Os 5 riscos económicos para o final de 2012

AVAILABLE ENGLISH VERSION AT LISWIRES (The Five Downside Risks for the end of 2012)

As políticas monetárias seguidas pelos bancos centrais nos EUA, no Reino Unido, na zona euro e na China não estão a gerar os efeitos pretendidos na economia real. O mecanismo de “transmissão” está gripado. E a conjugação de políticas de austeridade e programas de ajustamento orçamental em simultâneo num vasto grupo de países, particularmente na zona euro, bem como a ameaça de uma vaga de protecionismo agravam ainda mais as previsões para o crescimento mundial e o comércio internacional.

A previsão mais recente do Fundo Monetário Internacional aponta para um abrandamento do aumento do produto mundial, com a descida da taxa de crescimento de 3,9% em 2011 para 3,5% em 2012. O comércio internacional deverá sentir uma desaceleração ainda maior: de um crescimento de 6,9% no ano passado para 3,8% este ano.

Estamos longe, obviamente, da recessão mundial de 2009, quando o produto caiu 0,7% e o comércio internacional 11%. Mas o receio de uma recaída global na recessão (double dip, na expressão em inglês) e a incerteza crescente entre os investidores sobre as respostas dos decisores políticos e dos banqueiros centrais até final do ano influencia negativamente o andamento das duas economias – a real e a financeira.

Para muitos analistas, a cimeira de ministros das Finanças do G20 no México em 13 e 14 de setembro, a cimeira europeia de 18 e 19 de outubro e o desfecho de dois momentos políticos em duas superpotências, o Congresso do Partido Comunista da China em outubro e as eleições presidenciais norte-americanas em 6 de novembro, são datas críticas.

Alguns economistas e consultores preveem que os cinco principais bancos centrais do mundo – Reserva Federal, Banco Central Europeu, Banco Popular da China, Banco de Inglaterra e Banco do Japão – intervenham concertadamente nas próximas semanas. Dois dos BRIC já sinalizaram as suas intenções. Wen Jiabao, primeiro-ministro chinês, colocou um comentário num site do governo de Beijing sinalizando que mais política monetária de “alívio” estará a caminho. No Brasil, a presidente Dilma Rousseff anunciou o lançamento de um programa de estímulos à economia de recorte keynesiano no valor de 133 mil milhões de reais (mais de 53,4 mil milhões de euros).

Neste segundo semestre, surgem cinco riscos na frente económica que a conjugarem-se marcariam negativamente o final de 2012. Um evento geopolítico grave seria a cereja no bolo. O jornal israelita “Haretz” refere que o governo de Telavive poderá estar a preparar uma operação militar cirúrgica contra o programa nuclear do Irão antes mesmo das eleições presidenciais norte-americanas.

1. REGRESSO DA CRISE ALIMENTAR?

O fantasma da alta de preços nas commodities reapareceu na cena internacional arrastando consigo a probabilidade de convulsões sociais e políticas nos países importadores mais sensíveis à evolução altista desses preços. O índice FAO – que abarca nomeadamente o açúcar, os cereais, os lacticínios, a carne e os óleos alimentares – subiu 6% em julho, depois de ter declinado nos três meses anteriores. O índice da FAO está em 213, ainda a alguma distância do pico de 238 em fevereiro de 2011. A subida deveu-se, segundo o organismo internacional, à subida de preços nos cereais e no açúcar.

Há outro índice que aponta para uma subida maior, de 9,3%, entre junho e julho, e de 12,7% nos últimos seis meses. O Commodity Food Price Index é da responsabilidade da Index Mundi e abrange os cereais, óleos vegetais, carne, pescado, açúcar, banana e laranja.

Os “culpados” imediatos do regresso deste fantasma são a pior seca desde há 56 anos nos estados do MidWest dos EUA (com influência direta no milho e na soja) que funcionam como “cesta do pão” do país e de muitos países importadores e as quebras anuais previstas para o trigo na Rússia (20%) e na Austrália (19%). Os EUA detém 53% das exportações mundiais de milho e 43% de soja. Em meados de julho, 1300 condados em 29 estados da federação americana foram declarados “áreas de desastre natural” e o Departamento da Agricultura da Administração Obama já cortou em 17% a estimativa de produção de milho para este ano.

A escassez no milho e na soja deverá afetar sobretudo a China e o México, que são importadores líquidos. A Ucrânia, por seu lado, optou por proibir a exportação de trigo, devido a má colheita deste ano, e há rumores de que outros estados do Mar Negro, que são celeiros mundiais, o façam.

Um estudo recente liderado pelo cientista James Hansen da NASA alerta que as ondas de calor – como as que se estão a observar nos EUA, na Groenlândia e no Sul da Europa – vão tornar-se mais frequentes e estão ligadas à mudança climática. Não se trata de um fenómeno esporádico.

O economista sénior da FAO, Abdolreza Abbassian, disse à Reuters que “há potencial para a situação se desenvolver como aconteceu durante [a grave crise alimentar de] 2007 e 2008”. Na semana a iniciar em 27 de agosto, o fórum de Resposta Rápida do G20 poderá realizar uma teleconferência para analisar a situação do disparo recente dos preços de algumas commodities agrícolas no sentido de convocar uma reunião de emergência sobre o tema em setembro ou outubro, segundo o Food World News e a Reuters.

2. CHOQUE PETROLÍFERO EM GESTAÇÂO?

O preço do barril de petróleo voltou a dar que falar. A cotação do Brent (a variedade de referência na Europa) no mercado spot subiu de 72,21 euros em 21 de junho para mais de 91 euros em agosto. Na divisa em que o barril é faturado, subiu 20 dólares em mês e meio. A barreira dos 100 dólares foi ultrapassada a 13 de julho, mas convém referir que, na realidade, desde janeiro, a cotação do Brent só esteve abaixo de 100 dólares durante 26 dias em junho e julho. A cotação mais baixa, até à data, durante estes oito meses foi a 25 de junho quando o barril cotou a 88,68 dólares.

Alguns analistas voltam a agitar o fantasma de um novo mini-choque petrolífero, como no verão de 2008, que viu o preço do barril de Brent chegar a um máximo histórico de 143,95 dólares a 3 de julho. No entanto, depois, observou-se um choque ao contrário, com a descida do preço até menos de 30 dólares na véspera de Natal de 2008. Um exemplo de volatilidade brutal num semestre.

O que alarma os analistas é a probabilidade de convergência durante este semestre de um disparo no preço do petróleo com uma crise alimentar.

Há, no entanto, várias incógnitas em cima da mesa que poderão empurrar a trajetória do preço do barril num sentido ou no outro.

A primeira é o impacto no consumo global no caso do abrandamento económico nas principais economias do mundo se acentuar, implicando uma diminuição significativa da procura global e das importações de crude.

A segunda tem a ver com o risco geopolítico sempre presente, em particular no Médio Oriente (principal fornecedor das economias da Ásia-Pacífico), envolvendo nomeadamente o Irão e um eventual bloqueio do estreito de Ormuz.

A terceira envolve a evolução da capacidade de refinação (que em 2011 caiu em relação ao ano anterior).

3. REGRESSO DA RECESSÃO NA EUROPA

A zona euro será a primeira região do mundo a ter, este ano, uma recaída na recessão (double-dip) na ordem de uma quebra de 0,3% do PIB e o Reino Unido deverá fechar o ano estagnado (ou seja com crescimento zero), segundo admitiu recentemente o governador do Banco de Inglaterra, Marvyn King.
Quanto aos dois principais motores da zona euro, a França está estagnada há um semestre, segundo dados do Insee desta semana, e a Alemanha cresceu apenas 0,3% entre o primeiro e o segundo trimestre. No caso de França é o terceiro trimestre consecutivo em estagnação.

Em termos globais da zona euro, o PIB decresceu 0,4% no segundo trimestre em termos homólogos (em relação ao mesmo trimestre do ano anterior) e diminui 0,2% em relação ao primeiro trimestre do ano, segundo dados do Eurostat. A situação mais dramática é a da Grécia que não cresce há 14 trimestres – o país helénico vive em profunda depressão. A quebra acumulada da economia grega, desde o início da recessão no segundo trimestre de 2008, já soma mais de 17%. Portugal está há sete trimestres seguidos em recessão desde o 4º trimestre de 2010, depois de ter estado em recessão consecutiva entre o 4º trimestre de 2008 e o 4º trimestre de 2009. A queda acumulada nos últimos quatro anos é de 4,9%.

O fracasso da política monetária na zona euro seguida até à data, mesmo recorrendo a medidas “não convencionais”, foi já admitido por Mário Draghi, presidente do BCE, ao falar do não funcionamento dos mecanismos de “transmissão” e da “fragmentação” ou heterogeneidade das condições de financiamento da dívida soberana na zona euro.

A disponibilização de 1 bilião (trilião, na designação americana) de euros aos bancos da zona euro (através das duas operações de LTRO a 3 anos) não se repercutiu no crédito à economia real e reforçou a “ligação simbiótica” (como diz a agência financeira Markit) entre os bancos e as dívidas soberanas. Impulsionou, também, a “fuga” para a especulação no mercado de commodities e o “parqueamento” do dinheiro dos bancos na facilidade de depósito (que, entretanto, diminui para metade a partir de 11 de julho em virtude da remuneração ter baixado para 0%) e nas contas correntes (que quase quintuplicaram a partir de 11 de julho) no BCE.

A heterogeneidade das condições financeiras tem levado a dois extremos, com países a financiarem-se com juros negativos (ou seja, os credores assumem inclusive uma perda nominal ao deter tais títulos nas suas carteiras financeiras) nos prazos curtos, e outros, os “periféricos”, com os investidores a exigirem juros em máximos históricos.

Por outro lado, os ajustamentos orçamentais levados a cabo pelos governos esbarram com o disparo do desemprego e a destruição de largas faixas do tecido empresarial e a “fadiga” das reformas por parte de diversas camadas da população. Acresce o facto de este tipo de políticas de austeridade estarem a ser levadas a cabo em simultâneo em vários países, o que tem um efeito negativo em cadeia em toda a zona euro.

Finalmente, há um aspeto menos falado. Os desequilíbrios macroeconómicos “internos”, dentro da zona euro, poderão agravar-se ainda mais se se confirmar que o excedente da balança de transações correntes da Alemanha superará os 6% do PIB em 2012. No ano passado foi de 5,9%. Será, em termos relativos, muito superior ao excedente da China, que deverá terminar o ano em 2,5% do PIB. O excedente comercial da Alemanha cresceu, no primeiro semestre, 18,4% em relação a período homólogo. Segundo uma estimativa do instituto alemão Ifo, a Alemanha deverá realizar, este ano, o maior excedente do mundo, na ordem dos 171,5 mil milhões de euros, à frente da China e dos países do Golfo.

As autoridades alemãs não reconhecem este excedente excessivo como um problema sistémico. Enquanto a economia chinesa está a corrigir esta trajetória, de 10% em 2007 para uma estimativa de 2,5% em 2012, a Alemanha apenas “evoluirá” de 7,4% para 6%, no mesmo período. Para muitos políticos e eleitorados esta hiper “performance” das economias exportadoras não é reconhecida como uma bomba relógio. “A Alemanha é par a Europa o que a China é para o mundo: o exportador que requer que outros consumam”, diz Timothy Garton Ash, professor de Estudos Europeus na Universidade de Oxford, em “The Crisis of Europe” (revista Foreign Affairs, edição setembro/outubro 2012). Garton Ash refere que um “estudo de Nathan Sheets e Robert Sockin, do Citigroup, estima que a taxa de câmbio real baixa da Alemanha, graças ao euro, permitiu-lhe aumentar o seu excedente comercial real em cerca de 3% do PIB anualmente”.

Entretanto, com a liderança de Mário Draghi, o BCE está a proceder a uma mudança pragmática do seu mandato. Oficialmente centrado no controlo de longo prazo da inflação na zona euro “abaixo ou próxima de 2%”, como é repetido incessantemente, um segundo mandato começou a ser falado – o de mitigar o risco sistémico, o que se compreende face à dimensão e profundidade da atual recessão. Na 6ª Conferência sobre estatísticas organizada pelo banco central em abril, o título do relatório apresentado não pode ser mais explícito: “As estatísticas do banco central servindo dois mandatos separados: estabilidade dos preços e atenuação do risco sistémico”.

Constantin Gurdgiev, professor no Trinity College em Dublin, admite que possa ocorrer uma “amplificação da crise” quando os investidores avaliarem os resultados da cimeira europeia de 18 e 19 de outubro, se aqueles ficaram aquém das expetativas criadas ao longo do ano.

4. INCERTEZA SOBRE OS EUA

Ben Bernanke, o presidente da Reserva Federal (Fed), já admitiu que poderá haver uma revisão do intervalo de crescimento para a economia norte-americana, oficialmente, entre 1,9% e 2,4%, pois a retoma “abrandou um bocado”. A previsão do Bureau of Economic Analysis aponta para um crescimento homólogo de 1,5% no segundo trimestre, abaixo dos 2% no primeiro trimestre.

Gary Shilling, que nos anos da “bolha” financeira alertou para o estoiro que viria a seguir, disse recentemente que “as vendas a retalho estão a cair há três meses consecutivos”. Segundo este analista, este indicador não mente: “o mesmo aconteceu 29 vezes desde que se começou a coligir dados em 1947, e em 27 dessas 29 vezes, ou já estávamos numa recessão económica ou a apenas três meses dela”. Os otimistas esperarão que 2012 seja a terceira exceção à regra.

O maior fator pesando na atitude dos investidores e dos decisores empresariais nos EUA é contudo a “alta incerteza”, uma frase repetida em todas as intervenções de Ben Bernanke e em todos os comunicados oficiais do Comité da Fed. Incerteza que advém dos efeitos da crise das dívidas na zona euro, além Atlântico, e do risco de um reacendimento do debate partidário no Congresso em Washington DC em torno do teto da dívida em conjugação com uma campanha eleitoral presidencial muito agressiva e o rebentar do “penhasco orçamental” (fiscal cliff). O analista Peter Cohan frisa que esses temas serão ponto assente na agenda dos Republicanos, sobretudo, agora, com “Paul Rayan como candidato a vice-presidente pela candidatura de Mitt Romney”. A maioria dos analistas não dá mais de 15% de possibilidades em 2012 para a concretização de um desastre orçamental derivado do tal “penhasco”. No entanto, o Congressional Budget Office (CBO) avisou que a economia norte-americana poderá contrair-se em 2013 se os cortes nos impostos da Administração Bush expirarem e os cortes automáticos na despesa forem desencadeados em janeiro próximo. Esta simultaneidade provocará um efeito recessivo. A agência de notação Fitch já veio sublinhar que se o problema não for tratado no primeiro semestre de 2013 poderá optar por cortar a notação de triplo A dos EUA, seguindo a decisão tomada pela Standard & Poor’s em agosto de 2011.

Mas o nível de incerteza, medido pelo indicador do projeto académico Economic Policy Uncertainty, está, de novo, a subir, ainda que longe do verificado aquando da bancarrota do Lehman Brothers em setembro de 2008 ou da “guerra” do teto da dívida em agosto do ano passado, que foi levada até ao limite da paciência dos mercados financeiros.

Entretanto as bancarrotas de cidades norte-americanas sucedem-se, ainda que o processo não tenha atingido o nível dramático sugerido pela muito polémica analista Meredith Whitney. Por outro lado, dois estados da federação norte-americana – Illinois e Califórnia – encontram-se, em agosto 2012, entre os 10 países e estados com maior probabilidade de entrada em bancarrota num horizonte de cinco anos segundo o ranking da CMA DataVision.

5. INCÓGNITA SOBRE A CHINA

A China poderá ficar abaixo do patamar dos 7,5% (o que já, por si, é um recuo do objetivo político dos 8% anuais) depois das notícias sobre o comportamento das exportações. O último dado disponível aponta para um crescimento de 7,6% no segundo trimestre de 2012 em relação a período homólogo do ano passado, abaixo de 8,1% no primeiro trimestre.

Os economistas chineses esperavam que as exportações – o motor da economia chinesa nas últimas décadas – aumentassem 8,6% em julho em relação ao mesmo mês do ano passado. Apanharam com um balde de água gelada – o crescimento das exportações em julho em relação a período homólogo de 2011 foi apenas de… 1%. Em junho, tal crescimento homólogo havia sido de 8%. As exportações para a União Europeia desceram em julho mais de 16% em termos homólogos.

Este abrandamento das exportações poderá implicar que a previsão oficial, cautelosa, de 7,5% de crescimento para 2012 seja otimista, apesar de ser uma revisão em baixa do objetivo político de nunca deixar descer a taxa de crescimento abaixo do limiar dos 8% anuais. O Fundo Monetário Internacional, no entanto, mantém a previsão de 8% para este ano.

Os analistas especulam, agora, que o Banco Popular da China (BPC, o banco central) poderá avançar com nova revoada de medidas de “alívio do crédito” no âmbito da política monetária e que o governo chinês poderá desenhar mais pacotes orçamentais de estímulos. No primeiro semestre de 2012 já foram referidos estímulos orçamentais na ordem dos 123,7 mil milhões de dólares.

“A China vai ter uma aterragem suave (soft landing, na designação em inglês preferida pelos analistas), mas como tem imenso capital vai tentar ao máximo que isso não aconteça. Não creio que a nível político existam problemas de maior”, diz Rui Oliveira, um português radicado em Xangai, fundador da Golden Development China.

As expetativas viram-se para o 18º Congresso do Partido Comunista que se reunirá em Outubro, onde a mudança de liderança irá decorrer e se espera uma guinada no “modelo económico” em direção a um maior peso do desenvolvimento de um mercado consumista doméstico em detrimento da política mercantilista até agora seguida.

A China pode sofrer uma crise económica em 2013, segundo um cenário descrito por Li Zoujun, um economista do Centro de Investigação do Desenvolvimento ligado ao Conselho de Estado chinês (o conselho de ministros). A crise no próximo ano, segundo este economista, será desencadeada pelo rebentar da “bolha” imobiliária e pelo espoletar de uma crise de dívida dos governos locais, a que se juntará a aceleração da saída de capitais.

Estes riscos têm sido apontados por diversos economistas estrangeiros, incluindo professores e analistas de destaque radicados na China. A novidade é este diagnóstico ser da autoria de um economista chinês ligado à mais alta instância executiva do poder em Pequim, sublinha o site financeiro Also Sprach Analyst, de Hong Kong, que divulgou este relatório originalmente publicado em chinês no site financeiro 21cbh.com, do grupo de comunicação social 21Century Media, baseado em Cantão. O relatório foi provavalmente apresentado “internamente” e corresponderá a um dos cenários que os dirigentes chineses discutem.

O economista considera que a crise deveria ter ocorrido em 2008 e 2009, quando uma crise global financeira e económica dominou o resto do mundo. No entanto, a política de estímulos massivos seguida por Pequim impediu o estoirar da “bolha” chinesa.

Li Zoujun considera que a herança dessa situação passa, agora, para a nova liderança do Partido Comunista da China que será eleita em outubro. O dilema que se colocará à nova equipa saída do Congresso do Partido Comunista e que tomará conta das rédeas do Conselho de Estado em 2013 implicará a escolha de uma de duas opções, diz o economista: deixar a “bolha” rebentar, e gerir essa crise (opção da simpatia de Li Zoujun), ou adiar a decisão política e criar um problema sistémico ainda mais grave para 2015 ou 2016.

Quanto ao Japão, a outra economia fundamental na Ásia Pacífico, os últimos dados oficiais para o 2º trimestre do ano apontam para um crescimento de 1,4% em termos homólogos, muito abaixo das previsões de 2,3%, e face a 5,5% no primeiro trimestre. O Japão vive uma situação deflacionária nos preços, com uma taxa de inflação negativa de 0,2% em junho (ou seja, os preços caíram entre junho de 2011 e junho de 2012) – o que contrasta com crescimentos do índice de preços de 2,4% para o Reino Unido e zona euro, 2,2% para a China e 1,7% para os EUA.

Inesperadamente, o Japão passou de um excedente da balança comercial de 60,3 mil milhões de iénes em junho para um défice comercial de 517,4 mil milhões de iénes em julho. Os analistas esperavam um défice de apenas 270 mil milhões de iénes.

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