Anúncio de «crash» bolsista para depois do Verão

Um analista escocês anuncia tempestade para Setembro
Bob Janjuah, o estratego de crédito do Royal Bank of Scotland, e mais alguns colegas aconselharam os clientes a prepararem-se para um «crash» de grandes proporções depois do Verão num relatório em que alguns detalhes chegaram ao público inglês.
Bon Janjuah voltou a assustar os clientes do Royal Bank of Scotland. No ano passado, este estratego de crédito tinha antecipado a crise do «subprime» em alguns meses. Agora veio com novo prognóstico: as bolsas, a começar pela Wall Street, poderão ter um «crash» de grandes proporções depois do Verão. A precisão dele vai ao ponto de referenciar Setembro como o mês de risco.
Ainda que seja temerário apontar com tanta precisão um mês exacto para a tempestade, pois a dinâmica das bolsas comporta-se como um sistema não linear, a chamada de atenção deve ser tomada a sério por razões que se prendem com os dilemas que os bancos centrais mais poderosos do mundo enfrentam.
Os accionistas são o elo mais fraco de uma cadeia longa que vai das casas financeiras e bancos (afectados pelo «subprime») aos cidadãos hipotecados e com serviço de dívida crescente. Os bancos centrais – nomeadamente a Reserva Federal norte-americana e o Banco Central Europeu – estão confrontados com um dilema estratégico:
– ou continuar a baixar as taxas de juro (que já estão abaixo da inflação) fornecendo dinheiro barato (a taxa negativa) aos bancos em apuros e aliviando a pressão sobre a classe média, o que é politicamente correcto, mas levará ao agravamento dos desequilíbrios (desvalorização do dólar, continuação do disparo dos preços das «commodities», agravamento das balanças comerciais e dos défices externos, tumultos sociais face à inflação);
– ou rapidamente inverter a politica monetária para fazer face à situação de estagflação (estagnação do crescimento, ou mesmo sinais de recessão económica, com inflação crescente acima dos limiares oficiais admitidos), elevando as taxas de juro, com custos elevados a nível bancário, económico e social, o que é politicamente incorrecto e de alto risco também
Pelo que, resta à ‘mão invisível’ dos mercados financeiros actuar no elo politicamente mais fraco – as bolsas.
Veremos se Bob Janjuah acertará desta vez.

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