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O BERÇO DA MORNA

A melhor recordação que pode trazer de Cabo Verde são os amigos que fizer, as maravilhosas «tocatinas» improvisadas de «mornas» cantadas à viola, a riqueza da sua gastronomia e as saudades das praias de areia branca banhadas pelas águas cristalinas do Atlântico.

Texto e fotos: Alexandre Coutinho

Baía do Porto Grande, no Mindelo, fonte de toda a actividade portuária de S. VicenteS.Vicente é uma ilha bastante seca, ocasionalmente bafejada por uma precipitação mais abundante no fim do Verão (Agosto ou Setembro) que sacia a terra ressequida e transforma a paisagem árida das suas serras em encostas verdejantes. A mais emblemática é o Monte Cara (pela silhueta de um rosto humano que o seu recorte apresenta), junto à Baía do Porto Grande e a mais elevada é, precisamente, o Monte Verde (774 metros). A agricultura e a criação de gado estão confinadas aos vales férteis que rasgam o centro da ilha, mas S.Vicente depende das produções agrícolas com origem nas ilhas vizinhas de S.Antão e S.Nicolau ou da importação de bens alimentares de Portugal, Brasil e Holanda. Com 227 quilómetros quadrados, é a terceira ilha mais pequena (depois da Brava e do Sal) entre as dez que constituem o arquipélago de Cabo Verde.

Palácio do Povo (antigo Palácio do Governador). Um magnífico exemplar de arquitectura colonial portuguesaMuito centrado na cidade do Mindelo ou na Praia da Baía das Gatas (celebrizada pelo festival anual de música que ali é organizado desde 1984), o turismo ainda não se afirmou como motor de desenvolvimento em S.Vicente. Esta situação é tanto mais injusta, porquanto a ilha dispõe de outras praias com grandes potencialidades - casos da Praia Grande, da Praia de Salamansa, da piscina natural de Porto do Calhau e da Praia de S.Pedro (junto ao aeroporto), muito elogiada pelos praticantes de windsurf.

«Quem ca conchê Mindelo, ca conchê Cabo Verde»
«Quem não conhece o Mindelo, não conhece Cabo Verde»
Manuel d'Novas, músico e compositor caboverdiano

S.Vicente desenvolveu-se, sobretudo, pela actividade comercial e portuária da cidade do Mindelo, onde se concentra cerca de 75% da população da ilha (num total de 35 mil habitantes). Tudo começou no final do século XVIII, com o aparecimento dos primeiros barcos a vapor no Atlântico, que necessitavam de portos de escala para reabastecer de carvão. Ao longo do século XIX, todos os transatlânticos a caminho de América do Sul e outros países de África faziam escala no Mindelo, tendo a cidade alcançado o seu apogeu nas primeiras décadas do Século XX.

Panorâmica parcial da cidade do Mindelo. Ao fundo, o recorte singular do Monte CaraA cidade do Mindelo é uma das poucas cidades do mundo onde se respira uma atmosfera invulgar e muito própria, que é sempre difícil descrever por palavras. Ao clima ameno, pautado por uma temperatura suave, juntam-se a harmonia do traçado das ruas e as reminiscências da arquitectura portuguesa em edifícios admiravelmente preservados. O antigo Palácio do Governador (hoje, Palácio do Povo), constitui o expoente máximo dessa preservação e é, porventura, o melhor exemplo de arquitectura colonial portuguesa em África. Pena é, que as suas portas e janelas permaneçam encerradas à curiosidade do grande público e que se desconheça, por agora, o destino que o futuro lhe reserva.

Outros edifícios merecem, igualmente, destaque. É o caso da Drogaria Central, junto à Câmara Municipal do Mindelo, que ainda conserva o balcão e os armários de origem; da antiga Alfândega, hoje transformada em centro cultural; ou dos edifícios da rua de Lisboa recém-recuperados pelo BCA (Banco Comercial do Atlântico) e pelo Centro Cultural Francês.

Interior do Mercado do MindeloTodavia, a atmosfera do Mindelo é indissociável da hospitalidade e do calor humano das suas gentes. É difícil encontrar melhor receptividade e simpatia que a dos caboverdianos. Do atendimento nas lojas, hotéis e restaurantes aos taxistas, passando pelos simples transeuntes que cruzamos na rua e nos indicam uma direcção, todos se revelam prestáveis e exprimem uma hospitalidade natural para com os estrangeiros, especialmente, se forem portugueses. Os laços com Portugal permanecem fortes, não só na língua comum, como em muitos traços da cultura popular e do desporto, com destaque, naturalmente, para o futebol, capaz de inflamar as mais acessas discussões entre adeptos dos principais clubes.

Praia de S. Pedro. O paraíso para os praticantes de windsurfLiberto de quaisquer fantasmas colonialistas que alguns mal intencionados ainda procuram inculcar, o caboverdiano orgulha-se das suas origens mestiças e de ser o produto do cruzamento entre naturais da Europa e continentais de África. Mas são, obviamente, mais africanos e detentores de uma cultura e identidades próprias que se reflectem de sobremaneira nas mais diversas manifestações artísticas: a música, onde os melhores intérpretes de «mornas», «coladeras» e «funaná» ganharam já o justo reconhecimento internacional (Cesária Évora, Ildo Lobo, Ana Firmino, Titina, Hermínia, Travadinha (já falecido), entre muitos outros); a gastronomia, enriquecida pela grande variedade de peixes e mariscos, mas onde não faltam pratos tradicionais como a «cachupa» (carne de porco com feijão, milho, batata doce, inhame e mandioca); a literatura, com romances que retratam as suas vivências e modo próprio de sentir (as sementes lançadas pela viragem introduzida no romance caboverdiano por Baltazar Lopes da Silva, em 1947, com a sua obra prima «Chiquinho», encontrou nas narrativas de Germano de Almeida o seu melhor dísciplo); o carnaval de S.Vicente, num desfile tipicamente brasileiro; o cinema, através de uma geração de actores e realizadores que dão corpo às personagens mais características das ilhas; o teatro e a pintura, tapeçaria, olaria e artesanato que, infelizmente, enfrenta a dura realidade da escassez de recursos para dar livre curso a uma imaginação mais exuberante. Desiluda-se o viajante que procura recordar a sua estadia em Cabo Verde com artefactos locais, tão comuns em outros países africanos. Aqui não encontrará essa diversidade, à excepção de algumas lojas e galerias do centro da cidade do Mindelo, que não hesitam em importar de Dakar, no Senegal, peças de artesanato, vestuário e outras «bujigangas» para satisfazer a crescente procura dos turistas.


BLOCO NOTAS

Porto do Calhau, um pequeno núcleo de pescadores muito popular ao fim-de-semanaPaís: República de Cabo Verde (5/7/1975)

Área: 4030 km2

População: 450 mil habitantes

Capital: Cidade da Praia

Moeda: Escudo caboverdiano (1 ECV = 1$80 - câmbio fixo em Novembro de 1999)

Idiomas: Português e crioulo

Vacinas: Nenhuma obrigatória

Documentos: Passaporte com visto e seguro de viagem

Hora: GMT - 1

Destino: Ilha de S.Vicente (Grupo do Barlavento), no Oceano Atlântico, cerca de 630 quilómetros a Oeste das costas do Senegal.

Acesso: Por avião, a partir do aeroporto internacional da Ilha do Sal.

Mapas: S.Vicente/Mindelo/Baía do Porto Grande - Cliparte/PROMEX

Guias: Requedaz, Sabrina e Delucchi, Laurent - Cap-Vert - Loin des Yeux du Monde, Guide Olizane/Découverte, Edition Olizane, Genève, 1999

Alojamentos:

  • Hotel Porto Grande (****) - Tel.(238) 323190
  • MindelHotel (****) - Tel.: (238) 328881
  • Aparthotel Avenida (***) - Tel.: (238) 313435
  • Residencial Sôdade (**) - Tel.: (238) 313556
  • Restaurantes:

  • Cantinho - Tel.: (238) 311736
  • Archote - Tel.: (238) 323916
  • Cordel - Tel.: (238) 315445
  • Chez Loutcha - Tel.: (238) 321636
  • Sôdade - Tel.: (238) 313556
  • Bar Calypso (Ofélia) - Tel.: (238) 314229
  • Café Musique - Tel.: (238) 311048
  • Esplanada Hamburg (Porto do Calhau)
  • Clima: Seco, semi-árido, tipicamente sub-sahariano, com uma estação seca ao longo de quase todo o ano e uma curta estação de chuvas em Agosto e Setembro.

    Equipamento indispensável: Roupas leves, T-shirts e calções, sapatos leves, chapéu, óculos de sol, canivete suíço, bolsa de primeiros socorros, protector solar, binóculos, máquina fotográfica e câmara de vídeo.

    Código de preservação: Lembre-se que as populações locais têm os seus próprios hábitos e costumes. Peça autorização antes de fotografá-los; transporte todo o lixo consigo até encontrar um recipiente apropriado.

    Endereços úteis:
    Cabo Verde

  • www.caboverde.com/default.htm
  • www.governo.cv
  • www.capeverdeusembassy.org/factmain.html
  • http://members.tripod.com/~gambuzino/cpv.htm
  • www.cabonet.cv/cabonews/
  • www.odci.gov/cia/publications/factbook/cv.html
  • http://users.erols.com/kauberdi/index.html
  • www.caboverde.com/news/cv-card.htm

  • S.Vicente
  • www.caboverde.com/ilhas/ysvic-it.htm
  • www.caboverde.com/ilhas/s-vicen/guide-e.htm
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