Um G7 de verdade teria de ter os BRIC, diz o “pai” do acrónimo BRIC

“Os dias de um clube das democracias ‘ocidentais’ já perdeu validade”, diz Jim O´Neill, o inglês que, em 2001, inventou o acrónimo BRIC que ganharia fama mundial como o grupo das “economias emergentes”.

O G7 – o tal clube dos ricos ‘ocidentais’ que agrupa Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido – continua a reunir regularmente os seus ministros das Finanças e os seus chefes de Estado, mas “dificilmente representa” a ordem económica mundial, afirma o responsável na Goldman Sachs pela gestão de ativos no livro que vai lançar em dezembro. O título fala por si: “O Mapa do Crescimento: Oportunidade Económica nos BRIC e para além deles”, a editar pela Portfolio.

“Se o G7 fosse criado hoje teria de incluir a China. E também facilmente se colocaria a questão da maior importância do Brasil, Índia ou Rússia em relação ao Canadá. E, desde a introdução do euro como moeda única em 1999, parece haver pouca lógica por detrás da participação de três membros da zona euro no G7, sobretudo o mais pequeno de entre eles, a Itália”, refere O’Neill, cujos extratos do seu livro, “The Growth Map” (na edição inglesa), têm estado a ser divulgados pelo jornal britânico The Telegraph. Percebe-se que a zona euro, como entidade geopolítica, mais do que apenas uma zona monetária única, é um trunfo nestes rearranjos dos “grupos” de potências.

O G7 começou por ser um G6 quando foi fundado em 1975 por iniciativa do presidente norte-americano Gerald Ford, que resolveu convocar uma cimeira para discutir o primeiro choque petrolífero. Convidou o Japão, o Reino Unido, a Alemanha, a França e a Itália; no ano seguinte juntou o Canadá. Assim nasceu o G7.

Economias de crescimento vs “ricos” do ‘Ocidente’

O especialista da Goldman Sachs acha também que já não faz sentido falar de “economias emergentes”, e sugere o conceito de “economias de crescimento”, o tema central desta sua obra que mapeia esse crescimento à escala global. Essa tónica do crescimento, específica de uma dada geografia que nada tem a ver com o ‘Ocidente’, ficou, ainda, mais clara depois do irromper da crise financeira e da grande recessão desde final de 2007.

Essa nova geografia do crescimento resume-se numa constatação: a economia mundial duplicou desde 2001 e 1/3 desse crescimento veio dos 4 BRIC. Hoje 20% do comércio internacional é dominado pelos BRIC, o que compara com menos de 10% há uma década.

“Os quatro BRIC excederam as expetativas que eu tinha em 2001. Retrospetivamente, as previsões iniciais que fiz, por mais chocantes que tenham sido então para alguns, agora parecem conservadoras”, sublinha. A China ultrapassou o Japão no início de 2011 e a previsão que a Goldman Sachs fez em 2003 de que a economia chinesa ultrapassaria a norte-americana em 2035 foi, agora, antecipada para 2027, e “talvez ainda mais cedo”.

A nova geografia de crescimento aponta inclusive para um G8 agrupando não só os 4 BRIC como também o México, a Indonésia, a Coreia do Sul e a Turquia, diz Jim O’Neill. Por razões geopolíticas, recorde-se que os BRIC resolveram este ano mudar o acrónimo das suas cimeiras para BRICS, incluindo a África do Sul (South Africa, justificando o último “s” no acrónimo).

Para resolver o problema de quem pertence aos Gs, o especialista da Goldman Sachs sugere que o Fundo Monetário Internacional tome conta do assunto, que defina os critérios, e integre ou exclua quem pertence aos grupos.

No caso do G7, o problema político residiria em como “excluir” o Reino Unido e o Canadá. Londres poderia sobreviver se a União Europeia, em vez da zona euro, tivesse uma só cabeça. Mesmo que o Reino Unido tivesse de sair do clube, não seria o fim do mundo – países que são centros financeiros importantes como a Suíça ou Singapura continuam a dar cartas, mesmo não estando no G7, diz este nativo de Manchester, provavelmente chocando os seus conterrâneos habituados à velha tradição imperial britânica e à extensão da Commonwealth.

One Response to “Um G7 de verdade teria de ter os BRIC, diz o “pai” do acrónimo BRIC”

  1. Excelente visão. O G7 é uma utópico e apenas serve como uma referencia. Os Bric ou Bric’s a curto prazo serão a nova força económica.

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