.5% entre 2000 y 2010, y ha logrado un pico de crecimiento histórico en diciembre de 2003, cuando alcanzó 11,8%. En el 2010 creció un 8,5% y las estimaciones para 2011 apuntan a mantenerse por encima del 8%. &#8220;Sin embargo, la India puede lograr un mayor crecimiento que los otros países BRIC durante los próximos 20 a 30 años&#8221;, nos dice Harsha Vardhana Singh, director general adjunto de la Organización Mundial del Comercio desde 2005. Su principal desafío es la pobreza: el PIB per cápita es de un 22% del Ruso, el 31% de Brasil y el 44% de China, incluso si se mide en paridad con el poder adquisitivo. &#8220;India debe continuar a solucionar este problema. Ciertamente, dentro de 20 años, estará en mejor posición para enfrentarlo, gracias a los programas de seguridad social que utilizan las tecnologías de la información &#8220;, nos dice este economista formado en la Universidad de Delhi y doctorado en Oxford. De hecho, Harsha Singh, ve a India como un modelo de inspiración democrática para los países más pobres del planeta: &#8220;Va a ser un modelo para que otros países desarrollaren este tipo de programas [basados en la tecnología], e incluso puede ayudarles en este capítulo.&#8221; </p>
<p>El &#8220;mal&#8221; de la India, dice, por su parte, Constantino Xavier, investigador de la Universidad Johns Hopkins, en Washington DC, &#8220;aún piensa en pequeño.&#8221; &#8220;Hay un problema de miopía en el horizonte de la planificación en conjunto con una centralización excesiva &#8211; una combinación desastrosa&#8221;, continúa este especialista portugués que vivió en la India.</p>
<p>En términos geopolíticos, Ashutosh Sheshabalaya, autor de &#8220;Made in India&#8221;, no termina de ver los BRIC: &#8220;Teniendo en cuenta los parámetros utilizados, el Club hace de la India un socio secundario de cara a China. India está luchando por otro grupo, el IBSA, como contrapeso, agregando a India, Brasil y Sudáfrica. Por eso China se apresuró a incluir a Sudáfrica en el club y a cambiar el nombre del grupo a BRICS a finales de diciembre de 2010”. El consultor indio predice que incluso &#8220;los BRICS serán un poco como el Movimiento de Países No Alineados.&#8221;</p>
<p><strong>CHINA &#8220;es la historia más increíble de nuestra generación&#8221;</strong>, dijo Jim O&#8217;Neill. En menos de cuarenta años se quito las “vestimentas” del maoísmo y se convirtió en la segunda economía más grande del mundo después de Estados Unidos, y en él según acreedor neto del planeta, después de Japón. &#8220;Es la superpotencia inevitable&#8221;, escribió Arvind Subramanian, autor de &#8220;Eclipse: Vivir a la sombra del dominio económico de China&#8221;, publicado a finales del año pasado. La portada del libro era sugerente, mostrando una foto del presidente de EE.UU. Obama inclinando  la cabeza y el cuerpo para saludar al presidente chino, Hu Jintao, recordando a los emperadores chinos recibiendo homenajes. Este especialista indio del Peterson Institute for International Economics y del Center for Global Development ha argumentado que en el año 2030, la economía y los flujos de comerciales de China serán superiores en un 50% a los estadounidenses. La imagen de China es la de una potencia económica imparable.</p>
<p>Pero tiene talón de Aquile, dicen al Expresso los dos economistas que están ubicados en Asia &#8220;Los desafíos son enormes para los líderes chinos. Tienen que cambiar el modelo orientado a la producción a otro orientado al bienestar. Lo que no será fácil. El modelo dominante hoy en día ha distorsionado toda la estructura de la economía china. Hay una pesada herencia de la anterior economía planificada&#8221;, dijo Peter Drysdale, de la Universidad de Australia en Canberra. Sin embargo, Drysdale considera que la cuestión clave se prende con la reforma política.&#8221;La próxima década será un periodo crítico para la reforma. Teniendo en cuenta la experiencia asiática, de Japón, Corea del Sur y Taiwán. Las sociedades que han escapado de la trampa del ingreso medio &#8211; que es justamente el próximo reto de China – han tenido que mantener la estructura social plana e iniciaran procesos políticos de democratización. La transición a la democracia empezó cuando el ingreso per cápita en paridad con el poder adquisitivo ha alcanzado en los &#8220;tigres&#8221; asiáticos los 8000 dólares. Pero, China en una década, es probable que pase de los 6300 para los 13.000 dólares&#8221;, concluye el profesor australiano.</p>
<p>Otro talón de Aquiles es el envejecimiento. &#8220;Entre 2030 y 2040, China tendrá una de las poblaciones más envejecidas del planeta, lo que no tiene precedentes en un país pobre&#8221;, nos dice Michael Pettis, un estadounidense que es profesor de mercados financieros en la Escuela Guanghua School of Management en la Universidad de Beijing. Pettis también admite que la economía china puede sufrir de la &#8220;enfermedad japonesa&#8221;: &#8220;Soy optimista en el sentido de que China continuará con las reformas políticas de una manera organizada, lo que le permite seguir creciendo un poco más rápido que el resto de la mundo, pero ese crecimiento desacelerará significativamente en relación a la situación actual. Seguirá siendo la segunda economía más grande del mundo, pero me temo que se enfrentará a una situación como la de Japón en la actualidad, con una carga de una deuda muy alta generada en el pasado y en los próximos años, además del problema demográfico&#8221;.</p>
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		<title>Dossiê BRICS: I- De um acrónimo a um clube político</title>
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		<pubDate>Mon, 16 Jan 2012 22:29:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Breve história da vida de um acrónimo que se transformou em um clube político. Começou com quatro membros todos diferentes mas todos iguais na trajetória de deitarem fora a etiqueta de Terceiro Mundo ou de superpotência falhada. Acabaram por se "libertar" do próprio "pai", Jim O'Neill, Mr BRIC que entrevistámos recentemente para o semanário português Expresso e para janelanaweb.com (em castelhano). TEXTO LONGO


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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>&#8220;É provavelmente o acrónimo com mais sucesso da última década&#8221;, diz-nos Joaquim Ramos Silva, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, autor de &#8220;Portugal/Brasil: Uma Década de Expansão das Relações Económicas, 1992-2002&#8243;.</strong></p>
<p><a href="http://liswires.com/archives/2072">ENGLISH VERSION by LisWires</a></p>
<p>Jim O&#8217;Neill cunhou o acrónimo BRIC em novembro de 2001 num artigo para a série de Economia Global da consultora Goldman Sachs, referindo-se a quatro economias: Brasil, Rússia, Índia e China. &#8220;Pensei que a economia global nas décadas seguintes seria impelida pelo crescimento destes quatro países populosos e economicamente ambiciosos&#8221;, afirma o &#8220;pai&#8221; do conceito, no seu mais recente livro &#8220;The Growth Map &#8211; Economic Opportunity in the BRICs and Beyond&#8221;, publicado pela Portfolio/Penguin no final de 2011, uma década depois do célebre artigo.</p>
<p>O livro motivou uma entrevista com o autor e uma visita guiada BRIC a BRIC que foram publicadas na edição do semanário português Expresso. Uma edição em castelhano pode ser <a href="http://janelanaweb.com/trends/jim-oneill-el-padre-del-acronimo-bric-%E2%80%9Cme-gusta-la-definicion-que-he-oido-del-partido-comunista-de-china-como-una-gran-camara-de-comercio%E2%80%9D/">lida aqui</a>.</p>
<p><strong>Mudança de perceção a nível subliminar</strong></p>
<p>O acrónimo BRIC acabou por suscitar paixões e críticas frontais. Algumas das críticas vêm do próprio seio de economistas e consultores desses países que fazem parte do acrónimo.</p>
<p>O vice-diretor geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o economista indiano Harsha Vardhana Singh, é um entusiasta: &#8220;O conceito foi introduzido na mesma altura que as negociações da Ronda de Desenvolvimento de Doha foram lançadas pela OMC e que a China ingressou na organização. Foi um conceito muito útil de diversas maneiras, inclusive na mudança de perceção a um nível subliminar. Alertou as pessoas para a importância crescente e para a presença de países que não pertenciam à OCDE, e, em geral, assinalou o potencial imenso dos países em desenvolvimento. A perceção dos investidores em relação a estas economias melhorou&#8221;. Mesmo do ponto de vista da OMC, este economista doutorado em Oxford salienta que &#8220;a construção de uma coligação deste tão diversificado grupo permitiu alcançar os objetivos, inclusive nas negociações na OMC e no trabalho diário&#8221;.</p>
<p>A principal conclusão que qualquer cidadão do mundo tira é, certamente, idêntica à do economista e consultor brasileiro Ricardo Amorim: &#8220;O acrónimo foi muito útil para chamar a atenção para um processo de transformação brutal que está a acontecer na economia mundial, onde países emergentes e, em particular, os BRIC, estão ganhando cada vez mais importância&#8221;. Por seu lado, Constantino Xavier, um investigador português na Universidade Johns Hopkins, em Washington DC, que viveu na Índia, adianta que &#8220;o conceito foi de facto útil para o Ocidente debater o &#8216;ascenso do resto&#8217; depois do fim da Guerra Fria&#8221;.</p>
<p><strong>As duas histórias mais impressionantes</strong></p>
<p>Desde 2001, vários trabalhos de equipas da Goldman Sachs foram atualizando as previsões em que cada uma das quatro economias ultrapassaria economias ricas do G7.</p>
<p>A realidade acabaria por surpreender com a subida da China ao segundo lugar antes de 2015 e a ultrapassagem da Itália e do Reino Unido pelo Brasil muito antes de 2025. A China é, desde 2010, o número dois, e o Brasil é, desde 2011, o número seis. O&#8217;Neill considera os dois casos as duas mais impressionantes histórias da última década. A Índia e a Rússia estão, ainda, em 9º e 10º lugar, a uma distância de 300 mil milhões a 350 mil milhões de dólares da Itália e do Reino Unido, mas provavelmente não precisarão de chegar a 2015 ou 2020 para ultrapassarem esses dois países europeus. O analista Shubrah Gupta, no The Indian Express, referiu recentemente que &#8220;o futuro está a chegar mais cedo do que antecipado&#8221;.</p>
<p>Entretanto, as quatro economias são responsáveis, desde 2003, por 65% do crescimento anual da economia mundial. O empurrão que deram no comércio mundial pode ser apreciado por estes números impressionantes para o período de 1990 a 2009: as exportações de bens e serviços cresceram 86% na Rússia, 176% no Brasil, 738% na Índia e 1993% na China. Essa dinâmica exportadora vai manter-se, ainda que arrefecida, no período de 2010 a 2016, segundo as previsões: 34,7% na Rússia, 79,6% no Brasil, 171% na Índia e 178% na China.</p>
<p><strong>O calcanhar de Aquiles político</strong></p>
<p>No entanto, para o economista russo Constantin Gurdgiev, o conceito &#8220;é uma amalgama de realidades completamente distintas no plano político, cultural, institucional e económico&#8221;. Em termos de PIB per capita, ou de riqueza média, é um grupo com extremos, com a Índia na base e a Rússia no topo desta pirâmide. Por um lado, temos economias dependentes da exportação de mercadorias e ancoradas regionalmente, como a Rússia e o Brasil, misturadas com uma potência comercial mundial, a fábrica do mundo, a China, e com um líder num nicho de serviços internacionais, a Índia. Há um fosso financeiro enorme entre a China, que é o segundo maior credor líquido do mundo (depois do Japão), e o Brasil, que é o quarto maior devedor líquido do mundo, depois dos EUA, Espanha e Austrália.</p>
<p>Michael Pettis, um americano que é professor de mercados financeiros na Universidade de Beijing, é mais cáustico ainda: &#8220;Como ferramenta de marketing para fundos à procura de mobilizarem capital foi muito útil. Mas não penso que signifique muito mais do que isso. Sou muito cético sobre o crescimento &#8216;inexorável&#8217; dos BRIC&#8221;. Para Ricardo Amorim, que é também apresentador do Manhattan Connection da Globo News, &#8220;os BRIC têm interesses comuns mas também grandes divergências de interesses, resultantes das suas diferenças económicas e políticas. No campo comercial, por exemplo, é difícil vê-los atuando em conjunto, enquanto a Índia e a China forem grandes importadores de matérias-primas e o Brasil e a Rússia forem grandes exportadores&#8221;. O economista brasileiro considera inclusive que, no caso do seu país, &#8220;não tem tamanho suficiente para definir tendências globais, mas, apenas, para influenciá-las marginalmente&#8221;.</p>
<p>O investigador português Constantino Xavier vai mais longe na crítica ao conceito: &#8220;É impossível divorciar a sustentabilidade do crescimento económico dos temas políticos e de governação democrática. Isto pode parecer menos aparente hoje em dia quando o Ocidente está mergulhado na recessão e precisamos que os BRIC cresçam o mais rápido possível&#8221;. E vaticina: &#8220;Mas mais tarde ou mais cedo, haverá desafios importantes contra os modelos autoritários da Rússia e da China e movimentos populares e reclamações democráticas &#8211; contra a corrupção e a desigualdade dos rendimentos &#8211; na Índia ou no Brasil&#8221;.</p>
<p><strong>A grande transformação</strong></p>
<p>Apesar das críticas, a visão de O&#8217;Neill e da sua equipa na Goldman Sachs provocou três consequências devastadoras na perceção que havia do mundo há uma década atrás.</p>
<p>Recorde-se que o conceito de BRIC surgiu no mesmo momento em que muitos analistas pretenderam passar a ideia de que os ataques terroristas de 11 de setembro nos Estados Unidos haviam sido um ponto de viragem. &#8220;O mundo mudou&#8221;, dizia-se, então. A que se associou um renascimento inexorável da superpotência &#8220;solteira&#8221;.</p>
<p>Mas, na realidade, o mundo já mudara radicalmente há anos atrás. O episódio terrorista era, apenas, mais um sinal da grande transformação ocorrida em que os principais protagonistas nada têm a ver com redes terroristas ou com estados-falhados.</p>
<p>Essa grande transformação geoeconómica e geopolítica pode ser observada por três ângulos.</p>
<p>Primeiro: tudo indica que com a revolução capitalista na China desencadeada por Deng Xiaoping no final dos anos 1970 e depois com a queda do Muro de Berlim no final dos anos 1980 se abriu uma nova vaga de globalização. Esses momentos fraturantes colocaram um ponto final à primeira vaga iniciada pelos portugueses no século XV e que veria uma sucessão de impérios europeus ou de matriz europeia dominar o mundo (os cinco ciclos de potência, com Portugal, Holanda, Reino Unido que bisou, e Estados Unidos) ou tentando dominá-lo, mas falhando (Espanha Filipina, França Napoleónica, Alemanha Guilhermina e depois Hitleriana, e URSS a partir do projeto de grande potência baseada no &#8220;socialismo num só país&#8221; de Estaline).</p>
<p>Com a água suja do banho, desapareceu o Terceiro Mundo que Alfred Sauvy nos anos 1950 via como &#8220;terceiro estado&#8221; alternativo a um mundo baseado no equilíbrio do terror e na luta ideológica e de posições entre dois sistemas, o capitalista e o do &#8220;socialismo real&#8221;.</p>
<p>Segundo: o &#8220;modelo de sucesso&#8221; dos anos 1990, o dos &#8220;tigres&#8221; (do Pacífico ou da Europa) de alta densidade demográfica e pequenas áreas, deu lugar à pujança das &#8220;economias-baleia&#8221;, em que a noção de &#8220;grandes espaços&#8221; como fonte de poder regressa à geoeconomia e à geopolítica, sublinha André Martin, professor de Geografia Política na Universidade de São Paulo. Para Joaquim Ramos Silva, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão (ISEG), em Lisboa, a emergência destas &#8220;baleias&#8221; influencia muito mais o meio ambiente do que os &#8220;pequenos peixes&#8221;.</p>
<p>O entusiasmo sobre os &#8220;tigres&#8221; viria a dar lugar a outras histórias económicas ainda mais surpreendentes, as dos BRIC, e particularmente de dois casos: China e Brasil. Para Jim O&#8217;Neill são as duas grandes histórias da nossa geração.</p>
<p>Terceiro: os BRIC, e inclusive outras economias emergentes de menor dimensão, surgiram como investidores nas economias avançadas. &#8220;Desde meados dos anos 1990 que assistimos a uma internacionalização sem precedentes dos fluxos de investimento globais e dos portefólios, bem como ao desenvolvimento de um comércio robusto entre os países do &#8216;Sul&#8217; e a uma dinâmica de fluxos de investimento entre as economias emergentes e de rendimento médio. Este processo consolidou-se a ponto de que os anteriores recetores líquidos do capital financeiro das economias avançadas se tornaram paradoxalmente em novos investidores essenciais nas economias avançadas&#8221;, sublinha Constantin Gurdgiev.</p>
<p>Algo surpreendente surgiu. Um estudo do McKinsey Global Institute sobre os mercados financeiros em 2011 constatava: &#8220;Ao contrário da perceção popular de que os fluxos de capital para os mercados emergentes são altamente voláteis, o que verificamos é que os fluxos entre países desenvolvidos são muito mais voláteis. Quando ajustados à dimensão média, os fluxos de capital para os países desenvolvidos são 20% mais voláteis do que os fluxos para os mercados emergentes&#8221;. Se em 2000, os investimentos no estrangeiro por parte das economias emergentes eram apenas 6% do total, uma década depois já somavam 20%. Um dos elementos centrais desta dinâmica &#8211; que representa 61% &#8211; é a aquisição de títulos de dívida estrangeiros por parte de bancos centrais dos países emergentes.</p>
<p>A própria capitalização bolsista mundial vai sofrer uma reviravolta até 2030. Segundo um estudo da Goldman Sachs, citado recentemente pelo EconomyWatch, a capitalização bolsista nos mercados emergentes por aquela data atingirá os 80 biliões (triliões, na designação anglo-saxónica, trilhões em português do Brasil) de dólares, tomando 2010 como ponto de partida. Em contraste, a capitalização nos países desenvolvidos será, apenas, de 66 biliões de dólares. A situação de partida em 2010 era de 14 biliões de dólares para os emergentes e 30 biliões para os desenvolvidos. A parcela dos BRIC subirá de 18% hoje para 30% em 2020 e 41% em 2030.</p>
<p><strong>Crise gera grande oportunidade ou mera moda?</strong></p>
<p>Entretanto estoirou a crise financeira de 2008 e depois aprofundou-se a recessão internacional e muitos decretaram a sentença de morte dos BRIC. &#8220;Houve momentos em que eu também me preocupei [com a sobrevivência do acrónimo]&#8220;, confessa O&#8217;Neill. Mas os quatro países revelaram dois ingredientes: resiliência à Grande Recessão e espírito de &#8220;coopetição&#8221;, o que em gestão significa cooperar e competir. Para Peter Drysdale, professor na Universidade Nacional da Austrália em Camberra, &#8220;tem ficado claro que coletivamente estes países podem resistir às imposições ocidentais no âmbito multilateral&#8221;. &#8220;As divergências entre eles são muito mais pequenas do que com o Ocidente. É essa co-dependência que fornece a argamassa dos BRIC&#8221;, conclui.</p>
<p>Um outro aspeto menos referido prende-se com a gestão do risco das dívida soberanas. A situação ficou de pernas para o ar. Em menos de dois anos, no TOP 10 dos países com mais alta probabilidade de entrarem em <em>default</em>, cinco a seis vieram das fileiras do mundo desenvolvido, ou pelo menos de dentro de um dos espaços económicos mais desenvolvidos, a zona euro e a União Europeia. Grécia, Portugal, Irlanda, Húngria, Itália e Espanha pertencem ou pertenceram a esta &#8220;galeria&#8221;. Como conclui o estudo &#8220;LIQUIDITY, RISK AND THE GLOBAL TRANSMISSION OF THE 2007-08 FINANCIAL CRISIS AND THE 2010-11 SOVEREIGN DEBT CRISIS&#8221;, de Alexander Chudik e Marcel Fratzscher (publicado pelo Banco Central Europeu, na sua série de Working Papers, nº1416, fevereiro de 2012), &#8220;um dos aspetos mais intrigantes, ainda que em aberto, é saber se a crise da dívida soberana de 2010-2011 constitui uma rotura estrutural no processo de transmissão global, no sentido de que investimentos nas economias emergentes não são mais considerados como os tipos de investimento mais arriscado&#8221;. A investigação realizada aponta para uma conclusão: &#8220;as diferenças de risco soberano entre as economias avançadas e as emergentes tornaram-se menores &#8211; ou mesmo, em alguns casos, inverteram-se -, e os choques adversos na liquidez global e no risco talvez já não tenham um efeito tão amplo nas economias emergentes&#8221;.</p>
<p>A crise traria, no entanto, uma inesperada oportunidade para os BRIC. &#8220;A sua afirmação política pode ser datada da reunião que fizeram em Ekaterimburgo, na Rússia, em junho de 2009&#8243;, acrescenta Drysdale. O acrónimo de Jim O&#8217;Neill sofreu uma mutação radical: passou a um clube político. A foto de mãos dadas dos presidentes do Brasil, Rússia e China com o primeiro-ministro indiano correu mundo. &#8220;Quer no sentido de alcançarem os seus objetivos internos como os mais amplos a nível internacional, os BRIC evoluirão para um clube político ainda mais forte no futuro. Contudo, o conjunto dos associados será certamente flexível, com diferentes permutações que se julguem necessárias&#8221;, afirma-nos Harsha Singh.</p>
<p>Face à emergência deste clube, as opiniões de alguns economistas ouvidos são de um enorme ceticismo. Michael Pettis arrisca que o clube dos BRIC poderá revelar-se uma moda passageira. &#8220;Noutras alturas de fraqueza económica, ouvimos falar com grande excitação de novos agrupamentos políticos internacionais. Nos anos 1970, por exemplo, ouvimos falar do poderio crescente do bloco árabe, depois do Movimento dos Não Alinhados, depois da ressuscitação da América Latina, e por aí adiante. Mas politicamente todos eles tinham poucos interesses em comum, para além do desejo de uma maior presença na cena mundial. E todos murcharam&#8221;, conclui. Ashutosh Sheshabalaya, autor de &#8220;Made in India&#8221; (&#8220;Rising Elephant&#8221;, na edição inglesa), é da mesma opinião.</p>
<p>Por seu lado, Joaquim Ramos Silva, do ISEG, acha que &#8220;há diferenças dentro do grupo que realmente contam&#8221;, e prossegue: &#8220;Cada um deles tem a sua especialização e prosseguiu o seu próprio caminho de integração na economia mundial, por isso chegar a um consenso entre eles não é tarefa fácil. Também parecem relutantes, cada um por si ou em grupo, em assumir responsabilidades do potencial de hegemonia que têm e em desafiar abertamente os incumbentes. Por isso, no futuro próximo, avançarão passo a passo, e provavelmente nem sempre como um grupo&#8221;. Também Constantino Xavier torce o nariz à eficácia do grupo: &#8220;É pouco provável que se transforme em cooperação efetiva. A China e a Índia são rivais e nenhum dos membros do clube está interessado em se juntar contra o hegemonista incumbente, os EUA&#8221;.</p>
<p>O grupo acabaria por cooptar mais um membro, a África do Sul, no final de dezembro de 2010. Foi a vez de o acrónimo mudar para BRICS, adicionando o &#8220;S&#8221; de South Africa, uma economia que nem sequer está incluída no que Jim O&#8217;Neill batizou como os &#8220;Próximos 11&#8243; que misturam economias de crescimento com economias emergentes. &#8220;É para mim difícil pensar a África do Sul como um genuíno BRIC ou mesmo como uma economia de crescimento. É metade da dimensão económica de uma Indonésia ou de uma Turquia&#8221;, escreve no livro &#8220;The Growth Map&#8221;. Decididamente, o acrónimo libertou-se definitivamente do &#8220;pai&#8221;.</p>
<p>A cooptação da África do Sul gera, de facto, muitas reflexões. No plano geopolítico, o consultor indiano Ashutosh Sheshabalaya desenha uma tese: &#8220;Face às métricas usadas, o clube secundariza a Índia, tornando-a um parceiro júnior face à China. A Índia bateu-se por um outro agrupamento, o IBSA, como contrapeso, agregando a Índia, o Brasil e a África do Sul. Aliás, foi por isso que a China correu a puxar a África do Sul para o clube e se apressou a rebatizar o grupo de BRICS no final de dezembro de 2010&#8243;. Por seu lado, o professor brasileiro André Martin defende: &#8220;Como brasileiro, prefiro afirmar que o Brasil, Índia, África do Sul e Austrália possuem uma condição comum de líderes regionais que se perfilam como as potências emergentes do hemisfério Sul. Entendo por &#8216;Sul&#8217; não um espaço estritamente geográfico, mas geopolítico referindo-me aos países colonizados e que não são ainda reconhecidos como potências mundiais pela ONU&#8221;. A uma tríade desenhada por O&#8217;Neill &#8211; os &#8220;ricos&#8221; em declínio (inclusive com uma progressiva periferização do Japão e da Europa); as novas &#8220;economias-baleia&#8221; de crescimento (os BRIC); e o resto -, o professor de geopolítica prefere um &#8220;modelo binário&#8221; verdadeiramente fraturado entre &#8220;Norte&#8221; e &#8220;Sul&#8221;.</p>
<p>Este ano a reunião dos BRICS será em março na Índia.</p>
<p>Historicamente, quatro dos cinco membros dos BRICS são países cujo estreito relacionamento com a globalização iniciada pelos portugueses no século XV é conhecido.</p>
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		<title>DAVID GRAEBER: &#8220;the American Empire collapse is, effectively, being negotiated both internationally, and within&#8221;</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Nov 2011 12:56:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[The New Yorker David Graeber, a native of Chelsea, 50, an anthropologist, professor at the University of London, UK, published recently Debt- the first 5,000 years, a must-read for economists and historians of economy. Also, for politicians. 
An interview about his book on the history of debt by Jorge Nascimento Rodrigues. (LONG ARTICLE)]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A conversation with anthropologist DAVID GRAEBER about his book on the history of debt by Jorge Nascimento Rodrigues.</strong></p>
<p><em><strong>Highlights </strong></em></p>
<p>«[The bubble and credit cycles are different after 1971}, I suspect so because now it&#8217;s marked by a broad shift of the very meaning of money and this will ultimately have enormous political effects»</p>
<p>«We create the sort of scenario the ancients most feared, where the bulk of the world&#8217;s population are reduced to debtors working for the tiny percentage that actually controls the creation of money»<br />
«But in a way 2008 let the cat out of the bag. We realize now that if money is owed by really important players, even trillions in debts can be made to disappear or renegotiated away. Money is just a social arrangement, a set of promises or IOUs» </p>
<p>«The ideology that debt is somehow a moral sin and it is wrong to ever let anyone off the hook has nothing to do with economics, it&#8217;s a moral discourse that has been deployed as a means of social control for millennium» </p>
<p>«Debt restructuring, it&#8217;s inevitable. It&#8217;s just a matter of how they dress it up» </p>
<p><em>© Janelanaweb.com, November 2011 </em></p>
<p>The New Yorker David Graeber, a native of Chelsea, 50, an anthropologist, professor at the University of London, UK, published recently <strong>Debt- the first 5,000 years</strong>, a must-read for economists and historians of economy. Also, for politicians. </p>
<p><a href="http://www.amazon.com/exec/obidos/ISBN=1933633867/janelanawebjnrA/" title="Debt -- David Graeber">READ THE BOOK &#8211; BUY THE BOOK<br />
</a><br />
<strong>A SEMINAL BOOK &#8211; a must-read </strong></p>
<p>His book on debt is a critical review of most of the assumptions economists have today about money. He began criticizing the mythical story wrote by Adam Smith, the founder of the discipline of Political Economy, or in today&#8217;s terminology, Economics, although the Scottish professor lectured on problems of Moral Philosophy and he will probably be surprised how the industrialists take his &#8220;invisible hand&#8221; as the new credo of business affairs in the 1800s. </p>
<p>The moralisation of debt by economists and politicians, forgetting that a lender is supposed to accept a certain degree of risk, was the beginning of David&#8217;s research on the history of credit and money. </p>
<p>And he found that what we now call virtual money was the original form of money. Credit systems existed long before cash, &#8220;indeed preceded the invention of coinage by thousands of years.&#8221; Credit and debt come first in history. Loans and interest predated even writing in Ancient Mesopotamia (toponym for the area of the Tigris-Euphrates river system, largely corresponding to modern-day Iraq, northeastern Syria, southeastern Turkey and southwestern Iran). </p>
<p>Exchange markets and physical money emerged from organized violence and power projection, not &#8211; as the fairytale written by Adam Smith in the 1770s says &#8211; as a historical &#8220;progressive&#8221; and &#8220;clean&#8221; sequence from barter to exchange markets and money, and finally banking with credit and debt. Smith also created the fantasy that markets were a kind of natural human propensity and governments came second. The precise reverse is true. An enormous amount of historical evidence show the contrary of Smith utopia &#8211; governments created markets as a side-effect of political power projection. </p>
<p><strong>Cycles of debt </strong></p>
<p>Then, David discovered very long cycles in the history of debt, that &#8211; amazingly &#8211; alternate between virtual and metal money periods. Five cycles so far. </p>
<p><strong>The first</strong> &#8211; 27 centuries &#8211; was dominated by virtual credit money between 3500-800 BC, the age of the Ancient Empires of Mesopotamia, Egypt and China. </p>
<p><strong>The second</strong> coined as the Axial Ages from 800 BC to 600 AD, fourteen centuries which saw the rise of coinage sometime around 600 BC &#8211; probably in Lydia, in western Anatolia (now Turkey) and specifically to pay mercenaries &#8211; and a shift to metal bullion, a period of extreme violence and birth of old philosophies and today&#8217;s major world religions. </p>
<p><strong>The third</strong>, along eight centuries, the typical Middle Ages, High and Low, from 600 AD until 1450 with a return to virtual money. In the distant China the first financial powerhouses were the Buddhist monasteries and the paper money emerged, called &#8220;flying cash.&#8221; Then the power projection of Islam from the Iberian Peninsula to China developed capital as credit and the market become a global phenomenon. Long before the market-sand and the merchant-adventurers developed in the most advanced parts of Europe the maritime city-states, particularly the Italian <em>Repubbliche marinare</em>. </p>
<p><strong>The fourth</strong>, the Age of Capitalism (in the current concept), from the beginning of the globalization projection by the Portuguese (David refers 1450 as the turning point of the credit cycle), through the Industrial Revolution and the modern financialization waves, with a massive planetary switch back to bullion and the transition from an economy of credit to an economy of interest with a criminalization of debt. We saw the first modern waves of sovereign defaults in England (1472), Spain (6 from 1557), France (8 from 1558), Portugal (1560) and later in Germany (1683) and the first bubbles busts in Holland (the tulip mania in the 1630s) and then in England (the South Sea bubble of 1710). Then, the birth of systemic global crisis since 1826 until the Great Recession of the 1930s. </p>
<p><strong>Something to be determined<br />
</strong><br />
That fourth period finished in 1971 when President Nixon announced that the US dollar would no longer be redeemable to gold. Nixon needs were obvious. The US developed what economist Michael Hudson, president of The Institute for the Study of Long-Term Economic Trends, called &#8220;debt imperialism&#8221; (sovereign credit again as the engine for power projection, something Phillip II of Spain in the 16th century was a master fuelling his grand strategy). The US also needed to win the hegemony curse &#8211; what came true with the implosion of the Soviet Union. Then, we saw an incredible return to virtual money, fuelled also by the new tech revolution and the de-materialisation of finance and parts of the production and services not only in the West rich powers, but also in the emergent economies of the so-called Third World. </p>
<p>We are leaving now in this new era, only 40 years old. David coined this infant period as &#8220;the beginning of something to be determined.&#8221; In this period debt has two special characteristics: first, sovereign debt from countries with a geopolitical privilege is not to be repaid, but to be continually rolled over; second, there&#8217;s a difference from middle class and poor debtors captured by the so-called democratization of finance and &#8220;systemic&#8221; debtors (those, banks, individuals, sovereigns too big to fail). The great financial crisis from 2007 is of a new type &#8211; stop to benchmark with the 1890s, or the 1907 panic or the Great Depression. Also, the geopolitical moves from emergent great powers remind us that we are thriving in the unknown. </p>
<p><strong>INTERVIEW </strong></p>
<p><em>Q: What was &#8220;born&#8221; first &#8211; debt, money, or coins? Or is it a chicken-egg problem? </em><br />
A: Money had been around for several thousand years at that point &#8211; by circa 3000 BC, we already have records of compounded interest, expense accounts, credit purchases. It seems that the great Bronze Age Empires didn&#8217;t produce any real currency system. Silver was used for some transactions, but weighed out and not in uniform denominations, and mainly for larger ones, especially between merchants who weren&#8217;t in the same mercantile organization or other people with little social connection. For most everyday transaction, it was credit. In fact that Sumerians didn&#8217;t even bother making scales accurate enough to use in the tiny amounts of silver that would have been required to buy hammers or fish or such things. Well, coinage is invented perhaps around circa 650 BC in Lydia, and shortly thereafter, but apparently independently, in both India and China. Actually credit systems preceded the invention of coinage by thousands of years. </p>
<p><em>Q: Why Adam Smith construct that fantasy land regarding the credit, Money and market, your refer in your book?</em><br />
A: Well at the time there was an emerging sense, particularly in middle class circles that credit was inherently problematic, even corrupting &#8211; a dramatic shift from the assumptions of earlier ages that it was the very essence of sociability, and that it was only appropriate that everyone in a community be in debt to everyone else. What Smith seems to have done was to invent a parable for this new middle-class sensibility that once upon a time, people just swapped everything directly, in a world with no confusing social entanglements, just trade. </p>
<p><em>Q: You refer a sequence of very long cycles in history of debt and money. Curiously enough they alternate between periods of virtual and metal money, with this extraordinary remark that what we now call virtual money come first in history. Are we leaving nowadays in a virtual credit epoch again? </em><br />
A: Well I think you can argue that 1971, when Nixon went off the gold standard, does mark a fundamental break &#8211; since then there is a whole series of very rapid developments, from the financialization of capital, the spread of credit cards, the effective abolition of usury laws in the US, the movement from social welfare states to credit systems where access to cheap credit is supposed to be the salvation of the world&#8217;s poor &#8211; from mortgages to 401ks to micro-credit in the Global South. But it seems to me that we&#8217;ve been getting things backwards. If we look at the broad sweep of history, the first age of virtual credit money was the first Agrarian Empires (3500-800 BC). Then, in the Middle Ages (600-1450 AD), you have a return to virtual credit money. The Nixon announcement in 1971 marked the beginning of yet another phase of virtual money. </p>
<p><em>Q: Which are the patterns of those periods of virtual money? </em><br />
A: Well one thing that&#8217;s clear is that during periods dominated by virtual money, there&#8217;s always some sort of overarching institution designed to protect debtors, to make sure the bulk of the population isn&#8217;t effectively enslaved. It could take many forms (debt cancellations, like the Mesopotamian clean slates or Biblical jubilees, Medieval anti-usury laws&#8230;) but there was always something. What do we do instead nowadays? We create institutions like the IMF (or for that matter S&#038;P) designed basically to protect creditors, to ensure that in important matters, no one ever gets to default. Not only is the economic logic crazy, but the effect has been precisely to create the sort of scenario the ancients most feared, where the bulk of the world&#8217;s population are reduced to debtors working for the tiny percentage that actually controls the creation of money. I assume all this must, necessarily, be reversed. </p>
<p><em>Q: What was the main characteristic of the shift from the Axial Age&#8217;s bullion period to the High Middle Ages&#8217; virtual system? In which sense that shift and period of change between the two ages can be of use to think nowadays transition?</em><br />
A: You see very broadly the same sequence of events in China, India, and Rome. The rise of the Axial Age empires was met by popular anti-war movements which took the shape of what became the great world religions. Gradually, as the empires came to a peak, and started to falter, they ended up adopting one of the religious movements as a state cult, which worked out with varying success in different places. The collapse of standing armies lead to a movement away from coins, and back towards virtual money. The initial transition also involved a collapse of urban life, which liberated millions of agricultural laborers, led to the near-abolition of slavery in most parts of the world, and generally massively increased day to day human freedom, but was devastating in terms of literacy and the arts. Gradually the religious movements ended up regulating a revived economic order &#8211; much quicker in China and the Middle East than in India and especially Europe, where a caste system was put in place &#8211; and creating a world that for most people was probably far more peaceful and prosperous than the Axial Age empires had ever provided. It&#8217;s hard to say what sort of analogy one can really make here. I do think the transition from capitalism to whatever comes next is more likely to be like that one than like the always-invoked transition from feudalism. But will it be as demographically or culturally catastrophic? I obviously hope not. A lot of it depends on the political movements that are the contemporary equivalents to the old religious anti-war movements, which form or direction they ultimately take. </p>
<p><em>Q: You refer the Middles Ages &#8211; in a global sense, not only the &#8220;westernized&#8221; view forgetting Asia and the Middle East &#8211; as a return to forms of virtual credit money. One of the most interesting periods, unknown for most West economists, was Sung China (960-1279 AD), a period of structural change in society and economy. What was the role of this Chinese dynasty in money history? </em><br />
A: Well paper money emerges under the Tang dynasty, being derived from various sorts of credit instruments, but takes off under the Sung dynasty. It was part of a broad movement away from metal currencies, away from the use of bullion in everyday transactions that one sees across Eurasia in the early Middle Ages. Basically, the use of metal only really comes about with the rise of professional standing armies, and coins are always closely tied to the military economy of the great empires, and when the standing armies dissolve, so does the use of metal currency (though the use of copper coins is maintained in China, since eventually the empire reconstitutes itself, just not in the same form). In the world of Islam, from Mali to the Spice Islands, there&#8217;s a kind of free-market ideology where credit instruments &#8211; ruqq, notes, sakk, or checks, etc. &#8211; are, like contracts, enforced not by governments, but religious courts. This is made much easier by the abolition of interest-taking. In China, where interest is still legal, and where there&#8217;s if anything a diametrically opposite attitude towards government (or for that matter merchants), government quickly co-opts the system and you end up with paper money. But the movement towards some form of virtual credit money system occurs throughout the Medieval world. It just takes different forms. </p>
<p><em>Q: Nowadays, in times of austerity packages coupled with inflation, most people react against the &#8220;plastic&#8221; money and personal credit in day to day life. Even personal financial pundits &#8211; a kind of personal trainers for family finance &#8211; advocate the return to 100% flows based in physical coins and the ban of credit and debit plastic money. Are they a kind of financial Luddites, or this means a new trend? </em><br />
A: Oh I don&#8217;t think there&#8217;s really any going back. Rather, I think people haven&#8217;t come to fully embrace what sort of money system we&#8217;re moving into &#8211; as I just suggested. But in a way 2008 let the cat out of the bag. We realize now that if money is owed by really important players, even trillions in debts can be made to disappear or renegotiated away. Money is just a social arrangement, a set of promises or IOUs. Hence, if democracy is to mean anything, it&#8217;ll have to mean that everyone gets to weigh in on how these promises are made and renegotiated. </p>
<p><em>Q: The Nixon &#8220;coup&#8221; putting the dollar out of the gold standard in 1971 was the last move of great power projection from the US, more than a &#8220;simple&#8221; monetary and currency event? </em><br />
A: Well it was ambiguous. I think Michael Hudson is right when he said the immediate effect is a kind of &#8220;super-imperialism,&#8221; where imperial tribute is effectively extracted by means of debt &#8211; ironically, both by debt owed to the US, as in the Third World debt crisis, and by the US, as in the enormous purchase of T-bonds by countries that are effectively US military client states (Japan, Korea, the Gulf States&#8230;). But the long-term effects, it seems to me, can only undermine the relation between war-making sovereign powers and financial interests &#8211; systematized in the central bank system &#8211; which has defined capitalism since the beginning. It&#8217;s just a matter of how long it takes. </p>
<p><em>Q: Despite the historical breakthrough of the Nixon &#8220;coup&#8221; you mention, it seems we are leaving since the 1850s or the 1860s since the invention of financial trusts and of the modern financial capitalism, through cyclical financialization waves with its bubble and crash moments. This financialization dynamics is new in history? </em><br />
A: Well Giovanni Arrighi of course, following Fernand Braudel, argues that it&#8217;s not &#8211; all hegemonic powers in the history of capitalism go through a phase of productive capital, followed by a phase of financial capital, before they give way. However, there&#8217;s more to it I think. I think you could also argue &#8211; expanding on certain ideas put forward by Hyman Minsky, for example &#8211; that capitalism is curiously prone to bubbles in precisely the period it seems most stable. It&#8217;s always seemed to me that&#8217;s the reason that for the last couple centuries, capitalists don&#8217;t seem to be able to really conceive of their own eternity. If credit is just speculation of future production, future profits, future wealth, then if the system is assumed to be stable and permanent, if the horizon is forever, why not multiply it infinitely. So you get these crazy bubbles. This, I suspect is one reason people always create the image &#8211; or reality &#8211; of something about to sweep over and destroy the system, in the way that most 19th century capitalists assumed the revolution would come any year now, or after that didn&#8217;t seem plausible after 1945, they came up with nuclear war, and after that faded as a fear, global warming&#8230; Capital can&#8217;t conceive of its own eternity. </p>
<p><em>Q: The bubble and credit cycles are different after 1971?</em><br />
A: Yes, I suspect so because now it&#8217;s marked by a broad shift of the very meaning of money and this will ultimately have enormous political effects. </p>
<p><em>Q: Gold fans just gain momentum with the present bullion cycle in the precious metal markets. India and China are nowadays big &#8220;engines&#8221; of bullion demand. Even in the US the financial industry around the bullion, physical and &#8220;paper&#8221; gold and silver has been entering mainstream. This means we have signals of a return to a bullion epoch? </em><br />
A: As I just said I doubt it. Sure, gold and silver will always be valuable commodities. But we&#8217;re not going back to the actual use of gold and silver in monetary transactions on any level. </p>
<p><em>Q: Reinhart and Rogoff studied the sovereign debt since the 1500s. They found periods of cyclical indebtedness and defaults from state entities. Debt and default is a normal &#8220;state&#8221; of political life? </em><br />
A: Absolutely, it&#8217;s a normal part of capitalism, and secretly, all economists recognize this. After all, what would be the banker&#8217;s motive to make productive loans if there was no possibility of default? The ideology that debt is somehow a moral sin and it is wrong to ever let anyone off the hook has nothing to do with economics, it&#8217;s a moral discourse that has been deployed as a means of social control for millennium. </p>
<p><em>Q: Twenty, or thirty years ago, we talked about the Third World Debt Bomb. Now, even the mighty great power, the US, has its credit downgraded and the risk of a default openly discussed. In Europe, a wave of near-default situations emerged &#8211; even &#8220;big&#8221; Eurozone economies like Italy, France and Spain are stressed in the debt markets. Why happened this shift from the &#8220;third world&#8221; to the so-called developed countries? Is this the end of an epoch as well? </em><br />
A: Well one thing people rarely recognize is that the &#8220;anti-globalization movement&#8221; was largely successful. The IMF was driven out of East Asia, out of Latin America, just as now it&#8217;s in the process of being driven out of the Middle East. That&#8217;s why no one is really talking about &#8220;austerity&#8221; in those parts of the world; in fact, they&#8217;re growing much more rapidly than the former metropole. So yes, in a way, the third world debt crisis has come home. Even the resistance to it &#8211; with its emphasis on bottom-up democracy, diversity, civil disobedience, the rejection of the entire political system &#8211; takes remarkably similar forms. </p>
<p><em>Q: Debt restructuring is the best solution for highly indebted countries? How you see the ongoing situation in the Eurozone?</em><br />
A: Oh it&#8217;s inevitable. It&#8217;s just a matter of how they dress it up. </p>
<p><em>Q: Once Keynes suggested that balance in the world between credit and debt countries need most of all a pro-active stance from credit countries. Do you think China and Germany for instance, the so-called mercantilistic economic powers, must take a more active approach on the present situation? </em><br />
A: Well, if nothing else people in countries like Germany should accept the fact that if they want to be net exporters, they can&#8217;t do that unless someone else is a net importer. That&#8217;s just math. So they shouldn&#8217;t go around treating their partners like moral reprobates. </p>
<p><em>Q: In the past, debt crisis were the first symptom of decline in power projection and the beginning of a shift in geopolitics. Most people argue with classical case studies like the fall of the Grand Strategy of the Philippes of Spain and more recently the decline of the Great Britain Empire. Can we argue that we are assisting to a kind of transitional period? </em><br />
A: Oh yes I definitely think the whole thing will be remembered as the story of the decline of the American Empire. Its collapse is, effectively, being negotiated both internationally, and within, between different elements in American and European society. Effectively, that very small elite of 1-2% that has repeated all the gains from the US economy&#8217;s plunder of the rest of the world is now going to try to create a similar power over the working class in its own country. It looks bleak because they have been very good at propaganda &#8211; they&#8217;ve genuinely managed to convince most people that no economic system other than the current rather peculiar form of financialized capitalism is even possible. But it seems to me they have put all their chips in the propaganda victory and completely neglected to create a long-term viable form of capitalism, which is why the empire is crumbling before our eyes. For the moment everyone is in shock, they&#8217;d come to accept no other system could possibly work, and now they are watching this one completely fall apart. But people will get over it. I take comfort in the knowledge that the fall of empires generally does not lead to even more extreme inequalities in the former metropole, but less &#8211; look at what happened in Europe with the collapse of the colonial empires. It led to the creation of the welfare state, free education, health care&#8230; Perhaps it&#8217;s significant that the US is at least starting to talk about a universal health care system. However, inadequately so far, at precisely the moment their empire is falling apart. </p>
<p><strong>DAVID GRAEBER &#8211; A PROFILE </strong></p>
<p>North-American anthropologist, teaches at Goldsmiths, University of London, UK. Author of the recent Debt- the first 5,000 years (Melville House Publishing, NYC, 2011). </p>
<p>Born in Chelsea, New York, in 1961 from a plate stripper worker Kenneth Graeber, that fought for the Republicans in the Spanish Civil War, and Ruth Rubinstein, that was part of the original cast of the labor stage musical review &#8220;Pins and Needles&#8221; performed entirely by garment workers, a Broadway hit from 1937 to 1940. David graduates and gain his doctorate from the University of Chicago, after studying a rural community in Madagascar far far away from Lake Michigan shoreline. He entered Yale University as an associate professor. </p>
<p>In May 2005, the Yale University anthropology department decided not to renew his contract. He moved to London. Maurice Bloch, a retired professor of Anthropology at the London School of Economics and at Collège de France, stated about David: &#8220;His writings on anthropological theory are outstanding. I consider him the best anthropological theorist of his generation from anywhere in the world.&#8221; Anthropology came to him at age 11. He was a boy obsessed with Mayan hieroglyphics. </p>
<p>Bloomberg Businessweek, recently, feature him as a political activist of the Occupy Wall Street (OWS) movement, his other passion. Indeed, he began his sabbatical year last summer and moved back to New York from London. When we interview him by email, David was moving from one city to another in the US, following the OAW movement. </p>
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		<title>Debt default virus has no respect. Not even for triple-A ratings</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Nov 2011 11:12:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ardina na Crise]]></category>
		<category><![CDATA[English articles]]></category>
		<category><![CDATA[Ensaios sobre a Crise]]></category>
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		<category><![CDATA[sequencing of a big financial crisis]]></category>
		<category><![CDATA[This time is different]]></category>

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		<description><![CDATA[Who is next – an Expresso study, on Saturday, November 26, edition. Based on an article by João Silvestre and Jorge Nascimento Rodrigues on the November 26 printed edition of Expresso Economia.
Dashboard concept by Joao Silvestre.
English Edition by: JPO &#124; LISwires</strong>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Two years ago, “bankruptcy” and “debt default” were expressions locked with seven keys in the ark of history. When Carmen Reinhart and Kenneth Rogoff in early 2009 revisited eight centuries of “financial folly”, “sovereign debt crises” had died to developed countries, particularly Europe, 70 years ago. “This Time is Different”, the title of the book, was an irony. It meant precisely the opposite. The work was received by economists and politicians in rich countries with jeers and laughter.</strong></p>
<p>In their prototype of the sequencing of major financial crisis, they warned that, at a given point, bankruptcies, due to internal or external debt, would come out from behind the curtains of the great recession.</p>
<p>The argument of the critics and skeptics of that historical research was that bankruptcies were then things of the Third World. Soon after the book release, one of the richest countries per capita, Iceland went bust. In November 2009, the debt crisis broke out in Dubai, another paradise. And shortly after the Anglo Irish Bank case broke out, within the Euro area. In January 2010, Moody’s announced the “slow death” of Greece and Portugal. The rest is history.</p>
<p><strong>Who is next?</strong></p>
<p>Since 2010, three Eurozone countries in a pre-bankruptcy situation had to be rescued. Already convinced that the sovereign debt crisis virus can even penetrate the armored dome of a single monetary zone – the fortress of the euro – readers start to wonder, who’s next.</p>
<p>Bets of speculators focused on two large economies that were part of the playful acronym PIIGS. From the little ones we went to the too big ones, that weren’t supposed to fail (TBTF). The credit deterioration of Italy and Spain accelerated. Since the last quarter of 2010, the cost of credit default swaps soared 311% for Italy and 138% for Spain. This acceleration would eventually bring down the two governments, in Rome by presidential initiative and pressure from Brussels, and in Madrid, a week ago, through elections.</p>
<p>November showed, quite clearly, a new pattern of the epidemic. The virus crossed the border of the “peripheral” – those undisciplined spenders and financial ‘bubbles’ lovers, that rabble from the ‘South’ and the Irish island – to the core of the Eurozone. And worse, it reached two economies that still with triple A ratings – France, the second pillar of the euro area and Austria, a “bridge” country for the entire Eastern Europe in the European Union (EU). In between, supreme irony, it took also Belgium, the country hosting the EU’s center of power, that fails to form a government since the elections in the summer of 2010 or even adopting a budget commitment for 2012. Belgium CDS cost has risen 131%, France 129% and Austria 125%.</p>
<p>To get an objective view of the situation in the euro area – and its 17 members – the Portuguese weekly Expresso set up a dashboard, assessing the countries that have not been rescued based on five criteria: yields on sovereign bonds in the secondary market, deficit and public debt to GDP, cost of CDS and growth forecast through 2016.</p>
<p>The score aligns the remaining 14 members of the euro in risky areas, red and yellow, or risk-free, green. Italy (in the worst situation), Spain, France and Cyprus (due to the umbilical connection to Greece, an economy in imminent default), are already in the red. Belgium, Slovenia and Austria are in the yellow zone. The rest are still in the green zone, with Finland, Estonia and Luxembourg in more comfortable positions.</p>
<p>Even changes of government, as occurred in Italy with the appointment of the executive by presidential initiative, led by the independent Mario Monti, or the large majority of the Popular Party in Spain’s elections, did not alter the basic data of the epidemic, despite the dismay of the supporters.</p>
<p>Paradoxically, despite Spanish voters having thrown out the PSOE, the debt markets signs were clear. The auction of very short-term debt, early this week, went seriously wrong with the Spanish Treasury having to pay yields above 5%, even higher than those paid by IGCP in the most recent Portuguese debt auction for the same time periods – 3 and 6 months. Spanish bond yields for medium and long term debt remain above 6%, despite ECB’s intervention in the secondary market.</p>
<p>The two Italian Super Marios – Mario Monti, the new head of government in Rome, and Mario Draghi, the new president of the ECB in Frankfurt – have failed to hold the yield rising on Italian debt, which remains on the 7% level, both in the short, and in the medium and long-terms.</p>
<p>Probably thinking of Italy and Spain, and in the European inefficiency (of Brussels and the ECB) that is in plain sight, the IMF decided to launch the Precautionary and Liquidity Line (PLL) a “more flexible” special line of liquidity for the crisis bystanders (one more linguistic innovation). A curious expression to define the profile of the economies that have healthy key indicators but suffer from the contagion of the debt crisis. Investors wonder who will be the first knocking on Washington’s IMF door.</p>
<p><strong>The attack on the triple-A</strong></p>
<p>France and Austria’s Triple-A ratings remain under stress. But the none of the three major rating agencies have yet made the critical step, as Standard &#038; Poor’s did in August with the United States. If these countries lose the highest rating, the European Financial Stability Fund becomes junk. Therefore, or the the IMF wins the hegemony on the management of the European debt crisis, which would be a political defeat for the euro area, or Europeans will have to create a financial instrument that convinces. Hence all the debate on changing the mission of the ECB and the possible creation of Eurobonds.</p>
<p>But the icing on the cake came in the middle of the week. An auction of German debt become a fiasco, and the Bundesbank, the central bank, had to retain nearly 40% of the issuance. That was a clear sign that investors are turning up their noses even to Bunds, the safer sovereign debt that served as reference, until then. On Friday, the cost of credit default swaps on the German debt rose to more than 120 basis points and the cumulative probability of default crossed the 10% barrier, according to the CMA DataVision.</p>
<p>On Wednesday, the day of that German debt auction, the cost of credit default swaps rose significantly from 101 to 107 basis points and the cumulative probability of default rose to over 9%, which contrasts with 8.2% for the UK and 4.8% for the United States. Equity markets around the world added losses of € 800 billion. If we add the impact of the failure of the super committee of U.S. Congress responsible for the planning of cutting debt and deficit, in three days, equity markets added € 1.75 trillion in losses.</p>
<p>On Thursday Chancellor Merkel and President Sarkozy joined the new Italian Prime Minister Mario Monti in a mini summit in Strasbourg. It is not known yet whether this G3 is here to stay. The French newspaper Le Figaro saw in the action the intention of bringing Italy back on the table as a power player.</p>
<p>However, the mini summit was another fiasco. The compromises were postponed until the eve of EU summit on December 9. International investors interpreted the picture of the three as another drag of a situation that is deteriorating day by day. Markit went even further, considering the performance of Chancellor Merkel as a “Pyrrhic victory”. “But there is no doubt that the uncertainty permeating the market is causing participants to take off risk, and it is more than likely that Germany’s actions – or lack of them – are contributing to the volatility. Ruling out a change of mandate to allow the ECB to act as a lender of last resort negates the most plausible short-term solution to the debt crisis. Fiscal integration through a treaty change may be desirable but it won’t happen overnight and will do little to quell the unrest sweeping through the markets”, wrote the agency on Friday afternoon.</p>
<p>In these nearly two weeks before next summit much water can run under the bridges. Next week is full of debt auctions in the euro area – Belgium on Monday, Italy on Tuesday and Spain and France on Thursday – and meetings – the United States – Europe summit on Monday and the Eurogroup meeting on Tuesday.</p>
<p>Although the evolution pattern of such crises is typified, at least since the crises of the waves of financialization and nineteenth century bankruptcies, the current context is different from the long period of the first phase of globalization since 1450 and the first bankruptcies of 1500. The context of financial capitalism and globalization has changed radically since 1971. But that’s another story. The current crisis can be different this time – and we could be navigating in uncharted waters.</p>
<p><strong>Source: An article by João Silvestre and Jorge Nascimento Rodrigues on the November 26 printed edition of Expresso Economia. Dashboard concept by Joao Silvestre. English Edition by: JPO | LISwires</strong> (c) 2011, JNR/JPO; janelanaweb.com/LisWires.com</p>
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		<title>The Day After em Espanha: Rajoy não teve sequer meia-hora de folga</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Nov 2011 10:53:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ouvimos três economistas espanhóis no rescaldo das eleições de domingo em Espanha. Desemprego, situação da banca espanhola e risco de "entrada" do FMI e União Europeia, mesmo que à italiana, não fazem a vida fácil a Mariano Rajoy


]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A primeira reação dos mercados da dívida à vitória por maioria absoluta muito ampla do Partido Popular de Mariano Rajoy nas eleições legislativas de domingo 20 de novembro não foi de inversão da crise da dívida espanhola. </strong></p>
<p>Segundo dados da Bloomberg, o <em>spread</em> (diferença) entre as <em>yields</em> (juros) das obrigações espanholas (OE) e os títulos alemães (Bunds) a 10 anos abriu a subir 5,8% em relação ao fecho de sexta-feira, situando-se, no início da manhã, em 467 pontos base, acima da linha de alerta laranja de 450 pontos base. As <em>yields</em> (juros) das OE a 10 anos abriram em 6,56%, uma variação em alta de quase 3% em relação a sexta-feira. A probabilidade de incumprimento da dívida (risco de <em>default)</em> subiu logo pela manhã com o custo dos <em>credit default swaps</em> (seguros contra o risco de incumprimento) a situar-se em 469 pontos base, 12 pontos acima do fecho de sexta-feira, segundo a agência de informação financeira Markit.</p>
<p>O novo governo só tomará posse a 20 de dezembro e grande parte do pacote que irá lançar é desconhecido, por ora. A esperança dos analistas é que o Banco Central Europeu intervenha no mercado secundário, como o tem feito em relação a Itália, para segurar o nervosismo dos <em>spreads</em> e das <em>yields</em>, até que alguma solução europeia acalme os investidores internacionais e Rajoy possa avançar com o seu pacote. A envolvente europeia também não ajuda &#8211; o já famoso &#8220;fator exógeno&#8221; continua a estragar eleições. A Moody&#8217;s voltou hoje à carga sobre a instabilidade da notação de França, o que desencadeia ondas de choque por toda a zona euro.</p>
<p><strong>Equívoco habitual</strong></p>
<p>&#8220;É um grave equívoco julgar que simplesmente com mudança de governo se resolvem os problemas da dívida espanhola. Uma indicação clara é que, apesar das sondagens já assinalarem com clareza uma mudança, o prémio de risco subiu significativamente durante a última semana&#8221;, refere <strong>José García-Montalvo</strong>, professor na Universidade Pompeu Fabra, em Barcelona, um dos três economistas que o Expresso ouviu. O catedrático <strong>Santiago Niño Becerra</strong>, também professor em Barcelona na Universidade Ramón Llull, vai ainda mais longe: &#8221; O grau de autonomia [do novo governo] será menos do que nulo. Terá de fazer o que lhe digam para fazer&#8221;. Essa é uma ideia forte que muitos analistas em Espanha referem hoje de manhã na imprensa económica.</p>
<p>O desejo popular de que uma maioria absoluta parlamentar é suficiente não passa o crivo da realidade. &#8220;Já vimos em semanas anteriores e em momentos anteriores que as mudanças de governo, por si sós, não conseguem acalmar os mercados. O facto do novo governo [de Rajoy] contar com o apoio maioritário do eleitorado pode contribuir para a sua estabilidade e pode facilitar a adoção de medidas, o que poderá ser acolhido favoravelmente pelos mercados. Mas os problemas são muito profundos&#8221;, refere, por seu lado, <strong>Santiago Carbó Valverde</strong>, professor de Teoria e História Económica na Universidade de Granada.</p>
<p><strong>O modelo económico</strong></p>
<p>A gravidade da situação é, assim, colocada por Santiago Niño, sem papas na língua: &#8220;Uma mera mudança de governo não faz cair o preço que um país tem de pagar pela sua dívida. Os investidores internacionais estão conscientes de que a Espanha não cresce, nem pode crescer, devido ao seu modelo económico, e, por isso, arrasta uma dívida total que não consegue pagar&#8221;. Para o professor de Barcelona, tem de haver &#8220;uma perspetiva conjunta [europeia]. Ninguém pode pagar tudo o que deve&#8221;.</p>
<p>O problema imediato é financeiro. &#8220;A curto prazo, o desafio mais importante é desenhar e aplicar uma solução para o problema da necessidade de financiamento dos setores público e privado. Para começar há que saber como se vai fazer o saneamento dos ativos bancários deteriorados&#8221;, diz Santiago Carbó. Para García-Montalvo, &#8220;o novo governo terá três missões &#8211; finalizar a reorganização do sistema financeiro, fazer face às consequências de não ser cumprido o objetivo do défice em 2011, e convencer os mercados que cumprirá os objetivos de 2012 e 2013&#8243;.</p>
<p>No entanto, do ponto de vista estrutural, todos concordam que o desemprego é o calcanhar de Aquiles de Espanha. É um problema crónico, diz-nos García-Montalvo: &#8220;Mesmo qualquer pequena recessão faz logo saltar o desemprego acima de 20%, o que gera logo uma situação muito grave&#8221;.</p>
<p>&#8220;Não é uma tarefa fácil, com o desemprego em 21%, que deriva de um mercado laboral deficiente e ineficiente, em cima de uma estrutura produtiva que precisa de mais competitividade e de maior produtividade&#8221;, refere, por seu lado, Santiago Carbó. Este professor de Granada adianta que &#8220;há que liberalizar os serviços ainda mais do que tem sido feito nos últimos anos e estabelecer uma política de incentivos e salários baseada na produtividade e não na inflação&#8221;.</p>
<p>Mas é preciso tocar na ferida: &#8220;o problema é o modelo económico&#8221;, sublinha Santiago Niño, que explica: &#8220;Espanha fabrica produtos e serviços de baixo valor acrescentado, com uma produtividade baixa e com uma capitalização média da empresa espanhola baixíssima. Como o valor acrescentado é reduzido, não é rentável investir. Trata-se de um cocktail terrível para sair de uma situação como a atual&#8221;.</p>
<p><strong>A mesma sorte de Itália?</strong></p>
<p>A interrogação final que se coloca é se Espanha vai conseguir escapar à sina de Itália. Pode não ter de ser resgatada, como a Grécia, Irlanda e Portugal, mas a <em>troika</em> pode entrar por outra porta e de outra forma, como em Itália, com a monitorização trimestral do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da União Europeia, e o papel de muleta de liquidez e de bombeiro no mercado secundário do Banco Central Europeu.</p>
<p>&#8220;Eu penso inclusive que a economia espanhola já está sob monitorização, e isso ficará ainda mais claro depois destas eleições&#8221;, afirma Santiago Niño Becerra, de um modo mais radical. &#8220;Se o novo governo não conseguir convencer os mercados e o prémio de risco não relaxar, então Espanha acabará monitorizada pelo FMI. A dívida espanhola é sustentável com juros nos 4% mas não nos 7%&#8221;, afirma, por seu lado, José García-Montalvo.</p>
<p>A concluir, Santiago Carbó Valverde, no entanto, distingue Espanha de Itália: &#8220;Nada é descartável, mas há que ter em conta que a Espanha já avançou muito mais no campo das reformas do que a Itália e poderá contar com maior estabilidade política&#8221;. Mas há um senão: &#8220;A incerteza sobre o horizonte financeiro em Espanha, de uma forma ou de outra, poderá dar lugar à necessidade de contar com um apoio institucional europeu e ou internacional&#8221;.</p>
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		<title>As tecnológicas que resistem à derrocada bolsista &#8211; the crash-proof companies</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Sep 2011 10:37:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Nascimento Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[THE CRASH-PROOF HIGH TECH COMPANIES - Apesar de duas crises bolsistas desde março de 2000, as tecnológicas mostraram resiliência na última década e catapultaram uma das filhas do Nasdaq, a Apple, para a liderança da capitalização bolsista nos Estados Unidos, destronando a Exxon dos petróleos.
(Balanço Histórico nas vésperas do 3º aniversário do momento Lehman) 

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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A “guerra” da Apple contra a Exxon pelo primeiro lugar na capitalização bolsista nos Estados Unidos tem sido um dos pratos fortes da crise mais recente. A empresa do Silicon Valley fundada por Steve Jobs voltou a ultrapassar a “rainha” dos petróleos no primeiro lugar.</strong></p>
<p><em>Na cotação de 23 de setembro, a Apple apresentava uma capitalização bolsista de 374, 82 mil milhões de dólares (1,6 vezes o PIB de Portugal em 2010) e a Exxon um valor de 336,99 mil milhões de dólares.</em></p>
<p>Entre as 20 maiores capitalizações bolsistas nos Estados Unidos destacam-se hoje em dia 6 empresas cujas ofertas públicas iniciais (IPO, no acrónimo em inglês) ocorreram no Nasdaq, a bolsa das tecnológicas sedeada em Times Square, em Nova Iorque – Apple, Microsoft, Google, Oracle, Intel e Cisco.</p>
<p><strong>O segundo maior crash </strong></p>
<p>O Nasdaq já sofreu duas crises bolsistas desde a sua criação em 1971. Para alguns historiadores, a primeira, iniciada no ano 2000, foi a verdadeira precursora da grande crise financeira do final da década e custou 6 biliões de dólares (cerca de €5500 mil milhões ao câmbio médio do período entre 2000 e 2002), 1/5 do custo da crise financeira de 2007 a 2009. </p>
<p>O filme é conhecido: depois de um pico atingido em março de 2000, o índice das tecnológicas caiu 76% até setembro de 2002. O segundo maior crash da história americana, depois do mais famoso de 1929 a 1932, que rebentou a escala com mais de 89% de derrocada. </p>
<p>A segunda crise do Nasdaq acompanharia a grande crise financeira recente de Wall Street – o índice quebrou 54% entre outubro de 2007 e março de 2009. Em termos de comparação, o índice Dow Jones caiu, no mesmo período, 53,78%, um valor idêntico.</p>
<p>Depois destas duas crises, o índice das tecnológicas está, ainda, 50,8% abaixo do máximo histórico atingido em 10 de março de 2000. Os “velhos tempos” da euforia das “dot.com” não regressaram mais. Mas encontra-se 103% acima do mínimo histórico de 20 de setembro de 2002 e 92% acima do mínimo mais recente em 6 de março de 2009. [Valores até 23 de setembro de 2011].</p>
<p>Uma situação que não é desconfortável, apesar do pessimismo militante atual.</p>
<p><strong>Campeões da resiliência</strong></p>
<p>Apesar das derrocadas ocorridas, o Nasdaq revelou um grupo de topo resiliente que soube aproveitar a vaga de financeirização desde os anos 1990.</p>
<p>A Apple é um dos exemplos de resiliência no sector das tecnológicas, refere-nos Peter Cohan, um dos autores norte-americanos que acompanhou a emergência das novas tecnologias desde a “bolha” dos anos 1990. Mas o especialista de Boston sublinha, também, o caso da Amazon: “O seu fundador é ainda hoje o CEO, sem interrupções, e é uma das empresas que melhor se adaptou às mudanças”.</p>
<p>A Apple e a Amazon têm uma particularidade na evolução da sua valorização bolsista, a de terem uma curva claramente ascendente desde a sua entrada no Nasdaq – a Apple em 1980 e a Amazon em 1997. A primeira valorizou-se quase 11.000 % e a segunda quase 13.000%. Peter Cohan acrescenta, ainda, nas resilientes com um perfil de crescimento ascendente, a Oracle, que se valorizou mais de 41.000% desde a entrada em bolsa em 1986, e a eBay, que se valorizou mais de 1.500% desde 1998. [Valorizações até 14 de setembro de 2011]</p>
<p>A “estrela” mais recente é, sem dúvida, a Google. Valorizou-se mais de 390% desde a oferta pública inicial em 2004 e apesar de jovem já se encontra entre as 10 maiores capitalizações bolsistas dos EUA.</p>
<p><strong>Perfil “japonês”</strong></p>
<p>Há, ainda, outras resistentes nas listas cimeiras do Nasdaq, e que se encontram nas 20 maiores capitalizações bolsistas norte-americanas, como a Cisco (que é a campeã do aumento de capitalização desde a entrada em bolsa em 1990, mais de 42.000%), a Microsoft (com uma valorização superior a 26.000% desde 1986) e a Intel (com uma valorização de mais de 17.000% desde 1978). </p>
<p>Mas o perfil de evolução da valorização em bolsa destas tecnológicas aproxima-se do tipo “japonês” – depois de um pico, observa-se nitidamente um comportamento em “L”. Ou seja, apesar de oscilações em alta em períodos de “bolha”, o valor não sobe significativamente, parecendo não conseguir furar um teto, como ocorre com o caso de antologia do índice Nikkei 225 da bolsa de Tóquio desde há 19 anos.</p>
<p><strong>As mais resilientes segundo Peter Cohan</strong><br />
(valorizações desde o IPO)</p>
<p>Apple (10.733,54% e nº1 em capitalização bolsista nos EUA em 23/09/2011)</p>
<p>Google (391,25%, entre as 10 maiores em capitalização bolsista)</p>
<p>Oracle (41.727,46%; entre as 20 maiores em capitalização bolsista)</p>
<p>Amazon (12.783,99%) </p>
<p>eBay (1513,49%)</p>
<p><strong>Dados sobre o Nasdaq</strong></p>
<p>Dados por semana: <a href="http://www.nyse.tv/nasdaq-composite-history.htm">http://www.nyse.tv/nasdaq-composite-history.htm</a></p>
<p>Gráfico gerado desde 1971: <a href="http://moneycentral.msn.com/investor/charts/chartdl.aspx?symbol=%24COMPX&#038;CP=0&#038;PT=11">http://moneycentral.msn.com/investor/charts/chartdl.aspx?symbol=%24COMPX&#038;CP=0&#038;PT=11</a></p>
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